Blog do Eliomar

Açude Castanhão – Uma falsa declaração

Com o título “Açude Castanhão – Uma falsa declaração”, eis artigo do engenheiro Cássio Borges, esclarecendo sua posição acerca do projeto Castanhão. Confira:

Ouvi nessa quarta-feira, dia 24/01/2018, no Programa Tecnologia, da Rádio O POVO/CBN,
patrocinado pelo Sindicato dos Engenheiros do Ceará e apresentado pela jornalista Raquel
Gomes, o engenheiro Clésio Jean Saraiva, do Dnocs, dizer para o público daquela
emissora que ouviu o engenheiro Cássio Borges, o maior crítico da Barragem do Castanhão, dizer, na Assembleia Legislativa, que sua construção foi um “bendito erro”.

Lamento ter que dizer àquele colega do Dnocs, que nunca exerceu funções de engenharia
naquele Departamento Federal, mas somente na área administrativa, como ele próprio disse na ocasião, que ele cometeu uma falsidade de informação e uma injustiça à minha pessoa, como profissional de engenharia, ao ter feito tal declaração.

Realmente, participei, recentemente, de uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa
sobre o DNOCS, mas o que eu disse naquela ocasião é o que está transcrito nas páginas 56 e 57 da segunda Edição do livro que escrevi, lançado recentemente no Náutico Atlético Cearense. Mas, a minha preocupação é saber qual o real motivo da citação do meu nome naquele programa e qual, também, a sua intenção.

Em reposta a tão insólita declaração, eu só queria dizer para a comunidade cearense que eu fui o único técnico cearense que teve participação direta ou indireta naquele empreendimento que não se curvou aos interesses da Construtora Andrade Gutierrez e disto, me orgulho. E também dizer que, o que eu disse sobre o Açude Castanhão está escrito nas duas edições do livro intitulado A Face Oculta da Barragem do Castanhão-Em Defesa da Engenharia Nacional.

Lamento que o Administrador, acima citado, não os tenha lido, até hoje. Eu disse, naquela
ocasião, que foi um erro inominável de engenharia o de incorporar o “volume de espera para o controle de enchentes” ao “volume útil” daquela barragem e que tal erro não deve ser repetido no futuro, sob pena de colocar o referido reservatório em risco de rompimento, com trágicas consequências para a população do Baixo Jaguaribe.

A seguir, transcrevo trechos do artigo e da entrevista que falam sobre este assunto no
Jornal O POVO, do dia 07 de janeiro de 2016 e no portal Tribuna do Ceará, do dia 24 de janeiro do mesmo ano:

Açude Castanhão: Bendito erro

No final do inverno de 2009, que não foi um ano excepcional de chuvas, houve aqui em
Fortaleza uma discussão nos meios de comunicação envolvendo técnicos, políticos, jornalistas e o próprio Governador do Estado e do Diretor-Geral do DNOCS, quando se questionava se as comportas do Açude Castanhão deveriam ou não ser abertas, ou permanecerem fechadas. A discussão tinha por objetivo usar o “volume de espera” do referido reservatório para uma acumulação adicional (sabidamente irregular) de água de 2,3 bilhões de metros cúbicos no Açude Castanhão.

Este “volume de espera”, como o próprio nome diz, deverá, sempre que possível, estar
seco. Mas não foi o que realmente aconteceu no ano de 2009. Àquela altura, o reservatório já havia atingido o seu nível máximo de alerta (cota 100m), portanto as 12 comportas (acima do sangradouro) obviamente deveriam estar abertas.

Felizmente, ou graças a proteção Divina, não tivemos naquele ano, uma chuva de 100 ou
120mm. Se tal fato tivesse ocorrido, um dos diques daquele açude poderia ter rompido com consequências trágicas para o Baixo Jaguaribe. Graças a esse erro de engenharia, o Castanhão ganhou uma acumulação adicional (tecnicamente não prevista no projeto) de 2,3 bilhões de metros cúbicos de água que, atualmente, está sendo responsável pelo abastecimento d`água da Região Metropolitana de Fortaleza. Em outras palavras, caso esse erro não tivesse sido cometido, o Açude Castanhão já estaria seco desde o início do ano passado, isto é, 2015, ou até mesmo antes.

Fortaleza só tem água hoje devido a risco de tragédia assumida em 2009

Segundo o engenheiro Cássio Borges, um erro de engenharia permitiu que o Açude
Castanhão acumulasse água que, atualmente, abastece a capital. …Em entrevista ao portal
Tribuna do Ceará, o ex-diretor do DNOCS, Cássio Borges, revelou que um erro de gestão
cometido garantiu que a capital cearense não ficasse sem água em 2016.

No final do inverno daquele ano, a discussão seria se deveria ou não abriras comportas do
açude. Após várias reuniões com repercussão na imprensa, envolvendo políticos e técnicos
especialistas, foi decidido que as comportas não deveriam seriam abertas. O que, segundo o ex-Diretor do Departamento, Cássio Borges, foi um erro gravíssimo.

Então, não abrir as comportas foi um erro de gestão gravíssimo, pois caso acontecesse uma forte chuva naquela ocasião os diques poderiam ser rompidos e a região do Baixo Jaguaribe seria completamente inundada”, disse Cássio. Segundo Cássio, os diques são feitos de terra e utilizados para manter a água armazenada no local adequado. Caso a água ultrapasse o volume limite possível, a barragem poderá romper causando súbita inundação na região.

Conforme o engenheiro, o erro cometido naquele ano foi fundamental para garantir o
abastecimento de água da capital: “Graças a esse erro de engenharia, e felizmente o não
acontecimento de chuvas fortes na região, o Açude Castanhão ganhou uma cumulação
adicional que não era previsto no projeto, de aproximadamente 2,3 bilhões de metros cúbicos que corresponde ao “volume de espera”. É essa reserva que atualmente está sendo responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de Fortaleza. Se não tivesse havido este erro de gestão Fortaleza já estaria sem água desde o início de 2015”, ressalta Cássio Borges.

Cássio Borges é engenheiro civil, especialista em recursos hídricos e barragens.