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Chacina do Benfica – O narcoterrorismo em Fortaleza

Em artigo sobre a chacina no bairro Benfica, o sociólogo e consultor político Luiz Cláudio Ferreira Barbosa aponta que nunca o tráfico havia levado suas disputas por pontos de tráficos, a bairros nobres de Fortaleza. Confira:

A chacina no bairro do Benfica pode ser considerada como o marco inicial do narcoterrorismo na cidade de Fortaleza. Os narcotraficantes nunca levaram as suas guerras, por pontos de tráficos, aos bairros nobres da capital cearense. As facções criminosas praticavam as ações de extermínio dos seus rivais nos aglomerados urbanos, como o entorno da praça da Gentilândia, ponto movimentado de bares e restaurantes, conhecida área cultural, boêmia e universitária.

No início dos anos 2000, a região da Praia de Iracema foi tomada por usuários de drogas e vendedores de entorpecentes. O mesmo fenômeno ocorreu no início dessa década no entorno do Dragão do Mar. A migração do público alternativo foi natural para a região do bairro do Benfica. Na Praia de Iracema e no Dragão do Mar ocorrem mortes por furtos ou por dívida de drogas. Os narcotraficantes daquela área nobre de Fortaleza não desejam levar o terror aos seus consumidores, e também pelo fato dos chefes ou barões serem moradores da região.

A praça da Gentilândia já era um ponto de disputa das facções criminosas. Infelizmente, a violência não é um fato novo no cotidiano dos moradores. A intenção da chacina era de amedrontar o consumidor de droga local, viciados dos bairros nobres que não frequentam mais a região do Dragão do Mar/Praia de Iracema, nos finais de semana. O bairro Benfica é próximo ao Centro, bairro de Fátima, Parquelândia (av.Bezerra de Menezes), Montese e Parangaba. Os grandes chefes traficantes não moram na região da Gentilândia.

A morte dos jovens torcedores, inocentes, é outra faceta da guerra das drogas. Os narcotraficantes desejam usar as redes de vendas de materiais esportivos e souvenirs como sublocação de entorpecentes. O governador Camilo Santana (PT) e o secretário da área de Segurança Pública, o policial federal André Costa, vão precisar dar muita explicação administrativa, para esse novo tipo de chacina próximo aos redutos de diversão da classe média fortalezense.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, sociólogo e consultor político