Blog do Eliomar

Camilo Santana e o quase consenso político-eleitoral no Ceará

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Em artigo sobre as eleições no Ceará, o sociólogo e consultor político Luiz Cláudio Ferreira Barbosa avalia a aliança política de Camilo Santana. Confira:

O governador Camilo Santana (PT) construiu a maior base governista dos últimos 30 anos na história política-eleitoral do Ceará. A frente de aliados do chefe do Executivo estadual pode ser comparada a um ônibus, por isso vou nomear de governo-ônibus.

O motorista é o governador Camilo Santana e as primeiras fileiras são ocupadas pelos aliados de primeira ordem ou hora, no caso mais específico o grupo dos irmãos Ferreira Gomes (Ciro-Cid), as fileiras no meio do transporte são ocupadas pelos partidos aliados (PT-PDT-PP e outros), nas fileiras finais estão os neoaliados: Eunicio Oliveira (MDB), Genecias Noronha (SD), Gorete Pereira (PR) e Domingos Neto (PSD).

O ex-governador e atual senador cearense, o empresário Tasso Jereissati (PSDB), já esteve à frente do comando do estado do Ceará, por três vezes, além de outros governadores eleitos por seu grupo político. Tasso Jereissati sempre teve forte oposição ao seu grupo político. O anti-tassismo tinha duas frentes específicas: anti-tassismo de direita (PMDB-DEM) e o anti-tassismo de esquerda (PT-PSB e PC do B). O ex-governador Cid Gomes (PDT) formaria o maior condomínio político-administrativo e eleitoral dos últimos anos (2007-2018). Cid Gomes sempre teve atrito com determinados aliados que eram obrigados a ir para a oposição estadual ou anti-cidismo. Até esse momento do calendário eleitoral, ainda não temos frente oposicionista intitulada de anti-camilismo.

Camilo Santana ainda procura atrair os setores anti-cirista-cidista das oposições cearenses, para que pelo menos fiquem neutras no primeiro turno da sucessão estadual de 2018. Camilo Santana promete não perseguir os grupos políticos do vice-prefeito de Maracanaú, o empresário Roberto Pessoa (PSDB), e do ex-governador Lúcio Alcântara (PSDB), através do seu emissário da paz, o senador Eunicio Oliveira, que ainda mantém relação política-administrativa com os grupos citados.

Há certa percepção na sociedade civil cearense da reeleição do governador Camilo Santana, para o seu segundo mandato (2019-2022). Camilo deverá trazer os neoaliados para os assentos da frente do seu governo-ônibus, com uma certa inexistência de zonas de atritos, em relação ao grupo político do ex-governador e futuro senador Cid Gomes, pois é necessária a manutenção dessa gigantesca base aliada nas eleições municipais de 2020. Os seguintes deputados federais deverão compor o principal núcleo do camilismo nos próximos quatro anos: Genecias Noronha (SD), Domingos Neto (PSD), Gorete Pereira (PR) e outros.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, sociólogo e consultor político