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TJCE julga improcedente ação de Tasso contra José Pimentel

Pimentel e Tasso Jereissati.

O Tribunal de Justiça do Ceará entendeu como improcedente a ação de reparação por danos morais movida desde 2001 pelo senador Tasso Jereissati (PSDB) contra o senador José Pimentel (PT). Por unanimidade, os desembargadores acolheram recurso favorável ao petista, que havia sido condenado em primeira instância. A decisão foi proferida quarta-feira, 24.

Tasso Jereissati, então governador do Ceará, ingressou com ação após declarações de Pimentel, no contexto da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava irregularidades na liberação de recursos do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor). O petista, na época deputado federal e sub-relator da CPI, acusou o tucano de sonegação fiscal em suas empresas.

O tucano alegou que Pimentel divulgou na imprensa e na internet o sub-relatório, rejeitado posteriormente pela comissão, em que o acusava de cometer crime de sonegação fiscal com emissão de notas fiscais “frias”. As acusações do petista ocorreram, em 2001, antes da elaboração e votação do relatório final da CPI do Finor.

O tucano, então, ingressou com a ação judicial no TJCE alegando que as informações se mostraram falsas. Em 2012, Pimental foi condenado em primeira instância a pagar R$ 30 mil a Jereissati, mas recorreu. A defesa do petista alegou que o então deputado “agiu dentro da ética e da moralidade” na elaboração do sub-relatório e que o aprofundamento das investigações seria responsabilidade do Ministério Público.

A defesa também argumentou que as reuniões das CPIs são “públicas e abertas a todos os cidadãos”, inclusive para a imprensa, e por isso “não há como se falar em vazamento de informações”. “Na qualidade de parlamentar e sub-relator de uma CPI, Pimentel tem o direito de fazer a crítica política que ele achar conveniente. Esse é um direito parlamentar que está previsto no artigo 53 da Constituição”, defendeu Patrício Vieira, advogado de petista.

No voto, o desembargador Carlos Alberto Mendes Forte observou que a regra da imunidade parlamentar deveria ser aplicada ao caso, uma vez que “a suposta prévia divulgação do sub-relatório da CPI se deu em decorrência da função “exercida por Pimentel”. Acompanharam o voto os desembargadores Francisco Gomes de Moura e Maria de Fátima de Melo Loureiro. Ainda cabe recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou no Supremo Tribunal Federal (STF).

O POVO buscou contato ontem com os advogados de Tasso Jereissati, por meio de sua assessoria de comunicação, mas não conseguiu.

 

(O POVO)

SiSu 2018 – Resultado sai nesta segunda-feira

O resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) será publicado nesta segunda-feira (29), no site http://sisu.mec.gov.br/. Estão em disputa 239.716 vagas em 130 instituições. O Ministério da Educação (MEC) não estipulou um horário específico para a divulgação das listas de aprovados. A informação é do Portal G1.

Também será possível consultar o resultado nas páginas das instituições de ensino e na central de atendimento do Ministério da Educação (0800-616161).

Aqueles que forem selecionados devem verificar, junto à universidade em que foram aprovados, qual o local, o horário e os documentos necessários para a matrícula. O prazo para efetivá-la vai do dia 30 de janeiro ao 7 de fevereiro.

 

Fala de secretário da Segurança Pública sobre massacre em Cajazeiras rende memes nas redes sociais

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, afirmou que a chacina no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, foi ação planejada e organizada. Ele comparou com os massacres que ocorrem em outros países, que não são ligados a grupos criminosos.

Apesar da chacina ser a maior da história do Ceará, o secretário afirma que “não há perda de controle”. Ele qualificou o massacre como “caso isolado”.

“Estamos trabalhando, não há motivo para pânico ou temor, estamos acompanhando, engajados”, garantiu Costa.

A frase rendeu memes nas redes sociais.

Confira alguns:

 

Morre o jornalista José Mário Pinto

FORTALEZA, CE, BRASIL, 14-04-2014: José Maria Pinto, repórter do O POVO. José Maria Pinto comemora 58 anos de jornalismo. (Foto: Calima de Almeida/O POVO)

Morreu, nessa noite de domingo, em Fortaleza, o jornalista José Mário Pinto (83). Ele estava internado desde a última quinta-feira, 25, por conta de uma pneumonia. José Mário tinha 61 anos de profissão, e faria 54 anos no O POVO em abril deste ano. O velório acontece no Cemitério Parque da Paz. Às 10 horas desta segunda-feira, no mesmo local, haverá celebração de missa e, em seguida, o sepultameto.

Até outubro de 2016, ele assinava a coluna Turismo S/A no O POVO Online e também atuava como repórter do núcleo de Conjuntura. Ele também assinou a coluna Três Armas.

Refinaria do Ceará – Secretário em ritmo de contatos no Irã

O secretário de Assuntos Internacionais do Ceará, Antonio Balhmann, inicia, nesta segunda-feira, no Irã uma série de encontros com empresas do ramo petrolífero desse país.

Com ele, estarão os investidores chineses interessados em implantar a refinaria cearense. O objetivo é negociar a compra de óleo iraniano para o empreendimento.

Os chineses consideram o óleo da Petrobras muito caro.

 

Apesar de fim do recesso parlamentar, Congresso só iniciará trabalhos dia 5

Apesar de o fim do recesso parlamentar ser na próxima sexta-feira (2), os deputados e senadores devem retornar a Brasília apenas na segunda-feira da próxima semana, 5 de fevereiro, quando haverá a sessão solene de início dos trabalhos.

O motivo é a impossibilidade regimental de haver, no mesmo dia da abertura, votações na Câmara e no Senado. Como 2 de fevereiro deste ano, data constitucional para fim do recesso de deputados e senadores, cairá numa sexta-feira, a Secretaria-Geral da Mesa do Senado decidiu prorrogar o início oficial do ano parlamentar para o início da semana seguinte.

“Na prática, nós teríamos que custear as passagens dos parlamentares para Brasília exclusivamente para uma solenidade de abertura, sem votar nada [na sexta-feira]. Então, achamos mais eficiente e econômico abrir na segunda-feira. E mantemos, assim, a sessão deliberativa ordinária para a terça-feira à tarde”, disse o secretário-geral, Fernando Bandeira de Mello Filho.

O início do ano legislativo de 2018 será menos solene, já que, diferentemente dos anos ímpares, não haverá eleição dos presidentes da Câmara nem do Senado. Os chefes das duas Casas Legislativas são eleitos a cada dois anos, não podendo ser reeleitos exceto quando há mudança de uma legislatura para outra, a cada quatro anos.

Atualmente, o presidente do Senado é Eunício Oliveira (PMDB-CE), eleito em 2017 para substituir o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). A Câmara é comandada pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que assumiu em julho de 2016 após a queda de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Operação Lava Jato.

Durante a sessão, como ocorre todos os anos, será lida uma mensagem encaminhada pelo Poder Executivo aos parlamentares, com os projetos e as expectativas consideradas prioritárias pelo governo federal em 2018. Caso o presidente Michel Temer não compareça ao evento, que começa às 17h, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha ou algum outro membro do governo poderá representá-lo.

Os parlamentares devem ficar mais uma semana de folga sete dias depois do início dos trabalhos, já que o feriado de carnaval cai em 13 de fevereiro este ano.

(Agência Brasil)

Fortaleza perde para o Horizonte e Ceará deixa zona de classificação

Após três rodadas com apenas um ponto ganho, o sinal de alerta soou neste domingo (28), em Porangabuçu, após o desfecho da rodada deste fim de semana da fase classificatória do Campeonato Estadual de Futebol. Com o empate diante do Ferroviário, no sábado (27), em 1 a 1, no Castelão, o Vozão ficou dependendo de resultados negativos de Horizonte, Tiradentes e Uniclinic para seguir entre os seis times que disputarão o hexagonal na próxima fase.

As vitórias do Horizonte (2 a 1 Fortaleza) e do Tiradentes (3 a 0 Maranguape) tiraram o Ceará da zona de classificação, quando agora ocupa a sétima colocação, praticamente na metade dos jogos da primeira fase. Para completar, o Uniclinic empatou com o Iguatu, em 1 a 1, e se igualou em número de pontos com o Vozão, mas com um jogo a menos com relação ao Alvinegro. Ceará e Uniclinic decidem na quinta-feira (1º), no Castelão, quem segue com chances de classificação e quem agoniza no restante da primeira fase.

Já o Fortaleza, apesar da derrota, poderá assumir a liderança da primeira fase, na quarta-feira (31), diante do Tiradentes, no Castelão. O Leão perdeu a invencibilidade neste domingo, apesar do confronto entre o melhor ataque do campeonato contra a pior defesa. O atual líder é o Floresta, único invicto na competição.

(Foto: Reprodução)

Morre a jornalista Elvira Sena

Morreu neste domingo (28) a jornalista cearense Elvira Sena, que trabalhou no Diário do Nordeste e na TV Verdes Mares. O corpo está sendo velado na casa onde a jornalista morou, na rua Epifânio Leite, 87, no bairro Jacarecanga.

Elvira trabalhou por muito tempo na Editoria de Polícia do Diário do Nordeste, indo depois para a Editoria de Cidades e depois para a produção da TV Verdes Mares.

(Foto: Arquivo)

Sem manifestação de rua – Temer diz que população nota a diferença entre governos

“Todo mundo percebe que eu tenho sofrido uma oposição radical, mas uma oposição curiosa: não tem gente na rua”. A declaração é do presidente Michel Temer, ao apresentador Amaury Jr. na Band.

Temer afirmou que quer ser lembrado como “o sujeito que fez as reformas indispensáveis ao País”. Uma dessas tarefas é a aprovação da reforma da Previdência, que, segundo ele, já está sendo absorvida pela população. “E absorvido pela população isso repercutirá no Congresso Nacional. Tenho certeza que em fevereiro vamos conseguir aprovar a reforma da Previdência”, acredita.

Neste domingo (28), o presidente será entrevistado pelo apresentador e dono do SBT, Silvio Santos. Nesta segunda-feira (29), estará no programa do Ratinho, também no SBT.

A entrevista faz parte de uma ação do Planalto para divulgar e tentar popularizar a reforma da Previdência.

(Com a Agência Estado)

Chacina expõe Estados paralelos e mostra Fortaleza na iminência de guerra urbana

Em artigo no O POVO o jornalista Érico Firmo alerta que “Há pequenos Estados paralelos instaurados. E eles estão se fortalecendo”. Confira:

Esse sábado sombrio foi a mais evidente demonstração de força até hoje do terror representado pelos Estados paralelos que tomaram as periferias de Fortaleza. E, também, da ineficácia da resposta do poder público. A chacina no bairro Cajazeiras é o ponto máximo de situação que se arrasta há mais de um ano. Há pequenos Estados paralelos instaurados. E eles estão se fortalecendo.

Essa foi a maior, mas não a única chacina dos últimos anos. O recorde de maior já registrada no Estado havia sido batido há dois anos e três meses e foi novamente superado agora. Nos últimos 12 meses, foram oito crimes do tipo com pelo menos quatro mortos, todos na Região Metropolitana de Fortaleza. A média é de uma chacina a cada um mês e meio. No total, morreram 46 pessoas.

Fortaleza, e o Ceará, acostumaram-se a ser violentas nas últimas décadas. Triste hábito. Porém, essa expressão da criminalidade é diferente da que se tornou usual. O fortalezense, infelizmente, está familiarizado com a abordagem para roubar celular ou a bolsa, com o roubo de carro, a saidinha bancária. Também se tornaram rotineiros os homicídios relacionados a disputas envolvendo drogas. Porém, subiu-se um degrau. O que passou a ocorrer é bem diferente.

Ao logo do ano passado, houve notícias de corpos decapitados, membros decepados, cadáveres incinerados jogados em ruas e terrenos baldios. Lembra coisa do Estado Islâmico. A brutalidade é usada para demonstrar poder.

Os organismos criminosos se apropriaram do controle de territórios na Capital já há alguns anos. Não que a Polícia não entre nesses locais. Faz suas incursões, sim. Mas, uma hora se retira. Quando sai, as facções ditam as regras. Ao tentarem ocupação mais permanente, os criminosos migram de território e o problema recomeça em outro lugar.

Tão assustador quanto as 14 mortes confirmadas pelo secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) é a certeza de que o grupo atacado tentará reagir. A entrevista coletiva do delegado André Costa não deu a confiança de que o aparelho de segurança terá condições, no médio prazo, de antecipar evitar a revanche. O risco de uma guerra se instaurar é considerável.

Instaurar é modo de dizer. Já há uma guerra nas periferias. O que ocorre já choca, ou deveria chocar, há bastante tempo. A guerra está em curso. O que houve na madrugada deste sábado foi apenas seu ponto máximo até agora, numa dimensão que não pode ser ignorada pelo conjunto da cidade. Do País, até.

O secretário André Costa acerta ao dizer não haver motivo para pânico. Menos como diagnóstico e mais como conselho. O medo não costuma ser bom conselheiro. Todavia, a situação realmente preocupa, e muito.

As facções existem já há algum tempo, mas se fortaleceram enormemente ao longo do ano de 2016, quando foram firmadas “tréguas” entre elas. O tempo sem conflitos ajudou a reduzir de forma considerável o número de homicídios em Fortaleza (queda de 39%). Nesse intervalo, grupos criminosos se armaram, organizaram e arregimentaram membros. Em 2017, o pacto foi rompido. A violência bateu recorde, com 5.134 homicídios. Em 2018, foi dado passo além.

A reposta é emergencial e não parece estar encaminhada. O Governo do Estado cobra o Governo Federal. Não há resposta de Brasília, nem no Ceará parece se saber o que fazer. Enquanto isso, o problema aumenta.

A solução não será dada isoladamente pelo Governo do Ceará. As facções são, muitas delas, interestaduais, com braços fora do País. São organizações transnacionais, multinacionais do crime. São Paulo e Rio de Janeiro não conseguiram enfrentá-las sozinhos. O Ceará é que não será capaz mesmo. A articulação precisa ser nacional, mas tem de ir além do discurso de cobrança.

O governador Camilo Santana (PT) tem recorrido à boa relação recém-reconstruída com Eunício Oliveira (MDB) no encaminhamento de demandas com o Palácio do Planalto. Nenhuma tão urgente quanto o enfrentamento aos crimes organizados. O governo cearense precisa pedir socorro. Não dá para continuar como está e a tendência é piorar, se não for feito nada diferente do que foi até agora.

Imprensa mundial destaca chacina em Fortaleza

Massacre, fuzilamentos ou ainda tiroteio ressaltaram na imprensa mundial a chacina ocorrida nesse sábado (27), no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, quando 14 pessoas morreram.

o site canadense Latest Ly classificou a chacina como um “horrível incidente” e disse que a maioria das vítimas nada teria a ver com o confronto de duas gangues. O site também ressaltou que o local da chacina fica próximo à Arena Castelão, usada “na Copa do Mundo FIFA 2014”.

O site libanês English Almanar usou matéria da agência AFP e destacou que o número de vítimas poderá aumentar, diante das “condições sérias” dos feridos.

O jornal norte-americano Washington Post traz neste domingo que “Homens armados no Brasil matam muitos na festa”. O jornal também reclamou da falta de informações à imprensa, por parte da Polícia.

O site francês Sputnik News colocou a chacina como um “tiroteio” “em um bairro pobre da cidade brasileira de Fortaleza”. Disse, ainda, que um policial contou 18 mortos, enquanto testemunhas apontaram 14.

O jornal argentino Clarín colocou que as autoridades informaram se tratar de um confronto, mas que “um grupo de homens armados entrou no local esta manhã e abriu fogo indiscriminadamente”.

Massacre de Cajazeiras – Cinco suspeitos são identificados pela Polícia

O governador Camilo Santana anunciou no início da tarde deste domingo, 28, em coletiva de imprensa na sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que cinco suspeitos foram identificados pela Polícia por envolvimento no caso da chacina no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, que deixou 14 pessoas mortas.

Segundo Camilo, dois dos suspeitos não atuaram na ação, mas planejaram o crime. Os nomes são mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações.

O petista convocou nesta manhã a reunião na qual anunciou a criação de uma força-tarefa em resposta à Chacina de Cajazeiras, a maior da história do Ceará, ocorrida na madrugada de sábado, 27.

(O POVO Online)

Chacina de Cajazeiras – Camilo anuncia força-tarefa e reforço de efetivo na segurança pública

O governador Camilo Santana (PT) convocou na manhã deste domingo, 28, na sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), uma reunião na qual anunciou a criação de uma força-tarefa em resposta à chacina em Cajazeiras, a maior da história do Ceará, ocorrida na madrugada de sábado, 27.

O governador anunciou que o policiamento terá reforço de 1.400 policiais que serão formados pela Academia até o mês de maio. De acordo com Camilo, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) terá o seu efetivo dobrado e a Coordenadoria de Inteligência (Coin) da SSPDS receberá reforço de mais 30 homens.

Estavam na reunião a alta cúpula da segurança do Estado, além de representantes do Ministério Público do Ceará, Polícia Federal, Defensoria Pública do Estado, Poder Legislativo e Tribunal de Justiça.

A resposta do governador vem após a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE) anunciar que irá solicitar intervenção federal no Estado. O presidente da comissão de Direito Penitenciário da OAB – CE, Márcio Vitor Albuquerque, vai propor, em reunião nesta segunda-feira, 29, que o conselho da Ordem ingresse com uma ação civil pública contra o Estado para cobrar ações mais efetivas na área de segurança pública.

Também serão criados um Centro Integrado envolvendo todos os órgãos da segurança pública no Estado para tomar medidas e avaliar situações, bem com uma Vara especializada no âmbito do crime organizado, a ser instalada pelo Poder Judiciário. A Polícia Federal também montará grupo específico para acompanhar facções criminosas.

(O POVO Online)

Chacina das Cajazeiras: não foi um caso isolado

Em artigo no O POVO, o jornalista Henrique Araújo critica a declaração de “caso isolado” do secretário André Costa sobre a chacina de Cajazeiras. Confira:

De todas as respostas possíveis que um agente público poderia dar para a chacina das Cajazeiras, na madrugada deste sábado, a pior é certamente a de que o massacre foi um evento isolado e similar a atentados terroristas, como os praticados pelo Estado Islâmico.

Mas foi exatamente o que o titular da SSPDS, André Costa, fez. Em coletiva, o delegado afirmou: “No mundo todo há eventos que matam pessoas em boates”. É uma declaração infeliz pela banalidade com que pretende fazer passar o assassinato de que quase duas dezenas de pessoas. Mas não apenas.

O discurso de Costa é a extrapolação de um argumento, corriqueiro e já sem crédito, segundo o qual o crescimento vertiginoso no número de homicídios no Estado deve-se unicamente a um fenômeno nacional. Não é exclusividade do Ceará. Agora, o secretário foi além, ampliando nossas fronteiras. Não se trata mais do Brasil, mas do mundo. Estamos em par com EUA ou França, que não nos fazem mais inveja com os seus “lobos solitários” que explodem casas de shows ou invadem sedes de jornais, matando dezenas de pessoas e ferindo centenas. Temos um terrorismo para chamar de nosso. Um radicalismo made in Ceará.

Claro que tudo isso é falacioso, e a ação que resultou nas 16 mortes pode ser qualquer coisa, menos pontual. Tampouco foi planejada e executada a pretexto único de espalhar o terror entre os cearenses. Às facções interessa menos o medo em si do que a manutenção do controle sobre largas faixas do território local, de modo a garantir o funcionamento das engrenagens do tráfico. A fala de Costa é mais desculpa política a dar num momento grave do que uma resposta que se possa levar a sério.

É, por essa razão, muito parecida com a que o próprio Estado deu não faz tanto tempo, quando os índices de homicídio haviam despencado e os gestores negavam que essa queda pudesse ter relação com suposto acordo entre os bandidos. Hoje se sabe que era precisamente isso, e não a eficiência das políticas de segurança.

Se há algo de internacional na chacina das Cajazeiras, não é o fato de os atiradores terem disparado a esmo, mas a sua repercussão. Hoje, todos os grandes jornais do planeta se referiram ao massacre no Ceará. Está nas manchetes dos portais de “La Nación”, “Post”, “New York Times”, “Independent” e “El País”. Somos notícia, mas pelas razões erradas.

Ironia que tudo isso tenha se dado no exato instante em que o Governo se empenha na melhora da imagem do Estado no exterior, sobretudo depois do anúncio do hub e de outros investimentos no setor de aviação civil. Quanto mais desejamos projetar a fama de lugar de praias bonitas e gente hospitaleira, acentuando nossos predicados como destino turístico, mais uma outra falência (a da segurança) bate
à nossa porta.

Partidos rejeitam proposta do PT de aliança de esquerda

O PCdoB, o PDT e o PSOL, que manifestaram apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula no julgamento do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), afirmam que não vão aderir à proposta do PT de uma “ampla” aliança de esquerda na eleição presidencial deste ano. Apesar de defender o direito de Lula se candidatar novamente ao Planalto, os dirigentes partidários ouvidos pelo Estado disseram que não vão desistir das candidaturas próprias, o que deve pulverizar o campo ideológico na disputa.

Ao insistir na candidatura de Lula, a Executiva Nacional do PT aprovou resolução que defende “uma ampla e sólida aliança” da esquerda em torno do líder petista. O documento foi divulgado na quinta-feira passada, um dia depois de a 8.ª Turma do TRF-4 confirmar a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e ampliar a pena imposta a Lula para 12 anos e 1 mês de prisão. Com a condenação pelo colegiado, a tendência é de que Lula – líder nas pesquisas de intenção de voto – seja enquadrado na Lei da Ficha Limpa e fique inelegível.

O PT promete levar a candidatura do ex-presidente até às últimas consequências, mas os antigos aliados PCdoB e PDT não aceitam abrir mão das pré-candidaturas presidenciais da deputada gaúcha Manuela D’Ávila e do ex-ministro Ciro Gomes, respectivamente.

(Estadão)

Elite brasileira e (des)construção nacional

Em artigo no O POVO deste domingo (28), o economista Cláudio Ferreira Lima aponta que “as classes subalternas, que não têm o poder, perderam o governo, ao tempo em que a elite confirma, mais uma vez, o seu histórico alheamento ao projeto de nação”, Confira:

A elite é a classe dominante, dos donos do poder, que comanda todo o processo. Não ocupa, necessariamente, de forma direta, o topo do aparelho de Estado, ou seja, o governo, pois este, normalmente, é delegado como concessão às classes subalternas, que elegem seus representantes, em geral egressos da classe média. Nesses termos, o chefe do Executivo ocupará a função até quando não desagradar os donos do poder. Se o fizer, haverá um meio de alijá-lo.

No Brasil, a elite associa-se a interesses externos, e o País lê na cartilha da potência hegemônica. Portanto, conforme a natureza das articulações do governo nesse complexo xadrez político, o País pode ser levado à condição de periférico, de economia meramente reflexa, ou de nação desenvolvida, com assento nos centros de decisão internacionais.

Qual tem sido o comportamento da elite brasileira? Um balanço do seu papel nos destinos do País não é nada animador. Apenas em raros momentos da vida nacional uma fração dela acreditou na nação.

Assim, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek articularam um pacto de poder com parcela da elite e de interesses externos e cercaram-se de quadros competentes e respeitados. Então, o Brasil ocupou seu território, industrializou-se, e o brasileiro ganhou autoestima. Mas ambos pagaram caro por isso. A Jango, enquanto o ambiente de exacerbação da Guerra Fria lhe era desfavorável, faltou a habilidade dos seus dois antecessores, e ele também pagou caro.

Lula procurou seguir o caminho dos construtores da nação, mas não conseguiu avançar. As circunstâncias são bem outras. É que se firma o insubmisso e insaciável capital financeiro. A classe média imita a elite no desinteresse pela nação.

Inteligências fundamentais, como economistas e cientistas sociais, preparados em universidades estadunidenses, assumem o credo da potência hegemônica. Não bastasse isso, a fragmentação partidária impossibilita compor governo com quadros sérios e competentes, devotados à nação.

Dessa forma, desde 31.8.2016, passamos a viver situação inusitada. Feito o impeachment de Dilma, assumiu Temer, o vice, e, embora pese sobre ele e seu governo contundentes acusações com provas provadas, mancomunado com o Congresso, tem sido fiel e de grande utilidade à elite, seus aliados externos e à potência dominante, e por isso é mantido.

Em resumo, as classes subalternas, que não têm o poder, perderam o governo, ao tempo em que a elite confirma, mais uma vez, o seu histórico alheamento ao projeto de nação. Como já comentei em artigo anterior, o gigante segue à deriva.

É difícil ser otimista. Mas a situação, de tão imprevisível e desfavorável à maioria da população, será capaz de alimentar as forças pela retomada da nação e breve poderemos dizer como Belchior: “vejo vir vindo no vento/ o cheiro da nova estação”.

Acusado de latrocínio de advogado é condenado a 20 anos de prisão

A juíza Elizabeth Santos Vale Rodrigues, respondendo pela 5ª Vara Criminal de Fortaleza, condenou o réu Ariel Pereira de Souza a 20 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo crime de latrocínio, que resultou na morte do advogado Paulo Sérgio Jucá Alves Garcia. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu no dia 1º de abril de 2017, por volta das 10h40min, dentro de uma filial das Lojas Americanas localizada na Avenida Dom Luís, bairro Meireles. O julgamento ocorreu na última quarta-feira.

O acusado, na companhia de um comparsa, entrou na loja com o intuito de realizar um assalto. Ao avistarem a vítima com o celular na mão, os assaltantes acharam que Paulo Sérgio estava chamando a polícia e, por isso, efetuaram dois disparos contra o advogado, que morreu no local.

Apesar de ter fugido após o crime, Ariel Pereira foi localizado 12 dias depois, no município de Barreira, no Ceará. O comparsa não foi identificado. Conforme a magistrada, o depoimento das testemunhas e a própria confissão do réu comprovam a autoria do crime.

“O conjunto probatório não deixa qualquer margem para dúvidas quanto ao fato de que o réu, em companhia com um indivíduo não identificado, foram os autores do assalto que resultou na morte da vítima. Agindo com identidade de desígnios, previamente combinados para realizar um assalto, os dois infratores saíram andando pelos corredores das Lojas Americanas à procura de uma vítima, pois desejavam roubar bens para consumirem mais entorpecentes”, afirma a magistrada.