A ligação caiu mais uma vez

A tecnologia que chegou ao Brasil e foi parar nas mãos de poucos, hoje está ao alcance de mais de 259 milhões de brasileiros. Se por um lado a universalização garantiu o acesso a um serviço essencial, a outra face da moeda revelou o descompasso de ações para garantir, sobretudo, qualidade. Enquanto as soluções não chegam, entender o porquê dos serviços de telefonia móvel pelos quais você paga são insatisfatórios, é o primeiro passo para buscar os próprios direitos.

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), só no Ceará, até outubro, a quantidade de linhas telefônicas corresponde a 10,1 milhões. Mais do que a população do Estado, que é de 8,6 milhões, segundo o IBGE. Em média, existem 114,85 linhas para cada grupo de 100 habitantes do Estado. Há seis anos, esse mesmo número era bastante diferente. O total de linhas de telefonia móvel era de pouco mais de 3,1 milhões, enquanto que apenas 38,74 pessoas, de cada 100 habitantes do Ceará, tinham celular.

Se por um lado o avanço nos números foi positivo, por outro lado ele revelou uma grande deficiência. A falta de investimentos é a grande responsável pelas falhas encontradas nos serviços de telefonia móvel brasileiros. Na opinião do coordenador do Grupo de Pesquisa em Telecomunicações sem Fio (Gtel), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Rodrigo Cavalcanti, caso não haja a adoção de medidas, essas condições podem levar ao colapso o sistema de telefonia móvel. “Nós estamos chegando a um ponto de verdadeiro colapso, com a ausência dos serviços. Os usuários não estão só falando, estão usando a internet e isso ocupa a rede. A tendência é a de que o congestionamento aumente ainda mais. Isso não pode acontecer”, explica Cavalcanti.

Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pelos usuários são motivadas pela sobrecarga na rede das operadoras. Em algumas situações, como é o caso de regiões ou bairros mais populosos, que abrangem estabelecimentos como shopping centers e faculdades, os problemas podem ser ainda mais graves. A razão disso é o fato desses locais abrigarem demandas variáveis de usuários durante o dia. Conforme Cavalcanti, isso gera uma “demanda flutuante” e caso não haja sobra de capacidade de operação da rede de antenas instaladas nesses locais, o resultado será a dificuldade dos usuários em realizar ou completar as chamadas via celular. “Aquela operadora que já passou de 100% está sujeita a ter problemas. A tendência é que existam pontos de estouro da capacidade”, explica.

Uma das alternativas para melhorar os serviços da telefonia móvel seria o investimento na expansão da rede por meio da instalação de novas antenas. No entanto, segundo ele, “a legislação recente limitou a instalação. As opções de novas antenas estão muito restritas, isso diminui a possibilidade de expansão das redes”. Atualmente, só em Fortaleza, existe pouco menos de 700 antenas de celulares, segundo a Anatel.

(O POVO)

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − 3 =