Blog do Eliomar

Uma reflexão sobre o Brasil, o oitavo em números absolutos de suicídio no mundo

Com o título “O suicídio nosso de cada dia”, eis artio de Neivia Justa, jornalista e criadora do movimento #ondestãoasmulheres. Ela aborda o fato de o Brasil ser o oitavo país em números absolutos de suicídio no mundo. Confira:

Em maio passado participei do painel “O que eu tenho a ver com isso? Temas tabus e a comunicação como agente transformador” no Congresso de Comunicação Mega Brasil, onde debatemos a igualdade de gênero, a gordofobia, a corrupção, os refugiados e o suicídio.

Ouvindo o Antonio Carlos Braga, diretor do CVV (Centro de Valorização da Vida), me dei conta do quanto ignoramos a presença do suicídio na nossa realidade. Os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) são estarrecedores: a cada ano, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes, uma morte a cada 40 segundos, número que pode dobrar até 2020.

De acordo com o Ministério da Saúde, o suicídio é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. O sucesso da série “13 reasons why”, do Netflix, e os três casos recentes de estudantes de colégios particulares de São Paulo, que deram fim às suas vidas, colocaram esse assunto na pauta do dia. Além disso, o Brasil é o 8º País em números absolutos de suicídio no mundo, a cada 45 minutos uma pessoa se mata por aqui (32 por dia).

Segundo a OMS, o Brasil também é o País com maior prevalência de ansiedade no mundo, com 9,3% da população (18,6 milhões de pessoas) e o País com maior prevalência em depressão da América Latina e quinto no mundo (atrás de EUA, Austrália, Estônia e Ucrânia). Essa doença silenciosa, que será a segunda causa mais incapacitante no mundo em 2020, somente atrás de doenças do coração, afeta 5,8% dos brasileiros (11,5 milhões de pessoas).

Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, foi lançado em 2015 para nos sensibilizar e conscientizar sobre a problemática do suicídio e suas formas de prevenção. E, principalmente, para quebrar tabus. Se 90% dos casos podem ser prevenidos (OMS), já passou da hora de abrirmos olhos e ouvidos para identificar os sinais, falar e agir para prevenir o suicídio dos nossos entes queridos. Viva a vida.

*Neivia Justa

neivia@uol.com.br

Jornalista, executiva e criadora do movimento #ondestãoasmulheres Divulgação.