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Avaliadores anularam 138 mil redações

Os corretores da redação do Enem 2011 anularam 138 mil provas por “algum motivo”, informou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Pelo edital do exame, são considerados anulados textos com “impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação”. Cerca de 51 mil alunos deixaram a redação em branco e tiveram nota zero.

A redação é a única prova do Enem em que o desempenho do estudante é avaliado por outras pessoas, dando margem para uma subjetividade indesejada em um exame que se tornou o maior vestibular do País. No restante da correção, os gabaritos são processados por computadores de acordo com a Teoria da Resposta ao Item (TRI).

Os avaliadores atribuem nota de zero a mil às redações de acordo com cinco competências. Cada texto é corrigido por dois profissionais. Um não sabe a avaliação do outro e vale a média aritmética das duas pontuações.

No ano passado o Inep diminuiu o limite de discrepância entre as notas dos dois corretores para que haja uma terceira leitura. Nos casos em que a diferença passa de 300 pontos, o texto vai para um supervisor – antes, essa diferença era de 500. A última avaliação substitui todas. O instituto não informa quantas redações receberam três leituras.

Uma professora que trabalhou no exame disse, em conversa reservada, que o sistema de correção é “meio falho” porque favorece a atribuição de notas medianas. Segundo ela, os avaliadores praticam “autocensura” para evitar cair na supervisão.

“Se eu sei que o limite é de 300 pontos, evito dar uma nota muito alta ou muito baixa pensando no julgamento de meu colega”, disse a professora. “O supervisor sempre lembrava que Brasília (onde fica a sede do Cespe) estava nos acompanhando e poderia eliminar o corretor que dava notas muito distantes das dele.”

A dimensão da prova é outro agravante. O Inep afirma que todos os corretores passam por treinamento presencial, mas não detalha como ele é realizado. “São muitos corretores, em todo Brasil, e é impossível que todos mantenham o mesmo nível e critério”, afirma o professor da Unesp Rogério Chociay. “Uma redação que sai de 800 e vai para zero mostra que não há critério adequado de correção.”

Justiça. Neste ano, 120 estudantes descontentes com sua nota tiveram acesso à cópia da redação após decisão judicial. Todos reclamavam da avaliação do texto. Apesar das solicitações judiciais ao Inep para mostrar aos requerentes a cópia da redação, o instituto insiste que vai seguir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em agosto com o Ministério Público Federal, no qual se compromete a tornar disponíveis as redações corrigidas a partir deste ano.

Instituições públicas que usam a nota do Enem para selecionar alunos por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) adotam pesos diferenciados para as provas. Mas a redação é parte fundamental, o que preocupa o consultor em educação Leonardo Cordeiro. Mestre em Matemática e Econometria, ele diz que somar as pontuações dos exames objetivos ao da redação é um “erro conceitual” que produz “resultados drásticos”.

“Tirar 800 na redação não é a mesma coisa que uma nota 800 numa prova corrigida pela TRI”, afirma Cordeiro. “Essa distorção vem do fato de que a correção do texto é mais generosa e não adota o mesmo método dos testes. Não se pode comparar uma coisa com outra.”

(Estadão)

A indústria que se alimenta das chuvas no Rio

Os repetidos desastres ambientais causados pelas chuvas no Rio são o combustível de uma engrenagem com raízes históricas no Brasil. Incapacidade administrativa, burocracia, interesse político e as chamadas “obras emergenciais”, que dispensam licitação e são uma oportunidade para o desvio de recursos.

Bem azeitados, esses componentes funcionam como a indústria da seca, que por muito tempo atuou no semiárido nordestino. A lógica é a mesma. Por mais que o poder público tenha conhecimento de onde e quando haverá problemas, a lentidão ou desinteresse em se antecipar aos danos põe para girar a indústria da enchente, na qual alguns ganham com obras pontuais ou apenas de emergência, e todos perdem com a falta de projetos que de fato poderiam reduzir o impacto de futuras tragédias.

No caso mais vivo na memória — a enxurrada que devastou a Região Serrana em janeiro de 2011 — ficou comprovado como o setor público se move a passos lentos. Um ano após a tragédia que matou 918 pessoas, não foi erguida uma só parede das 5.459 casas populares financiadas pelo governo federal para abrigar os moradores de áreas de risco.

O poder público alega que houve atraso no repasse de recursos e falta de interesses das construtoras no negócio. A promessa do governador Sérgio Cabral é iniciar as obras ainda este ano. Nesses 368 dias depois da tragédia, o trabalho de contenção de encostas ainda não foi concluído e só uma das 75 pontes destruídas foi recuperada. O motivo teria sido a demora na liberação da licença ambiental devido a projetos de execução inadequados.

Problema que se repete

Na semana passada, o Rio Paraíba do Sul, em Campos, transbordou, inundando ruas da cidade. Nenhuma novidade. O problema é um velho conhecido do governo do estado e da prefeitura. Em dezembro de 2008, representantes dos dois níveis de governo sobrevoaram o município e prometeram estudar medidas para reduzir o impacto da enchente do rio. Três anos depois, apenas parte do projeto de recuperação dos canais e diques ligados aos Rio Paraíba do Sul foi realizada. O governo do estado diz que faltou dinheiro para fazer toda a obra, que é financiada também pelo governo federal. O estado voltou a prometer obras para evitar o extravasamento dos Rio Muriaé e Paraíba do Sul.

Sem projetos que ajudem a mudar ou reduzir os danos das chuvas, restam as obras emergenciais, que são anunciadas com pompa por autoridades horas depois dos desastres. Pelos cálculos do presidente do Clube de Engenharia do Rio, Francis Bogossian, as intervenções emergenciais são, em média, dez vezes mais do que aquelas consideradas preventivas. Bogossian explica que além de uma cultura de prevenção, faltam aos municípios, que são os responsáveis pela a ocupação do solo, recursos materiais e humanos para realizar as obras:

— Os municípios não fazem o trabalho preventivo, simplesmente porque não têm condições de fazer. Caberia ao governo federal mobilizar recursos e especialistas para fazer esse trabalho que custa muito menos do que as ações emergenciais, além de ajudar a evitar mortes.

Para o cientista político e sociólogo da Universidade Federal do Rio (UFRJ) Paulo Baía, a indústria das enchentes existe porque os governos não têm interesse em acabar com as situações emergenciais, quando ocorrem contratações por valores superfaturados e sem concorrência. O professor cita como exemplo o caso da Região Serrana, onde o Ministério Público Federal investiga o desvio de recursos destinados a obras de reconstrução.

(O Globo)

Crise síria ganha um “contorno perigoso”, diz chefe da ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse neste sábado (14), durante um encontro em Beirute com o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, que a crise na Síria está ganhando “um contorno perigoso”.

Ban e Davutoglu, presentes na capital libanesa para participar de uma conferência da ONU sobre a democracia nos países árabes, conversaram à noite e “discutiram assuntos regionais, em particular a situação na Síria, assim como a do Irã e do Chipre”, informou o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, em um comunicado.

“O secretário geral afirmou que o contorno perigoso que a crise na Síria está ganhando é um motivo de grande preocupação”, acrescentou o porta-voz.

(France Presse)

Comandante de navio naufragado na Itália é transferido para prisão

Francesco Schettino, comandante do Costa Concordia, navio que naufragou na noite de sexta-feira (13) na costa italiana, próximo à ilha de Giglio, matando ao menos três pessoas, foi interrogado e depois levado à prisão de Grosseto, onde deve aguardar uma audiência marcada para esta semana. A informação é do jornal italiano “Corriere Della Sera”.

Schettino e o primeiro oficial do navio, Ciro Ambrósio, foram detidos após o navio, que levava 4.229 pessoas, ter encalhado a 500 metros da ilha toscana, na cidade de Grosseto.

Durante o interrogatório policial, o comandante disse que a rocha contra a qual o navio da empresa italiana Costa Cruzeiros se chocou não estava indicada nas cartas de navegação usadas no navio.

Já a procuradoria de Grosseto afirma que Schettino realizou uma manobra errada e acusa o comandante de ter abandonado o navio quando ainda havia um grande número de passageiros dentro da embarcação aguardando o resgate.

Segundo o “Corriere della Sera”, uma fonte próxima à equipe de investigação das causas do acidente afirmou que o navio da Costa Cruzeiros seguia “uma rota errada, não deveria estar no local em que se chocou contra a rocha”, mas a empresa declarou que o navio podia passar entre a ilha de Giglio e o porto de Santo Stefano, na cidade de Grosseto.

(EFE)

Chico Anysio é submetido a cirurgia de emergência

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O humorista Chico Anysio, internado desde o dia 22 de dezembro, foi submetido na noite deste sábado (14) a uma cirurgia no abdome, informou o hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio.

Segundo o boletim médico, foi retirado um segmento do intestino delgado numa laparotomia exploradora — cirurgia para esclarecer um diagnóstico (o hospital não revelou qual era a suspeita que levou à intervenção nem se ela já foi confirmada).

O boletim diz que o quadro clínico do humorista de 80 anos é grave e inspira cuidados. Ele respira com ajuda de aparelhos. Segundo o médico Luiz Alfredo Lamy, Chico Anysio precisou ser submetido a uma laparotomia exploradora (cirurgia abdominal para esclarecer um diagnóstico), onde foi retirado um segmento do intestino delgado. O quadro clínico é grave e inspira cuidados. No momento ele respira com ajuda de aparelhos. Não há previsão de alta.

(Folha)

YouTube vê na internet o futuro da televisão

Na próxima década, 75% de todos os canais de vídeo serão criados na internet. Essa é a ousada previsão de Robert Kyncl, diretor de parcerias globais do YouTube. Em um pronunciamento na Consumer Electronics Show (CES), feira de Las Vegas, Kyncl disse que a web está fadada a se tornar a principal fonte de entretenimento em vídeo na próxima década.

O YouTube anunciou em dezembro último que recebeu um trilhão de acessos em 2011 e está antecipando um ano ainda mais forte à frente na medida em que mais políticos e produtores de notícias recorrerão ao site para distribuir propaganda, discursos e vídeos noticiosos semanais. Kyncl disse que a indústria de entretenimento deveria prestar atenção nessa tendência, prevendo que 90% do tráfego da web em breve serão de vídeo.

O YouTube e Kyncl, que veio da Netflix para a empresa, estão apostando alto no webvídeo, injetando US$ 100 milhões na produção de conteúdo original na esperança de produzir o próximo vídeo viral.

Organizar vídeos por canais, um conceito que faz eco à TV tradicional, permite que parceiros do YouTube exibam seus vídeos e compartilhem a receita publicitária. Os criadores de conteúdo que participam no programa dos canais incluem a Onion e a Machanima.

“Todos esses canais estão apenas começando”, disse Kyncl. A nova jogada está começando a desafiar a televisão tradicional ao mesmo tempo em que provê uma plataforma para criadores de conteúdo para nichos – os que fazem vídeos para fanáticos por crochê, amantes de bichos de estimação ou aficionados em música clássica – que provavelmente jamais veriam conteúdos desse tipo na mídia tradicional.

Para cultivar esses talentos, o YouTube destinou verbas e lançou programas educacionais para ajudar a encontrar os próximos astros do YouTube e prepará-los para conquistar um público na internet. “Agora estamos falando muito em vídeos individuais, mas só a título de comparação, você tem alguém como Ray William Johnson, que tem três canais com um bilhão de vistas”, disse Kevin Allocca, gerente de tendências do YouTube.

(The Washington Post)

Na Itália, máfia ameaça jornalistas para impedir reportagens

As máfias na Itália intimidam e ameaçam jornalistas para que não publiquem investigações sobre seus crimes, segundo denúncia da associação italiana “Ossigeno per l’Informazione” (Oxigênio para a Informação).

A crise financeira está deixando transparecer o poder financeiro das máfias. Embora se diferenciem segundo sua origem e modalidades, por máfias devemos entender tanto as clássicas organizações italianas – a camorra napolitana, n’drangheta calabresa e a máfia siciliana –, como a máfia russa, a albanesa, a turca, etc.

Diante da escassez de dinheiro, estas organizações estariam atuando como bancos informais. Na Europa há indícios de um aumento de empréstimos de agiotas de procedência mafiosa. Misha Glenny, autor de McMafia, o livro que reconstrói o sistema de negócios desses grupos afirma que há dez milhões de pessoas no Reino Unido que não podem ter acesso a empréstimos legais e se dirigem ao mercado paralelo, que é difícil de controlar.

As máfias necessitam invadir o mercado com seu dinheiro reciclado. Isso lhes permite penetrar nas atividades legais com as quais aumentam o poder acumulado através da atividade ilícita, principalmente com o narcotráfico, fonte de imensas quantidades de dinheiro. Muitas vezes, quando este fluxo ingressa no sistema legal, já foi reciclado.

O jornalista italiano Roberto Saviano –que depois do sucesso de Gomorra, seu livro sobre a camorra, vive escondido e sob escolta policial–, explica que o dinheiro é lavado no Leste europeu, para depois chegar limpo ao mercado imobiliário ou ao mercado bancário ocidental. Na Escócia a camorra controla parte da atividade turística; os grandes shoppings da Grécia, Andaluzia, Kosovo e do sul da Itália foram realizados por grupos mafiosos, que logo se encarregam dos estacionamentos, transporte de mercadoria e da segurança.

(EFE com a revista Ciudad Nueva, da Argentina)

OAB pede explicações financeiras a presidente do TRE do Rio

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, pediu explicações formais à presidente do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) do Rio, Maria de Lourdes Sallaberry, sobre as movimentações financeiras atípicas no órgão, realizadas em 2002, no valor de R$ 282,9 milhões.

À Folha, Damous afirmou que a medida foi tomada com base no interesse público e que espera um breve retorno do órgão.

“Protocolei um requerimento por conta das informações publicadas nos jornais de que um servidor ou um magistrado do TRT tenha feito essa movimentação. Como isso é estapafúrdio pedi que a presidente venha a público informar a que se deve essa movimentação”, disse.

A informação sobre as movimentações atípicas consta de relatório encaminhado na sexta-feira ao STF (Supremo Tribunal Federal) pela corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon.

Segundo o relatório, 81,7% das comunicações consideradas atípicas estão concentradas no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), Tribunal de Justiça da Bahia e o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

Dos R$ 856 milhões considerados “atípicos” pelo Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda), o ápice ocorreu em 2002, quando “uma pessoa relacionada ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região”, no Rio de Janeiro, movimentou R$ 282,9 milhões.

(Folha)

Irã diz ter provas de envolvimento dos EUA em morte de cientista

A televisão estatal iraniana disse neste sábado (14) que Teerã tinha provas de que Washington estaria por trás do recente assassinato de um cientista nuclear iraniano.

No quinto ataque desse tipo em dois anos, uma bomba magnética foi instalada na porta do carro de Mostafa Ahmadi-Roshan, de 32 anos, durante o horário de pico de quarta-feira (11), na capital, Teerã. O motorista também morreu no incidente. Os Estados Unidos negaram envolvimento na morte e condenaram o ataque. Israel não quis comentar.

“Temos documentos e provas confiáveis de que o ato terrorista foi planejado, orientado e apoiado pela CIA”, disse o Ministério de Relações Exteriores do Irã em uma carta entregue ao embaixador suíço em Teerã, segundo a TV estatal. “Os documentos indicam claramente que esse ato terrorista foi cometido com o envolvimento direto de agentes ligados à CIA”.

A embaixada suíça representa os interesses norte-americanos no Irã, desde que Teerã e Washington romperam as relações diplomáticas após a Revolução Islâmica, de 1979.

A TV estatal também disse que “uma carta de condenação” foi enviada ao governo britânico, dizendo que o assassinato do cientista nuclear “começou exatamente depois que o oficial britânico John Sawers declarou o começo das operações de inteligência contra o Irã”.

Em 2010, o chefe do Serviço Secreto de Inteligência britânico disse que um dos papéis da agência era investigar os esforços dos Estados no desenvolvimento de armas nucleares que violam as obrigações legais internacionais e identificar meios para frear o acesso desses países a materiais e tecnologias vitais.

(Reuters)

Reinvenção do capital turístico cearense

O turismo no Ceará é uma perspectiva muito pontual e temporária. “… investem muito num curto período e esquecem que o potencial gerador na alta estação deve se perpetuar ao longo do ano”. É o que avalia o professor de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cássio Braz, em artigo publicado neste sábado, no O POVO. Confira:

A alta estação é esperada por alguns segmentos de nossa economia com muito entusiasmo. Fortemente atrelada à área de turismo o conceito de alta estação vem paulatinamente se transformando através do esforço de algumas políticas para dotar o Estado de uma atratividade mais perene. Entretanto, a ideia de alta estação já está introjetada em nós e em muitos dos nossos empresários e políticos, gerando grandes expectativas.

Cada vez mais o Ceará prepara-se para as visitas externas, mas continua equivocando-se nessa preparação permanente. Aumentamos o policiamento nas áreas turísticas, recepcionamos os visitantes com forró no aeroporto, damos um pouco mais de atenção aos produtos turísticos, mas tudo isso numa perspectiva muito pontual e temporária.

A próxima alta estação deve encontrar um Estado com as tradicionais alternativas naturais – praia, serra e sertão – com boas opções de compras e com uma culinária agradável, embora longe de constituir-se referência. Há uma melhoria em alguns setores, mas em outros continuamos pecando em excesso, tomando como exemplo a prestação de serviços ainda amadora, que confunde qualidade e permissividade e onde a simpatia deixa de ser, cada vez mais, carro chefe na nossa tradição receptiva.

A recepção da Copa do Mundo, a construção de um grande centro de eventos, são ações que já começam a impactar na mudança de paradigma de uma alta estação. É preciso, porém, mudar a mentalidade de muitos dos nossos gestores e empresários, que investem muito num curto período e esquecem que o potencial gerador na alta estação deve se perpetuar ao longo do ano.

Não podemos perder de vista que as férias de uns são a rotina diária de muitos, mas continuamos agindo com a mesma perspectiva da recepção das visitas em nossa casa: escondemos os objetos quebrados e danificados, limpamos as janelas que passam o resto do ano acumulando poeira, introduzimos frutas e bolos ao nosso “café com pão” diário, mudamos os móveis de lugar, mas, com a saída das visitas, tudo isso passa, e, sem percebermos, retornamos ao nosso cotidiano sem luxos e até aos problemas diários, pois já estamos “acostumados”.

Esquecemos que é preciso mudar a mentalidade da alta estação como um período determinado e voltado para os turistas e ampliá-la para todo o ano e para todos os cidadãos que aqui residem. Não podemos avançar como destino turístico se só o somos durante dois ou três meses por ano. Mudando essa ideia, estaremos disponíveis durante os 365 dias do ano, numa parceria perfeita com a natureza – das praias, das serras e dos sertões, dos dias ensolarados, e da temperatura estável; assim também beneficiaremos ao potencial usuário que aqui reside, tornando a alta estação não um período de exceção, mas um referente para o nosso dia a dia.

Kassab desobriga escolas de estacionamento próprio

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), anistiou as faculdades que não conseguiam obter licença por falta de estacionamento próprio. Segundo a nova legislação, os estabelecimentos de ensino podem manter vagas de garagem em imóveis a até 600 metros de distância.

Dezenas de universidades particulares, como a Uniban da Barra Funda, a Unip do Morumbi e a Uninove da Água Branca, que construíram mais vagas para carros após recentes obras de ampliação, serão beneficiadas pela medida do prefeito.

Em nota, a Prefeitura afirma que a lei “se justifica pela importância social do equipamento público em questão”, as escolas e faculdades. “Dessa forma, a Prefeitura procura incentivar o aumento da rede educacional no município.” A administração municipal também ressalta que a lei não isenta escolas e hospitais que são enquadrados como polos geradores de tráfego. Esses empreendimentos são tratados de forma especial, com obrigatoriedade de adotar diretrizes de mitigação de trânsito.

(Estadão)

Chávez diz que respeitará votação na Venezuela se perder

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse nesta sexta-feira (13) que se um candidato da oposição vencer as eleições presidenciais deste ano, ele será o primeiro a reconhecer a vitória do rival e entregar o poder.

Os críticos mais extremos do líder socialista sugerem que Chávez pode não aceitar os resultados se for derrotado nas urnas em 7 de outubro.

Em um longo discurso ao Parlamento sobre o estado da nação, Chávez, de 57 anos, rejeitou as críticas e disse ter pedido aos líderes da oposição que prometam publicamente que irão respeitar os resultados da votação.

“Se um de vocês vencer a eleição, serei o primeiro a reconhecer (essa vitória), e peço o mesmo a vocês”, afirmou, e disse que fará questão de cumprimentar alguns de seus maiores inimigos ao assumirem o poder.

“Mostraremos ao mundo a maturidade política que adquirimos ao longo desses anos de revolução democrática.”

O presidente populista foi transportado do palácio presidencial de Miraflores à Assembleia Nacional em uma limusine com teto solar, enquanto guardas de segurança corriam ao lado do veículo e multidões de simpatizantes de vermelho demonstravam apoio no percurso.

A batalha eleitoral deste ano está se tornando a mais difícil já enfrentada por Chávez em seus 13 anos no poder.

Ele foi submetido a uma cirurgia para tratar de um câncer em junho, e depois, a quatro sessões de quimioterapia. A coalizão da oposição considera que essa eleição será a melhor chance para tirar o atual presidente do poder.

(Reuters)

Saúde não apresenta perspectivas de melhora

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Em artigo publicado neste sábado (14), no O POVO, o editor adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, afirma que não é surpresa a alta rejeição da população no atendimento da rede pública de saúde. Para o jornalista, há uma tendência de piora gradativa do quadro. Confira:

O resultado da pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira: Saúde Pública”, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, mostrando que 61% dos entrevistados em todo o País consideram a rede pública péssima ou ruim não chega a surpreender.

Até acho que os números indicam usuários complacentes com o sistema público de saúde se levarmos em conta o senso comum verificado no dia a dia dos que procuram os serviços. Para se ter ideia, 42% disseram não perceber melhorias no sistema nos últimos anos e 43% opinaram que ele piorou.

Ora, não é preciso ser especialista para entender que esse quadro vem se agravando ano a ano, com tendência de piora gradativa nos próximos, principalmente ao levarmos em conta aspectos como aumento da população e o seu perfil etário. Não me cabe demonizar o SUS, por achar a proposta excelente e única no mundo, mas não se pode negar que ele não tem atendido a contento as demandas a que se propõe. É fato ainda que essa deficiência não pode ser creditada só aos gestores públicos, haja vista que muitas das ocorrências que superlotam as unidades de saúde poderiam ser evitadas com atitudes preventivas por parte da população.

O País, ao que parece, não consegue enfrentar os vícios de um sistema marcado pela corrupção, clientelismo e raro espírito público por parte de seus dirigentes. Nesse contexto, é preocupante verificar que o sistema privado também caminha a passos largos para atingir índices de satisfação pouco condizentes com os valores pagos pelos usuários. Infelizmente, a cada dia, fica-se refém de uma estrutura que mais privilegia o mercado do que a saúde da população. Não restam dúvidas, portanto, de que o futuro tende a ser negro para a área da saúde no Brasil, independente de plano de saúde, mais imposto ou não.

É tarefa, portanto, desse e dos próximos governos, tentar pelo menos minorar um quadro que já se apresenta caótico e sem perspectivas. Digo, sem receio de errar, que daqui a alguns anos a questão do atendimento médico no Brasil será um dos piores problemas, com reflexos inimagináveis. Espero que esteja errado.

Situação no PT já foi mais tranquila

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Acrísio e Bruno: Ó nóis aqui!

O núcleo luizianista demonstra tranquilidade e nenhuma ansiedade em relação à definição da candidatura. No entanto, a situação dentro do partido já foi mais calma. Internamente, as movimentações estão em suspenso desde o início de dezembro. Fora, praticamente não se saiu da estaca zero.

Na política, contudo, não existe vácuo. Enquanto Luizianne mantém as articulações paradas, outros atores se movem, alheios ao comando da prefeita e presidente estadual. Nessa lacuna que permanece aberta, ganham espaço e se projetam o deputado federal Artur Bruno e o presidente da Câmara Municipal, Acrísio Sena. Bruno se movimenta com intensidade já há algum tempo. O vereador acelerou suas articulações nos últimos dias, ao perceber a postura vacilante do comando político do Palácio do Bispo.

Quanto mais se articulam, menos provável se torna a hipótese de acordo sem sequelas. A possibilidade de disputa ainda não é palpável, mas já esteve mais distante. O problema deixou de ser cumprir prazos pré-definidos. A questão, no momento, é evitar que o processo saia do controle. Tal possibilidade ainda não é tão concreta. Mas já foi igualmente mais remota. Com a rodada de conversas projetada para a próxima semana, esse vácuo de articulação deve ser preenchido.

Grupo de Luizianne mantém confiança

Mesmo com a gradual elevação da temperatura política interna, os setores que comandam o PT e a Prefeitura demonstram confiança absoluta em relação às articulações eleitorais. Para garantir a realização de prévias, um candidato precisa do apoio de um terço do diretório municipal. No caso de Fortaleza, são necessários 15 dos 45 votos.

Artur Bruno teria condição de chegar, no máximo, a nove, segundo avaliações de gente próxima ao gabinete da prefeita. Já quanto a Acrísio Sena, o grupo de Luizianne tem convicção de que ele não criará dificuldades. No entanto, as sequelas serão maiores quanto mais as pré-candidaturas se consolidarem.

(Coluna Política / O POVO)

PT decide seu futuro a partir de segunda-feira

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O que seria o prazo para o PT definir o candidato em Fortaleza deve marcar, isto sim, o início da fase mais aguda de negociações internas. O anúncio do nome era aguardado para este domingo (15), mas só na segunda-feira (16) Luizianne Lins deve iniciar o diálogo com as diversas tendências.

A prefeita e também o presidente municipal Raimundo Ângelo já tiveram conversas preliminares com alguns grupos. Mas agora as tratativas serão definitivas. Embora o calendário não seja absoluto, o grupo da prefeita ainda pretende definir o candidato até o fim de janeiro.

Pelo cenário atual, quem for indicado deverá ser referendado pela maioria do partido, a despeito de outras movimentações, em particular do deputado federal Artur Bruno. Há possibilidade de outros nomes virem a surgir, mas, hoje, as únicas alternativas reais consideradas por Luizianne são Waldemir Catanho e Elmano de Freitas.

O primeiro permanece como preferido da prefeita, mas ainda não se decidiu. Pelas sinalizações, observadores dos bastidores políticos dão como certa sua desistência. No entanto, dois importantes caciques do petismo asseguraram à Coluna que ele ainda não comunicou a decisão de entrar ou não na disputa. Por enquanto, permaneceria “refletindo” sobre o assunto.

Enquanto isso, Elmano ganha força para ser a opção de Luizianne. Ao contrário de Catanho, ele ainda precisará ser digerido pelo resto do PT, mas não deverá encontrar grandes problemas para ser aceito pela maioria do partido. A maior dificuldade talvez seja vencer as resistências que devem surgir com os aliados. Afinal, Elmano é tão ligado a Luizianne quanto Catanho – o que é motivo para questionamento em relação a Catanho. Mas tinha até menor visibilidade até assumir a Secretaria da Educação, em setembro – o que o deixa em desvantagem.

Fator Cid

Em paralelo com as conversas internas, Luizianne já deve iniciar os entendimentos com o governador Cid Gomes (PSB). O PT tem consciência de que não pode simplesmente comunicá-lo da escolha. Terá de dialogar e negociar com ele em torno do nome. A depender da agenda e da disposição do governador, o encontro deverá ocorrer já nos próximos dias. O alto comando petista tem confiança de que o governador não criará obstáculos.

(Coluna Política / O POVO)

Ao menos 46 brasileiros estavam em navio na Itália, diz empresa de cruzeiro

Ao menos 46 brasileiros estavam a bordo do navio que naufragou nas águas da ilha italiana de Giglio na noite desta sexta-feira (13), informou neste sábado (14) a companhia dona da embarcação, a Costa Cruzeiros. O Costa Concordia se dirigia ao porto de Savona, no norte da Itália.

Oficialmente, o ministério brasileiro não informou quantos brasileiros estavam no navio Costa Concordia. O Consulado do Brasil em Roma está acompanhando o resgate por parte das autoridades costeiras italianas, mas não atua diretamente.

Brasileiros que buscam informações sobre sobreviventes ou vítimas podem procurar o consulado na capital italiana ou informações no site do Itamaraty.

A embarcação tinha cerca de 4.200 passageiros a bordo e, segundo a imprensa italiana, começou a afundar após encalhar em um banco de areia. A empresa do navio destacou que “até o momento não é possível definir as causas do problema”.

O arquipélago onde está situada a Ilha de Giglio fica a cerca de 80 km de distância de Roma. Segundo relatos da imprensa europeia, após o encalhe da embarcação pequenas barcos tentaram a ajudar no resgate dos passageiros e tripulantes.

Segundo a imprensa europeia, o número de desaparecidos é de pelo menos 50 pessoas. A Guarda Costeira chegou a informar que “os passageiros não corriam perigo” e eram retirados em botes salva-vidas do navio Costa Concordia. Porém, ao retirar os últimos membros da tripulação uma fenda se abriu, causando vazamentos internos.

(EFE)

Profetas preveem chuvas

É chegada a hora de reparar nos detalhes e prever em quanto o céu desabotoará daqui em diante até o novo ano romper. Futuros de curto prazo precisam disso para serem traçados pelos respectivos donos.

Os autores das profecias vêm de toda parte do Sertão Central. Todos de meia idade e cada qual com um dom. Há quem repare no vento. Há quem prefira o sol. Ou quem analise o movimento dos bichos. Ou ainda quem considere tudo isso e mais um pouco na arte de ler a natureza.

Neste sábado (14), eles reúnem-se pela 16ª vez em Quixadá, distante 158 quilômetros da Capital. Uma multidão acompanha. Sempre. É (re)aproximar-se do espelho d’água, postar-se sob a sombra da mangueira e ouvir. Atentamente. Pelo menos 30 profetas da chuva devem falar das chuvas previstas para o Ceará neste ano.

A ciência da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) fica de fora. “Pelo o que já conversei com dez deles, eu diria que teremos inverno começando um pouco tarde. Já devia ter iniciado, mas só vai chover a partir da segunda quinzena de janeiro”, adianta o idealizador e organizador do Encontro dos Profetas Populares, Hélder Cortez.

Prognósticos

O clima é de esperança por uma quadra chuvosa boa. “Estão todos otimistas. Apontam para chuvas boas de janeiro a junho. Mas o ciclo já devia ter começado”, acrescenta Hélder, que reclama mais apoio do poder público ao evento.

Espaço e logística estão por conta da Prefeitura de Quixadá. O resto (especialmente alimentação) vem de parceiros. Reclame maior é pela contratação de um veículo que transporte profetas e familiares. “O apoio popular cresce a cada ano. Mas o poder público poderia ajudar mais. Eles se deslocam por conta própria. Precisamos angariar recursos para contratar esse carro. Queremos trazê-los e levá-los de volta para casa confortavelmente”, finaliza.

(O POVO)

Ironia do destino

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O soldado P. Queiroz, da Associação de Praças da PM/BM do Ceará (Aspramece), foi motorista de Ciro Gomes por quatro anos. É Ciro doente e tinha uma foto dele na entidade. Por ironia, foi líder na greve que nocauteou o irmão Cid Gomes (PSB).

E outra, o ex-sargento da PM Josué de Sousa foi segurança de Tasso Jereissati, quando governador. Em 1997, Josué foi expulso da PM por liderar a 1ª greve de policiais do Ceará.

(Vertical / O POVO)

Judiciário: risco de falta de sintonia com a Nação

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A opinião pública acompanha com atenção os novos lances do confronto entre segmentos do Judiciário e a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), encarregada de investigar irregularidades cometidas por magistrados. A sociedade ficou perplexa quando, às vésperas do recesso do Judiciário, o ministro Marco Aurélio de Melo (STF) concedeu liminar suspendendo investigações em andamento no CNJ, enquanto membros do STF pretendem reduzir competências do Conselho.

O confronto vem causando reações de apoio ao CNJ por parte da maioria esmagadora da opinião pública e de alguns segmentos do próprio Judiciário inconformados com as restrições que se quer impor ao órgão fiscalizador, passando a impressão de corporativismo. Ontem foi divulgada uma carta de juízes cearenses em apoio à corregedora do CNJ, na qual se afirma: “Opor sigilo para obstaculizar procedimento investigatório acerca de possível irregularidade na administração pública, ainda mais nas casas de justiça, por si só, é ato extremamente deletério, que derrama sobre toda a magistratura brasileira uma indelével nódoa de dúvida sobre a ética.”

Repelindo o ataque direto do ministro, no programa Roda Viva, de que queria substituir o STF, a ministra Eliana Calmon retrucou que a reação é de quem “não quer abrir o Judiciário”. E disse que os tempos vividos pela sociedade são de exigência de transparência em qualquer setor: “estou vendo a serpente nascer e eu não posso me calar”. Segundo ela, o problema das corregedorias regionais é que não investigam desembargador, só têm competência para investigar juízes de primeiro grau. “Quem é que investiga desembargador? O próprio desembargador. Aí é que vem a grande dificuldade” – enfatiza ela.

A mídia investigativa e o próprio CNJ têm apontado irregularidades marcantes em alguns Tribunais de Justiça. O de São Paulo, apesar de administrar orçamento de R$ 20 bilhões/ano, não tinha controle interno, segundo Calmon. E está no bojo de um escândalo de grandes proporções. Sem dúvida, nessa batalha, a sociedade está com a Corregedoria do CNJ – e o Judiciário cometerá erro clamoroso se não se sintonizar com o sentimento da nação.

(Editorial / O POVO)