Blog do Eliomar

Cid Gomes e o anúncio da Nova Esquerda

Com o título”Cid Gomes e o anúncio da nova esquerda”, eis artigo de Leonardo Bayma, professor universitário e doutorando em Ciência Política. Ele aponta para o que poderá vir pós-eleições presidenciais num cenário que aponta para Jair Bolsonaro no Planalto. Confira:

Por fora da campanha presidencial de segundo turno, os bastidores da política já traçam o cenário pós-campanha e se articula em torno do cenário que surgirá a partir da posse de Jair Bolsonaro em 2019. É assim que a seara política funciona, se antecipando, criando fatos, formulando alianças e linhas de discurso, de forma que o vácuo não exista e permita que a correlação de forças no campo político permaneça dinâmica.

Há quinze dias do final das eleições, parece clara como o sol a vitória de Jair Bolsonaro para a Presidência da República. Os corredores do Congresso Nacional fervilham em especulações e articulações. Situação e oposição já ensaiam seus papéis para o início da próxima quadra republicana.

Hoje, nos bastidores, já se tem notícia que o PSL alcançará 70 deputados federais, será o maior partido da Câmara dos Deputados. É bom que lembremos que 14 partidos não conseguiram atingir a cláusula de desempenho nas eleições e deverão ver seus parlamentares eleitos procurarem outros ninhos onde possam manter alguma expectativa futura de poder. É assim que é.

Se o partido do futuro presidente crescerá a passos largos, resta saber que caminho tomara a oposição. Marchará unida sob o comando da hegemonia petista? Surgirá um novo bloco de esquerda? Haverá um centro oposicionista? Uma direita oposicionista?

Nesta breve análise vou me deter ao campo da esquerda. Sim, esse passará certamente por uma transformação. Já está passando. A alta taxa de rejeição ao candidato Fernando Haddad mostra que o PT não encontrou uma alternativa de discurso capaz de renovar a confiança do eleitor de centro num projeto de esquerda.

De fato, a falta de mea culpa, de revisão no discurso, de uma certa humildade em reconhecer os erros na trajetória, tornaram o PT menor, não no tamanho, mas na relevância em encabeçar uma alternativa futura. A hegemonia começa a ruir.

Como alternativa oposicionista surgem no pleito de 2018 forças que se agirem em bloco podem ditar juntas os rumos de uma nova esquerda nacional. Hoje, um bloco no Congresso Nacional composto por PSB, PDT e Rede, contaria com 61 deputados federais e 11 senadores, e se constituiria na maior força de esquerda no parlamento.

Começam a ficar mais claros a viagem de Ciro ao exterior durante o segundo turno, o não apoio de Márcio França do PSB a Haddad em São Paulo, a fala do futuro Senador do PDT Cid Gomes em evento de Haddad no Ceará, o apoio do PDT a Márcio França em São Paulo, dentre outros fatos que formam as evidências que aqui apontamos. É ver pra crer.

*Leonardo Bayma,

Consultor Político – Doutorando em Ciência Política e professor universitário.