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Instituições políticas corruptoras

Em artigo no O POVO deste domingo (10), o professor titular da Universidade Federal do Ceará (UFC) e sociólogo André Haguette sugere um aprendizado na atual crise política no país, para que não volte a ocorrer no futuro. Confira:

Mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, a crise política atual terminará. Faz-se mister, no entanto, conhecer suas causas de maneira a evitar que ela ocorra novamente. As causas da crise certamente são muitas, potencializando-se umas às outras. Não tenho dúvidas, no entanto, que uma dessas causas são nossas instituições políticas que levam a corromper o entendimento político, favorecem a fragmentação do agir político e a busca de interesses individuais em detrimento do bem comum. Três delas são particularmente perversas: o presidencialismo de coalizão, o sistema partidário e a nossa cultura política.

Nosso presidencialismo de coalizão, principalmente combinado com 35 partidos políticos, impede que o poder executivo, qualquer que seja o partido no poder, tenha, no Congresso, uma sólida maioria de maneira a que possa governar. Sem maioria fixa, o governo necessita constantemente compor uma maioria “ad hoc”, por definição sempre frágil e efêmera e sempre obtida a custo de toda e qualquer forma de convencimento e apoio, formas legais ou ilegais, morais ou imorais. Esse arranjo político abre a porteira à corrupção e/ou a uma criação e distribuição indecente de cargos. Passam a reinar, além da corrupção, o personalismo e o fisiologismo, males que atingem também a oposição que se vê fragmentada e dividida.

A incoerência política dessa forma de presidencialismo é maximizada por um sistema partidário disfuncional e fragmentado que impede a reunião dos agentes políticos em agremiação com um programa e uma ideologia bem definidos. Vencem as conveniências e os interesses individuais, não raramente criminosos, podendo chegar ao ponto de o governante sofrer a oposição de seu próprio partido, como é o caso atualmente. Partido político que não decorre de uma ideologia e de um programa próprios se entrega à barganha de interesses, caprichos e ambições individuais, manifestada pela constante troca-troca de partidos.

Mas é preciso dizer que essas instituições incoerentes, arcaicas e, portanto, anacrônicas conduzem a uma política de “cabos eleitorais”, sem outra finalidade que não sejam os benefícios que o poder político traz para si e para o grupo familiar ou partidário. A raiz disso tudo está na natureza da cultura política não somente dos profissionais da política como também do povo, o que lhe dá uma vitalidade secular. Se seria relativamente fácil modificar nosso regime presidencialista acoplado a uma multiplicidade de partidos, reduzindo-os drasticamente, diminuindo o número de cargos a ser preenchidos politicamente, parece mais difícil e demorado transformar a nossa cultura política, passando de uma cultura fisiológica e individualista a uma cultura impessoal e coletiva, que não procure assentar-se na dependência do estado.

Se as instituições moldam as condutas e as práticas dos indivíduos, é também verdadeiro que os indivíduos agem sobre as instituições e as transformam constantemente. Uma constituinte limitada ao enquadramento político-eleitoral poderia ser a alavanca necessária capaz de modificar ou substituir nossas instituições corruptoras por outras, levando os indivíduos a trilhar o caminho do impessoal e do coletivo.

Fiec sedia primeira reunião do Comitê de Líderes Empresariais do Núcleo de Inovação do Ceará

Nesta segunda-feira (11), a partir das 9h30min, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) será sede do lançamento e primeira reunião do Comitê de Líderes Empresariais, do Núcleo Estadual de Inovação do Ceará (NEI/CE). O comitê se inicia no Estado como projeto piloto do Brasil, por meio da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), lançada em 2008 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e representado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), com objetivo de ampliar a capacidade de inovação da indústria estabelecida no Brasil, além de contribuir para o aprimoramento e efetividade das políticas públicas de apoio à inovação.

A reunião será aberta pelo presidente da Fiec, Beto Studart, e contará com a participação de 19 empresários convidados para fazer parte do Comitê, empenhados pelo desenvolvimento industrial do Ceará. Ainda na programação, o presidente do Conselho de Inovação e Tecnologia (COINTEC) da FIEC e do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânica e de Material Elétrico no Estado do Ceara (SIMEC), Sampaio Filho, falará sobre os principais indicadores econômicos relacionados à inovação no Estado, bem como um panorama sobre programas públicos e privados de incentivo à inovação já existentes.

Em seguida, a diretoria de Inovação da CNI e do IEL-Núcleo Nacional, Gianna Sagazzio, apresentará o MEI e seus resultados, bem como o histórico de atividades do Sistema de Núcleos Estaduais de Inovação (SNEI). Encerrando os trabalhos, o superintendente do IEL/CE e coordenador do NEI/CE, Ricardo Sabadia, modera as discussões sobre a atuação do Comitê de Líderes Empresariais.

(Fiec)

Tucanos usarão as redes sociais numa ofensiva à tese de golpe dos petistas

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Aécio Neves, presidente, comanda a ação.

“Diretórios e parlamentares do PSDB foram instados a colocar como avatar nas redes sociais, a partir do fim de semana, slogans a favor do impeachment.

As mensagens vão na linha “Impeachment está na Constituição; crime, não!” (com a variante “mentira, não”), para rebater a tese de que se está tentando um golpe contra Dilma.”

(Veja Online)

Carta a Leonel de Moura Brizola!

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Em artigo enviado ao Blog, o estudante de Direito da Unifor, Rodrigo Cardoso, avalia com criatividade a situação política no país. Confira:

Só quero lhe dizer, caro Briza, que a coisa aqui está feia. Sobra quase nada de coerência, honestidade, amor a pátria. E o país só anda para trás.

Sim, Brizola… Aqui na terra, a política virou futebol. Nada de razão: apenas paixão. Tem muito mimimi, pouca música que preste. Só quero lhe dizer caro Briza, que o Brasil está mais careta. Sobra quase nada daqueles sonhos que tu sonhaste, e o país só faz curvas à direita. Gaúcho, a coisa está feia: uma velha companheira tua (desculpa pelo companheira, sei que ela te abandonaste), fez igualzinho com os seus eleitores, fazendo promessas e promessas que não se cumpriram, em meio à grave crise. Que indecência.

Mas, apesar de tudo, veja que a corrupção está sendo apurada como nunca. O povo não morre mais de fome, e parte da população começou a ver a Globo como inimiga do povo, assim como tu falastes. No que digo, caro Briza, logo você que fez a Campanha da Legalidade, que deu a vida pela democracia, mais que qualquer outro, logo tu, Brizola, que sempre dizia que a educação era a única solução para levar o país ao desenvolvimento, hoje, o que mais falta ao nosso povo é civilidade, respeito, enfim, uma educação de qualidade como teus CIEPS faziam.

Sempre vejo teus vídeos, tuas falas, porque nunca deixaram de ser atuais, para nos nortear, nos momentos de dúvidas, para saber como se posicionar diante de tamanha baixaria, dos dois espectros políticos que dominam nosso país. Brizola, o PT se aliou a corja mais corrupta da história, em nome de um projeto de poder, que melhorou muito a vida do povo, principalmente dos mais carentes, mas deixou os ricos cada vez mais ricos e não transformou o país de fato. Era a esquerda que a direita gostava, mas, de repente, o modelo fisiológico se esgotou, quando o país entrou em colapso financeiro, vítima da ganância do capital internacional, que tu tanto combatestes, da guinada à esquerda feita por incompetentes e do voluntarismo e birra de uma gaúcha, tua antiga companheira.

Aqui vai uma cartinha, velho Briza. Desculpe em não te contar boas novas. O país só volta para trás, mas tu és lembrado com saudade até pelos teus inimigos, tchê. O PT que tanto falastes mal de ti no passado, hoje te usa como exemplo na luta pela democracia, e contra a corja de corruptos que ele ajudou a formar e crescer. Ando pensando o que tu farias nesse momento, de tantas dúvidas, tantas disputas, e nada de projeto de nação dos dois lados que disputam o poder.

Que falta tu fazes, caro Briza! Mas tuas ideias, teus sonhos e tuas lutas, continuam vivas nos companheiros trabalhistas, que lutam pela democracia, ao lado do PT, que não é mais tão de esquerda, mas agora é odiado pela elite como tu fostes um dia, por puro preconceito e não pelos seus defeitos.

Mas, vamos tentar vencer essa nova campanha da legalidade e lutar por mudanças na condução do governo, porque depois de tanta luta pela legalidade, quem sabe não ressurja no fundo do peito daquela gaúcha o coração brizolista, para ter coragem, sabedoria e competência para fazer um projeto de nação como tu sonhaste, caro briza, pois o Brasil não pode continuar como está… Que falta tu fazes nesse Brasil caranguejo que só cisca para trás!

EUA: lei que permite a empresa recusar serviços a homossexuais causa protestos

homofobia

A nova lei sobre gays e transgêneros, aprovada pelo estado norte-americano do Mississippi, está provocando protestos nos Estados Unidos. A chamada Lei de Liberdade Religiosa estabelece que o estado não vai punir as pessoas que se recusam a prestar serviços a homossexuais ou transgêneros, desde que apresentem como justificativa razões religiosas.

Aprovada em 5 de abril, a lei vem causando polêmica no país. Na prática, diz a apresentadora Rachel Maddow, da rede de televisão MSNBC, a medida permite que um restaurante, por exemplo, coloque um cartaz na porta: “Não servimos gays ou transgêneros”.

A aprovação da lei foi considerada “discriminatória” por grupos que defendem os direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT). De acordo com esses grupos, sob a nova legislação, a religião pode ser usada por qualquer indivíduo ou organização para justificar a discriminação contra pessoas LGBT, mães solteiras e casais não casados.

Dirigentes de empresas com negócios no Mississippi estão solicitando que o governo revogue a nova lei, em razão do risco de o estado perder investimentos.

(Agência Brasil)

O País encalacrado

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (10):

Quem liga pra economia, não é? O tema permanece assunto engavetado até que a disputa política assim o queira. O presidencialismo brasileiro funciona assim: um presidente da República pode ser incapaz, ineficaz, incompetente, desastroso, inábil, minoritário no Congresso e levar o País à bancarrota. Porém nenhuma das características acima, nem mesmo todas juntas, são suficientes para que o mandatário seja “convidado” a retirar-se. É o pecado do presidencialismo.

Quase ninguém ligou para o “Relatório de Estabilidade Financeira” divulgado na última quinta-feira pelo Banco Central. O documento deixa claro que nem mesmo a facilidade na concessão de créditos, medida clássica em situações de crise, terá efeito positivo na economia. Entenderam? Nem concedendo dinheiro fácil as pessoas e as empresas estão dispostas a se endividar e investir.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles, foi o comentarista do relatório. Atentem para suas palavras: “Hoje, o que impede um mercado mais dinâmico de crédito é um baixo nível de confiança de pessoas físicas e empresas, que reflete um pessimismo em relação à situação econômica presente. Acho que o crédito voltará a crescer quando esses níveis de confiança estiverem se recuperando. É uma avaliação bastante geral e olhando o conjunto da economia”.

Confiança. Esse é o ponto. O substantivo apresenta-se com diversos significados em diferentes dicionários. “Crença na probidade moral, na sinceridade, na competência”. Ou “crédito, fé”. Pode ser também “crença de que algo não falhará, de que é bem feito ou forte o suficiente para cumprir sua função”.

Pois é. Confiança. Trata-se de mercadoria parca em nossa política. No caso do governo da presidente Dilma Rousseff, é muito improvável que possa recuperar um mínimo da confiança necessária para tocar o País, mesmo que escape do impeachment. Pelo que apontam as pesquisas de opinião e a rouquidão das ruas, é cristal que se quebrou. Não se remenda. Não se reconstitui.

É evidente que a falta de confiança se une às incertezas políticas e mais a imperícia administrativa para se estabelecer um quadro de extrema retração na atividade econômica. Porém, confiança é a palavra chave na economia para se retomar os caminhos certos. E o problema se arrasta há bastante tempo. Entre o que foi dito na campanha de 2014 e o que foi efetivamente praticado, o cristal se estilhaçou.

Mesmo que a presidente escape do impeachment, o inferno das denúncias permanecerá atazanando o Governo. Ainda há delações a rodo, o processo no TSE, novos pedidos de impeachment e (lembram-se?) a incontrolável Lava Jato como epicentro dos acontecimentos. Curitiba é só a primeira instância.

Mas, e se a presidente Dilma cair, a confiança se reestabelecerá? Não há prognóstico fácil. O fato certo determinado pela Constituição é o seguinte: o vice assume. Michel Temer passa a ser o presidente do País e levará consigo para o poder o PMDB velho de guerra sócio das tenebrosas transações expostas pela Lava Jato. Que sina.

Temer terá a hercúlea tarefa de constituir um Governo e retomar uma ideia de política econômica, coisa que deixamos de ter como há tempos não ocorria. Sozinho, o PMDB e os governistas de sempre não terão condições de ir muito longe. Temer terá que agregar credibilidade e confiabilidade a essa trajetória. Sem essas âncoras, no máximo, será mais da mesma mediocridade com a máquina sucateada e esquálida entregue aos de sempre.

Pesquisa – Desejo por impeachment ainda é grande, mas Dilma reage

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Se a presidente Dilma Rousseff (PT) conseguisse um bom tempo adicional nos minutos finais do segundo tempo de jogo, poderia até pensar em reverter o desejo da maioria dos brasileiros pelo seu impeachment.

É o que aponta a pesquisa Datafolha, divulgada neste domingo (10), pela Folha de S.Paulo, quando o desejo pelo impeachment caiu de 68 pontos percentuais para 61 pontos. Enquanto isso, a sensação que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) faria um governo pior, cresceu quatro pontos em um mês, de 22 pontos para 26 pontos.

(com agências)

Retomada – Lula volta a liderar pesquisa na corrida presidencial

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“A jararaca está viva”! A frase do ex-presidente Lula (PT), em desabafo no início de março pela condução coercitiva para depoimento na Operação Lava Jato, reflete na pesquisa Datafolha, publicada neste domingo (10), pela Folha de S.Paulo, em cenários ao Palácio do Planalto, às eleições 2018.

Nos dois principais cenários da pesquisa, quando a pesquisa reversa os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin, Lula aparece tecnicamente empatado com Marina Silva, nas duas primeiras colocações.

No cenário com Aécio Neves, Lula lidera com 21 pontos das intenções de voto, seguido por Marina Silva (Rede), com 19 pontos; Aécio Neves (PSDB), com 17 pontos; Bolsonaro (PSC), com 8 pontos; e Ciro Gomes (PDT), com 7 pontos.

No cenário com Geraldo Alckmin, Marina Silva lidera com 23 pontos, seguida por Lula (22), Alckmin (9), Ciro (8) e Bolsonaro (8).

Lula conseguiu recuperar os pontos perdidos na pesquisa de março, quando caiu para 17 pontos, mas manteve o índice da primeira pesquisa, realizada em dezembro último. Ciro Gomes e Jair Bolsonaro seguem em ascensão, mas de forma lenta. Já os tucanos são os maiores prejudicados. Enquanto Aécio perdeu 10 pontos – em relação à pesquisa de dezembro -, Alckmin perdeu cinco pontos. Em um terceiro e mais improvável cenário, Serra cai dois pontos a cada pesquisa.

A pesquisa realizou entrevistas com 2.779 eleitores de 170 municípios, nos dias 7 e 8 deste mês, com margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

VAMOS NÓS – Com os tucanos em queda, o PSDB poderia começar a pensar na inclusão do senador Tasso Jereissati nas pesquisas.

(com agências)

Receita divulga vídeo para ajudar contribuintes que ainda não declararam o IR

A Receita Federal produziu um vídeo de animação para ajudar os contribuintes que ainda não enviaram a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2016. O prazo que começou no dia 1º de março termina no dia 29 de abril.

Com uma linguagem simples, os produtores do vídeo procuram apresentar os pontos básicos da declaração tais como limite de isenção, valores de multa por não entrega, rendimentos tributáveis, opção por desconto simplificado e itens do patrimônio que devem ser declarados. O vídeo foi divulgado no canal oficial da Receita Federal no youtube, a TV Receita.

O programa gerador da declaração para ser usado no computador pode ser baixado no site da Receita Federal. O aplicativo para dispositivos móveis (tablets e smartphones) na versão Android, da Google, e na versão iOS, da Apple, está disponível no mesmo endereço.

Para esclarecer dúvidas em relação ao preenchimento da declaração do imposto referente ao exercício de 2016, ano-calendário de 2015, a Receita também liberou para download um perguntão com respostas para as dúvidas mais frequentes.

A expectativa do governo é receber neste ano 28,5 milhões de declarações, número 2,1% maior do que as 27,9 milhões entregues no ano passado.

(Agência Brasil)

Crise deve baixar inflação só a partir de junho, dizem economistas

A queda da conta de luz e do dólar são os principais fatores que têm puxado para baixo a inflação. O agravamento da recessão econômica, no entanto, só deve produzir efeitos sobre os índices de preços a partir do segundo semestre, de acordo com economistas. Os especialistas mantêm a previsão de que, apesar do recuo, a inflação fechará 2016 acima do centro da meta pelo segundo ano seguido.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou março em 0,43%, a menor taxa para o mês desde 2012. No acumulado em 12 meses, o índice está em 9,39%, abaixo de dois dígitos pela primeira vez desde outubro.

Segundo os especialistas, a queda da inflação já era esperada, depois de o índice atingir o pico de 10,71% nos 12 meses terminados em janeiro. “O principal fator é o fim do impacto dos aumentos de preços como combustíveis e energia. Isso porque os preços administrados respondem por um quarto dos índices oficiais de preço”, explica o economista André Braz, responsável pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Professor de Finanças do Ibmec no Distrito Federal, Marcos Sarmento Melo diz que ainda é difícil cravar um percentual de quanto a inflação oficial fechará o ano. Ele, no entanto, aconselha os consumidores a não se iludirem em relação à queda dos preços. “Mesmo com a recessão e a queda do dólar agindo para conter a inflação, esse processo só começará a ser sentido nos próximos meses. O fato é que a inflação ainda está alta e com grandes chances de fechar acima do teto da meta [de 6,5%]”, alerta.

(Agência Brasil)

Não somos bobos, senhor ex-presidente

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Em artigo no O POVO deste sábado (9), a jornalista Nathália Bernardo critica a vinda de Lula a Fortaleza, ocorrida no último sábado (2), em apoio à presidente Dilma Rousseff. Confira:

Caro senhor ex-presidente e ex-brevíssimo-ministro Lula, é um insulto o senhor vir a Fortaleza, subir num palanque e voltar a falar numa refinaria para o Ceará como fez no último sábado. Foram 60 anos de espera até que a Petrobras enterrou a Premium II no início do ano passado.

Não que a promessa de uma nova refinaria seja crível a esta altura, como era no fim de 2010, quando o senhor veio lançar uma pedra fundamental no Pecém. Naquele ano, o petróleo ainda rondava os US$ 90. Desde então, esse valor se liquefaz. Hoje, mal passa dos US$ 40. Resultado de demanda em baixa e oferta em alta, cenário que se consolida. Afinal, falamos de cada vez mais tecnologia para aumento da produção, assim como para ampliar o uso de fontes limpas de energia.

Não é crível, senhor ex-presidente, nem se jogarmos toda a lógica empresarial no lixo e nos atermos ao fato de que a Petrobras é empresa de controle estatal. Sabemos que a marca que já foi orgulho nacional se transformou em ferramenta política, mas ela chegou ao limite. Trata-se de uma empresa com prejuízo de quase R$ 35 bilhões, que corta investimentos e reduz suas atividades. Tudo isso no epicentro do maior escândalo de corrupção que o País já viu.

Desde aquela pedra fundamental, o contribuinte – por meio do Governo do Estado – investiu centenas de milhões de reais para a Refinaria que o senhor prometeu. Dinheiro que nunca foi ressarcido. Nossos empresários se organizaram e qualificaram para atender a uma demanda que nunca chegou. Estudantes buscaram cursos na área de petróleo, vislumbrando oportunidades em casa que nunca se concretizaram. Alguns foram para Pernambuco, sua terra natal, onde o senhor também prometeu uma refinaria. Mas lá, cumpriu.

No sábado passado, ouvimos que “se tudo der certo e a Suprema Corte permitir”, o senhor assumiria a Casa Civil na última quinta-feira – o que não aconteceu. Disse que aceitou o convite porque acredita que a economia tem que mudar. Para gerar emprego e renda. Para investir. “Para voltar a fazer a refinaria no Ceará”. Não repita isso, por favor. É vergonhoso para nós, como deveria ser para si. Acreditamos uma vez, é verdade, mas não vai se repetir. Não somos bobos, senhor ex-presidente.

Valim estaria se preparando para as urnas em Fortaleza?

foto valim aeroporto manifestação

Quem viu o deputado federal Vitor Valim (PMDB) dar uma “aula” de serenidade em uma manifestação, esta semana, no Aeroporto Internacional Pinto Martins, ficou surpreso com o controle emocional de um dos pré-candidatos à Prefeitura de Fortaleza.

Apesar de cercado pelos manifestantes e da gritaria em seus ouvidos, Valim seguiu com tranquilidade.

O deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB), igualmente a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, sequer foi incomodado pelos manifestantes.

Na última semana, Valim separou um conflito na Câmara Federal entre governistas e opocisionistas. As imagens ganharam os principais telejornais do país.

Há quem diga que toda essa tranquilidade do deputado peemedebista faz parte da preparação às urnas de outubro.

As lições da Lava Jato para as eleições municipais deste ano

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Editorial do O POVO deste sábado (9) alerta ao eleitor das lições de corrupção política, reveladas pela Lava Jato. Confira:

As eleições municipais deste ano, no Brasil, acontecerão sob o efeito educativo da Operação Lava Jato. Mesmo que se contestem alguns pontos da condução ou algumas atitudes do juiz Sérgio Moro, o caminho investigatório traçado no combate a corrupção – envolvendo, principalmente, empresários e políticos – é um alerta contra as tentações de apropriação criminosa do dinheiro público.

É inconcebível, caso seja comprovada como verdade, a recente delação premiada de ex-executivos da Andrade Gutierrez envolvendo a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. De acordo com os altos funcionários, um conluio de empreiteiros responsáveis pela obra acertou o pagamento de R$ 150 milhões de propina. Dinheiro que teria sido rateado, entre o PT e o PMDB, em forma de doação legal para as campanha de 2010, 2012 e 2014.

A história escabrosa, provavelmente comum nos bastidores dos poderes federal, estadual e municipal, não pode vogar mais para garantir que esse ou aquele candidato/partido corrupto se eleja para governar um país, um estado ou um município.

Por bem, essa será a primeira eleição em que as empresas estão proibidas de doarem a candidatos e partidos. O País experimentará uma campanha em que a Justiça Eleitoral deverá redobrar a atenção para as manobras que podem favorecer um caixa dois. É aí que entra o potencial didático da Lava Jato.

Candidatos novos, políticos que se perpetuam no poder e empresários descomprometidos com o que é coletivo pensarão duas vezes antes de esquadrinhar acordos espúrios. É o que se imagina.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, mais de 400 mil candidaturas disputarão o pleito municipal, quando estarão em jogo os cargos de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores no Brasil. Serão muitas contas para avaliar. E, dessa vez, com mais rigor e convictos que a corrupção não é mais tolerável. Fere de morte a vida de cada brasileiro honesto.

Basta e, em meio a tantas denúncias e achaques, a população brasileira não pode banalizar o que foi tornado público e incorporar como traço cultural.

Senadora elogia demissão de procurador que investigava Lula

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) elogiou a decisão do Conselho Nacional do Ministério Público de determinar a demissão do procurador da República Douglas Kirchner, que investigava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposto de tráfico de influência envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O procurador é acusado de ter mantido sua ex-mulher em cárcere privado, sem alimentação e sob constantes humilhações e agressões, em 2014, sob influência de uma religião evangélica da qual não faz mais parte. O colegiado decidiu por unanimidade condená-lo pela prática de “incontinência pública e escandalosa”, o que comprometeria a dignidade do Ministério Público da União.

Vanessa questionou também a conduta profissional de Kirchner. Ele, relatou a senadora, vazava para a imprensa informações que corriam em segredo de Justiça contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vanessa destacou ainda que a advogada dele é Janaína Paschoal — uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

— Portanto, fecha-se o círculo e ficam claros os critérios de subjetividade, suspeição e, por que não dizer, de falta de responsabilidade com os quais o ex-procurador atuou na condução do caso de investigação relativo ao ex-presidente Lula.

(Agência Senado)