Blog do Eliomar

Daí a razão de se querer isolar Lula numa solitária

972 3

Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (22):

A semana terminou com o Brasil sendo acusado de dar mais um passo em direção ao Estado policial e de exceção.

Em Curitiba, o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel e o teólogo Leonardo Boff foram impedidos de visitar o ex-presidente Lula. Ambos são amigos do líder preso – o que atende a uma das condições da Lei de Execução Penal (Art.41). Em segundo lugar, Esquivel tem prerrogativa internacional para fiscalizar estabelecimentos penais, e já o fez em vários países. Dois requerimentos, feitos por ele, foram negados.

Diante da alegação de que ele tinha apenas dois dias de permanência no País, a juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebbos, respondeu com desdém: “problema do Esquivel se ele está só de passagem”.

Já Leonardo Boff é um teólogo conhecido internacionalmente. A repercussão do episódio foi péssima para a imagem do Brasil. Reforçou a ideia de que defender Lula é defender o Estado democrático de direito prestes a soçobrar.

No Exterior está assentada a convicção de que o ex-presidente é um preso político, por ser inocente e seu processo tido como uma aberração jurídica. A sentença de Sérgio Moro foi traduzida e lida por vários juristas estrangeiros e se teve acesso aos documentos e livros de colegas nacionais expondo o absurdo jurídico.

Daí a razão de se querer isolar Lula numa solitária. A grande mídia começou a escondê-lo no dia seguinte à prisão. Faz de tudo para não noticiar o que se passa no acampamento em frente aonde está detido e no qual se realizam diariamente manifestações políticas e culturais, transmitidas pela internet ou pela TVT (Televisão do Trabalhador), da CUT.

Pela primeira vez as centrais sindicais vão realizar um 1º de Maio unificado. E escolheram Curitiba para sediar o evento. Depois do feito de unir as esquerdas, o ex-líder sindical conseguiu unificar as organizações dos trabalhadores e os movimentos sociais. Caravanas de todo o País estarão na capital paranaense para o grande protesto e exigir sua soltura e o direito de concorrer à eleição.