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Liberar venda de cigarro eletrônico será retrocesso, diz especialista

Os efeitos positivos no Brasil do combate ao tabagismo podem se perder, em parte, caso os cigarros eletrônicos tenham a venda liberada no país. A coordenadora do Comitê de Controle do Tabagismo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Jaqueline Scholz, disse que é preciso manter a proibição, porque os impactos desse produto são maiores do que os dos cigarros convencionais. Para a médica, seria um grande retrocesso a abertura do mercado a esses produtos.

“Toda essa política antitabaco, de prevenção e de cessação poderia ser perdida, na medida em que você vem com outros produtos que ainda não estão queimados porque não existe trabalho do ponto de vista de saúde pública mostrando o impacto do real dano que isso vai provocar”, disse.

De acordo com a médica, o Juul, que é tipo de cigarro aquecido no formato de um pen drive, vendido nos Estados Unidos, além de causar mais dependência, libera uma quantidade maior de nicotina. Segundo a coordenadora, lá, a FDA [Food and Drug Administration], agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos está preocupada com os jovens que são a maioria dos consumidores desse produto.

Tânia Cavalcante, secretária-executiva da Comissão Nacional para a implementação da Convenção Quadro para controle do Tabaco, da Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual o Brasil é signatário, também alerta para os efeitos nocivos do cigarro eletrônico. Para a médica do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a falta de um relatório de segurança de uso e de eficácia, porque o produto é apresentado também como uma alternativa de uso do cigarro convencional, exigido na regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), acaba provocando a proibição de venda no Brasil.

“Ninguém nunca apresentou esse relatório e, por enquanto, a Anvisa não liberou, mas existe uma pressão muito grande, agora que as grandes empresas de cigarros convencionais aderiram aos cigarros eletrônicos, já que teve um crescimento desse produto no mercado mundial”, disse.

Fumante passivo

Outra questão que preocupa os especialistas da área, são os fumantes passivos. Aqueles que não fazem uso de cigarro, mas acabam sofrendo os efeitos do produto por estarem em ambiente com a presença da fumaça provocada causada por quem fuma. O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Roberto Sacilotto, disse que essas pessoas correm o risco de adquirirem doenças pulmonares crônicas, asma, bronquite. “Se o fumante tem hábito de fumar em ambiente fechado, em casa, nos quartos pode levar ao tabagismo passivo”, disse.

O médico destacou que a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular alerta ainda para outros impactos que os fumantes podem sofrer além das doenças cardíacas e pulmonares. “Se ele continua a fumar durante muito tempo tem uma chance de mais de 11% de evoluir para uma amputação de um membro inferior. É um dos fatores importantes. Não é o único. O tabagismo entra junto com aumento de colesterol, aumento de pressão, diabetes. O tabagismo pode modificar a evolução de uma doença, como a aterosclerótica, uma doença de membros inferiores”, alertou.

(Agência Brasil)