Acquario: De quanto será o custeio?

Com o título “Acquário promete um novo milagre dos peixes”, eis artigo do publicitário e poeta Ricardo Alcântara. Ele megulha também na polêmica em torno da construção do Acquario do Ceará, projeto do governo estadual que está orçado em R$ 250 milhões. Ele discorda daqueles que apontam na tese de que o Acquario vai revitalizar a Praia de Iracema. Confira:

Assim como o Dragão do Mar não poderia mesmo, por si só, revitalizar uma área deprimida do centro, tão pouco o Acquário do Ceará poderá fazê-lo com a praia de Iracema. A complexidade urbana não reage a truques de mágica.

O projeto tem méritos, sim, mas outros. O equipamento teria, por exemplo, potencial para estender o período de estadia dos turistas na cidade, uma contribuição para consolidar Fortaleza como destino privilegiado.

Não seriam apenas mais diárias em hotéis e mais comandas nos restaurantes. Os benefícios são extensivos também ao pequeno empreendedor, como taxistas, artesãos e até vendedores ambulantes.

Mas, na ponta do lápis, haveria, basicamente, retorno privado para investimento público. Daí, as restrições frequentes ao projeto: não seria, diante de outras carências, uma prioridade do interesse comum.

Outro aspecto do projeto alcança as fronteiras da megalomania: seria o terceiro maior aquário do mundo. Isso, numa cidade de gente muito pobre e situada nas bordas menos atrativas do circuito turístico mundial.

No Rio de Janeiro, paisagem urbana referencial da América latina, outro será construído pela metade do preço e todo com recursos privados. Mas esse nem é o único aspecto frágil do desenho financeiro do Acquário.

Até o dia de hoje, o governo não veio a público dar resposta consistente a uma questão, nem tem sido suficientemente questionado por quem caberia verificá-la – a Assembleia Legislativa, bunker da capatazia chapa branca.

Refiro-me aos recursos de custeio. A pergunta é: quanto custará por dia aos cofres públicos – o meu, o seu, o nosso suado real – manter aberto um equipamento só justificado pelos retornos que daria ao interesse privado?

É pueril o que tem sido dito sobre o assunto. Fala-se vagamente em “parcerias” que ainda seriam buscadas com “patrocinadores privados” e, acreditem, créditos mensais de uma dívida da Petrobrás com o Estado.

Da provável parceria, envolvendo empresas que agregariam valor às suas marcas numa associação com o equipamento, declino da oportunidade de contestar. É cascata demais para merecer o esforço dos meus neurônios.

Quanto ao que nos deve a Petrobrás, seria dinheiro demais para sangrar à última veia com despesas de custeio de um equipamento que atenderia a necessidades de terceira ordem – fosse uma universidade, eu ficaria calado.

Ademais, não é possível ignorar que a dívida da Petrobrás será liquidada em algum ponto do futuro. Com muita boa vontade, mas muita boa vontade mesmo, pode-se chama a isso de empurrar o problema com a barriga.

Agora, o governo começa a construir o Acquário sem informar aos que pagarão a conta – você é um deles – nenhum estudo sobre a curva estimada de retorno do investimento inicial, nem sobre os recursos de custeio.

Não digo que tais estudos não existam. Digo apenas que, pelos argumentos levantados, o secretário de Turismo os ignora. E digo que, se existem, não recebemos nós, os financiadores do projeto, a atenção de conhecê-lo.

Resta-nos, então, aguardar por uma exceção bíblica – quem sabe, um novo milagre da multiplicação dos peixes. É pândego, mas não percam o sono: o governo não negará a quem paga a conta o direito de aplaudir.

* Ricardo Alcântara,

Publicitário e poeta.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

8 comentários sobre “Acquario: De quanto será o custeio?

  1. Esse artigo conta com vários pontos de ALTÌSSIMA DESINFORMAÇÃO. O autor do artigo está muitíssimo desinformado – se não estiver também mal intencionado.
    1- Por sermos um Estado pobre é que devemos investir em projetos que desenvolvam o Estado. A vocação do Ceará é turística. Investir nisso é trazer mais empregos e recursos para o Estado.
    2- O Aquário do Rio de Janeiro é infinitamente menor que o do Ceará. Muito menor e muito menos dinâmico. Por isso é mais barato.
    3- O custeio já foi informado. O Governo já disse que o custeio será de cerca de R$ 1 milhão por mês. Esse recurso virá não só de parcerias, mas da própria bilheteria e também do uso dos espaços, como restaurantes e cinemas que lá se instalarão.
    O Acquario Ceará vai se pagar. Quem pensa pequeno, como esse pessoal que é contra o Acquário, não consegue vislumbrar um Ceará melhor. Desenvolver o Estado passa por grandes projetos SIM! Acuário Ceará, EU APOIO!

  2. O nobre autor do texto até que começou bem, mas depois degringolou e descambou na crítica rasa e sem fundamento. Aliás, o Sr. Ricardo Alcântara, como ex-assessor especial do ex-Governador Lúcio Alcântara, deve saber que o projeto do Acquário Ceará começou a sua gestação durante o mandato do governador a quem ele servia.. quem não lembra do Museu do Mar projetado por Oscar Niemeyer que iria se instalar na Praia de Iracema? Pois é, a idéia foi sendo aprimorada e eis que chegamos ao projeto atual do Acquário Ceará, bem mais maduro e que, diga-se de passagem, é bem maior que o do Rio de Janeiro.. e assim tem que ser, pois a intenção é incrementar e qualificar a nossa vocação turística.. o Rio de Janeiro, a meu ver, é que poderia dispensar um aquário, já que é a cidade brasileira mais conhecida no mundo e que mais recebe turistas. Já o Ceará está querendo se inserir nesse rol.. Vamos trabalhar a favor ou contra? Eu prefiro ir a favor da maré! E quanto ao assunto custeio, isso aí já está mais que explicado e demonstrado. Se é mentira dos gestores ou não, não cabe a mim julgar. Mas prefiro apostar no sucesso!! Acquário Ceará, eu apoio!!!

  3. Professora Luana, a minha desinformação decorre da falta de transparência do governo em fornecer informações à sociedade. Para uma professora, a senhora lê mal: o artigo não reclama a informação do custeio mensal do equipamento, mas as suas fontes de pagamento. A senhora, sim, está “muito desinformadíssima” ao pensar que um milhão de custeio/mês pode ser pago com a lanchonete do Acquário. Tão pouco eu disse que o aquário do Rio de Janeiro é do mesmo tamanho. Disse apenas que custa a metade. A senhora não analisa: torce!

  4. Duvido q esse comentario acima tenha sido feito realmente por uma PROFESSORA. Uma pessoa esclarecida jamais iria achar logico e coerente um estado de miseraveis, q nao tem nem saneamento basico, quem dirá saude publica decente, ter um empreendimento desse, custeado pelo governo e q trara beneficios a empresas privadas…E pior, nada se esclarece qto ao custo para mante-lo. Eh muita desinformação mesmo como ela disse, mas não do autor do texto- que por sinal esta muito bem escrito e esclarecedor.
    è, o governo conta com esse tipo de mentalidade pra continuar fazendo miseraveis e enriquecer seus pares. Duvido muito que seja uma professora, deve ser alguem que nao precisa utilizar hospitais publicos nem andar pelas diversas favelas da cidade…

  5. Eu gostaria de solicitar ao Vítor Soares que nos diga onde se encontram as informações sobre um plano de custeio do Acquário. O que o secretário de Turismo declarou na imprensa já foi contestado no artigo. Só posso avaliar com base nas informações que recebo. Se existe outro, minimamente consistente, eu gostaria muito de conhecer. Afinal, também vou pagar a conta…

  6. Caro amigo poeta, não cabe a mim fornecer tais dados.. a Lei de Acesso à Informação está aí! Antes de imputar ao Estado falta de transparência, que tal tentar buscar os dados pelos meios disponíveis? O Gov. do Ceará possui um sistema novo e muito bom de ouvidoria (http://sou.cge.ce.gov.br/publico/inicial.aspx) através do qual você poderá tirar as suas dúvidas, sem falar nos meios alternativos, como as redes sociais.. inclusive se realmente não houver plano de custeio, quem sabe você não agiliza esses estudos e dá um presente ao povo cearense? E se tiver tempo e disposição, poderia indagar sobre o plano de custeio das outras milhares de obras Ceará adentro.. que tal? Aí se te negarem essas informações, aí sim, corroboro com a sua opinião quanto à falta de transparência, mas enquanto não esgotados os meios, não se pode afirmar isso. Só asseguro que as demais informações obrigatórias estão todas disponíveis no diário oficial.. isso eu digo porque já conferi. Agora, se tu achas que o custeio é deveras elevado e é contra o Acquário Ceará, aí são outros quinhentos…

  7. Não, Vitor. Plano de custeio é estudo, não é documento oficial lançado em website institucional. Mas deixa prá lá…minha expectativa é modesta para não dizer nula. Mas como você pode qualificar como transparente um governo que se recusa a prestar qualquer forma de esclarecimento solicitado pelos deputados, uma obrigação constitucional? Não sou contra um aquário no Ceará. Sou contra o Acquário como está previsto. Não sou, por exemplo, contra a construção dos hospiptais regionais e policlínicas. Não sou contra o Programa de Alfabetização na Idade Certa. Sou contra o dispêndio com veículos do modelo Hilux para frota policial. Não sou, enfim, um opositor: sou um cidadão que não perdeu a capacidade crítica, apenas. No mais, obrigado pela atenção de sua resposta. Pela primeira vez, dialogo com um “ferreirista” sereno. Nem sabia que isso existia.

  8. SR RICARDO ALCANTARA, NAO JOGUE PEROLAS AOS PORCOS. A MAIROIA DA SOCIEDADE PENSA COMO O SR, PELO MENOS A MAIORIA QUE PENSA.
    TANTO É QUE A OBRA JA FOI SUSPENSA, CLARO, MOMENTANEAMENTE, PARA NAO CAUSAR MAIS DESGASTE A IMAGEM DO GOVERNO NUM ANO DE ELEIÇÃO.
    O SEU ULTIMO COMENTARIO ESTA PERFEITAMENTE CLARO. PARABENS.

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