A Política do espetáculo no Reino de Chayene

Com o título “O Modo Chayene de Administrar”, eis artigo do professor Uribam Xavier, do Departamento de Sociologia da  UFC. El critica as peças publicitárias da Prefeitura e do Governo do Estado que expõem na tela uma fantasia de que tudo está perfeito. Para ele, um modelo “Chayene“, a personagem da novela das sete da Globo que se sente acima da lei e de todos, em função de seu poder de manipulação espetacular. Confira:

As peças de publicidade da Prefeitura e do governo do Estado, atualmente vinculadas na televisão, são um retrato de um espetáculo manipulatório. Em termos de conteúdo, trata-se de uma fantasia sem lugar, pois o modelo de saúde, de educação, de habitação e de emprego gerado é tudo imagem. E quando tudo vira imagem não há mais o que falar, não há o que refletir, é o fim da política. O fazer político torna-se um simulacro, um espetáculo.

A política como espetáculo, segundo Debord, não é apenas um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas mediada por imagens. Trata-se de uma produção de consumo de bens materiais e simbólico num advento de exploração psíquica do indivíduo pelo capital, onde a imagem emerge como forma final da mercadoria, no campo econômico, e manipulação de consciência, no plano político e cultural.

As administrações da Capital e do Estado, conduzidas como uma sociedade do espetáculo, reproduzem o modelo comportamental da personagem Chayene, da ficção mágica da novela Cheias de Charme. Chayene é uma personagem simulada, arrogante, desrespeitosa com seus funcionários, colocando-se acima da lei, poderosa e que pensa ser amada pelo público em função do seu poder de manipulação espetacular.

O modelo Chayene de administrar é cego para problemas cuja amenização ou solução não encontre formas de o capital auferir lucros. Assim, na deriva urbana, nossas praças e logradouros são ocupados por indivíduos sem-tetos, gente que joga com os signos do destino e de um tempo sem economia, vidas que mudariam de rumo com um investimento bem aquém do que vem sendo feito para iniciativa privada em função da realização de meia dúzia de jogos da copa. Todavia, salvar vidas não é um imperativo moral para o modelo Chayene de administrar a ordem capitalista.

E para continuar com o espetáculo, para as próximas eleições em Fortaleza, o poste sem luz preferido por Chayene já sinaliza, pelo uso político que vem fazendo da secretaria municipal de educação, que será um El-mamo na coisa pública. Agora é possível entender o slogan “Fortaleza bela”, significa que temos uma política como espetáculo, como simulacro.

* Uribam Xavier,
Professor da UFC.
Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

12 comentários sobre “A Política do espetáculo no Reino de Chayene

  1. E num é que o professor uribam xavier virou hermeneuta de novela global? Assim é fácil é só apelar para as colagens: um pouqinho de novela aqui, um Habermas acolá, um Folcaut, Derrida e Deleuze e ´tá feito o artigo “crítico” e “analítico”.´É melhor que roubar doce de criança! No fundo o artigo também é meio Chayene tem mais aparência do que conteúdo!

  2. Parafraseando e aproveitando a figura ilustrativa do folhetim da Rede Globo, utilizada, brilhantemente, no opúsculo do Professor Uribam Xavier, – que é ‘colega’ da ‘lôra’, na UFC -, e que, portanto, deve conhecê-la um pouco mais, – pelo menos -, do que eu, que apenas sou estudante daquela IES, diria, “para fechar, com chave de ouro” que, “Se colocar as atuais (indi)gestões de nossa res publica, – já quase na privada -, e de nosso Brasil, – já não mais tão varonil -, na vitrine, não vão valer nem R$ 1,99!
    E, “PT, fraudações”!

  3. Incrível como gastam milhões de reais na criação dessas peças que não retratam a realidade atual de nosso estado, onde os governantes são voltados apenas para aquela meia dúzia que se beneficia das benesses do poder. Quanto essas pessoas ganham para darem depoimentos mentirosos?

  4. Parabéns ao autor do artigo. Há muito tempo eu deixei de ser guiada pelos ” holofotes” da propaganda.Prefiro, na qualidade de eleitora que sou, acompanhar de “pertin” os passos dados pelos eleitos ao Governo do Estado e Prefeitura Municipal.Aqui, a realidade é outra, bem diferente da exuberante ficção das telinhas de tv…

  5. Algumas pessoas quando querem aparecer, colocam propagandas enganosas na TV. OUTRAS QUE QUEREM APARECER MAIS AINDA, COPIAM E COLAM TEXTOS DE OUTROS SITES, DA UMA MODIFICADA AQUI, OUTRA ALI E MANDA O TEXTO PRA UM BLOG COMO SE FOSSE DE SUA AUTORIA, ME POUPE….

  6. Fantástico PROFESSOR, simplesmente fantástico seu artigo. Só este abuso de dinheiro público gasto em propagandas pelo governador e pela prefeita já deveriam ser suficientes para que o povo não votasse em seus candidatos.
    Aliás, algum vereador ou deputado teria coragem de levantar a soma gasta com tanta propaganda por Cid e Luizziane? Acho que eles estão abusando, a impressão que se tem é que alguns “programas” alardeados na mídia tem mais gasto com propaganda do que com a ação anunciada.
    PARABÉNS, PROFESSOR.

  7. Íncrivel como alguns petistas sombreados pelos cargos a eles disponíveis pulam longe quando falam da loira. É o medo que eles têm professor de voltarem à realidade financeira antes destes dois mandatos.
    Mas esperem, a população dará o troco e fará uma mudança que deixará todos de queixo e bolsos caídos.

  8. As novelas também refletem, mesmo que moderadamente e de certa forma desvirtuada, a realidade do cotidiano brasileiro. Não creio que devam ser desconsideradas por inteiro. Suas audiências estão aí para comprovação. Se felizmente ou infelizmente é outra história. A formação da sociedade, futuramente, é que vai responder.

  9. Sem dúvida que as novelas refletem- distorcidamente diga-se – a realidade, como quase tudo reflete até o espelho… Mas isso não quer dizer que possa traduzir o âmago das coisas. Fica chafundardando nas obiedades ou buscando o “espetáculo” também é feio para intelectuais.

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