Blog do Eliomar

Lula e Moro no País do “faz de doido”

218 1

Com o título “Lula e Moro no país do “faz de doido”, eis artigo do jornalista Carlos Mazza, que pode ser conferido no O POVO. Ele aborda eese imbróglio que girou em torno prisão, soltura e prisão do ex-presidente petista. Confira:

Certa vez, um amigo compartilhou comigo um dos mais antigos ensinamentos que recebeu da avó. “Quando nada mais der certo, se faça de doido”, dizia ela, dessas grandes matriarcas de família forjadas na faculdade da vida e de sabedoria inquestionável. A pérola –assegurava o colega – era de eficácia comprovada e servia para tudo, desde a prevenção de assaltos até na “desamarração” de paqueras mal resolvidas.

Nos últimos anos, a erudição de dona fulana parece ter saído dos círculos internos da família e tomado o Brasil de assalto. E no mais recente episódio da novela da prisão do ex-presidente Lula, quando um desembargador de plantão resolveu desembargar cárcere do petista, chegamos ao (até agora) ápice de uma sucessão de “faz de doidos” que vem se arrastando há anos e ditando os rumos do País – e das discussões de mesa de bar.

Um desembargador assina solitário decisão que, na prática, passa por cima de um colegiado? Tudo isso em um plantão, horas após entrada do pedido, sobre o que é provavelmente o caso mais delicado daquela Corte? Ué, qual o problema? Nada demais, dizem simpáticos ao petista. Um juiz de 1ª instância, de férias, surge em tempo recorde para desautorizar decisão superior? Tudo normal também, dizem críticos de Lula.

“Alto lá”, apontam adversários do petista, destacando ainda a longa e profícua relação entre o desembargador e o PT. Filiado por quase vinte anos, indicado de governos, selfies ao lado do ex-presidente. Tudo verdade. Tudo tão verídico, diga-se de passagem, quanto a relação de Alexandre de Moraes – ministro do STF que deu voto determinante para a prisão de Lula em 2ª instância – com o PSDB. Filiação, cargos, selfies e tudo.

O troca-troca de inconsistências vai longe. E assim, um “faz de doido” de cada vez, o Brasil ultrapolarizado vai se tornando uma arena onde a verdade vai ficando cada vez menos importante diante do embate entre polos opostos. É tudo uma questão de afinidades prévias e interpretação. Poderia até concluir o texto em um tom otimista, destacando a oportunidade das eleições de outubro devolverem alguma nesga de serenidade ao País. Me recordo, no entanto, da chance bastante real de coroarmos nas urnas o rei (ou rainha) dos doidos.

*Carlos Mazza

carlosmazza@opovo.com.br

Repórter do O POVO.