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Leônidas Cristino – “O preço da falta de planejamento”

Em artigo intitulado “O preço da falta de planejamento”, veiculado nesta terça-feira no O POVO, o deputado federal Leônidas Cristino (PDT) critica as consequências negativas da falta de planejamento no Brasil. O país não investe em infraestrutura o suficiente em capitais públicos e privados para a retomada do desenvolvimento, que só será possível com a definição de um projeto. Confira:

Nos países, a assimilação da cultura do planejamento é um diferencial de como Estado se posiciona diante do desafio do desenvolvimento. Mas no Brasil esta é uma lacuna a ser preenchida. Por este vazio de planejamento, pagamos um preço alto que se reflete no presente colapso da infraestrutura e no índice de crescimento econômico quase nulo.

A construção de uma matriz de desenvolvimento com garantia dos objetivos de longo prazo, todavia, jamais poderá ser assegurada com planos setoriais pontuais e isolados. Chegar a este patamar somente será possível com a consecução de um projeto nacional. Para isso, temos de saber que infraestrutura e que País queremos, de forma estrategicamente planejada. Esta é uma tarefa urgente para qualquer governo.

O Brasil não investe sequer o mínimo necessário para cobrir a depreciação dos ativos de infraestrutura, que seria 2,03% do PIB anual. Somados os investimentos públicos e privados, no ano passado o País investiu 1,7% do PIB em infraestrutura.

O modelo atual privilegia a acumulação rentista, os interesses do mercado. A busca da estabilidade macroeconômica prioriza a gestão de curto prazo. A acumulação produtiva de longa duração não é levada em conta. A função planejamento foi sacrificada.

Outro indicador que aponta a gravidade da situação é a redução sistemática do estoque do capital de infraestrutura, que desabou para 36,2% do PIB em 2016 – era de 58,2% em 1983. O parâmetro internacional é de 60% do PIB. Na área de transportes no Brasil houve queda neste indicador – de 21,3% do PIB em 1983 para 12,1% do PIB em 2016.

Desde 1980, o PIB per capita no Brasil cresce a valores ínfimos. De fato, o declínio do investimento em infraestrutura ajudou a puxar para baixo o crescimento do País. As funções de planejamento têm sido negligenciadas a partir das décadas de 1980 e 1990.

Para voltar a crescer, o Brasil terá investir em infraestrutura pelo menos 4,5% do PIB nos próximos 10 anos, quase metade só para cobrir os custos de depreciação. É necessário incrementar o investimento, aumentar a eficiência e qualidade de sua aplicação.

*Leônidas Cristino

Deputado federal do PDT do Ceará.