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O dia em que o fortalezense vaiou o sol em plena Praça do Ferreira

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“Com o título “Vaiando o Sol do tio Claudio Pereira”, o memorialista Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Júnior faz um registro sobre o dia em que o fortalezense vaiou o sol em plena Praça do Ferreira (Centro). Confira:

Já faz pra mais de 60 anos que os fortalezenses, sem ver nem pra quê, vaiaram o sol na capital cearense: foi a 30/01/1942. Esta vai ser a primeira vez que vamos vaiar o sol sem a batuta do maior agitador cultural que Fortaleza já teve. Falo de Claudio Pereira, que vivenciava com propriedade a atitude do seu povo vaiando o próprio ícone. O totem maior. Afinal, o Ceará é a terra do sol e da luz, é epíteto. Fortaleza é cidade sol porque primeira a trazer luz da liberdade para o povo negro.

No Brasil, Fortaleza é o primeiro porto a não fazer trafico negreiro na América abaixo da linha do Equador. E antes da lei áurea ser proclamada. Tem forte razão histórica ainda a ser reverenciada.
Além de libertar o povo negro dos grilhões da escravidão. A data 25 de março de 1884 sequer consta agendada no calendário histórico da cidade. E não é por negligencia do Claudio Pereira ou minha. É que a negrada que manda, só vê o Rei Zumbi a 20 de novembro e pt saudações.
Que fazer?

Em 1942 vivíamos sob a ditadura Vargas em meio à Guerra Mundial. Fortaleza era esquina do mundo, porto estratégico na alça de mira do III Reich. Pelo menos é o que dizia a inteligência norte americana. Submarinos atacavam nas águas do Mucuripe. Fortaleza também servia como ponte aérea estratégica no combate contra o nazifascismo. Não era fácil. (A capital alencarina:
de loura desposada do sol, a Iracema com os cabelos da cor da asa da graúna ( eu queria saber por que só a asa? A graúna é negra por inteiro ou ele se refere a outros cabelos, de outra parte do corpo, que não a cabeça? E ainda por cima virgem dos lábios de mel (eu queria saber se
eram os pequenos ou os grandes lábios de mel? De Iracema, se de jandaira ou de caju. E o “pé grácil e nu que mal tocava a relva, que número tinha? E porque estava nu? Não tinha nenhuma sandália ou galocha a bichinha? Mal tocava na relva? Como rorejava na água…
Assim não dá, assim não pode. Então, só vai lendo…)

Fortaleza estava ocupada militarmente por norte americanos prostituindo a fina flor do abacaterol aristocrático da burguesia local tendo suas meninas em flor, reduzidas às fagueiras “garotas coca-cola”, para repasto dos soldados norte americano nas noitadas do cassino Estoril.
Enquanto isso Orson Wells fazendo “All is true” descobria ser a luz da nossa terra do sol a melhor para o cinema no mundo. Diga aí se pode?

Fortaleza vivia clima de guerra com patrulhas noturnas para extinguir fontes de luz na cidade a fim de evitar servirem de referencia para supostos bombardeios nazista; era a paranóia norte-
americana depois do ataque a Pearl Hable que justificava. Também pudera. Na certa, nas boates e bares de Fortaleza, a chegada do sol não era bem-vinda para acabar a orgia da boemia, como ainda não é.

Queriam o sol se recolhendo para esticar a noite não só literalmente, mas de fato. Daí, tome a vaia no astro-rei. São muitas as leituras. Imaginem o que Ataualpa, os Astecas, os Maias e Incas pensariam desse povo cabeça-chata, raçudo com a petulância de vaiar o próprio Deus: o sol. E logo no auge de uma guerra mundial?

Afinal o maior ícone do Ceará, é ele: o Sol. Por que? Há quem entenda a vã filosofia de vaiar o sol sem filosofia nenhuma? É verdade dizer também que o cearense ao ver a alegria e o
contentamento dos indústriais da seca se babando todo com a perspectiva da volta do sol depois de três dias de agua grande que o acobertavam, o sol vir matara saudade e com o ar de ficar para
sempre…possibilitando a retomada da grande indústria da seca que extermina o povo de sede e enche os bolsos de ouro! Aí o povo percebendo a tramoia da mundiça vai até a Praça do Ferreira e se poe a vaiar o sol para a volta do inverno?

O genial professor Gilmar de Carvalho escreveu uma peça teatral sobre o fato que tem até o Claudio Pereira como personagem. Desde sempre o Pereira comemorava a data nem que o sol não desse as caras. Ele estava na área. Tio Claudio Pereira dizia que era por medo e covardia que o sol tinha fugido, debaixo de chuva. Por falta de coragem de enfrentar a vaia…

Procurei no segundo ano dessa administração na Prefeitura os coordenadores da “Fortaleza Bela” para institucionalizar o fato: a vaia ao Sol. Simplesmente, não acreditaram que o povo de Fortaleza tinha vaiado o sol e desconversavam dizendo: “Coitadinho do sol… não merece
isso… como é que você pode pensar uma coisa dessas?!… Foi ai que a ficha caiu. Pensavam que eu pretendia não vaiar o sol e sim vaiar o partido deles, o PSOL. Naquele ano, a prefeitura não vaiou o sol na Praça do Ferreira. Em compensação, eles foram a Porto Alegre vaiar o presidente Lula antes dele viajar para o encontro dos países ricos em Davos, depois do Fórum Social Mundial. Sem duvida o astro-rei não merece isso, muito menos o partido deles. Pra não falar do Lula, esse sim é que não merece vaia mesmo de jeito nenhum. Viver isso, assim, foi barra, que ainda me dói.

Anos depois procurei a atual secretaria de Cultura de Fortaleza. Ela me disse:” Procure fazer isso com uma ONG. Arruda você é a única pessoa que eu conheço a falar essas coisas: Cajueiro da mentira. Vaia no sol! Fiquei embasbacado ao ouvir aquilo da própria secretária de
cultura da cidade de Fortaleza. Eu, por uma questão de princípios, não procuro ONGs para isso, nem acho isso tarefa de ONG. Quanto a não existir pessoas que conheço que sabem disso e conhecem a secretaria, é meia verdade. Existe uma a quem falei da historia e acredite se quiser: até gosta dela, mas não é cearense, é paulista.

Entretanto, pasmem, apareceu uma ONG trazendo um magote de palhaços lá da cidade de Itapipoca para a Praça do Ferreira com o propósito de ensinar o fortalezense como se vaia o sol em iiiiiuuuuu ou uuiiiiiimmmmm. Macularam a vaia ao sol de novo. De qualquer jeito e maneira, convido os amigos e conhecidos do Claudio Pereira e demais fortalezenses que conhecem e vivem essa historia a vaiar o sol na Praça do Ferreira. Vou vaiar no Raimundo
dos Queijos, neste domingo, até debaixo d”água. Aliais, nem que chova canivete no casamento da raposa e apareça um arco-íris que eu saiba em qual das pontas está o pote de ouro. Vamos vaiar o
sol.

Em defesa da prefeita

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O professor Moacir Tavaores (UFC) mandou, via comentários, nota onde faz a defesa da administração da prefeita Luizianne Lins (PT). Veio como uma resposta ao artigo do professor Antonio Mourão Cavalcante aqui divulgado e intitulado “Não dá mais para segurar”. Confira:

Caro Eliomar de Lima,

Nutro respeito aos textos e autores, mas não posso deixar passar alguns comentários. Vamos lá. Fortaleza tem em curso a maior política habitacional já realizada. A Cidade tem em curso a maior intervenção de drenagem das última duas décadas. 

Fortaleza através do Transfor reconstrói vias históricas da cidade, com padrão elevado de urbanização. A prfeita recebe o secretariado em acordo com o agendamento realizado. Os buracos da cidade são obra da somatória chuva, carros e drenagem deficiente. A entrada de carros é além da capacidade de governo. A malha viária está sendo e será recuperada. Os demais buracos são frutos de intervenções ou há obras desse tipo sem quebrar o asfalto?

A prefeita não transita em certas rodas que o “high socyte”, seja financeiro ou intelectual, gostaria para sair na foto. Eis, talvez, esse mau humor de alguns ” formadores de opinião”.

Quanto a uma propalada cidade rabujenta, sinto muito mais rabugice e picuinha de certos autores “intelectualizados”. Muito foi e está sendo feito. Muito há por fazer. A moralidade pública da administração de Fortaleza e irretocável. Diferente de tempos passados.

Quanto a ironia de chamar a administração de companheiros que voltaram ao poder municipal refuto como do mais baixo procedimento político e profundo reacionarismo, pois despolitizado e precoinceituoso para um palavra que incorpora valor ético: ser companheiro. Ao dispor para o debate.

* Moacir Tavares, dentista, professor universitário (UFC) e doutor em Saúde Pública (USP) e membro da Executiva do PT

Uma Fortaleza nada bela

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“Com o título “Não dá mais para segurar”, eis artigo do professor e médico Antonio Mourão Cavalcante sobre a situação de Fortaleza na atual gestão petista. Mourão, que escreve no O POVO e em seu Blog no POVO Online), faz um verdadeiro desabafo feito aquele filho que se sente, digamos, órfão. Confira: 

Moro no Brasil, Ceará. E vivo em Fortaleza. Morar é mais passivo. Depende de circunstâncias, oportunidades. Viver é mais na veia. É sangue. É vida.

Por isso, Luizianne Lins não poderia ter escolhido melhor slogan de governo do que o “Fortaleza Bela”. A perspectiva que nossa casa precisa ser bem cuidada. É o lugar que se ama, porque nele se vive. Muito forte o laço que se estabelece com a cidade onde se vive. Tem o padeiro. O motorista. Os vizinhos. As escolas e os meninos chegando e saindo. Nesse clima se constroem laços…

Mas que me desculpe a brava prefeita. Fortaleza está desfigurada. Rabugenta. Suja. Esburacada. Abandonada. Doente.

Sei das inúmeras dificuldades em administrar uma casa tão grande e plena de problemas… Porém, ao longo dos últimos anos, a situação tem se complicado. Piorado. Nós criticávamos a administração Juraci Magalhães por não demonstrar maior sensibilidade com nossa cidade, e, por isso, buscamos uma mudança tão radical.

Mas para onde me viro, com quem converso, há uma profunda decepção. Desilusão. E sinto, igualmente. Claro! A volta dos companheiros ao poder municipal não fez bem à Fortaleza.

Precisamos esclarecer algumas dúvidas. O que está faltando? Por que falta? É verdade que a prefeita não recebe os secretários? Por que eles não falam? Os assessores mais próximos têm dito a verdade à nossa alcaide? Alguém precisa abrir o jogo: a coisa está ruim, senhora prefeita! Há um profundo mal-estar na cidade. Precisamos de mais gerência, de mais presença, de quem mande. Diretrizes.

É verdade que a prefeita só despacha no período da tarde? O que está acontecendo? Até mesmo dificuldades de ordem pessoal. Os contribuintes têm o direito de saber essas coisas elementares.

Sinceramente, não dá para calar. Ontem, andando pela cidade, tive vergonha. Fortaleza não merece esse tipo de abandono e descaso. É fundamental que se comece um grande mutirão de mobilização comunitária. Será que ainda há tempo para mudar essa perspectiva?

Antonio Mourão Cavalcante – Médico, antropólogo e professor universitário

a_mourao@hotmail.com

(Foto – Arquivo)

A Praça é vossa?!

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Até quarta-feira, eis o que ornava o alambrado da quadra de esportes da pracinha do Colégio Municipal Monsenhor Linhares (Bairro Parquelândia): faixas com saudações ao eleitorado. Assinada pelo Dr. Joõ Batista, no caso vereador que tem atuação naquela área da cidade.

(Foto – Leitor José Alves)

Gim Argello usou verba iondenizatória para boa churrascada

Com o título ” A churrascada de Gim Argello”, a revista ÉPOCA desta semana traz mais uma marmota feita por esse senador do Distrito Federal. Confira: 

Em outubro de 2009, o senador Gim Argello (PTB-DF) reuniu aliados políticos, servidores públicos e amigos para uma confraternização de seu partido numa churrascaria em Brasília. O almoço serviu para promover Gim, o principal nome do PTB na capital do país. Durante a boca-livre, o parlamentar posou para fotos, distribuiu abraços e discursou em frente ao banner com sua imagem. Certo seria se o senador ou o partido bancasse as despesas da festança. Não foi o que se viu. Gim lançou mão da verba indenizatória a que tem direito como parlamentar para honrar os gastos dos convidados. A churrascada custou aos cofres públicos R$ 7.360. ÉPOCA apurou que a quantia seria suficiente, naquele período, para pagar 105 rodízios de carne com consumo liberado de bebidas. A nota fiscal foi apresentada por Gim ao Senado em dezembro de 2009.

A verba indenizatória foi criada para financiar gastos de deputados e senadores no exercício da atividade parlamentar. Ela cobre despesas com hospedagens, locação de veículos ou aeronaves, combustíveis, segurança privada, consultorias e divulgação do mandato. Não há previsão legal para o gasto praticado por Gim. No começo desta semana, ÉPOCA pediu explicações ao senador sobre a conta da churrascaria. Por meio de sua assessoria de imprensa, Gim afirmou que “desconhecia o pagamento dos gastos deste evento e já devolveu o dinheiro aos cofres do Senado”. A providência só foi adotada após ÉPOCA procurá-lo. Gim disse ainda que a restituição do valor ao Senado foi feita à vista, por meio de uma guia de recolhimento.

Na terça-feira desta semana, Gim Argello exonerou de seu gabinete Mariana Naoum, namorada de seu filho mais velho, Jorge Argello Júnior, mais conhecido como Ginzinho. Mariana trabalhava como assistente parlamentar desde o final de 2008. Foi promovida pelo menos duas vezes e tinha salário de R$ 5.918.

Servidores municipais de saúde podem ser beneficiados com aposentadoria de 25 anos

Por causa da insalubridade e da periculosidade no exercício do trabalho, servidores municipais da saúde, da Usina de Asfalto, da Emlurb (coleta de lixo) e da Guarda Municipal poderão ser beneficiados com a aposentadoria especial de 25 anos.

A observação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Saúde de Fortaleza (Sintsaf), Plácido Filho, também vereador do PDT, durante encontro com servidores do Instituto José Frota (IJF), no início da tarde deste sábado (29), no refeitório do maior hospital de emergência do Estado.

De acordo com Plácido Filho, o processo já passou por duas instâncias e agora se encontra no Supremo Tribunal Federal (STF), nas mãos do ministro Gilmar Mendes.

No próximo dia 15 ocorrerá um movimento na Câmara Municipal de Fortaleza, quando cerca de 30 outros itens serão debatidos em favor dos servidores municipais.

Crise no Egito e seu efeito cascata

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Com o título “O grito árabe pela democracia”, a  revista Época aborda os conflitos no Egito e seu efeito cascata naquela banda do mundo. Confira:

A possibilidade de alguém sair às ruas do Cairo para protestar contra o presidente Hosni Mubarak em 1998, no ano em que o jornalista americano de origem egípcia Abdalla Hassan se mudou para a cidade, era, nas palavras dele, “simplesmente impensável”. “No máximo culpava-se o primeiro-ministro, jamais o presidente”, disse Hassan a ÉPOCA, na semana passada, enquanto os protestos se espalhavam pelas ruas da capital egípcia. Seu depoimento dá a dimensão do medo imposto pelo ditador há 30 anos no poder – e quão espetaculares e inesperados foram os eventos que tiveram lugar na semana passada no Cairo e em cidades como Suez e Alexandria. Multidões sublevadas saíram pelas ruas clamando por melhores condições de vida, emprego e, sobretudo, pelo fim do regime de Mubarak.

Para deter as manifestações, o ditador derrubou a internet, cortou a telefonia celular e ocupou estações de rádio e TV. No início da noite da sexta-feira, decretou toque de recolher. Não adiantou. Os protestos continuaram. A semana terminou sem que estivesse claro o futuro político do maior aliado dos Estados Unidos no mundo árabe. Se Mubarak cair, o que viria em seu lugar – uma democracia moderna ou outra teocracia islâmica como a do Irã? A resposta a essa pergunta é crucial para toda a região.

A revolta popular do Egito é a maior de uma corrente de revoltas que começou na Tunísia. Lá, em 17 de dezembro, o vendedor de verduras Mohamed Bouazizi, de 26 anos, da cidade de Sidi Bouzid, se indignou porque sua mercadoria foi apreendida pela polícia, de modo flagrantemente abusivo. Humilhado, tentou reclamar na prefeitura, que não o atendeu. Bouazizi, então, ateou fogo a si mesmo e morreu em frente ao prédio. Sua imolação foi a fagulha que incendiou os tunisianos contra o presidente Zine El Abidine Ben Ali. Há 23 anos no poder, Ben Ali não resistiu à pressão popular e renunciou no último dia 14, algo inédito no mundo árabe. Depois da Tunísia, o vento de revolta se espalhou.

Chegou a Iêmen, Jordânia e Argélia – além do Egito –, sacudidos por manifestações. Em quase todos esses países (a exceção é a Jordânia, uma monarquia), autocratas se perpetuam no poder por meio de eleições fraudulentas, amparados na repressão policial e na corrupção. Em 2010, apenas dois países árabes – Líbano e Iraque – não foram considerados regimes autoritários, segundo o índice de democracia da Unidade de Inteligência da revista Economist. Foi esse o cenário que começou a balançar na semana passada. Estará aberto o caminho para reformas democráticas – ou para outra forma de opressão, a religiosa? A cultura árabe ou a religião muçulmana não são impedimentos à democracia.

A Turquia é o melhor exemplo disso. “É um país onde há movimentos islâmicos fortes e que ao mesmo tempo funciona como uma democracia com muito sucesso”, diz Marina Ottaway, diretora do programa de Oriente Médio do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, de Washington. Para Marina, os regimes hoje existentes são o principal obstáculo para o surgimento da democracia na região. “A dúvida é se as sociedades árabes conseguirão derrubar esses regimes”, afirma.

Comissão de Saúde da OAB e o jogo midiático

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Com o título “Comissão e Saúde – OAB-CE versus Cremec”, o professor e médico Marcelo Gurgel escreve artigo para o Blog, onde ele lamenta que a ação da Ordem se restrinja aos hospitais públicos. Ou seja, reforçando a tese de que o SUS não seria bom. Confira:

Nos últimos meses, a mídia cearense, notadamente jornais e emissoras de televisão, tem cedido os seus preciosos espaços, mormente quando há uma certa carência de matérias de maior impacto, para “cobrir” os trabalhos de uma Comissão de Saúde, instituída no âmbito da Seção Ceará da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), com o propósito velado de revelar o “caos” da saúde imperante nesta Terra da Luz.

A Comissão em epígrafe apóia-se, mais fortemente, na presença de profissionais de formação cruzada, de médicos, de reconhecida competência em suas especialidades de atuação, que se bacharelaram em Direito, passando a ter uma dupla militância profissional, por vocação, interesse ou conveniência.

No entanto, ao que se percebe, até o momento, o citado grupo de trabalho tem centrado o seu foco na rede de hospitais públicos, consistindo o labor, fundamentalmente, de meras visitas às instituições hospitalares, acompanhadas de repórteres e cinegrafistas, que tratam de documentar as filas de espera, para atendimento médico-hospitalar, o que rende notícias e, naturalmente, dividendos midiáticos.

Pautar a avaliação da Saúde, ou do Sistema Único de Saúde, com base em hospital, configura uma visão reducionista da questão, ao cingir-se a apenas uma faceta, de uma área abrangente e complexa, que tem, realmente, sérios problemas, muitos dos quais produzidos fora do Setor Saúde, como a Economia e a Educação, cujos efeitos danosos transbordam, repercutindo na Saúde da população.

Por essa ótica, identificando pacientes em corredores ou constatando listas de espera, o Sistema Nacional de Saúde da Inglaterra, de caráter universalista e considerado modelo de eficiência, seria execrado, porquanto os súditos da rainha Elisabeth II aguardam, pacientemente, meses, e até mais de um ano, para se submeterem a alguns procedimentos médicos mais sofisticados, a exemplo das próteses. É bem verdade que a ordem da fila é devidamente observada, tendo em conta critérios técnicos e a cronologia de admissão, já que lá não há o popular “jeitinho” brasileiro.

A aferição da Saúde conduzida por outra entidade de classe, não representativa de qualquer categoria profissional da saúde, é interpretada, por muitos colegas médicos, como uma ingerência indébita de organismo estranho, ou mesmo, para os causídicos, significar que a OAB-CE plana em céu de brigadeiro, sem mazelas a afetar as atividades dos seus afiliados. Não se deve, contudo, rechaçar o ato normativo que criou a dita Comissão, cujo fulcro poderia ser de valia, caso ela se detivesse, aproveitando a conhecida expertise de seus componentes, a esmiuçar a análise em áreas de interface, do Direito e da Medicina, a exemplo da “Judicialização da Saúde” e da crescente onda de processos contra possíveis erros médicos.

Por uma questão de cordialidade e de reciprocidade, para com a OAB-CE, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará, ciente dos sérios e atávicos problemas da prestação de serviços jurídicos aos cidadãos, traduzidos em lentidão e inoperância da máquina jurisdicional e em cerceamento de direitos a milhões de brasileiros, que redundam em comprometimento ao estado de saúde das pessoas, bem que poderia considerar a instituição formal de uma “Comissão Jurídica”, composta de médicos já calejados de exercitar a arte hipocrática em condições de adversidade, para diagnosticar e tratar os transtornos jurídicos.

Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva,
Da Academia Cearense de Medicina do Ceará.

Assim nasce uma rampa…

Eis mais um lixão enorme. Fica na rua Desembargador Leite Albuquerque esquina com a rua Marechal Rondon, próximo ao Posto do Detran do bairro Aldeota, em Fortaleza.

Os moradores dos prédios próximos que  sofrem com o mau cheiro, já fizeram várias denuncias à Regional. Mas não adiantou.

(Foto – Leitor Kleber Dias)

Sebrae atende queixa do Blog e rompe contrato na área do Prodetur

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Do Sebrae-CE, este Blog recebeu nota esclarecendo o caso do Instituto Aprendiz, de Itajaí (SC), que contratou consultores para ações do Prodetur no Ceará e não cumpriu com o cronograma de pagamento. Confira;

Prezado jornalista Eliomar de Lima,

Em resposta à nota publicada em seu Blog, no dia 15 de janeiro intitulada “Consultores do Prodetur estão com salários atrasados”, gostaríamos de esclarecer:

1) O Sebrae Ceará contratou, por meio de licitação, o Instituto Aprendiz, de Itajaí (SC), para a execução do treinamento empresarial do Programa de Capacitação Profissional e Empresarial para o Turismo/Prodetur.

2) O Sebrae/CE efetuou todos os pagamentos devidos previstos no contrato Nº E-0208/2010 pelo trabalho realizado pela empresa.

3) Tendo tomado conhecimento dos problemas causados pelo Instituto aos consultores e fornecedores, o Sebrae/CE adotou todas as medidas legais cabíveis, notificando o Instituto para a regularização do débito e rescindindo o contrato com a empresa em função da falta grave.

4) O Sebrae/CE também suspendeu a participação do Instituto em qualquer licitação realizada pelas entidades de todo o Sistema S no período de dois anos.

5) O Sebrae/CE está comunicando à Secretaria de Turismo do Ceará (Setur-CE) e ao Ministério do Turismo (Mtur) todas as medidas tomadas para resolver o problema e não permitirá que o andamento do programa seja prejudicado por esse episódio.

Atenciosamente,

Assessoria de Comunicação

SEBRAE/CE

Lula e dona Marisa estão em Jericoacoara

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O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva está no Ceará. Veio passar o fim de semana com dona Marisa na praia de Jericoacoara (Litoral Oeste). Ele havia manifestado esse desejo para o governador Cid Gomes (PSB) durante sua última passagem pelo Estado, ocasião em que lançou a pedra fundamental para o processo de instalação da futura refinaria premium.

Lula é hóspede da conhecida Pousada Calango. Ele desembarcou ontem à noite em Fortaleza e seguiu direto para Jeri. 

(Foto – Arquivo)

Meirelles integrará governo comandando obras das Olimpíadas de 2016

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Dilma Rousseff bateu o martelo: Henrique Meirelles integrará o seu governo. Meirelles comandará a Autoridade Pública Olímpica (APO), órgão que coordenará as ações do governo para o planejamento e a entrega das obras necessárias à realização da Olimpíada 2016.

Numa palavra, caberá a Meirelles tocar as obras dos Jogos, espantando o temor do atraso e do superfaturamento.”

(Coluna Radar – Veja)

A Praia é Mansa. O Governo nem tanto

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Com o título “A praia é Mansa. O governo, nem tanto”, eis artigo do publicitário e poeta Ricardo Alcântara para boas reflexões neste sábado. Ele pede cautela e explica o porquê. Confira:

Cid Gomes quer modelar um projeto urbano para a Praia Mansa, no Mucuripe. Os antecedentes recomendam cautela: toda vez que o governo do estado tem uma ideia para Fortaleza, a cidade perde o sono.
 
O Centro de Eventos e Feiras, que demorados estudos e extensas consultas recomendaram como ideal no Porto da Draga, foi transferido para a avenida Washington Soares, de trânsito infernal e distante da rede hoteleira.
 
Do Aquário na praia de Iracema não foi dado a saber público um estudo de sustentabilidade financeira. Os cearenses se arriscam a ficar pagando para que o equipamento (belo, mas de custo elevado) abra as portas todo dia.
 
A instalação de um estaleiro na praia do Titanzinho, um tipo de estupro que há mais de vinte anos não se comete contra nenhuma grande cidade do mundo, só não foi adiante porque a prefeita da capital botou o pé na porta.
 
Agora, o governo pretende implantar na Praia Mansa um equipamento fun fest – complexo de restaurantes, bares, auditórios e áreas de uso público, seguindo modelo bem sucedido em outras cidades pelo mundo afora.
 
A ideia é boa – se houver respeito a critérios de sustentabilidade ambiental, transparência na licitação das obras, consulta aos organismos sociais afins e debate parlamentar na aprovação da matéria. Ou seria pedir demais?
 
Pelos antecedentes, a cidade deveria entrar em estado de vigília. O governo tem sido tosco na compreensão do que Fortaleza deseja e precisa. Coisas assim não são feitas para durar três dias. Exigem reflexão compartilhada.
 
 
Ricardo Alcântara,

Publicitário e poeta.

Mulheres mais do que antenadas

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Com o título “Um breve relato sobre a presença das mulheres na área de TI no mercado público e privado”, o professor Ivan de Oliveira manda artigo para o Blog. Ele aborda o mercado da tecnologia da informação e seus avanços. Principalmente da presença feminina. Confira:

Nos últimos anos, várias pesquisas vem mostrando o crescimento da presença feminina em cargos de TI, sobretudo no mercado corporativo privado.

Dentre as várias áreas de atuação, destaca-se o número representativo de mulheres assumindo cargos de liderança nas grandes corporações. Segundo pesquisa realizada pela CATHO, a presença feminina simplesmente dobrou na última década.

Esse merecido crescimento quantitativo e qualitativo se deve ao fato da superação das resistências da visão machista por parte de empreendedores da área de TI e da visão de que as mulheres estão cada vez mais estudando, aprimorando-se e preocupando-se com suas carreiras.

Hoje já é possível encontrar empresas com equipes guiadas pela combinação das habilidades femininas e masculinas e objetivadas na amplificação dos seus resultados e na expansão dos seus negócios decorrente desta sinergia de competências complementares de gênero. Apesar de as mulheres em TI, estatisticamente, ainda serem minoria em muitas empresas do setor de TI em nosso país.

Infelizmente, o fator resistivo para a consolidação da presença das mulheres na TI dá-se, principalmente, pelo fato de os cursos de graduação (e.g. Sistemas de Informação, Ciências da Computação, Engenharia e afins a tecnologia da informação) serem predominantemente frequentados por homens. Apesar do esforço das faculdades e das empresas em atrair cada vez mais mulheres para a área de TI.

Como acadêmico, profissional e militante político do setorial de TI, acredito que esta década 2011-2020 será a década da conquista das mulheres nos cargos de importância em TI (programadoras, desenvolvedoras, analistas, gestoras de projetos, consultoras, dentre outras), assim como aconteceu em muitos outros mercados nos quais elas já conquistaram posição de destaque, como ciências médicas, ciências sociais, contabilidade, direito, jornalismo e ciências em geral.

Acredita-se que, em um país no qual a chefe maior é uma mulher, a valorização de algumas características sabidamente femininas, em posições gerenciais, seja reforçada e ajude a aumentar a velocidade de conquistas pelas mulheres de mais cargos e maior participação delas na área de TI.

A presidenta Dilma Rousseff poderá acelerar este processo de consolidação e valorização das mulheres na área de TI através da orientação a seus ministros e suas ministras e seus secretários e suas secretárias para consideração das questões de gênero na definição de suas equipes de trabalho. Notadamente, a lista anunciada até o momento pelos ministérios e secretarias é predominantemente masculina para ocupar os cargos na área de tecnologia.

Poder-se-ia começar este processo nas principais empresas de TI fornecedoras do governo federal ou nos ministérios ligados à tecnologia, por exemplo, acatando as indicações oficiais e oficiosas dos setoriais nacional e estaduais de C&T.

Em caráter exemplificativo, o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) poderia acatar a indicação do setorial nacional de C&T para a companheira Eunides Maria Leite Chaves assumir uma diretoria nesta empresa; Karine Pinheiro poderia assumir o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO) contemplando as questões de gênero e regional (Nordeste) simultaneamente; Cristina Mori poderia comandar a superveniente Secretaria de Inclusão Digital do Ministério de Comunicações; e diversas outras posições estratégicas que poderiam ser ocupadas por companheiras com competência técnica, compromisso com projeto político e sensibilidade social para transformar nosso país numa referência mundial na universalização dos serviços essenciais com a ajuda da tecnologia.

Antes de finalizar este breve relato deste militante do movimento pelas tecnologias livres e pela democracia socialista, destaca-se que assim como no mercado corporativo privado, no mercado corporativo público existem cargos de gestão nas empresas nacionais de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) que exigem a sensibilidade como uma característica fundamental para exercício de suas atividades laborais. Esta característica costuma ser muito desenvolvida nas mulheres.

Ressalta-se também que elas são disciplinadas por natureza, organizadas, compreendem melhor seus subordinados, trabalham melhor com suas dificuldades, são boas ouvintes e, ao mesmo tempo, sabem cobrar e ter uma postura firme.

Lembrem-se que não se está discutindo aqui a substituição de homens por mulheres, mas a sensibilização de homens e mulheres, ocupantes hoje de posições de decisão no setor de TI, que podem militar e fazer valer a valorização da presença feminina nas áreas de tecnologia, seja no mercado corporativo privado, sejam nos órgãos de governos e na academia.

Ivan de Oliveira, 

Professor e profissional de T.I.

Nutec tem novo presidente

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O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciências de Materiais da UFC, professor Lindberg Gonçalves, será o novo presidente da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec). Ele aceitou convite do secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, René Barreira.

O Nutec se constitui no braço de pesquisas do Estado, que mantém parceria com as universidades.

Lindberg Goçalves, nome dos mais respeitados na área tecnológica, deve assumir na próxima semana no lugar de João Pratagil.

Você já ouviu falar em mala sem alça? E túnel sem alça?

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Eis uma obra realizada pela gestão da prefeita Luizianne Lins (PT) que merece elogios: o túnel da avenida Humberto Monte (Bairro São Gerardo), projeto que integra o Transfor. Ficou ótimo e não sofre com a chuva. Quem passa por lá, comemora.

Mas como tudo da Prefeitura demora ou apresenta algum tipo de entrave, eis que as alças do túnel não ficaram prontas. Estão dependendo ainda de acordos com o Colégio Santa Isabel de um lado e com o Habbib”s do outro. Há expectativas de que tudo se resolva logo. Estamos na torcida.

(Fotos – Paulo MOska)

Uma senadora que não é "patricinha"

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O ex-deputado estadual Oman Carneiro manda para o Blog artigo em defesa da senadora Patrícia Saboya (PDT). Ela aparceu numa lista dos 21 senadores masi ausentes do plenário. Oman lembra que a atuação parlamentar vai muito além de discursos. Confira:

O Plenário, que devia ser o palco das grandes discussões sociais e constitucionais do País, por um jogo politiqueiro, tem se transformado numa arena teatral, num picadeiro, radicado por alguns parlamentares que usam a sua tribuna não em prol da legítima responsabilidade de suas funções; não como um fórum privilegiado na elaboração e aprimoramento das leis federais e da fiscalização das ações e gastos do Executivo, mas sim, para o traje de figurantes que se  aproveitam da propaganda gratuita para formular e enviar seus demagogos recados, via Tv Câmara e Senado,  aos eleitores das mais distantes comunidades, onde o acesso à informação é precário ou, simplesmente, inexiste.

A imprensa, às vezes,  tenta atingir  algum representante sem compromisso social, relacionando “ausência” à “não-produtividade” da atuação parlamentar, uma associação de palavras, que, em efeito, não se pode aplicar ao trabalho erguido pela Senadora Patrícia Saboya.

A atuação parlamentar não se restringe apenas no comparecimento ao Senado. Prova disso é que o Senador que cumula 100% de frequencia às sessões no Plenário, não tem um projeto de lei da máxima relevância ao melhoramento da vida das pessoas do seu Estado ou deste imenso País, ao contrário da Senadora Patrícia Saboya, que, durante o exercício de seu mandato na Casa, prestou uma das mais dignas e consolidadas contribuições para a população brasileira, tanto através de um projeto de lei que ela mesma conseguiu aprovar – a ampliação da licença-maternidade às trabalhadoras de empresas privadas, quanto por uma atuação que, desde o primeiro dia na delegação a esta representatividade pública, destacou-se dentre seus demais pares, por uma absoluta coerência entre discursos, requerimentos e propostas, com único aplicativo: a garantia de políticas públicas sociais para a infância e juventude, o que resultou ao firmado reconhecimento internacional, como o do UNICEF e de toda a sociedade brasileira.

É de fácil constatação que nos momentos em que ela não se permitiu a estar como figurante das muitas novelas que se improvisaram no Senado, esteve no Ceará e nos demais Estados, engajada na missão de combater o abuso, a exploração sexual e toda forma de violência contra mulheres, crianças e adolescentes no Brasil.

Entender essa diferença na relação entre presentes e ausentes, exige um confronto de dados entre números e qualidade das propostas apresentadas; no trabalho junto às comissões; no teor dos pronunciamentos e apartes durante as plenárias; no objeto de requerimentos protocolados e aprovados; nas matérias relatadas, para que se torne justo o destaque no enunciado “ausência parlamentar”.

Temos ainda, na relação dos que menos faltaram às sessões, parlamentares que, além de não ter prestado nenhuma contribuição aos seus estados, ao povo brasileiro e ao aprimoramento da atividade legislativa, quem não expresse, se quer, um considerável conceito da moralidade política ou administrativa.

Que se edifique a disciplina da frequencia e da qualidade dos debates ao uso dessas importantes tribunas, mas não através da referência de deputados federais e senadores que marcaram presença no Plenário, porém, com uma atitude parlamentar que não teve nada a acrescentar.

Oman Carneiro,

Ex-deputado estadual.