As Organizações “sociais” e uma certa relação “promíscua”

Com o título “Sobre as organizações “sociais”, eis artigo do jornalista Plínio Bortolotti, que pode ser conferido no O POVO desta quinta-feira. Ele faz uma reflexão sobre Instituto Agropolos e ISGH e uma certa relação “promiscua”. Confira:

Conversando-se com 10 representantes do Executivo, a mesma quantidade deles reclamará da “burocracia” que os impediria de atuar com mais desembaraço para atender às exigências de uma boa administração.

De fato, existem algumas amarras tolhendo a ação ao administrador honesto, sem dificultar muito as atividades dos desonestos. Veja-se o caso das licitações: aqueles que as levam na letra da lei estão sujeitos a intempéries, questionamentos na Justiça e outros embargos. Para os adeptos do malfeito, basta um acerto prévio, como nos casos investigados pela Lava Jato.

Assim, para se livrarem de algumas amarras, prefeitos e governadores vêm lançando mão das “organizações sociais” (um tipo de entidade “sem fins lucrativos”), que passam a executar tarefas típicas do Estado.

O problema é que, livres de algumas exigências legais (incluindo licitações), essas entidades transformam-se em caixas-pretas sobre as quais há pouco controle público e, ainda, viram mais uma moeda de troca para acomodar aliados políticos, parentes e aderentes.

Na edição de domingo, o repórter Carlos Mazza mostrou tal situação em relação ao Instituto Agropolos, que executa tarefas próprias da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce), com contratos no valor de R$ 321 milhões.

Em reportagem na edição de 31/5, o mesmo repórter mostrara situação parecida no Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), que fica com 30% do orçamento da Saúde do Estado. Henrique Javi deixou a presidência do ISGH para assumir diretamente a Secretaria da Saúde. 

É muito comum o trânsito entre diretores dessas entidades e secretarias de governo e da prefeitura. Como também é o caso de Socorro Martins (presidente do ISGH de 2002 a 2007), que assumiu a Secretaria da Saúde do Município, no início na atual gestão.

Quanto às declarações de representantes do governo, tentando explicar esse relacionamento promíscuo, são evasivas, assemelhando-se mais a desculpas sem fundamento.

Plínio Bortolotti

plinio@opovo.com.br 
Jornalista do O POVO

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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