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Razões para a empresa manter dinheiro disponível em caixa

Em artigo sobre economia, o consultor financeiro e professor universitário Fabiano Mapurunga, Mestre em Administração com ênfase em Finanças e MBA em Gestão Financeira e Controladoria, aponta que a facilidade de acesso ao crédito permite que uma empresa possa trabalhar com maior taxa de retorno, em razão da sua menor necessidade de se manter saldo em caixa por precaução. Confira:

Um dos esforços fundamentais da administração financeira de uma empresa, é manter o caixa líquido o suficiente para suportar os desembolsos necessários para atender às necessidades dos seus ciclos econômicos, operacionais e financeiros. Vale salientar que, pelo fato de não apresentar um atraente retorno operacional, o saldo de caixa ideal, precisa ser o menor possível. No entanto, uma posição de caixa zero, é muito extrema e inviável na prática, já que a empresa precisa manter algum nível de caixa, para fazer frente ao complexo de incertezas associadas ao seu fluxo de entradas e saídas.

Para termos um entendimento mais claro, sobre quais razões impulsionam uma empresa a suportar, recursos de extrema liquidez em seus ativos, é necessário que procuremos conhecer as razões da procura da moeda passando, na sequência, a visualizarmos outros aspectos relacionados à administração de caixa.

Em 1982 o escritor J. Maynard Keynes, em sua obra: A teoria geral do emprego, do juro e da moeda, identificou três motivos que compelem as empresas e as pessoas, a suportarem certo nível de caixa, são estes:

MOTIVO DE TRANSAÇÃO

É explicado pela expressa necessidade que uma empresa demonstra, em manter dinheiro disponível em caixa, para efetuar os pagamentos provenientes de suas atividades operacionais. Avaliando os ciclos de caixa das mesmas, na medida que consomem recursos, geram, por consequência a necessidade de manter reservas monetárias para amparar seus desembolsos operacionais.

O nível de dinheiro em caixa necessário para cada empresa, sofre influência direta das características próprias do seu negócio, em consonância com a dimensão do seu ciclo operacional.

A sazonalidade do comercio varejista determina a necessidade deste apresentar maiores saldos de caixa, em determinadas épocas do ano, normalmente no final do ano. Cada segmento apresenta suas necessidades conforme a sua natureza.

Quanto maior for o Ciclo Financeiro de uma empresa, como as do ramo da indústria aeronáutica, maiores serão as necessidades de caixa. Já empresas como as dos setores de prestação de serviços, apresentam uma menor necessidade.

Atrelamos, mais fortemente essa necessidade de um caixa mais robusto, à falta de sincronização entre os pagamentos e os recebimentos, o que leva a uma incerteza operacional muito complicada.

MOTIVO DE PRECAUÇÃO

O segundo motivo apresentado por Keynes, é o da precaução, onde este se origina da necessidade de se manter reservas de caixa para se cobrir despesas imprevistas, e que estejam fora do ciclo operacional das empresas, como a insolvência de clientes e outras possíveis contingências. Proporcionalizando, quanto maior for o nível de reserva de caixa para essas eventualidades, maior será o nível de segurança da empresa. Daí se entende que essas necessidades imprevistas, justificam a retenção de ativos de máxima liquidez, o que se observa entre os fluxos monetários orçados e os reais.

Assim como o motivo de transação, o de precaução vai variar conforme a natureza da empresa, por exemplo, um supermercado, o qual possui receitas de vendas mais estáveis e previsíveis, necessita de um menor nível de caixa, com relação a outros negócios que apresentam maior volatilidade.

A facilidade de acesso ao crédito permite que uma empresa possa trabalhar com maior taxa de retorno, em razão da sua menor necessidade de se manter saldo em caixa por precaução.

MOTIVO DE ESPECULAÇÃO

Esse motivo se justifica pela necessidade de se aproveitar possíveis oportunidades especulativas, com relação a obtenção de itens não monetários. Estamos nos referindo a estoques.

Conseguimos visualizar com mais facilidade o motivo de especulação, nas circunstâncias de se ter um certo armazenamento de caixa para se tirar proveito de determinadas aplicações financeiras, cujos rendimentos históricos e futuros, se apresentam como atrativos para a empresa.

Na sequência podemos citar também, a necessidade de se manter reservas em caixa, para se fazer saldo médio junto às instituições financeiras concedentes de crédito, com o objetivo de se fazer base para projetos de expansão.

Espero que tais explicações tenham lhes acrescentado mais conhecimento ao seu dia a dia, e lhes proporcionem uma melhor visão sobre seu negócio.

Fabiano Mapurunga

Consultor em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário