Blog do Eliomar

Lula, as pesquisas e o futuro

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Com o título”Eles estão certos”, eis artigo de Ricardo Alcântara, escritor e publicitário. Ele avalia como precoces as pesquisas sobre a disputa presidencial. “Há, portanto, duas coisas a se observar: Lula está muito consolidado naquela faixa de 30% de eleitores. Esses aí estão com ele para o que der e vier. Mas revela, também, proximidade com os limites de sua capacidade de crescer”,diz o texto. Confira:

Sondagens de opinião com prognósticos eleitorais, quando realizadas com muita antecedência, eu as chamo de “pesquisa de bola parada”: são como os modelos táticos que os treinadores de futebol rabiscam nas pranchetas e que, muitas vezes, não resistem a um gol inesperado nos primeiros minutos de jogo.

Esboçar possibilidades eleitorais é uma atividade de risco. O melhor seria deixar o prognóstico para depois da apuração. E, num momento como agora, os riscos são ainda maiores, porque quem pensa que sabe o que vai acontecer está muito mal informado.

Duas pesquisas recentes (Ipsos e Datafolha) trouxeram uma enxurrada de índices sobre a sucessão presidencial deste ano. A imprensa e os políticos em TPE (Tensão Pré-Eleitoral) vão a elas em busca de algo que diminua as ansiedades da incerteza, mas a medicação tem efeito relativo.

Não apenas são precoces seus indicativos, como também podem ser interpretados de maneiras diversas, antagônicas até, de acordo com o credo político de quem lê. Bom exemplo é a quase nenhuma mudança no percentual de intenções de voto no ex-presidente Lula após o impacto de sua prisão.

Os simpatizantes de Lula viram ali a confirmação de uma blindagem na popularidade dele, imune mesmo a um episódio simbolicamente muito negativo como é tê-lo por trás das grades, condenado por corrupção. Eles estão certos.

Os adversários de Lula, no entanto, veem nisso o fracasso no esforço de vitimização do mesmo, que já vem de muito antes, mas foi produzido com senso cinematográfico durante aquelas horas em que ele esteve recolhido na sede do Sindicato dos metalúrgicos e saiu carregado nos ombros. Eles também estão certos.

Há, portanto, duas coisas a se observar: Lula está muito consolidado naquela faixa de 30% de eleitores. Esses aí estão com ele para o que der e vier. Mas revela, também, proximidade com os limites de sua capacidade de crescer.

Em suma, para a ampla maioria da população, a prisão de Lula não se constituiu como um ato de violência, a ele ou à lei, mas é igualmente ampla a maioria da população que, mesmo apoiando a Lava Jato, espera que seus tentáculos alcancem outras lideranças políticas mais relevantes, e não somente Lula.

*Ricardo Alcântara

Escritor e publicitário.