Blog do Eliomar

Festa da Indústria – Beto Studart apresenta balanço em tom de despedida

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Edson Neto, Élcio Batista, Elisa Gradvohl, Camilo, Roberto Cláudio e Beto.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado, Beto Studart, proferiu discurso em tom de despedida do seu quinto ano de mandato à frente da entidade. Foi nessa noite de quinta-feira, no La Maison, quando da festa pelo Dia da Indústria. As eleições da nova diretoria da entidade serão realizadas em abril.

Durante o evento, foi entregue a Medalha do Mérito Industrial a personalidades que transformaram a indústria cearense, sob olhares de autoridades como o governador Camilo Santana (PT) e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

Os homenageados foram a empresária Elisa Gradvohl, presidente do Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca no Estado (Sindfrio); o economista Edson Queiroz Neto, chanceler da Universidade de Fortaleza (Unifor); e o secretário da Casa Civil do Governo do Estado do Ceará, Élcio Batista.

Confira o discurso de Beto Studart

Meus amigos, boa noite!

A Festa da Indústria marca o reconhecimento ao esforço daqueles que, por sua trajetória, contribuem para engrandecer o nosso Estado através da inteligência, capacidade de antever o futuro e poder de realização. São essas pessoas que fazem a história acontecer. A estas pessoas, a sociedade se rende por terem acreditado em seus sonhos e desbravarem mares revoltos, na busca por concretizar objetivos que nunca podem ser vistos como obstáculos intransponíveis.

Nesta data, o setor produtivo é grato em especial a Elisa Gradvohl Bezerra, Edson Queiroz Neto e Élcio Batista, a quem peço inicialmente uma salva de palmas.

Minha queridíssima amiga Elisa é a representação da empreendedora incansável, daquelas que não fogem aos desafios do dia-a-dia e sabem que o seu destino é construir sempre mais. Tem sido assim ao longo de 50 anos e tenho certeza que perdurará por muito mais, porque a sua gênese é a do trabalho, da retidão de caráter e da busca pela perfeição em tudo que faz.

Poucos teriam a capacidade que esta mulher possui de administrar empreendimentos tão dinâmicos como os que compõem o grupo sob a sua direção. Ser pioneira na indústria naval, referência em estaleiro no Brasil e no mundo; atuar no complexo ramo da pesca; e conduzir um dos hotéis de maior prestígio regional como o Marina Park, são prova de competência, ousadia e coragem que tão bem caracterizam o seu perfil.

Dona Elisa, a FIEC se orgulha de tê-la como nossa associada sempre presente nas discussões e o Ceará se envaidece por ser o berço de uma empresária da sua estirpe.

Edson Neto, meu amigo, é uma honra, como presidente da FIEC, conceder-lhe a Medalha do Mérito da Indústria.

O Grupo Edson Queiroz é um dos mais fortes e sólidos do Brasil graças ao visionarismo de seu criador, nome que dignifica a história empresarial do Ceará e do Brasil. Grupo este que agora está sob a gestão de uma nova geração, extremamente capaz, inovadora e conectada com a modernidade, aspectos que sempre foram buscados por Edson Queiroz durante a vida e que, se vivo fosse, estaria orgulhoso de ver como está sendo conduzido por seus descendentes.

Edson, meu caro, você é muito mais do que um gestor de empresas. Você é executivo de um conglomerado que o Ceará adota como seu e serve de modelo para qualquer jovem que pensa em empreender. Ao assumir a chancelaria da Unifor, você agiganta ainda mais o seu exemplo, inspirando a todos por trazer a garra e a força próprias da juventude, sempre disposta a transformar o mundo.

Nesta oportunidade, venho lembrar a figura do Chanceler Airton Queiroz, seu pai, homem dedicado à educação e a cultura, valores que engrandecem e humanizam as relações entre as pessoas. Meu amigo, a sua trajetória honra o legado de seu pai.

Élcio Batista, que aprendi a admirar nesses últimos anos pela facilidade da convivência, elegância no trato particular, conhecimento alargado das engrenagens que compõem a sociedade contemporânea e abertura para o diálogo. De interlocutor nato entre o poder público e o setor privado, Élcio, você tornou-se um amigo da FIEC, no sentido de podermos juntos oferecer o melhor à sociedade cearense.

Vejo em Élcio alguém especial, porque é daqueles que pensam e sabem formular como poucos, legando sempre aprendizado aos que, com ele, têm a oportunidade de interagir. Meu amigo, tem sido anos de excelente relacionamento e esta comenda, que lhe outorgamos, foi a forma encontrada para reafirmar nossos laços de parceria e amizade.

Senhoras e senhores,

Esta é a minha última Festa da Indústria enquanto presidente da FIEC e quis o destino estarmos homenageando Elisa Gradvohl, Edson Queiroz Neto e Élcio Batista, em momento no qual o país começa a retomar a esperança de melhores dias.

A renovação política, proporcionada recentemente, mexeu com os brios de todos nós e legou a possibilidade de vislumbrarmos algo novo daqui para a frente.

Este novo Brasil surge de um recado da sociedade dado em alto e bom som, renegando vícios e sugerindo outros modos de conduta com a classe política e as instituições que mediam as relações entre a sociedade e o poder público.

Este momento está a exigir, de todos nós, atitudes condizentes com os novos tempos. Atitudes que primem pela ética nas relações comerciais, que levem em conta o respeito às instituições e que sejam voltadas ao desenvolvimento do país.

Precisamos, a partir disso, estar cientes de que a transformação requer sacrifícios, e por mais dolorosos que possam ser, é preciso que tenhamos foco nos frutos que irão gerar.

O Brasil amadureceu e vemos uma perspectiva alvissareira de, em breve, retomarmos a rota do crescimento econômico sem solavancos ou situações inesperadas. Felizmente, superamos a fase de discussões improdutivas, onde através de argumentos falaciosos ou subterfúgios, escamoteávamos as soluções de problemas que nos afligiam há tanto tempo.

Nesse sentido, o Congresso Nacional tem um compromisso com o povo, que é aprovar a reforma previdenciária para pavimentarmos a estrada do desenvolvimento. Resolvido esse impasse, temos certeza que o país terá plenas condições de destravar amarras que nos atingem como empreendedores, como a questão tributária, por exemplo.

Além da cobrança excessiva, o empreendedor brasileiro enfrenta a tributação em cascata e o custo elevado para o recolhimento dos impostos, caracterizando o nosso modelo como complexo e caro.

Senhoras e Senhores,

Precisamos simplificar este sistema o quanto antes, para criarmos ambiente de competitividade isonômico com outros países. Sem essa mudança estrutural, o Brasil vai continuar marcando passo na história.

Haveremos de vencer!

O brasileiro tem potencial para empreender, basta rever a trajetória de muitas das empresas e empresários que nos inspiram. Nos deem a possibilidade de exercemos a nobre missão de produzir que nós faremos dessa nação uma nação rica e forte, econômica e socialmente, porque é a nossa vocação e temos sabedoria para fazê-lo.

Há muito clamamos por esta transformação e sinto que é chegada a hora de resolvermos definitivamente questões que nos mantém em desigualdade com o mundo.

Além da implementação de reformas estruturais na economia, o país vivencia ares renovados contra a complacência com o desmando e o desvio da coisa pública. A sociedade passou a estar mais vigilante e ativa contra a ilegalidade e a permissividade com possíveis desvios.
Essa é uma tarefa de todos, a qual jamais deve ser postergada sob pena de desperdiçarmos a chance de deixarmos uma marca indelével para as futuras gerações. É o momento de olharmos para frente, voltarmos a idealizar projetos, e nos debruçarmos sobre questões que digam respeito ao futuro do Brasil.

Amigos,

Olhar para a frente tem sido o mantra de nossa gestão à frente da FIEC nestes cinco anos. Assumi com a missão de tornar esta instituição referência nacional e me sinto extremamente gratificado ao ver que esse objetivo está se tornando realidade.

Graças ao competente e dedicado quadro executivo com o qual pudemos contar nesse período, a quem agradeço a colaboração, disponibilidade e lealdade, em nome da Superintendente Geral Juliana Guimarães, posso afirmar que a Federação das Indústrias do Estado do Ceará tem sido uma voz atuante na defesa dos interesses da indústria, bem como é procurada por entidades irmãs para replicar as ações aqui implantadas e que nos projetaram como norte.

No caso do SENAI, tão bem dirigido por Paulo André Holanda, profissionalizamos a gestão, reestruturamos nosso portfólio e investimos em modernização.

Como resultados, além da sustentabilidade financeira, capacitamos em cinco anos mais de 200 mil pessoas em modalidades diversas, desde aquelas que entram para aprender uma profissão, até as que buscam a instituição para se aperfeiçoar em alguma área específica.
Com relação ao SESI, que tem à frente Veridiana Grotti de Soarez, vivenciamos uma profunda transformação para nos reinventarmos em relação ao mercado. Em termos nacionais, a instituição passou a pensar proativamente as necessidades das indústrias brasileiras, tendo a inovação como estratégia central para promover soluções através da criação dos Centros de Inovação SESI.

Ao Ceará, coube o desafio de implantar o Centro de Inovação SESI em Economia para Saúde e Segurança, desenvolvendo um instrumento capaz de medir o retorno dos investimentos das empresas em saúde e segurança.

O Instituto Euvaldo Lodi, nosso braço em gestão executiva, firmou parcerias com instituições nacionais e internacionais e consolidou esse posicionamento de vanguarda. Promovemos ciclos de cursos de educação executiva internacional, realizando encontros em Fortaleza, na Flórida e em Nova Iorque.

São ações desse tipo que pretendemos continuar vendo por aqui, pois transformam o perfil intelectual do Ceará, e ajuda o Estado a atrair empresas pelo conhecimento. Parabéns, Beatriz Barreira, pela condução desse belo trabalho.

O nosso Centro Internacional de Negócios, dirigido por Karina Frota, passou a adotar o entendimento de que comércio exterior é uma via de mão dupla, pois importar é tão importante como exportar.

Ressalto sempre isso por experiência própria, pois aprender a comprar no exterior matéria-prima ou tecnologia permite incrementarmos produtos e processos elevando nosso padrão de qualidade.

Senhoras e Senhores,

As pessoas que me conhecem sabem de minha obsessão pelo conhecimento. Aliar saber e planejamento são, em essência, a base para que qualquer empreendimento esteja destinado ao sucesso.

Em vista disso, idealizamos o Observatório da Indústria, instrumento de Inteligência Competitiva e Prospecção de futuro, que permite a obtenção de dados de forma virtual, atraindo, como público-alvo, investidores, empresas, setor público, academia e a sociedade em geral.

Por meio desse equipamento, estamos conseguindo avançar cada vez mais na formulação de ideias e pensamentos, com a finalidade de projetar nossas empresas e o Estado através do conhecimento sistematizado.

O Observatório da Indústria nos orgulha ainda por mostrar que o papel de uma instituição de classe é oferecer a sua colaboração através do debate, da discussão de ideias, mas principalmente da proposição, sem ficar a reboque ou procurar benesses ou qualquer outro tipo de favor.

Para o atingimento desse propósito, destaco a importância do meu amigo Sampaio Filho e do economista Guilherme Muchale.

Amigos,

A Festa da Indústria trata-se de instante especial para nos encontrarmos e celebrarmos o que temos construído juntos em prol do Estado. Com as entidades do setor produtivo, queremos reforçar a parceria pela economia de mercado e a liberdade de podermos exercer essa tão nobre e prazerosa tarefa, que é trabalhar oferecendo bens e serviços para satisfazer às necessidades da população.

Com as universidades nos confraternizamos pela troca de ideias, a busca constante do conhecimento, a parceria que nos permita pensarmos em como resolver os problemas que afligem as pessoas.

Não consigo entender a academia separada do setor produtivo, as brilhantes ideias distantes da finalidade maior que é o homem. Torço e luto para que a boa relação mantida entre a FIEC e as universidades se aprofunde e que possamos, um dia, estar bem mais pertos do que estamos hoje.

A todas as instituições que sempre nos prestigiaram, rogo para que continuemos por muito mais tempo mantendo essa convivência fraterna e pródiga, fazendo cada um de nós o que nos cabe como tarefa que nos foi destinada por origem.
Desejo, por fim, externar o meu reconhecimento ao governador Camilo Santana pela forma como tem se dedicado a conduzir os destinos do Ceará. A sua mente aberta e a capacidade de enfrentar os mais variados problemas que acometem o estado, já o credenciam a ser um dos melhores governantes com os quais o nosso povo pôde contar.

Governador, sempre tive com você o imenso prazer de debater os problemas do Ceará na posição de representante do setor industrial. Afirmo que tive, de sua parte, o espaço necessário para dialogarmos na busca de soluções para problemas comuns, e graças a sua leveza e atenção para comigo, me tornei um admirador.

Amigos,

Como já afirmei, esta é minha última Festa da Indústria presidindo a FIEC. Foram anos de grande aprendizado e muita satisfação. Como empresário, me sentia na obrigação de retribuir um pouco do que a vida me deu trabalhando por aquilo que acredito, que é a iniciativa privada. Pessoalmente, o resultado da minha experiência à frente da FIEC está muito acima de minhas expectativas iniciais. Compartilhei decisões difíceis, ampliei relações em vários campos e aprendi que se administrar uma empresa as dificuldades são grandes, gerir uma instituição de classe lhe oferece aprendizados políticos indiscutíveis.

Sou um homem do dia-a-dia empresarial. Esta é a minha expertise, mas jamais vou esquecer estes cinco anos na presidência da Federação. Saio maior, mais fortalecido e, principalmente, aberto para novos desafios, porque nada gratifica mais do que fazer bem feito aquilo a que nos propomos com sinceridade, compromisso e verdade.

Um forte abraço e boa noite a todos!

Beto Studart.

(Foto – Júlio Caesar)