Blog do Eliomar

Desigualdades persistentes

Editorial do O POVO neste sábado (14) aponta que a desigualdade agravou-se no Ceará, diante da concentração de renda. Confira:

O estudo “Rendimento de Todas as Fontes”, divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), confirma uma constatação histórica: o Brasil continua sendo o País das desigualdades de renda, no que se refere às diferenças devido ao sexo, cor e raça e instrução escolar.

Ressalte-se que existem diferenças nos conceitos de “desigualdade” e “pobreza”. Entretanto, no Brasil, as duas coisas se entrelaçam de maneira perversa, criando um quadro grave, que urge ser superado.

É certo que, no Ceará, a renda média aumentou de R$ 1.403 para R$ 1.503 em 2017 (período a que se refere o estudo), porém, a desigualdade agravou-se no Estado. O índice Gini, que mede a concentração de renda, subiu de 0,553 (2016) para 0,560 (2017). A tabela tem uma escala que vai de zero (igualdade total) a 1 (completa desigualdade, com apenas uma pessoa como sendo detentora de toda a riqueza). Assim, quanto mais perto do número um, maior é a desigualdade. Na região Nordeste a diferença entre ricos e pobres é maior ainda: o indicador, que era de 0,545 em 2016, subiu para 0,559 em 2017.

Tomando-se como referência todo o País, o quadro permanece grave nesse quesito. O grupo do 1% mais rico teve rendimento médio mensal de R$ 27.213; para a metade mais pobre da população, a renda mensal ficou em R$ 754. Outro dado que mostra o profundo fosso que separa os brasileiros mais ricos dos mais pobres, revela que os 10% da população com os maiores rendimentos ficam com 43,3% da renda; sendo que para os 10% mais carentes resta 0,7% do total.

Quando se observa do ponto de vista de gênero, continuam persistindo as desigualdades. O rendimento médio dos homens foi de R$ 2.410; o das mulheres, R$ 1.868. Quanto à cor e a raça, o IBGE verificou que o rendimento médio mensal dos trabalhadores brancos foi de R$ 2.814, em 2017. Das pessoas pardas, de R$ 1.606 – e das pretas ainda menor, R$ 1.570.

Para o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, “nós somos praticamente cinco países em um só, demonstrado pelo retrato de cada uma das cinco regiões”. Assim, o grande desafio do Brasil é transformar-se em um único e sólido País, sem as profundas diferenças que separam regiões e pessoas. Para isso seria necessário que os brasileiros se propusessem a um grande acordo nacional para enfrentar o problema. Pode ser difícil e demorado, mas talvez seja uma boa fórmula para pacificar o País.