Blog do Eliomar

Caso Dandara – Advogado pede R$ 1 milhão de indenização por danos morais

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Foi ajuizada nesta quarta-feira uma ação contra o Estado do Ceará com pedido de indenização por dano moral de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) em favor da senhora Francisca Ferreira de Vasconcelos.  Trata-se da mãe de Dandara dos Santos, travesti que foi agredida e assassinada no dia 15 de fevereiro de 2017, no bairro Bom Jardim, em Fortaleza.

Na ocasião, um vídeo expondo a crueldade do ato circulou pelas redes sociais e causou repercussão até internacional, mobilizando entidades da área dos direitos humanos, movimentos sociais e uma série de protestos por parte de entidades contra um crime com características de LGBTfobia.

A ação foi interposta junto ao Fórum Clóvis Beviláqua pelo advogado Hélio Litão, justificando que houve falha na prestação do serviço de segurança pública. Os elementos probatórios, segundo o advogado, permitem concluir “que a demora no atendimento da ocorrência registrada na Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) contribuiu, decisivamente, para o agravamento da situação de Dandara.”

Segundo Hélio Leitão, várias chamadas sobre o caso foram feitas à Ciops, num período de mais de uma hora, o que expõe negligência no atendimento.

Condenados

Cinco dos oito acusados pelo assassinato de Dandara dos Santos foram sentenciados. Todos os réus julgados no foram condenados com as qualificadoras de motivo torpe (homofobia), meio cruel e sem chance de defesa para a vítima. As penas, contudo, foram individualizadas, de acordo com a participação de cada um no crime.

Francisco José Monteiro de Oliveira Junior foi condenado a 21 anos em regime fechado por ter atirado em Dandara. Jean Victor Silva Oliveira teve pena de 16 anos por usar a tábua no espancamento.

Rafael Alves da Silva Paiva também foi condenado a 16 anos, mas por ter agredido a vítima com chutes. Francisco Gabriel dos Reis cumpre pena de 16 anos por ter agredido Dandara com chineladas. Por fim, Isaías da Silva Camurça foi punido com 14 anos e 6 meses por ter proferido palavas e frases ofensivas durante o ataque.

As defesas de Jean e Rafael recorreram da decisão, por entender que a pena foi elevada, justificando que a agressão causada por eles não foi determinante para a morte de Dandara. O julgamento ocorreu em abril deste ano, no 1º Salão do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza.

DETALHE – Dos envolvidos, dois continuam foragidos.

(Foto – Mariana Parente)