Depósitos judiciais e a corrida ao tesouro”

Com o título “Depósitos judiciais e a corrida ao tesouro”, eis artigo do advogado Mozart Gomes de Lima Neto, que pode ser conferido no O POVO desta terça-feira. Ele critica o avanço do Estado nos depósitos judiciais e a ação do Judiciário de aumentar as custas cartoriais. Confira:

No ano de 2015, vimos descortinar uma batalha travada entre os Poderes Judiciário e Executivo, uma vez que fora aprovada lei que autoriza o uso, por parte deste último, do percentual de até 70% dos recursos da “Conta Única da Justiça”, gerida, até então, pelo Tribunal de Justiça do Ceará. No intento de reduzir os rombos orçamentários, governadores de outros estados da federação, igualmente, se valeram da mesma metodologia.

No Ceará, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), ajuizou em novembro de 2015 junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra o uso pelo Governo do Estado dos depósitos judiciais.

Sob o ponto de vista material, a inconstitucionalidade é arguida na medida em que referida lei vai de encontro ao princípio da Independência dos Poderes, fundamento da República Federativa do Brasil e cláusula pétrea de nossa lei maior. Sob o aspecto formal, há claro vício de iniciativa, já que não caberia aos estados legislar sobre a verba.

Com a utilização dos recursos pelo Estado, como fica a segurança jurídica dos depositantes? Até que ponto é permitido ao Estado se locupletar de recursos privados e depositados em juízo para encobrir sua ineficiência ou até mesmo sua falta de planejamento?

Não bastasse tal medida, no apagar das luzes do ano de 2015, atendendo pleito do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, a Assembleia Legislativa aprovou a Lei Estadual nº 15.834/15, majorando as custas judiciais de aproximados R$ 1.200, teto aplicado até 2015 para um novo patamar que não prevê limites, podendo vir a serem aferidas com base no percentual do valor a causa.

Enquanto o Conselho Nacional de Justiça estuda um projeto para unificar as custas e taxas judiciais no Brasil, a fim de garantir a efetividade do acesso à justiça, o Ceará, estado já tão assolado pela pobreza, vai de encontro ao deplorável cenário econômico nacional.

Ficam as perguntas: o que mudou na prestação jurisdicional? Qual a contraprestação ofertada? Se o Judiciário detém o monopólio da jurisdição, como permitir que a sociedade fique à mercê de seus desmandos e tenha que suportar “goela abaixo” um preço imposto sem qualquer diálogo com a sociedade civil? O que vemos, na verdade, é cada um olhando para seu umbigo e ninguém olhando para o povo!

* Mozart Gomes de Lima Neto

mozart@gomespinheiro.com.br

Advogado.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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