Artur Bruno precisa tomar “Memoriol”

Como título “O rap do negão noiado”, eis artigo do publicitário e poeta Ricardo Alcântara. Ele analisa o que o deputado estadual Artur Bruno (PT) quis dizer ao chamar a frente ampla de oposições, em formação, de “samba do crioulo doido”. Para o articulista, Bruno precisa tomar “Memoriol” para se lembrar do “balaio que elegeu o governador Cid Gomes”. Confira:

Sucesso em fins dos anos 60, o satírico “samba do criolo doido”, do carioca Sérgio Porto, misturava fatos históricos desconexos, de forma arbitrária, numa fina ironia à qualidade da educação pública brasileira e seus reflexos na cultura de massas.

Pois Artur Bruno andou chamando de “samba do criolo doido” a frente de oposição que se forma para enfrentar o candidato do governo à sucessão de Cid Gomes em 2014, que “tem partidos da direita à esquerda”, de Sérgio Novaes a Tasso Jereissati.

Bom remédio para o problema do meu deputado é Memoriol. Vinte miligramas, duas vezes ao dia, antes das refeições. É o suficiente. O balaio que elegeu Cid, da qual Bruno fez parte, tinha, além daqueles, Adauto Bezerra e Luizianne Lins.

Atualizando, então, a metáfora do sucesso antigo, ali teria tocado o “rap do negão noiado”: uma aliança uniu banqueiros de fato a trotskistas de araque para dar fim a um governo que, afinal, tinha 78% de aprovação popular, como, de fato, aconteceu.

Gosto do Bruno, ele sabe. Mas, se não me excedo muito, daria uma contribuição aos petistas que se resguardaram numa boa margem de dignidade diante do oceano de contradições em que se envolveram na trajetória de seu partido até o poder.

É o seguinte. Já que o deputado apelou para uma metáfora musical retrô, mando outra: vira o disco! Não dá para sair de dentro dessa taberna, onde vocês passaram a noite, trovando as mesmas modinhas que cantavam nos anos de virgindade.

Brecht, que na juventude o querido amigo Francis Vale ensinou-me a ler, disse: “Dorme com o algoz, se for preciso, mas muda o mundo porque o mundo precisa ser mudado”. Logo, não desconheço a motivação de tantos recuos e concessões.

Ao abraçar o reformismo moderado em curso, mesmo ao elevado custo que se vê agora, milhões de brasileiros saíram da miséria e este legado é História: ninguém poderá lhes negar. Mas não saiam por aí dizendo que o almoço foi de graça.

Quando o deputado aponta as contradições da oposição, se vale de um recurso retórico aprendido nos anos de militância, mas incompatível com as pragmáticas decisões que sancionou como dirigente partidário de uma organização no poder.

Bruno, você integra a bancada do governo. Aí do plenário mesmo, dá uma olhada nos novos amigos de infância que você tem. Abra o computador à sua frente, acesse o Google e digite o nome de um deles. Não é o genro com quem você sonhou.

A incoerência que você denuncia habita as duas margens do caos: o baixo nível de representatividade do sistema partidário que, aliás, o “nosso” Lula empurrou com a barriga até onde deu. E deu no que deu: o povo levou às ruas o seu mal-estar.

Sérgio Novaes, quem diria, estará ao lado de Tasso, e Bruno, uma vez mais, no de um velho companheiro dele, Ciro Gomes. Qual dos dois tratou pior os professores públicos que votaram no deputado? Tente um discurso mais fácil para vocês aí…

* Ricardo Alcântara,

Publicitário e poeta.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

7 comentários sobre “Artur Bruno precisa tomar “Memoriol”

  1. Artur Bruno há muito tempo pede para que esqueçamos o seu discurso ideológico de esquerda que tanto ele pregava em palanques eleitorais.

  2. “Meu partido
    É um coração partido
    E as ilusões estão todas perdidas
    Os meus sonhos foram todos vendidos
    Tão barato que eu nem acredito
    Eu nem acredito
    Que aquele garoto que ia mudar o mundo
    (Mudar o mundo)
    Frequenta agora as festas do “Grand Monde”

  3. O “nobre” deputado esqueceu seus inflamdos discursos de “ética” e mostrou sua face demagógica e oportunista. Duvido que a classe de professores ainda lhe dê um voto. O PT se nivelou às piores práticas da política imunda. Esse senhor não tem moral para criticar ninguém.

  4. “Pelego” ainda seria adjetivo pequeno para desqualificar esse senhor, mais um vendido a esse governador corrupto. Nós alunos deveríamos ter dado um surra de vaias a esse falastrão quando esteve ou melhor teve a cara de pau de aparecer na Estácio/FIC Parangaba para falar de educação, Bruno se manque e nem tente disputar mandato.

  5. O Bruno até tem como fazer algumas críticas (não todas) a muitas pessoas (não todas). E este é o problema…faz de conta que não tá vendo os borogodós dos aliados, mas sapeca o pau contra os erros dos adversários. De gente assim o Zé Povinho tá pelas tampas.

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