Blog do Eliomar

Eunício e a reinvenção da política

Da Coluna Guálter George, no O POVO deste domingo (20):

Abre-se um vácuo importante no cenário político do Ceará com a chegada de um novo grupo de parlamentares para tomar assento nas cadeiras que cabem ao Estado no Congresso Nacional em 1º de fevereiro próximo, no Senado e na Câmara Federal, sem que esteja entre eles o empresário Eunício Oliveira, que há 20 anos bate ponto entre uma casa legislativa e outra. Ele sai de cena, temporariamente, e deixa dúvidas quanto aos seus objetivos políticos mais imediatos.

No exterior, ao lado da família e longe do fofoquismo reinante em Brasília e mesmo aqui no Ceará, o atual presidente do Senado Federal alimenta as especulações com seu silêncio. Atividade política continuará fazendo, é certeza, mas, pergunta-se: Como? Com qual intensidade? Dentro de quais objetivos? Eunício continua presidente do MDB estadual e permanece no cargo de tesoureiro na executiva nacional, significando que dentro do seu partido não existirá decisão, no nível que seja, que prescinda de sua opinião ou até palavra definitiva.

Conversar com ele, atrás de desenhar um horizonte mais claro acerca de como projeta o próprio futuro fora do parlamento e dos mandatos, expõe ainda mais as dúvidas e amplia as incertezas. “Ajudar o Ceará é um dever”, diz, meio evasivamente. Outra frase comum ao seu discurso pronto, diante de cobranças sobre como será a partir de agora, destaca que “a boa política não se faz apenas com mandato”. Tudo verdade, mas, por outro lado, a memória que se tem de Eunício Oliveira o vincula, necessariamente, a ações de um parlamentar sempre influente, circulando nos ambientes de poder, próximo a quem governa. De alguma maneira o experiente político precisará se reinventar .

Sem desconsiderar, ainda, que a dor de cabeça com os processos não cessarão, até entrando em fase nova, aparentemente menos controlável.

Eunício teve o nome citado em algumas delações da Lava Jato, dentre elas a do cearense Sergio Machado, e agora passa a enfrentar Ministério Público e a Justiça sem as proteções que um mandato, de alguma forma, oferece.

Especialmente quando se ocupa os postos estratégicos por onde ele circulou nos últimos anos, no parlamento e no Executivo.

Quanto à presença no cenário local, ele caminhará ao lado do governador, de quem foi aliado na campanha e a quem deve reconhecimento pelo empenho pessoal para viabilizar sua reeleição como senador, que acabou não vindo. A derrota doeu, certamente deixou marcas e deverá render novos capítulos porque há contas a serem ajustadas quando a oportunidade permitir mais adiante. Volta a dúvida, porém: existirá vida (política) inteligente para Eunício Oliveira fora de um mandato parlamentar? O tempo dirá.