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Bolsonaro pode ganhar logo no primeiro turno?

Com o título “Primeiro cenário do segundo turno, se houver”, eis artigo de Antonio Jorge Pereira Jr, doutor e mestre em Direito – USP, professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito da Universidade de Fortaleza. Confira:

Estamos a três semanas da primeira rodada das eleições. Se a última pesquisa se confirmar, Bolsonaro e Ciro disputarão o segundo turno. Os dois têm tido ascensão progressiva. A ausência de Lula deve render votos a ambos. Mas, antes de tecer algo sobre esse cenário, que pode levar à Presidência um cearense nascido no interior paulista, é oportuno especular um outro.

Estimado leitor, a facada no candidato do PSL na semana passada e a saída oficial de Lula das eleições geraram possibilidade de o pleito ser definido em uma única rodada.

Vejamos. Há dois anos, houve surpresa com a vitória de João Doria para a Prefeitura de São Paulo no primeiro turno. Na ocasião, a última pesquisa estimulada do Ibope apontava-lhe índice de 35% enquanto a pesquisa espontânea lhe atribuía 22% dos votos. Entre a pesquisa e a votação não houve fato novo. Passaram-se 72 horas. Doria recebeu 54% dos votos. Foi eleito no primeiro escrutínio, para espanto de todos.

Também nos Estados Unidos, pesquisa Ipsos/Reuters informava ser de 90% a chance de vitória de Hillary, na véspera da eleição de Trump. Entre outras causas, como se apurou, as pesquisas ali não refletiam a real intenção de votos pelo fato de os cidadãos sentirem-se intimidados ou pouco confortáveis em anunciar voto em Trump, em face do bullying que costumavam sofrer pelos “democratas”, “tolerantes” e pela pressão da Grande Mídia. Aqui se passa algo similar em quem declara apoio a Bolsonaro. De modo que, no secreto silêncio do voto, talvez se escute a voz de um Brasil que se quis abafar. Portanto, não é surreal imaginar que a intenção de votos do candidato do PSL possa estar subestimada, como a de Doria em São Paulo e a de Trump nos EUA.

Nesse contexto, o atentado frustrado pode gerar efeito oposto ao pretendido pelo autor e contribuir para a eleição de Bolsonaro, dia 7 de outubro.

A despeito do risco de morte e da interrupção da campanha nas ruas, há desdobramentos que foram favoráveis ao candidato. Primeiro, seus eleitores fiéis (78% convictos) engajaram-se mais na campanha. Basta que cada um consiga outro voto para definir a eleição (se a rejeição é de 43%, há 57% que votariam em Bolsonaro). Segundo, a situação propiciou blindagem circunstancial ao parlamentar: ficou protegido do ataque de oponentes, receosos da atrair antipatia popular caso agridam tão cedo uma vítima de tamanha violência. Terceiro: criou-se justificativa médica para sua ausência nos debates, onde seria desgastado. Quarto, a Grande Mídia, por dever profissional, deu projeção ao incidente, e fez dele o presidenciável mais presente nos veículos de comunicação. Quinto, sua exposição como vulnerável suavizou a imagem hostil que lhe fora caracterizada, em parte reforçada pela própria imprensa. Será que haverá tempo de neutralizar essas ondas favoráveis?

A vitória do PSL dia 7/10 ou o segundo turno entre Ciro e Bolsonaro confirmariam o afastamento do MDB, PT e PSDB da cúpula do Executivo. Um bom recado à classe política que dominou o País.

As próximas semanas permitirão vislumbrar os efeitos dos fatores apontados. Acredito efetivamente que mais eleitores se sentirão à vontade para declarar voto em Bolsonaro. E isso demandará novas estratégias de Ciro e demais pretendentes.

*Antonio Jorge Pereira Jr

antoniojorge2000@gmail.com

Doutor e mestre em Direito – USP, professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito da Unifor.