A opção pela alternância de poder em Fortaleza

Com o título “Eleitores votam pela alternância de poder na Capital”, eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira. No destaque, a mudança do leme político, mas, também o fato de que chegaram ao segundo turno nomes sob o signo da renovação. Confira:

A escolha de Roberto Cláudio, candidato da coligação liderada pelo PSB, para prefeito de Fortaleza é o ponto culminante de uma campanha eleitoral que mobilizou forças políticas locais e nacionais. O belo de tudo é a certeza de que daqui a quatro anos todos voltarão às urnas para julgar o desempenho da próxima gestão e decidir se seu projeto deve continuar ou não. É assim que deve funcionar a democracia.

Olhando o conjunto do País, esta eleição (primeiro e segundo turnos) denota que houve uma nítida distribuição do poder por entre um maior número de partidos, inclusive, alguns emergentes, como o PSB. Isso independentemente de se reconhecer a relevante vitória política obtida pelo PT ao conquistar a mais importante metrópole do Brasil: São Paulo. Ou quando conseguiu ampliar o número de prefeituras sob seu comando, justamente no momento em que a agremiação passa por uma fase difícil, em vista da condenação de alguns de seus quadros mais prestigiosos num julgamento de alto teor polêmico.

Em Fortaleza, a disputa foi acirradíssima, o que aumenta a responsabilidade do futuro prefeito. As tensões não deixaram de atingir níveis críticos, mas, aparentemente, dentro dos limites do jogo. Evidentemente, os defeitos crônicos do sistema eleitoral brasileiro não deixaram de se manifestar, mas estes só poderão ser sanados efetivamente com as reformas política e eleitoral (sobretudo, com a adoção do financiamento público de campanhas). Contudo, as conquistas decorrentes da Lei da Ficha Limpa (no que se refere à campanha eleitoral no Brasil como um todo e, sobretudo, no Ceará) foram inegáveis.

No caso da capital cearense, a qualidade dos candidatos, desde o primeiro turno, foi um privilégio. No segundo turno, então, não só se revelaram dois quadros bem preparados; deu-se ensejo à renovação, pois ambos os concorrentes são expressões políticas de uma nova geração de políticos.

Enfim, só há motivos para destacar mais esse teste positivo da democracia brasileira. Agora, é parabenizar os eleitos, torcer pelo seu bom desempenho e decifrar os elementos embutidos na mensagem passada pelas urnas.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

3 comentários sobre “A opção pela alternância de poder em Fortaleza

  1. “As tensões não deixaram de atingir níveis críticos, mas, aparentemente, dentro dos limites do jogo.” Ou seja, Jornal O POVO considera a “compra de votos” realizadas nessas eleições, onde vereadores ligados à Roberto Cláudio foram presos por compra de votos, tensões dentro das regras do jogo. Pisou feio na bola, o jornal. Compra de votos é crime eleitoral e não faz parte das regras do jogo.

  2. Há 8 anos estamos sendo tratados como galinha e assim passamos a aceitar o despreparo dos atuais gestores. Não temos ruas bem pavimentadas, continuamos com problemas de lixo, de falta de vagas em escolas, creches e hospitais. Os mauricinhos e patricinhas param seus carros em quaisquer locais causando transtornos a muitos. Qualquer mudança de trânsito em ruas da periferia demoram uma eternidade. Recuperar qualquer rua no Itapery ou bairros pobres é um sonho. As obras do TRANSFOR na Costa Barros e Luciano Carneiro são de péssima qualidade. Mas Fortaleza é oposição. Nós não somos galinhas. Somos águia. Somos oposição. Precisamos voltar a acreditar que Fortaleza pode voltar a ser bela. Vamos voltar a ter coragem e acreditar na capacidade de realizar que a atual gestão arquivou.

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