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Influenza: sem motivo para pânico

Com o título “Influenza: sem motivo para pânico”, eis artigo de Guilherme Henn, médico infectologista, que pode ser lido no O POVO desta terça-feira. Vale a pena se informar. Confira:

A gripe (ou influenza) é uma doença respiratória viral aguda que tem pico de incidência, no Brasil, no primeiro semestre. O ano de 2018 apresenta-se, nas estatísticas publicadas pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) até o dia 3, com o maior número de casos de doença grave por influenza, bem como o ano com o maior número de óbitos pela doença, desde 2009.

Contudo, a letalidade da doença grave relacionada ao vírus não parece diferir de anos anteriores — 17,4% dos casos graves deste ano evoluíram ao óbito em comparação com 22,6% em 2012 e 21,7% em 2013, por exemplo. Além disso, a grande maioria dos casos severos ocorre nas faixas etárias de maior risco (idade menor que cinco anos ou maior que 60), assim como em portadores de doenças crônicas diversas. Ainda é possível ler no dados que, em nenhum caso que evoluiu para o óbito havia histórico de vacinação no último ano para influenza, e menos de um quarto dos indivíduos que pereceram recebeu o medicamento antiviral recomendado.

Diante destes dados, ainda que 2018 se destaque com pico de casos graves por influenza, a situação definitivamente não merece o pânico que se viu recentemente. São necessárias, sim, serenidade para compreender o momento epidemiológico e proatividade no que diz respeito a educação em saúde, de forma a fazer as pessoas entenderem como se prevenir e quando devem procurar os serviços de saúde.

O indivíduo que apresenta síndrome gripal (isto é, febre alta de início súbito, dor de cabeça e no corpo, acompanhadas de tosse e dor de garganta ou coriza) deve procurar atendimento médico imediatamente se: 1) fizer parte dos grupos de risco para complicações ou 2) estiver com falta de ar. Nestas pessoas, o medicamento antiviral está indicado e pode modificar a evolução da doença.

A prevenção se dá com a imunização, que está indicada prioritariamente para os grupos de risco e produz bom nível de proteção após 2-3 semanas.

Lembre-se, também, caso apresente sintomas da doença, evite ir trabalhar, sempre cubra nariz e boca com um lenço descartável quando espirrar ou tossir, e higienize frequentemente as mãos com álcool gel ou água e sabão.

*Guilherme Henn

guialhenn@gmail.com.

Médico infectologista.