As contradições e as atitudes no PSB

Eis artigo do jornalista Luiz Henrique Campos, publicado no Menu Político, seção do Caderno People do O POVO deste domingo. Ele aborda o PSB e suas contradições.

O diretório do Partido Socialista Brasileiro (PSB) de Fortaleza vem realizando nos últimos meses série de encontros em vários pontos da cidade dentro da estratégia de mobilizar a militância e aproximar os eleitores da legenda. Denominada Atitude 40, as ações incluem de debates a eventos culturais, como os ocorridos na noite do dia três, no bairro de Antônio Bezerra. Foi lá que o irmão do governador, ex-ministro Ciro Gomes, declarou à imprensa que Cid encontra-se isolado no partido quanto à defesa da aliança com o PT para as eleições deste ano na Capital.

A declaração de Ciro não se trata verdadeiramente de nenhuma novidade. Nos bastidores, é notória essa indisposição do PSB em relação à aliança com os petistas. Em política, porém, as falas têm pesos diferentes a depender de quem as profere. Neste sentido, Ciro é capaz de gerar fato político importante e interferir no cenário quando diz que seu irmão é voz isolada. Os que tiveram a oportunidade de ler a matéria publicada pelo O POVO, todavia, também acompanharam que o ex-ministro foi categórico ao declarar que, mesmo diante dessa situação, caberá ao governador e presidente estadual da sigla, dar a palavra final sobre a continuidade do acordo com o PT.

Ora, não seria contraditório Ciro dizer que o governador está isolado, mas ficaria com ele a palavra final sobre esse processo? Em princípio, sim. A leitura política, porém, principalmente das falas, não se pode dar de forma isolada. Mais importante do que está dito, é a intenção com a fala. E aí, caros leitores, o que o irmão do governador afirmou é que não adianta Atitude 40, ou qualquer outra iniciativa para mobilizar a militância do PSB, porque o partido na verdade tem dono e nenhum dos próceres que hoje operam para que haja o rompimento vai interferir na decisão de Cid.

Com isso, o governador reproduz na estrutura partidária o que já adota no seu governo. Foi assim com a montagem da hegemonia na Assembleia, a interferência direta na escolha do presidente da Casa, e o isolamento de opositores. No PSB, o grupo de Cid chegou de mala e cuia e em pouco tempo se apossou da legenda. O golpe fatal se deu no traumático processo de disputa com a ala liderada por Sérgio e Eliane Novais. Usando a mesma estratégia da adotada na AL, cedeu a presidência a Karlo Kardozo, um histórico, mas agora bem mais próximo dos Ferreira Gomes do que dos antigos fundadores da legenda.

Cid Gomes, neste aspecto, não difere muito do PT, e este é um fator fundamental em prol da manutenção da aliança em Fortaleza. O que temos visto no caso da candidatura de Fernando Haddad em São Paulo e agora recentemente com o manifesto dos deputados federais do PMDB, é a constatação de que o partido da estrela vermelha é capaz de quase tudo para garantir os desejos hegemônicos de sua direção partidária. No caso do PSB de Fortaleza, aos militantes e simpatizantes, o que vai restar mesmo em termos de atitude é ouvir rock na praça e acompanhar exibições de motociclistas. Alguém duvida?

* Luiz Henrique Campos,

Jornalista.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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