Blog do Eliomar

Filosofia no Nordeste?

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Com o título “Filosofia  no Nordeste”, eis artigo de Francisco José da Silva, professor de Filosofia da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Ele chama o ministro da Educação, Abraham Weintraub de “olavettte” inimigo do marxismo cultural. Confira:

Sai Velez Rodriguez, assume Abraham Weintraub no MEC. O que parecia esperança se revelou decepção. Velez ficou conhecido por suas afirmações bizarras, chegando a afirmar que a universidade “não era para todos, mas para uma elite intelectual”. Ironicamente Velez é discípulo do guru “filósofo” Olavo de Carvalho.

Abraham Weintraub, por sua vez, já conhecido por seu perfil liberalista e ligado ao mercado financeiro, além de olavette inimigo do “marxismo cultural”. Pois bem, a polêmica mais recente do novo ministro está em um vídeo onde ele diz que “no Nordeste não se deveria estudar Filosofia, mas Agronomia”. A frase por si só, além de preconceituosa, revela um desconhecimento e uma visão tacanha do Nordeste.

Para refutar essas ideias, enfatizamos que o Nordeste é um celeiro intelectual do Brasil, tanto na Filosofia, quanto na Sociologia, ambas desprezadas pelo atual ministro “da Educação”, seguidor daquele guru. Lembremos ainda que um dos movimentos mais importantes na formação intelectual brasileira foi a Escola do Recife (século XIX), onde se formaram Clóvis Bevilácqua, Capistrano de Abreu, Tobias Barreto e Farias Brito. O filósofo cearense Raimundo Farias Brito (1862-1917), considerado um dos maiores pensadores brasileiros, elaborou uma obra cuja pretensão era debater com os principais sistemas de pensamento moderno. Sua obra “Finalidade do Mundo” pretendia estabelecer uma filosofia naturalista monista e finalista. Farias Brito já denunciava no prefácio desta obra o descaso em relação à Filosofia, praticado pelos próprios fundadores da República (positivistas como o filósofo Auguste Comte, defensor do esclarecimento e da ciência), mas que no final das contas retiraram a Filosofia dos bancos escolares de então. Verdadeiro atraso nas palavras do filósofo cearense.

O populismo em que vivemos se apresenta com ares de esclarecimento e desenvolvimento, mas no fundo carrega os velhos ressentimentos, o irracionalismo e a misologia que coloca em risco os maiores ganhos da democracia, a liberdade de pensamento e a pluralidade de ideias.

*Francisco José da Silva,

Professor de Filosofia da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

(Foto – Divulgação)