Blog do Eliomar

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Corpo de Rafael Henzel será enterrado em Chapecó

O corpo do jornalista Rafael Henzel será sepultado hoje, às 16 horas, em Chapecó. Ele morreu na noite de ontem, aos 45 anos, após sofrer infarto quando disputava uma partida de futebol.

Henzel foi um dos sobreviventes do voo LaMia 2933, que levava jogadores, equipe técnica e convidados da Chapecoense à Colômbia, onde seria disputada – em novembro de 2016 – a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

Por meio de nota, a Associação Chapecoense de Futebol prestou homenagem ao jornalista, que narrava suas partidas.

Diante do ocorrido, o clube informou ter solicitado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o adiamento da partida contra o Criciúma, pela Copa do Brasil, em consideração a “tudo que Henzel fez e representou para a Chapecoense, bem como por respeito aos familiares e amigos”.

Segundo a nota divulgada pela Chape, não há clima para a partida prevista para hoje (27), na Arena Condá, em Chapecó.

Também devido à morte de Henzel, o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, decretou luto oficial de três dias na cidade.

Trajetória

Henzel nasceu em São Leopoldo (RS). A carreira de radialista teve início na Rádio Oeste Capital FM, quando tinha apenas 15 anos. Após passar por várias rádios e uma TVs locais, iniciou as atividades na Rádio Oeste Capital. Foi comentarista da RBS TV durante a Copa Libertadores da América de 2017. Atualmente, Henzel era jornalista do Grupo Condá de Comunicação.

A experiência no acidente aéreo – que resultou em sete costelas quebradas, pneumonia, lesões e em uma internação de 20 dias, dez dos quais em uma Unidade de Tratamento Intensivo – levou o jornalista a escrever o livro Viva Como se Estivesse de Partida.

O velório de Henzel é realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo De Nes, localizado no centro da cidade. O enterro será às 16h30 no Cemitério Ecumênico Jardim do Éden.

(Agência Brasil)

Professores da rede estadual dão até o dia 11 de abril para que governo atenda a pauta de reivindicações

O dia 11 de abril virou a data limite dada pelo Sindicato Apeoc ao governador Camilo Santana (PT) para que atenda às reivindicações dos professores. A informação é do presidente da entidade, Anízio Melo.

Ele adianta que a categoria já enviou para o Palácio da Abolição a sua pauta de reivindicações mas, até agora, nada de sinalização.

Nessa pauta, por exemplo, o pedido de 4,17% de reajuste salarial, pagamento das promoções 2017/2018, fim do teto do vale-alimentação – hoje de R$ 4.900 atendendo a 50% dos docentes; e concurso público.

Anízio afirma que se até o dia 11 nada foi resolvido, os professores iniciarão um movimento grevista.

(Foto – Apeoc)

Viúva de Jango reage a Bolsonaro: “64 impôs violenta ditadura militar”

Maria Thereza Goulart, viúva do presidente João Goulart, deposto pelos militares em 1964, criticou o estímulo do presidente Jair Bolsonaro para que as unidades das Forças Armadas celebrem o golpe de 31 de março.

A esposa de Jango falou à Coluna Radar, da Veja Online, o seguinte:

“Negar o golpe de estado de 1964 que derrubou o governo constitucional, democrático e progressista do meu marido, o presidente João Goulart, é negar a própria história. É um desrespeito aos familiares daqueles que foram perseguidos, desaparecidos e mortos pela violenta ditadura militar.”

(Foto – Ismar Ingber, da Folhapress)

Editorial do O POVO – “O emblemático caso Cesare Battisti”

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Com o título “O emblemático caso Cesare Battisti“, eis o Editorial do O POVO desta quarta-feira. Um trecho do texto diz … “a verdade é que o caso emblemático nos apresenta um exemplo evidente de que não podemos nos mover no ambiente internacional deixando que as simpatias ideológicas prevaleçam.” Confira:

É fator de grande constrangimento político no ambiente brasileiro a confissão que agora faz o senhor Cesare Battisti em depoimento ao procurador italiano Alberto Nobili, assumindo-se como autor de homicídios que antes negava, sob proteção de autoridades que a ele garantiram, durante anos, a condição especial de refugiado. Até ser preso e extraditado, em janeiro último, ele negava qualquer envolvimento com o caso e se dizia vítima de uma perseguição política em seu país, a Itália, onde a justiça o condenou à prisão perpétua, em 1993, responsabilizando-o por quatro assassinatos ocorridos entre 1977 e 1979, como integrante, à época, da organização Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC).

Antes de obter abrigo no Brasil, Cesare Battisti viveu no México e França, países nos quais seu discurso de perseguição também serviu de argumento aceito pelas autoridades para garantir a ele a proteção do Estado. No Brasil, beneficiou-se da condição de refugiado ao longo de 14 anos. Em 2010, com base em parecer de recomendação apresentado pelo então ministro da Justiça, Tarso Genro, o presidente da República na época, Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu-lhe refúgio político, que seria cassado em 14 de dezembro de 2018, por Michel Temer. Sua prisão no dia 12 de janeiro último, já em território boliviano, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, encerrou 26 anos de luta das autoridades italianas para que, enfim, a justiça começasse a se fazer.

Claro que se deve considerar as circunstâncias que cercaram a decisão tomada antes em nome do governo brasileiro, com o acusado recusando-se a aceitar qualquer das acusações graves que eram feitas contra ele. O próprio Tarso Genro já se manifestou, dizendo que com as novas informações, especialmente a confissão de Battisti, hoje recomendaria sua extradição. Mais enfático, o ex-secretário Nacional de Justiça na gestão petista, Pedro Abramovay, chega a pedir desculpas à sociedade pelo episódio, dizendo-se “enganado” pelo ex-militante político italiano.

À parte os fundamentos técnicos, a verdade é que o caso emblemático nos apresenta um exemplo evidente de que não podemos nos mover no ambiente internacional deixando que as simpatias ideológicas prevaleçam. Parece claro que mais do que à sociedade brasileira, era ao Partido dos Trabalhadores (PT), à época com o controle do governo brasileiro, que interessava um tratamento de proteção legal de Estado ao militante de esquerda, tirando peso das acusações graves feitas contra ele por instituições e pelo governo italiano. É mais uma chance que temos de aprender com os erros para não vê-los repetidos.

(Editorial do O POVO/Foto – Reprodução)

Fortaleza registra chuva com relâmpagos e trovões; no Ceará, até agora, choveu em 94 municípios

Chove em Fortaleza, com relâmpagos e trovões, nesta manhã de quarta-feira. Esse quadro exige maior cautela por parte dos motoristas. Não há sinais de problemas nos semáforos.

Em alguns pontos da cidade, reaparecem os mesmos alagamentos.

Até as 9 horas, a Funceme registrou chuva em 94 municípios.

Confira as maiores

Viçosa Do Ceará (Posto: Vicosa Do Ceara) : 76.2 mm

Viçosa Do Ceará (Posto: Lambedouro) : 51.0 mm

Beberibe (Posto: Paripueira) : 50.4 mm

Uruburetama (Posto: Açude Mundau) : 46.0 mm

Uruburetama (Posto: Uruburetama) : 45.0 mm

Santa Quitéria (Posto: Lizie) : 44.4 mm

Viçosa Do Ceará (Posto: Sitio Vambira) : 42.6 mm

Barbalha (Posto: Barbalha) : 42.0 mm

Brejo Santo (Posto: Poco Do Pau) : 40.0 mm

Abaiara (Posto: Abaiara) : 40.0 mm

Deputado cearense quer 31 de Março virando feriado nacional

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Heitor Freire e Bolsonaro.

O deputado federal Heitor Freire (PSL) elogia o presidente Jair Bolsonaro por ter orientado o Ministério da Defesa a comemorar o 31 de março. A data registra o golpe que deu início à ditadura militar no País em 1964.

Para o parlamentar, no entanto, a data merece festa “pois foi o dia em que os militares salvaram o País dos comunistas”. Heitor Freire promete , inclusive, apresentar um projeto instituindo o 31 de Março como feriado nacional.

Sobre o assunto, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, rechaçou o uso da palavra “comemoração” para definir os eventos que serão promovidos pelo governo Bolsonaro.

“O termo aí, comemoração na esfera do militar, não é muito o caso. Vamos relembrar e marcar uma data histórica que o Brasil passou, com participação decisiva das Forças Armadas, como sempre foi feito. O governo passado [do PT] pediu que não houvesse ordem do dia, este [governo], ao contrário, acha que os mais jovens precisam saber o que aconteceu naquela data, naquela época”, disse.

(Também com Folha/Foto – Facebook)

Leõnidas Cristino diz que é hora de Bolsonaro começar a governar e deixar de sabujice com os EUA

O presidente Bolsonaro ainda não começou a governar, faz vergonha à diplomacia brasileira com a subserviência aos Estados Unidos e não é com sabujice, aliança militar e atrelamento político ao estrangeiro que a situação do Brasil vai mudar. Essas foram algumas críticas ao governo atual dirigidas, nessa terça-feira, pelo deputado federal Leônidas Cristino em discurso no plenário da Câmara.

“Nem chegou aos três meses iniciais, perdido no laranjal em meio a crises geradas pela própria família presidencial, o governo é alvo de pesadas cobranças porque ainda não começou a governar e vê decair a sua aprovação”, disse o parlamentar cearense, ao lembrar a recente queda de 15 pontos no índice de aprovação (bom e ótimo) do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o deputado, no encontro com o presidente Trump, Bolsonaro chegou oferecendo tudo, recebendo nada em troca, meras promessas, muito pouco. “Essa atitude de subserviência abre mão da afirmação de uma Nação. Uma página que envergonha a diplomacia brasileira”, afirmou.

Leônidas Cristino observou que está sendo festejado o ingresso do Brasil no clube dos países desenvolvidos, a entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Washington exigiu a saída do Brasil do bloco dos países em desenvolvimento no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) que os EUA querem esvaziar para melhor exercer uma hegemonia sobre o comércio global. De imediato, o Brasil abre mão de uma vantagem estratégica que possui no comércio internacional, em troca de algo duvidoso que, se vai acontecer – não depende só dos Estados Unidos -, não se sabe quando”, questionou.

“Enquanto isso – destaca Leônidas Cristino – o PIB e o PIB per capita do Brasil estão muito longe da economia dos países desenvolvidos. “Com uma das maiores concentrações de renda do planeta, o Brasil é um país desigual. Não é com sabujice, aliança militar e atrelamento político ao estrangeiro que essa situação vai mudar”, finaliza.

BNDES receberá, a partir de 2 de abril, inscrições de projetos culturais

Instituições sem fins lucrativos poderão se inscrever, a partir da próxima terça-feira (2), no Matchfunding BNDES+ Patrimônio Cultural – iniciativa-piloto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para financiar projetos culturais que deixem legado a patrimônios culturais materiais e imateriais brasileiros. As inscrições vão até 15 de agosto e podem ser feitas no endereço eletrônico www.benfeitoria.com/bndesmais.

O banco vai destinar até R$ 2 milhões do seu Fundo Cultural para projetos de patrimônio, aplicando R$ 2 para cada R$ 1 captado por projeto junto ao público em geral, até o limite de R$ 200 mil.

De acordo com o BNDES, cada projeto apoiado poderá ter valor entre R$ 30 mil e R$ 300 mil. Segundo o BNDES, conforme a arrecadação obtida, o total disponível para apoio às iniciativas culturais poderá ultrapassar R$ 3 milhões.

O programa resulta de parceria do BNDES com a SITAWI Finanças do Bem e a plataforma de financiamento coletivo Benfeitoria.

Critérios de escolha

Impacto, inovação, tradição, perenidade, perfil da proponente e custo-benefício são alguns critérios que o BNDES levará em consideração na avaliação dos projetos candidatos. Estes devem se enquadrar em uma das quatro categorias de seleção (promoção e inclusão, inovação e tecnologia, educação e inspiração e preservação e memória).

A escolha dos projetos vencedores pelos comitês curadores ocorrerá em quatro fases, entre junho e setembro deste ano. Serão selecionados até 40 projetos de patrimônio cultural de interesse da sociedade em 2019. Após fase de treinamento, os projetos serão inseridos na plataforma para arrecadação junto ao público, por um período de 30 a 60 dias.

Uma nova chamada do programa está prevista para 2020, com apoio financeiro de igual valor, R$ 2 milhões. Os recursos que não forem usados na chamada de 2019 poderão ser incorporados à seleção do próximo ano.

(Agência Brasil)

Bolsonaro passará por nova avaliação médica em São Paulo

Nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro viajará para São Paulo, onde passar por uma nova avaliação médica no Hospital Albert Einstein. A informação é do Portal G1.

Em janeiro, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para retirada da bolsa de colostomia que usava desde setembro do ano passado, quando levou uma facada na região abdominal durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Com a facada, Bolsonaro ficou cerca de 20 dias internado no Albert Einstein e se dedicou a fazer a campanha eleitoral nas redes sociais.

Segundo informou o porta-voz Otávio Rêgo Barros, a consulta de Bolsonaro nesta quarta-feira será a última feita presencialmente. A anterior foi em fevereiro.

O ataque ao presidente é investigado pela Polícia Federal. Adélio Bispo, que admitiu ter sido o autor da facada, está preso.

Em um inquérito, a PF chegou à conclusão de que Adélio agiu sozinho. Em um outro inquérito, a Polícia Federal investiga quem paga a defesa do agressor.

Cid Gomes quer reciprocidade entre votações na Câmara e no Senado

O senador Cid Gomes (PDT) defendeu, nessa terça-feira, a adoção do princípio da reciprocidade entre as votações de projetos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

“Examinando a pauta, são sete projetos de lei que têm a Câmara como origem. Queria propor ao presidente que compusesse uma comissão para que pudéssemos tratar com a Câmara uma pauta que fosse equilibrada, em que o Senado vota sete projetos que vêm da Câmara e pede que a Câmara se comprometa a votar sete projetos que têm origem no Senado. Dessa forma poríamos o processo legislativo verdadeiramente para funcionar no nosso Congresso”, defendeu.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), acatou a sugestão de Cid e se comprometeu a agendar um encontro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tratar do tema.

Alcolumbre aproveitou para pedir aos líderes partidários que encaminhem sugestões de matérias que estão prontas para irem à votação no plenário da Câmara para que o princípio da reciprocidade seja efetivado.

(Foto – Agência Senado)

BS Design, investimento de R$ 500 milhões, será entregue nesta quinta-feira

Beto Studart, que também preside a Fiec, comandará a festa de inauguração.

O Edifício BS Design Corporate Towers, da BSPAR Incorporações, abre as portas amanhã. Segundo os responsáveis pelo empreendimento, que recebeu R$ 500 milhões em investimentos, ele tem atraído investidores externos à Capital pela arquitetura inovadora, que lembra a vela de uma jangada, e por possuir conceito norte-americano A , concedido a imóveis que atendem a uma série de requisitos na engenharia, tecnologia, segurança e sustentabilidade. A inauguração ocorrerá às 19 horas, na rua Desembargador Moreira, 1300, no bairro Aldeota.

Dentre as empresas que vão se instalar no BS, estão o restaurante Tio Armênio, Santa Grelha e a Delicatessen Casa Portuguesa. Para o diretor de incorporações da BSPAR, Fábio Albuquerque, os hubs aéreo, tecnológico e portuário têm influência na ambiência de negócios e atração de investimentos. “Temos tido bastante procura de empresas de fora. Como São Paulo e Estados Unidos”, cita.

“O BS Design é um equipamento ousado, único, realmente especial, que veio para marcar a história da cidade. É um ambiente de luxo, no sentido de que oferece conforto, beleza, modernidade e funcionalidade. Um espaço agradável e iluminado sob todos os aspectos”, enumera o presidente da BSPAR Incorporações, Beto Studart.

Segundo Fábio, o objetivo era unir a modernidade dos padrões europeus, mas sem perder a assinatura regional. “As curvas tem formato de vela de jangada”, detalha a obra arquitetônica assinada pelo arquiteto Daniel Arruda. “Pensamos num conceito de praças abertas, trazendo mais conectividade para quem está vivendo a Cidade, além de outras tecnologias”, diz.

O empreendimento tem área total de 10 mil m² e unidades que vão de 22 m² a 326 m². É possível alugar salas por R$ 2,5 mil e comprá-las por valor igual ou superior a R$ 500 mil. Os preços, no entanto, dependem do tamanho e outras especificidades da unidade. Ao todo, são 690 salas comerciais e 18 lajes corporativas.

Os elevadores têm sistema de frenagem regenerativa (KERS). O mecanismo é usado nos carros da fórmula 1, gerando redução de até 40% de energia. Já as águas produzidas no sistema de ar-condicionado do edifício são reaproveitadas na irrigação das áreas verdes. Haverá ainda um sistema de automação, com controle de luz nas fachadas, iluminação das áreas comuns, pressurização e acionamento das bombas d`água. “Toda metrópole espera esse tipo de empreendimento, diz Fábio. Já existe empresas que precisam prover qualidade para os inquilinos e, realmente, a Capital estava deficiente”, acrescenta.

(O POVO – Repórter Bruna Damasceno/Foto – Divulgação)

Senado aprova projeto que facilita cancelamento de TV a cabo

O plenário do Senado aprovou, nessa noite de terça-feira (26), o projeto de lei que garante o direito dos usuários de TV por assinatura de cancelar os contratos por telefone ou via internet. Como o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 131/2015 não sofreu alterações, ele segue para sanção presidencial.

O texto altera a Lei da Comunicação Audiovisual de Acesso Condicionado. Hoje, essa modalidade de cancelamento está prevista em normas infralegais. Se o projeto for sancionado, esse direito estará assegurado em lei, o que dá maior segurança aos usuários.

Segundo dados de dezembro de 2018 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil tinha 17,5 milhões de contratos ativos de TV por assinatura.

(Agêncai Senado)

Prefeito Roberto Claudio vai anunciar o “Pacote da Cultura”

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) vai lançar um pacote na área da Cultura. Entre novos investimentos, a implantação de cinemas populares nos terminais de ônibus, a construção do Centro Cultural do Canindezinho e o início da obra de requalificação da Praça José de Alencar, área tombada e integrada ao Theatro José de Alencar.

Ele assegura: “Será o maior investimento já realizado na cultura de Fortaleza”. RC promete divulgar todos os detalhes do pacote, numa entrevista coletiva já marcada para as 9 horas da próxima sexta-feira, no Paço Municipal.

Ao mesmo tempo, lançará, nessa ocasião, os editais dos projetos. Ótima iniciativa do prefeito.

Fica agora a torcida para que essas ações não demorem tanto como demorou a reforma do Teatro São José.

(Foto – Paulo MOska)

Açudes do Ceará – Volume está 61% maior do que em 2018

Prestes a chegar na metade da quadra chuvosa, o sistema de abastecimento hídrico no Ceará está com 13,45% da capacidade total, somando 2,50 bilhões de metros cúbicos (m³). O volume é 61,65% maior que no mesmo período do ano passado, quando o armazenamento era de 1,55 bilhões m³, conforme a resenha diária da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Apesar de estar em um caminho de recuperação hídrica, com abastecimento para consumo humano garantido para este ano, a situação ainda é preocupante.

No último fim de semana, as regiões de Cariri, Ibiapaba e Sertão Central registraram precipitações de mais de 100 milímetros (mm). Conforme Raul Fritz, supervisor da unidade de Tempo e Clima da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), há “previsão de retorno das chuvas, principalmente no dia 28 (amanhã), para a região do Cariri”. A previsão é de nebulosidade variável – cobertura variada de nuvens – com eventos de chuva – mais de 50% da área sob previsão – em todas as regiões, de acordo com o portal da Funceme. O mês de março está prestes a alcançar a média histórica de precipitações, de 203,4 mm, tendo acumulado 192,6 mm.

No encerramento da quadra chuvosa de 2018, no final de maio, o volume dos reservatórios era de 17,06%. Já este ano, o aporte registrado no Estado foi de 745,81 milhões m³. O Castanhão, maior açude do Estado, está com 3,60% da capacidade. Orós e Banabuiú também não estão com volume satisfatório, com 5,24% e 6,14%, respectivamente.

Conforme João Lúcio Farias, presidente da Cogerh, as bacias das regiões mais afetadas pela estiagem, no Centro-Sul do Estado, estão em situação mais crítica. Sãos elas a bacia do Sertão de Crateús (6,96%) e as da região jaguaribana – Médio Jaguaribe (3,81%), Alto Jaguaribe (5,86%), Banabuiú (7,67%), Salgado (19,19%) e Baixo Jaguaribe (41,54%).

“A gente precisa chegar pelo menos acima de 50% para atender aos múltiplos usos da águas. O Castanhão pegou menos de 30 milhões m³ de aporte. É uma situação ainda preocupante”, diz. É possível se aproximar do número, segundo João Lúcio, caso os próximos dois meses da quadra tenham chuvas “com intensidade e nos locais certos”. A região Norte é a única em situação considerada “confortável”, como a bacia do Coreaú (90,34%) e a do Litoral (80,61%).

Responsável por atender área mais adensada, a bacia Metropolitana está com 38,94%. Os reservatórios do sistema metropolitano, que abastecem os açudes Pacajus, Pacoti, Riachão e Gavião, estão com 48,92%. “É necessário mais aporte nesses reservatórios para conseguirmos continuar”, avalia.

Dos 155 açudes monitorados pela Cogerh, 25 estão com volume acima de 90%, do quais 20 estão sangrando. Outros 94 estão abaixo de 30% da capacidade, 27 estão em volume morto e dez estão secos.

(O POVO -Repórter Ana Ruth Ramires)

Presidente do Inep é exonerado

O professor Marcus Vinicius Carvalho Rodrigues foi demitido nessa terça-feira (26) do cargo de presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A portaria assinada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

Rodrigues assumiu o cargo no último dia 22 de janeiro, em substituição a Maria Inês Fini, que ocupava a presidência do Inep desde 2016.

Doutor em Engenharia da Produção e mestre em Administração de Empresas, Rodrigues foi professores da Fundação Getúlio Vargas.

O Inep é vinculado ao Ministério da Educação e responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pelo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

(Agência Brasil)

Câmara dos Deputados aprova PEC do Orçamento Impositivo

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A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos, nessa noite de segunda-feira (26), a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Orçamento Impositivo. Com isso, o governo federal é obrigado a liberar a verba de emendas parlamentares para ações previstas no Orçamento para a execução das emendas coletivas de bancada. A proposta segue para o Senado.

As chamadas emendas de bancada são as que são apresentadas por deputados e senadores de cada estado, com o objeto de ações específicas naquela unidade da Federação.

Atualmente, já é impositivo o total das emendas individuais dos parlamentares, sendo que metade do valor deve ser aplicado em saúde. O valor está sujeito ao teto dos gastos aprovado em 2016.

A proposta para ampliar o orçamento impositivo, de autoria do deputado Hélio Leite (DEM-PA), precisava ser votadas em dois turnos na Câmara, e ambos ocorreram na noite de hoje. Em primeiro turno, a PEC foi aprovada por 448 a 3. No segundo turno, a aprovação teve um placar de 453 a 6.

(Agência Câmara)

Vítima de infarto, morre jornalista que sobreviveu da queda do avião da Chapecoense

Sobrevivente da queda do avião da Chapecoense na Colômbia, em 2016, que deixou 71 mortos, o jornalista Rafael Henzel, de 45 anos, morreu hoje (26) à noite de infarto. A informação foi confirmada pela Associação Chapecoense de Futebol na sua conta no Twitter. Em uma mensagem emocionante, o clube lembra com carinho o profissional que acompanhou a trajetória do time.

“Durante a sua brilhante carreira, Rafael narrou, de forma excepcional, a história da Chapecoense. Tornou-se um símbolo da reconstrução do clube e, nas páginas verde e brancas desta instituição, sempre haverá a lembrança do seu exemplo de superação e de tudo o que fez, com amor, pelo time, pela cidade de Chapecó e por todos os apaixonados por futebol.”

Henzel trabalhava na Rádio Oeste Capital, de Chapecó.

Em 29 de novembro de 2016, o voo 2933 levava 77 pessoas a bordo, entre passageiros atletas, equipe técnica e diretoria da Chapecoense, jornalistas e convidados, que iriam a Medellin onde estava prevista a disputa da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. Apenas seis pessoas sobreviveram.

(Agência Brasil)

Reportagem do O POVO – Dois militares do Ceará foram internados por dependência

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José, de 20 anos, entrou no Exército em 2017. Já havia se engajado na Força para seguir a carreira militar. Sua dependência química atrapalhou. Consumia cocaína diariamente, também dentro do quartel. Era a droga mais fácil de disfarçar. Evitou somente nos meses de internação obrigatória. Não levava maconha porque o rastro seria visível, mas sempre tragava dela em casa. Diz que a primeira vez foi aos 12 anos. Em outubro do ano passado foi afastado do meio militar para internação. Mas já havia alguns meses que passara a usar crack – que chama de seu “fundo do poço”. Vinha perdendo peso e faltando o expediente com frequência fora do normal. Está internado.

Expedito, 19 anos, ingressou nas Forças Armadas no início de 2018. Nunca foi muito falante no grupo. “Era na dele” – descreve um soldado da mesma turma. Cumpria as obrigações da função e sempre preferia ficar só, recluso. Havia a suspeita de que pudesse ser uso de droga. Em agosto, teve dias de faltas seguidas. O comandante da unidade militar, major Fulgêncio Castro e Silva, foi alertado da situação. Chamado pelo oficial, confirmou o uso regular de maconha. “Quando soubemos que ele usava substância ilícita, até nos surpreendeu”, disse outro colega de quartel. Após a licença para internação e tratamento, Expedito deu baixa militar.

Os nomes são fictícios. Os dois rapazes são protagonistas dos casos recentes mais graves de militares, no Ceará, afastados temporariamente das atividades por uso de drogas. A diferença entre os casos foi de apenas dois meses. Ambos eram, até então, lotados na Companhia de Comando da 10ª Região Militar, no Centro de Fortaleza. O local é o principal quartel do Exército no Estado.

Os casos de Expedito e José foram tratados como questão de saúde. Se tivessem sido flagrados portando ou utilizando a droga na unidade militar, não escapariam de responder na Justiça Militar. “O Exército prioriza a prevenção. A partir do momento que a pessoa está doente, precisa de ajuda, ela será encaminhada para tratamento. Não é todo drogadicto que será internado. Muitos conseguem sair só em nível ambulatorial. Alguns que precisarem de internação a gente tem estrutura para isso”, esclarece o major Pedro Leopoldo Rouquayrol, da Inspetoria de Saúde da 10ª Região.

Do Hospital Geral do Exército, na Aldeota, Expedito foi levado para o Instituto Volta Vida (IVV), na Lagoa Redonda. O IVV é conveniado ao Fundo de Saúde do Exército (Fusex), para casos extremos. O Fusex cobre as despesas. Após 90 dias, o soldado foi liberado e, no retorno ao quartel, encerrou seu período nas Forças Armadas. Não respondeu a processo de expulsão. Por regra da Norma de Perícia Médica aplicada no Exército, um militar temporário (soldado) é obrigado a dar baixa, se desligar, após três meses de licença médica.

José está internado no Instituto desde outubro. Pelo tempo, seu desligamento também será compulsório. Ele está limpo desde então. Num dos piores momentos, chegou a desaparecer por mais de três dias. Teve fotos divulgadas nas redes sociais pelos familiares. Estava dormindo nas ruas. “No meu caso, me trataram, me deram uma oportunidade de saber mais da minha doença. É uma realidade que infelizmente acontece dentro das unidades”, diz o soldado.

A narrativa a seguir é de um soldado do Exército que cheirava cocaína no quartel da Companhia de Comando da 10ª Região Militar. José saía do serviço e ia comprar crack no entorno da unidade. Internado para tratar sua dependência química, ele afirma que as drogas são “uma realidade” dentro dos quartéis locais. O nome é fictício.

Onde tudo começou

Tenho 20 anos. Entrei no Exército em 2018. Entrei no cumprimento obrigatório, mas desde a infância tinha o sonho de seguir a carreira militar. Meu pai serviu no Parque de Manutenção por oito anos e me espelhava nele, tinha esse sonho de servir as Forças Armadas. Mas, na minha adolescência, sempre fui um cara rebelde. Parei os estudos por conta do uso de drogas. Após entrar nas Forças Armadas tive outra maneira de viver. O contato com disciplina, hierarquia. Isso veio me moldando e acabei gostando, foi uma coisa diferente pra mim. Foi quando desencadeou mais profundamente o meu uso. Foi quando ganhei mais liberdade, a confiança da minha família, mas ainda tinha aquela insegurança porque não partilhava com eles realmente o meu sentimento. Eles sabiam sobre o meu uso, mas não a frequência, não sobre as minhas amizades. Pra eles era superficial, algumas vezes. Eu era castigado, mas não tão a fundo. E, depois que entrei nas Forças Armadas, ganhei uma certa liberdade em casa, onde peguei em dinheiro. E, sem pedir ajuda a ninguém, fui desencadeando mais ainda meu uso de drogas. Foi onde tudo começou.

Fundo do poço

Eu comecei a fumar maconha com 12 anos. Por necessidade de aprovação, de querer estar junto do pessoal mais velho da escola, de querer ser um cara enturmado. Nunca me aceitando. Aos 14 eu parei de estudar, foi quando entrei no Ensino Médio. Faltava aula, deixava de ir à escola, o uso foi aumentando ao ponto de eu parar de estudar. Ia uma ou duas vezes na semana à escola. Com o decorrer do tempo fui conhecendo psicotrópicos, remédios antidepressivos. Logo em seguida conheci a cocaína, alucinógenos, ecstasy. Cheguei a usar diversos tipos de drogas, como cogumelos, quetamina… Acho que a única droga que não cheguei a usar foi a heroína. Por último, cheguei ao meu fundo de poço, já estava usando o crack. Vi que já estava totalmente sem o controle da minha vida. Sentia necessidade de parar, mas não sabia como. Tentei por diversas vezes. Ainda mais com o potencial que eu tinha de ter dinheiro em minhas mãos, não saber como usar. Não partilhava isso com ninguém, não falava pra ninguém das minhas dificuldades, não tinha ajuda de alguém próximo. Já estava me isolando da minha família, não conversava com ninguém. Já não tinha amigos.

Droga e trabalho

Eu tinha a ideia de conciliar, de poder manter meu uso e meu emprego. No começo de tudo eu consegui manter meu desempenho, consegui engajar nas Forças Armadas. Meu uso não estava frequente, estava conseguindo assimilar tudo. Usava geralmente à noite, depois do expediente. Militar, continuei consumindo. Todos os dias. Juntava uma turma e saía pra bares, boates, festas. Tinha esse medo de perder o emprego, porque era uma coisa que gostava, que fazia de coração. Tinha esse amor pelas Forças Armadas, ainda tenho, mas chegou a um ponto que não conseguia conciliar mais tudo isso. Já tinha medo de perder, de saber o que o pessoal ia achar se soubesse que estava usando droga. Tinha medo de pedir ajuda, de eles automaticamente me expulsarem e me prenderem. Usei drogas dentro uma unidade militar, sim, sim. Já cheguei sob efeito de substância, já cheguei a consumir dentro das unidades. Usei dentro de banheiros, ao lado dos contêineres de lixo. Geralmente em locais que não havia ninguém, só eu, isolado. Usava cocaína, que é uma droga fácil de usar, não inala dor e não deixa vestígio. Achava que era pra me manter acordado, mas, na verdade, não era. Eu estava somente na abstinência e queria preencher uma coisa dentro de mim, que não conseguia saber o que era. Um vazio. Procurava isso nas drogas. E até perceber era muito difícil. Por ser a única coisa que eu poderia utilizar dentro da unidade que não chamasse a atenção de terceiros.

Uma parada

Interrompi o uso só no período do internato, do pré-alistamento. Parei porque tinha medo que fizessem exame de sangue, algum exame toxicológico, saberem que eu era usuário de drogas e eu não entrar. Foi o período que eu dei uma parada mesmo. Mais por questão física.

Outros militares

Conheci outros militares que consumiam. Bastante. Muitos, muitos. Por vezes eu falava pra mim mesmo que queria parar, que não aguentava mais aquilo ali. Dentro de mim já estava esgotado, exausto, não conseguia mais. Mas, pela convivência com o pessoal, a galera chamava pra sair. “Ah, vamos sair, só tomar uma cerveja”, e sempre não é só uma cerveja. Ia na intenção de tomar uma cerveja, mas na verdade estava querendo usar droga. Se eu tomasse um gole de cerveja, com certeza iria utilizar droga. Quando eu estava com a cabeça focada no trabalho, conseguia desenvolver meu papel perfeitamente. Conseguia trabalhar normalmente. Mas a partir do momento que tinha uma raiva, uma frustração, um sentimento que não conseguia externar, procurava me anestesiar usando drogas. Isso veio dificultar muito, porque tinha o receio de partilhar com alguém dentro da unidade com medo de represálias. De alguém achar que era um defeito de caráter meu, que eu poderia parar a hora que quisesse. Eventualmente eu poderia ser preso, simplesmente ser expulso automaticamente. Então tinha esse receio, não falava com ninguém, simplesmente guardava pra mim e ia alimentando isso mais ainda.

Dentro do quartel

É comum o uso de drogas no ambiente militar, sim. Principalmente esse pessoal que chega mais novo, mais recente. Os recrutas, os mais novatos, que chegam e ainda não sabem como é a rotina, a doutrina, disciplina, hierarquia, do regimento, do compromisso da unidade, do nome, do respeito pelas Forças Armadas. É muito constrangedor você estar no meio de uma situação na rua e ser pego com droga, você sendo militar, e a polícia não mede esforço. Se você estiver errado, em qualquer situação que seja, mesmo se não estiver usando droga e estiver perto de alguém que esteja utilizando, você é tachado do mesmo jeito. Teve gente que passou a consumir dentro…por influência, com certeza. Teve gente que já veio com isso, teve gente que ainda conseguia manter o padrão e conciliar o trabalho com o uso das drogas. Em outras unidades via bastante. Cheguei a ver. Era comum. Geralmente quando ficava aquele grupo mais jovem, que não tinha alguém com mais experiência, com certa maturidade. A galera mais jovem começava um papo da rotina lá fora, como era a vida, uns começavam a se identificar com os outros, onde moravam, locais que andavam. A ideia se batia e um usava droga e outro também.

Conflito pessoal

Não tem perfil, sabe, pra essa doença. Eu vejo como uma doença. Pode ser o mais inteligente, que faça o trabalho mais árduo e mais produtivo na unidade, ou aquele que não faz nada, o mais desleixado, mais fácil de ser identificado. Mas tem pessoas que conseguem assimilar o trabalho, fazer tudo corretamente e não aparentar que utiliza drogas. Essas pessoas são as principais que devem ser observadas. Porque elas geralmente estão em conflito com elas mesmas. No meu caso, conseguia assimilar bastante, mas chegou a um ponto que eu não conseguia mais. Não dormia, não conseguia me alimentar, tomar um banho, não conseguia conversar abertamente com uma pessoa. Nunca fui flagrado consumindo. Alguns companheiros que trabalhavam comigo já sabiam do meu histórico, sabiam que eu usava drogas. Chegou um período que já estava sendo tachado como um “noia”. Meu apelido já estava sendo Noia. Pra mim, aquilo já estava sendo normal, não ligava mais pra isso. Já estava, de certa forma, gostando. Mas dentro de mim aquilo ali doía demais. Quando era chamado de cracudo, aquilo doia. Por fora eu aparentava ser um cara que não ligava, que tanto fazia. Por tanto ser chamado assim, já me estava me remoendo, sentindo angústia. Já estava a ponto de explodir, de tantas coisas, e alguns companheiros notaram meu desempenho. Por eu ter uma certa caminhada boa, exemplar, e de um período para outro eu decair. Chegar atrasado, faltar serviço, mentir, receber transgressões disciplinares e, mesmo assim, dar conta.

Punição

Cheguei a ser punido por chegar atrasado, faltar serviço. Fiquei detido no quartel, impedido de ir pra casa. Duas vezes. Não ligava mais. E era uma coisa que eu mais tinha preocupação, perder meu emprego. Sempre fui um cara que chegava no horário, cumpria meu dever, meu serviço. Tinha cerca de um ano e seis meses de Exército. Me apresentei em outubro do ano passado dizendo que estava consumindo. Tinha consumido um dia antes. Não consumi mais. Eles notaram que eu estava muito mal, tinha emagrecido muito, muito. Estava numa decadência física, mental, emocional. Já não conversava com ninguém, totalmente exausto. Precisava botar aquilo pra fora, mas não tinha forças. Já estava gritando por dentro, mas não conseguia falar isso pra ninguém. E eles notaram. Falaram “cara, você precisa de ajuda, precisa parar com isso, se internar, fazer alguma coisa. Senão você vai morrer”. Eu com a mente totalmente fechada. “Não preciso disso, posso parar a hora que eu quiser”.

Ajuda

Tive amigos no Exército que me aconselharam. Tinha pessoas que eu confiava mesmo. Foi aí que veio, acho, uma luz divina para a minha recuperação. Foi quando um cabo veio e falou pra mim: “Ei cara, tenho um primo que era igualzinho a você, da mesma idade. E eu pedi a ele, implorei que pedisse ajuda. Ele não pediu e morreu. E não quero que o mesmo aconteça com você. Considero você como se fosse da minha família”, e começou a chorar. “Se você sair daqui hoje e voltar a usar drogas, você vai morrer” e caiu em prantos. Na mesma hora não aguentei a pressão, comecei a chorar também. Puxei um dinheiro que tinha guardado e falei pra ele “cara, tô usando crack. Já tentei parar por conta própria, tenho essa dificuldade, tô viciado, tô gastando todo o meu dinheiro. Minha família tá preocupada, minha mãe tá no hospital porque desapareço de casa dois, três dias”. Faltando o serviço, perdendo o controle da minha rotina, meus deveres, compromissos. Estava misturando tudo, estava numa decadência. Um sargento foi e falou: “cara, se você pedir ajuda, ninguém tá aqui pra lhe prejudicar. A gente quer o seu bem, sabe quem você é, como você chegou aqui. Em momento algum, se você estiver buscando ajuda, a gente vai lhe expulsar, lhe jogar na rua. A gente quer ver você bem. Chegou aqui bem, conseguiu trabalhar, se destacar. A gente não vai abrir mão de você fácil. Peça ajuda. A gente vai conseguir te internar. Você não vai morrer”. Comecei a me tremer e disse que não conseguia mais parar. “Preciso de ajuda, quero me internar, tô usando crack. Mas tenho muito medo do que vai acontecer comigo”. Ele disse que ninguém ia me julgar pelo que eu estava fazendo. Iriam me ajudar, me tirar dessa. Foi aí que confiei realmente em expor o que estava sentindo, confiar que eles poderiam me ajudar. No mesmo dia eu vim pra cá (centro de recuperação). Falei com meu comandante de Companhia, ele falou com a assistente social. No mesmo momento já entraram em contato com minha família. Falaram sobre a internação, sobre o Instituto Volta Vida. E fiquei surpreso pela iniciativa que eles tomaram e não me punir, me expulsarem, me descartarem. Porque eu poderia ser preso por estar utilizando drogas dentro da unidade, por ter uma série de transgressões, várias situações que vinham se repetindo. E, pelo contrário, eles me deram a mão, me ajudaram. Eu me senti mais confiante e foi gratificante.

Suportes

Minha percepção hoje sobre isso é que antes eu achava que era um defeito de caráter meu. De querer usar drogas. Hoje percebo que sofro de uma doença chamada adicção. Que não foi só o uso de drogas que fez minha vida virar isso tudo, mas sim meus comportamentos. Sempre quando acontecia alguma coisa comigo, traumas ou sentimentos que eu guardava, isso me prejudicava e queria preencher esse vazio com algo imediato. Procurava isso na droga. Mas podia ser bebidas ou prazeres imediatos. E isso não preenchia nada. O que vem me preenchendo hoje é procurar aprender algo, me espiritualizar mais, procurar minha família, algum ambiente saudável, um esporte, preencher com algo que vá me fazer crescer mais. Vejo que muitos jovens procuram as drogas não só pelo simples fato de usar drogas, mas por necessidade de aprovação, de querer se enturmar numa galera. Acho que a droga em si é só a cereja do bolo. Os comportamentos são a principal chave para querer fazer a pessoa usar.

Tratar e não julgar

É uma realidade que no meio de unidades do Exército existe bastante, mas acho bacana o trabalho que as Forças Armadas vêm fazendo. Tratar o pessoal e não julgá-los, não descartar. No meu caso, me trataram, me deram uma oportunidade de saber mais, saber da minha doença. E mostrar a eles que a verdade não era aquilo que eu acreditava, que eu estava me preenchendo com substâncias. E, sim, existe muito a ser trabalhado e é uma realidade que infelizmente acontece dentro das unidades.

(*) Nesta série, O POVO opta por usar nomes fictícios para os militares denunciados, em tratamento ou já expulsos.

( POVO – Repórter Cláudio Ribeiro)

Veja Vídeo – Domingos Neto reage contra ataques ao Congresso

O líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo, atacou o Congresso por não apoiar integralmente a proposta da reforma da Previdência. Durante sessão nessa terça-feira, o deputado federal Domingos Neto (PSD) ocupou a tribuna e reagiu: “Um líder tem o dever de organizar, inspirar e mobilizar a sua base, que, por agora, é inexistente e não atacar seus colegas, sua instituição.”

Domingos Neto lembra que, quando o líder do governo nega e criminaliza a articulação política, esquece o papel do Congresso em trazer recursos para os estudos, lutar e propor medidas de saúde, educação, segurança e acesso à água.

“Aqui, nós queremos um governo que atenda os anseios da população e é por isso que precisamos de verdadeiros líderes fazendo essa articulação”. Domingos Neto também comentou sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 2/2015.