Blog do Eliomar

O Centro de Fortaleza mais uma vez em pauta

Com o título “O Centro mais uma vez em pauta”, eis o título do Editorial do O POVO desta terça-feira:

Praticamente todos os prefeitos que assumiram o comando de Fortaleza, pelo menos desde a redemocratização do País, fizeram algum tipo de promessa para “revitalizar” o Centro da Cidade. Porém, até hoje, tirando algumas reformas pontuais, nenhum deles implementou um projeto de largo alcance, de modo a recuperar essa parte tão importante e dinâmica de Fortaleza, com seu imenso valor histórico e cultural.

Conforme destacou a edição de ontem deste jornal, sob o título “Prefeitura lançará plano de requalificação para o Centro em agosto”, o prefeito Roberto Cláudio anunciou mais um desses projetos; um conjunto de ações para implementar melhorias na região. Destaque-se que a própria substituição do verbo “revitalizar” – com uso em moda durante muito tempo – pelo termo “requalificar” já demonstra uma forma mais adequada de encarar projetos que pretendem dar nova feição ao logradouro: sim, pois vitalidade nunca faltou ao Centro da Cidade, portanto, não haveria o que “revitalizar”.

O fortalezense sempre se fez presente, com cerca de 350 mil pessoas palmilhando diariamente as suas ruas e calçadas deixando-as plenas de vida. O Centro vem resistindo a todas as mudanças, e mesmo enfrentando a “modernização” dos hábitos de consumo, com muitos consumidores preferindo os shoppings, o bairro mantém a exuberância, com pleno funcionamento de seu comércio e serviços e de seus equipamentos históricos, culturais e turísticos – as suas principais vocações. O Centro abriga cerca de oito mil empresas, respondendo por 12% dos empregos formais da capital, sendo o setor urbano que mais recolhe Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Claro que o Centro poderia ser melhor. É forçoso reconhecer que muitas de suas áreas estão abandonadas e degradadas, com quase todas as calçadas ocupadas irregularmente. A proposta do prefeito Roberto Cláudio é reunir moradores, empresários, representantes do comércio formal e informal em um seminário para buscar soluções para os principais problemas. Ele pretende começar a implementar as mudanças em um prazo de 12 meses.

O que se espera é que, desta vez o projeto seja, de fato, tocado à frente, de modo que o local ganhe nova feição, para que a vitalidade, que ali sempre existiu, encontre meios para se expressar em toda a sua plenitude. Pois, para além do aspecto econômico, o bairro é, por excelência, o lugar da memória sentimental de muita gente: o fortalezense tem um caso de amor com o Centro de sua Cidade.