Blog do Eliomar

A pseudopreocupação com as contas públicas

Com o título “Bombardeio na economia”, eis artigo de Raone Saraiva, jornalista do O POVO. Ele aborda efeitos das pautas-bombas aprovadas pelo Congresso antes do recesso. Confira:

A aprovação pelo Congresso Nacional de projetos de lei com elevado impacto fiscal, as chamadas “pautas-bomba”, é prova de que as contas públicas do Brasil estão longe de ser prioridade para o Governo. A situação financeira do País, que já entrou no “cheque especial”, ficará ainda mais delicada nos próximos anos. E o lento processo de retomada do crescimento econômico poderá ser interrompido caso a “farra fiscal” continue.

Mesmo que a necessidade do equilíbrio fiscal seja exaustivamente reforçada nos discursos políticos, principalmente entre parlamentares que outrora criticavam a condução econômica do Governo passado, a pseudopreocupação com as contas públicas vem sendo revelada às vésperas das eleições.

A corrida de deputados e senadores, antes do recesso parlamentar, a fim de aprovar a lista de projetos que aumentam gastos públicos ou abrem mão de receitas para beneficiar determinados setores revelou que, quando se trata da busca pela reeleição, interesses públicos são deixados de lado em detrimento de ambições pessoais.

Tudo isso para agradar o eleitorado e conquistar votos.

A estimativa é que o impacto das “pautas-bomba” seja maior que R$ 100 bilhões nos próximos anos, valor que vai ajudar a aumentar o rombo nos cofres públicos e dificultar a gestão do(a) próximo(a) presidente. “Arrumar a casa” e “colocar o País nos trilhos” será um grande desafio para quem chegar à Presidência da República.

O equilíbrio fiscal, essencial para o crescimento econômico sustentável, precisa ser tratado com mais seriedade, inclusive, entre os candidatos. Infelizmente, o assunto não vem ganhando a importância que merece dos presidenciáveis. Eles deveriam se opor claramente a projetos que colocam o País ainda mais no vermelho.

Mas, como isso pode gerar certa impopularidade, preferem ficar calados.

Apesar da pressa para aprovar todas as “pautas-bombas” antes do recesso, boa parte das matérias ficou para ser apreciada em agosto, com o retorno das atividades no Congresso. A equipe econômica diz que o Governo não cumprirá parte das propostas que vierem a ser aprovadas pelos parlamentares. A ideia é utilizar como argumentos a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para barrar os projetos, que só bombardeiam a economia.

Raone Saraiva

raonesaraiva@opovo.com.br

Jornalista do O POVO.