Blog do Eliomar

No México, a esquerda elege o presidente

Com o título “Esquerda elege presidente no México”, eis o Editorial do O POVO desta terça-feira. Confira:

O candidato de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, conhecido pelos seus compatriotas pela sigla AMLO, venceu as eleições presidenciais no México. A campanha, que além do presidente escolheu 128 senadores, 500 deputados, oito governos locais e da Cidade do México, além de cargos em 30 estados, foi marcada pela violência. Calcula-se que, durante o período, mais de 140 políticos foram assassinados.

Ex-prefeito da Cidade do México, Obrador havia concorrido sem sucesso em outras duas disputas presidenciais, em 2006 e 2012. Em uma eleição sem segundo turno, ele venceu seus dois concorrentes com 53% dos votos, segundo contagens preliminares, quase o dobro do segundo concorrente.

Obrador elegeu-se prometendo lutar sem tréguas contra a corrupção e garantindo que faria um governo combatendo as desigualdades, dando prioridade aos mais pobres e aos indígenas. Ao mesmo tempo evitou confrontar diretamente o mercado financeiro e o capital privado, afirmando, como registrou a edição de ontem deste jornal, que vai “conseguir essa transformação sem violência, de maneira pacífica”, e que a mudança será “ordenada e ao mesmo tempo profunda”. Ele também evitou temas relativos ao comportamento, pauta identificada com a esquerda, como a defesa do aborto ou do casamento gay. Mesmo com todos os cuidados, o novo presidente, que toma posse no dia 1º de dezembro, não terá vida fácil. Muitos desconfiam que discurso moderado seja apenas uma fachada.

Para o colunista da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi, experiente observador internacional, a eleição de Obrador levará o México a testar a sua democracia. “Os mercados aceitarão um presidente heterodoxo?”, pergunta o jornalista, em artigo publicado na edição de 1º/7/2018. Para Rossi, não há “o menor sinal” de que AMLO adotará políticas ao menos parecidas com as implementadas em Cuba, Nicarágua ou Venezuela. O problema é saber se os agentes do mercado e o empresariado mexicano assistirão passivamente a intervenção do Estado na economia para proceder as mudanças apregoadas por AMLO.

A alternância do poder é da essência da democracia, e os eleitores mexicanos escolheram o seu representante. A possibilidade de algum segmento da sociedade “aceitá-lo” ou deixar de aceitá-lo, não deveria nem estar sendo posta, desde que ele respeite as balizas democráticas, o que, até agora, AMLO vem fazendo.