Blog do Eliomar

Reação contra o medo

Com o título “Reação contra o medo”, eis o Editorial do O POVO desta terça-feira:

Os ataques que Fortaleza tem testemunhado, nos últimos dias, contra órgãos públicos, transporte coletivo e, inclusive, ameaças diretas às autoridades, têm criado um clima de insegurança, medo e terror na população. Como os cidadãos podem contribuir para travar o objetivo dos criminosos? Checando as notícias que lhes chegam pelo WhatsApp, não as repassando adiante, sem antes verificar se são verdadeiras, ou não. Pois, os delinquentes querem, antes de tudo, criar pânico na população com notícias falsas, para melhor coagi-la.

Evidentemente, quem quer que esteja por trás desses acontecimentos – indícios apontam para o crime organizado – busca intimidar a sociedade e o Estado e assim tornar ambos reféns desse propósito. Render-se, antecipadamente, a essa ameaça seria o pior dos caminhos. A experiência da humanidade demonstra que enfrentar esse tipo de problema exige a identificação das causas que promovem o fenômeno, bem como a mobilização dos recursos do poder público para enfrentá-lo, e o convencimento da sociedade de que é imprescindível a cooperação de cada cidadão.

Esse tipo de desafio não surge aleatoriamente, mas, num contexto de desajuste econômico, social, institucional e político. Por isso, não se consegue resolvê-lo apenas com a repressão, embora esta seja, desde o início, imperativa como dissuasão, até que o conjunto das providências (econômicas, sociais, institucionais, políticas e culturais), interajam simultaneamente. Do ponto de vista técnico, esse combate deve ser enfrentado, antes de tudo, pelos serviços de inteligência – cuja atuação deve ser monitorada, democraticamente, pela Academia (universidades) e outras instâncias civis, em vista dos interesses do Estado Democrático de Direito. Por fim, a participação dos cidadãos, não só cooperando com informações e sugestões, mas, utilizando os instrumentais que a Internet lhes oferece.

Uma das formas mais recomendadas de engajamento da sociedade nesse processo é reagir ao plano criminoso de paralisá-la pela propagação de um clima de medo e insegurança. Ao receber uma notícia pelo WhatsApp o cidadão não deve passá-la à frente sem antes checar a sua veracidade com outras fontes. Difundir notícias falsas e alarmantes, sem verificar se são verdadeiras, ou não, pode fazer o jogo dos criminosos e atrapalhar as investigações.

Em meio à crise política e ao descrédito das instituições nunca se sabe o que é verdade, ou manipulação com fins inconfessáveis. Mais do que nunca é necessária a vigilância democrática dos cidadãos.