Blog do Eliomar

Tudo pela transposição das águas do rio São Francisco

Com o título “Segurança hídrica”, eis o Editorial do O POVO desta quinta-feira:

A incerteza sobre a situação hídrica do Ceará, se as chuvas continuarem escassas, faz com que as esperanças se voltem mesmo para a conclusão do Eixo Norte da Transposição do rio São Francisco, prometida ainda para este semestre pelo Ministério da Integração Nacional. No caso específico de Fortaleza, a expectativa de abastecimento não está depositada apenas nas águas represadas do açude Castanhão, mas, futuramente, também, num projeto complementar de uma usina de dessalinização da água do mar, como está sendo frisado pelas autoridades estaduais no 8º Fórum Mundial da Água, em curso em Brasília.

A estimativa é que as águas do rio São Francisco desaguem no Ceará até julho próximo, daqui a quatro meses. É certo que essa data foi alterada por diversas vezes, em decorrência de paralisações na obra. A última interrupção durou 13 meses, entre junho de 2016 e julho de 2017. Nova data de entrega foi marcada para maio próximo, mas, já descartada (antes tinha sido janeiro). Se não acontecer este semestre, a responsabilidade, segundo Brasília, seria da administração estadual, encarregada de concluir a parte sob sua responsabilidade: o Cinturão das Águas. Ironicamente, segundo as explicações do governo estadual, o atraso deste se deveu às chuvas caídas no Cariri. Como o solo de lá é argiloso, é preciso esperar que enxugue para se poder trabalhar nele. A aceleração final tem início em abril.

De fato, nenhuma das três metas do eixo Norte — que impacta diretamente o Ceará —foi totalmente concluída. Quando o Eixo Leste foi concluído, há um ano, faltavam apenas 5,04% para a conclusão do Eixo Norte. Resolvida a pendência da recontratação das obras, não haverá mais porque protelar sua entrega. Cruzemos os dedos. Essa segurança hídrica tão almejada pelo Nordeste Setentrional vai custar menos do que a indenização de R$ 11 bilhões paga a acionistas americanos da Petrobras, sem o alarido costumeiro tantas vezes ouvido quando se tratava de recursos aplicados na Transposição – essa obra de importância vital para o povo nordestino.

Contudo, o Ceará não ficará deitado em berço esplêndido: procurará outras alternativas para as áreas não atendidas pela Transposição, como as cisternas de placas, poços artesianos e outras opções. Mesmo em áreas a serem beneficiadas, como Fortaleza, trabalha-se em opções complementares, como a dessalinização da água do mar, visando cobrir 12% do consumo de água da cidade. Quanto mais se avançar nessa tecnologia, maior volume poderá ser processado e mais reduzidos os seus custos, se o critério prevalente for o social.