Blog do Eliomar

A persistência dos efeitos da seca

Editorial do O POVO deste domingo (3) atenta para a necessidade de se encontrar saídas contra as seca, que não sejam apenas esperar que a natureza resolva o problema da falta de água. Confira:

Dividida em três partes, a última publicada na edição de ontem, uma primorosa reportagem dos repórteres Cláudio Ribeiro (texto) e Julio Caesar (foto), “A peleja das águas”, mostrou uma nova face do Sertão. Os campos estão um pouco mais verdes e os açudes ostentam tímidas, porém esperançosas, lâminas de água, depois que a estiagem deu uma pequena trégua.

De 2012 a 2017 (seis anos) as chuvas ficaram muito abaixo da média para recarregar açudes, impossibilitando também safras comerciais e mesmo uma pequena colheita, com a qual o agricultor pudesse prover a sua família. Mesmo com a melhora, 2018 é considerado o sétimo ano de seca em muitas cidades do interior cearense, devido às graves consequências de tanto tempo de fracos períodos chuvosos.

Um dos casos relatados pelos repórteres mostra que a cidade de Pedra Branca (92 km de Fortaleza) foi obriga a adotar medidas de emergência nos três últimos anos. Uma dessas providências foi, literalmente, fechar as torneiras, que estão sem transportar água encanada desde 2015. A população viveu os três últimos anos à base de carros-pipa, e deveria voltar a ter o fornecimento nas torneiras no fim de maio. No entanto, as autoridades foram surpreendidas por outro problema: a greve dos caminhoneiros. Com tanto tempo sem funcionar, seriam necessários reparos no sistema, mas as peças ficaram parada nos bloqueios dos grevistas – e o serviço precisou ser adiado.

Em Tauá (347 km de Fortaleza) a irregularidade das chuvas fez alastrar-se, de modo incomum, uma larva que provoca um mal chamado de “papada inchada” pelo sertanejos, atingindo ovinos, caprinos e bovinos. Transmitida pelo verme Haemonchus contortus, a doença leva à morte do animal. O secretário municipal da Agricultura, Argentino Tomaz Filho, afirma que pelo menos 10% do rebanho foi dizimado pela doença.

De uma forma ou de outra, verifica-se que as consequências danosas persistem, mesmo quando encerra-se o ciclo da seca. Isso confirma a urgência de se encontrar saídas que não sejam apenas esperar que a natureza resolva o problema da falta de água.