Blog do Eliomar

Na disputa presidencial, Ciro tem um inimigo terrível… ele mesmo!

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Com o título “Ciro X Ciro”, eis artigo de Ricardo Alcântara, escritor e publicitário. Ele analisa as perspectivas dos presidenciáveis e se detém mais no pré-candidato pedetista. Confira:

Velha raposa pernambucana, acostumada aos sobressaltos do processo eleitoral, repetia, quando a ela pediam prognósticos, que só os faria depois da apuração. Numa quadra como a atual, em que fatores inéditos influenciarão o pensamento do eleitor, previsões do tipo se tornaram atividade de risco. Mas lá vamos nós!

Há, no Brasil, quatro candidatos à presidência: Alckmin, Bolsonaro, Ciro e Marina. O nome indicado por Lula irá compor essa primeira raia de disputa com um percentual mínimo de 15% de votos – isso aí ele transfere fácil. Os outros podem ir para casa e assistir a disputa pela televisão. Desses cinco, nenhum dos extremos (Jair Bolsonaro e o candidato do Lula) teria hoje força suficiente para superar a barreira de rejeição do segundo turno, a menos que fossem eles os escolhidos para a disputa final, o que seria muito pouco provável.

Logo, fosse a eleição daqui a, digamos, duas semanas, o eleito seria, inexoravelmente, um nome de centro: Alkmin, Ciro ou Marina. Cada um com seus problemas. Alkmin senta no colinho do PIB, tem estrutura nacional, mas carrega o estigma tucano e seu caudal de escândalos. Marina Silva é o nome mais forte, mas tem somente doze segundos em sua propaganda de televisão, o que, mantidas as condições atuais, seria uma impossibilidade estatística. Visto assim, pode sobrar para Ciro Gomes: tem estrutura razoável e um discurso abrangente.

Mas Ciro tem um inimigo terrível: ele mesmo. Para vencer generalizados receios, ele terá que projetar para o imaginário da sociedade uma sólida imagem de presidente. É uma questão de postura. O cidadão não se sente seguro de entregar tamanho abacaxi em mãos trêmulas. Estabilidade emocional é um fator fundamental de êxito nas tomadas de decisões, qualquer pessoa sabe disso. E um presidente toma grandes decisões todos os dias.

Para chegar lá, Ciro Gomes precisa encontrar um modo de conciliar ousadia e sobriedade. A serenidade psicológica que falta faz a Ciro Gomes não pode se ausentar de alguém que senta todo dia naquela cadeira.

*Ricardo Alcântara,

Escritor e publicitário.