Blog do Eliomar

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Com 12% de intenções de votos, Marina diz que Datafolha rompe o plebiscito

“A pré-candidata à Presidência do PV, senadora Marina Silva, disse neste sábado, em Salvador, que o resultado da pesquisa Datafolha em que aparece com 12% da preferência do eleitorado indica que “a sociedade brasileira está se dispondo a romper o plebiscito” e, no lugar, fazer um processo.

“E um processo político é feito pelos debates, pelo desempenho de cada candidato em relação a seus projetos, suas propostas, o testemunho de vida e a trajetória de cada um.”

A senadora do PV ressaltou que a disputa eleitoral ainda está no começo e que “tem muita água pra rolar embaixo dessa ponte”. Segundo Marina, a sociedade brasileira está fazendo suas escolhas progressivamente, ao conhecer melhor os candidatos.

A pré-candidata verde estava em Salvador desde sexta-feira, para participar de vários eventos. Neste sábado, ela esteve presente no lançamento das pré-candidaturas de Luiz Bassuma ao governo do Estado e de Edson Duarte ao Senado.

No levantamento, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, atingiu sua melhor marca até hoje numa pesquisa Datafolha e está empatada com José Serra (PSDB). Ambos aparecem com 37%.

A pesquisa foi realizada ontem e anteontem com 2.660 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.”

(Folha Online)

Incêndio em galpão da Ceasa completa um ano amanhã. Cinzas persistem no lugar

Amanhã completa um ano que um incêndio destruiu um galpão da Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa), em Maracanaú, na Região Metropolitana. O espaço abrigava 20 lojas que vendiam cereais, materiais plásticos, enlatados e bombons e também tinha o corredor ocupado por pequenos comerciantes. Permissionários afirmam que somente na última sexta-feira (21) é que foi autorizada a licitação para a recuperação do local.

Lembram ainda que na época o então secretário de Desenvolvimento Agrário do Governo do Estado, Camilo de Santana, esteve no dia do incêndio em Maracanaú, ao lado do diretor-presidente da Ceasa, Reginaldo Moreira, quando ambos prometeram ações de ajuda aos permissionários que perderam tudo, além de agilidade na recuperação do prédio.

Por um gesto de solidariedade

Nathália Rocha da Silva (20) sofre de lupus, uma doença reumatológica auto-imune que compromete o funcionamento de todos os órgãos. A doença foi diagnosticada há cerca de 10 anos. De lá pra cá, foram muitas internações. Este ano, Nathália foi internada por duas vezes. Em janeiro, voltou pra casa após alta médica. Mas desde o dia 5 de março, ela está internada no HGF, onde faz tratamento, e embora esteja em condições de receber alta, não pode voltar pra casa.

Por conta uma insuficiência renal, Nathália precisa ser submetida a hemodiálise. O procedimento era feito através dos braços, mas devido a uma inflamação no local, a diálise passou a ser feita pela barriga(diálise peritonial). O procedimento é feito todos os dias e poderia ser feito em casa. O Instituto do Rim, conveniado ao SUS, será o responsável pelo tratamento domiciliar. Mas para que isso seja viabilizado, são feitas algumas exigências para evitar riscos de infecção, garantindo a segurança do procedimento para a paciente.

O problema é que onde Nathália mora, no bairro Jereissati II, em Maracanaú, as condições são precárias. Durante visita da médica Lysiane Ramos, foi constatado que as condições exigidas nem de longe são atendidas. O quarto deveria ter paredes  rebocadas e pintadas com tinta lavável, portas e janelas pintadas com tinta óleo, piso de cerâmica, teto forrado, pia com torneira de cano alto e um estabilizador para ligar a máquina. No entanto, a casa é pequena. O quarto, com piso de cimento batido, paredes com tijolo aparente, sem forro e sem boas instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias, ainda é dividido com outras duas pessoas.

Foi a partir dessa visita que a médica Lysiane com apoio da direção do Hospital Geral de Fortaleza, decidiu iniciar uma campanha para ajudar a reformar a casa da Nathália. Esta é uma chance dela poder voltar pra casa. A arquiteta Fernanda Ramos, irmã da médica Lysiane, voluntariamente fez o projeto de reforma. Já o engenheiro Alfredo Firmeza, transplantado renal, se sensibilizou com a situação da Nathália e vai ser o responsável também voluntariamente a acompanhar a obra.

Agora, Nathália conta com a solidariedade das pessoas para deixar o hospital, que também já realiza uma campanha interna para arrecadar recursos e viabilizar a tão esperada reforma. Hoje, Nathália está internada no leito de isolamento do 3º andar no Hospital Geral de Fortaleza e é acompanhada por médicos nefrologistas(rim) e reumatologistas.

COMO AJUDAR

Assessoria de Comunicação do HGF – 3101-7086

Gilda Barroso, jornalista – 9925-5762

Luisa Nascimento, jornalista – 9215-0216

Lysiane Ramos, médica residente do Setor de Reumatologia do HGF – 9998-6204

Sâmia, assistente social do Instituto do Rim (que será responsável

pela diálise em domicílio) – 3466-6200.

Fortaleza antiga – Igreja do Rosário

Praça General Tibúrcio – 1908
 
Nessa foto, podemos observar a Igreja do Rosário, considerada a mais antiga de Fortaleza. Do lado direito, vemos o Hotel Brasil e a parede próxima a uma palmeira dá com a parte dos fundos da Assembléia Legislativa, hoje Museu do Ceará. O bonde que aqui aparece possivelmente fazia a linha Outeiro (atual Aldeota), Praia de Iracema ou Prainha.
 
(Colaboração – Marcos Almeida)

Eleições 2010 serão decididas pela classe média, dizem analistas

“Pela primeira vez na história, a classe média brasileira chega a uma eleição como maioria no país. São 31,2 milhões de brasileiros que escalaram a pirâmide social desde 2002, engrossando as fileiras da chamada classe C. Miolo da sociedade, a classe média representa hoje 53,6% da população brasileira, ou 103 milhões de pessoas. São famílias que recebem de R$ 1.115 a R$ 4.807 por mês, segundo cálculos do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Se toda a classe C pudesse votar, e o fizesse em apenas um candidato a presidente, decidiria sozinha a eleição. A hipótese é improvável, mas poucos duvidam do papel de fiel da balança que essa fatia da população terá em outubro. De olho nos votos dessa nova classe média, PT e PSDB _partidos que governaram o país nos últimos 16 anos – já disputam a paternidade das mudanças. Qual será, contudo, o impacto nas urnas dessa transformação?”

* Do Portal G1, leia mais aqui.

Recado – Líder da prefeita diz que candidatura de José Pimentel é irreversível

A candidatura de José Pimentel é resultado de uma resolução do PT nacional e se configura como “ireversível”. Quem garante é o líder da prefeita de Fortaleza na Câmara Municipal, Acrísio Sena. A reação vem como resposta à possibilidade de o governador Cid Gomes não endossar Pimentel e fazer campanha apenas para o presidente regional do PMDB, deputado federal Eunício Oliveira. Há ainda a especulação de que Cid poderia dar apoio informa à reeleição do senador tucano Tasso Jereissati.

“Nós temos Pimentel como candidato ao Senado. O PT nacional decidiu e essa candidatura faz parte de uma estratégia política de aumentarmos nosso espaço no Senado, Casa que deu derrotas ao Governo Lula”, explica para o Blog o líder da prefeita.

Para tornar claro esse apoio, o PT estadual fará reunião nesta segunda=-feira com a militância quando vai reiterar José Pimentel como sua opção para o Senado. O encontro deve ter o comando da prefeita Luizianne Lins, que, por várias vezes, defendeu o nome do ex-ministro da Previdência Social na disputa.

O coordenador da bancada federal em Brasília,  José Nobre Guimarães (PT), endossa o que diz o líder da prefeita. Ele reiterou que “a candidatura do Pimentel é um compromisso partidário e é irreversível”.

Lei permitirá acesso às contas estaduais

“Está chegando a hora de qualquer cidadão ter acesso às contas do Governo.

A chamada Lei da Transparência, aprovada ano passado pelo Congresso, entrará em vigor a partir de 27 de maio próximo, um ano após ser publicada, como previa seu texto.

Qualquer pessoa poderá saber agora o que o Governo estadual não permitia nem aos deputados saberem.

(Blog do Lúcio Alcântara)

Preço das tvs LCD e de plasma cai em 4 anos

“O sonho de assistir aos jogos da Copa do Mundo numa TV fininha está mais acessível ao bolso do brasileiro. Desde a última Copa, em 2006, até hoje os preços desses televisores no varejo caíram mais de 70% e os prazos de pagamento oferecidos pelas lojas triplicaram, chegando a 30 meses. Recuo do dólar, evolução tecnológica, montagem dessas TVs no País e, sobretudo, aumento de produção explicam o barateamento do eletroeletrônico.

Quatro anos atrás, o preço mais frequente encontrado nas lojas de um televisor de 42 polegadas de Plasma ou com tela de cristal líquido (LCD, na sigla em inglês) era R$ 7.999, segundo pesquisa feita a pedido do jornal O Estado de S. Paulo pela empresa especializada em coleta de preços Shopping Brasil. O levantamento foi feito a partir de anúncios de 77 redes de lojas em jornais e encartes.

Hoje o preço mais frequente de um televisor de LED de 42 polegadas, aparelho com tela mais fina que as TVs de LCD tradicionais e com maior qualidade de cor, graças a mais de uma centena de LEDs (diodo emissor de luz) nas bordas, é R$ 2.799, de acordo com o levantamento feito em 84 redes varejistas. A queda é de 65%, sem descontar a inflação acumulada no período que foi de 21,12%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe.

A mesma pesquisa revela que o menor preço do equipamento anunciado quatro anos atrás era R$ 4.999. Atualmente a cotação mais baixa para essa TV é R$ 1.279, uma redução de 74,4%. De acordo com os dados, houve retração de 58,5% nos últimos quatro anos no maior preço de mercado encontrado para equipamento, de R$ 12.999 para R$ 5.399.”

(Agência Estado)

Câmara inicia semana pressionada pela PEC dos policiais

“Passada a aprovação do projeto ficha limpa no Senado, a Câmara inicia a semana com a missão de conter as pressões em torno da PEC 300, que cria o piso salarial provisório a policiais e bombeiros de R$ 3,5 mil e R$ 7 mil para praças e oficiais. Com isso, devem aumentar os salários em praticamente todos os estados. Na terça-feira (25), os líderes partidários se reúnem para definirem se a promessa de incluir a proposta em pauta e tratá-la como prioridade número um se confirma.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), chegou a firmar o compromisso que votação da proposta seria imediata após a aprovação do projeto ficha limpa na Casa, há exatos 12 dias. Mas as expectativas dos policiais e bombeiros que fazem vigília no Congresso não foram correspondidas na última semana. Temer justificou a falta de acordo para o adiamento, mas garantiu que não deixará a proposta “dormir no colo da presidência”.

Defensor da PEC 300, o deputado Major Fábio (DEM-PB) chegou a postar um vídeo em seu site no qual o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), previa que a matéria seria votada logo após a aprovação do ficha limpa. A pressão para a votação do piso para as forças de segurança promete ser ainda maior nos próximos dias. Embalados pelas promessas dos parlamentares simpatizantes à proposta e o otimismo da aprovação do ficha limpa, policiais e bombeiros já anteciparam que vão reforçar o coro na galeria do plenário.

Na última quinta-feira (20), as provocações  já eram mais fervorosas. Centenas de policiais e bombeiros entoaram palavras de ordem como: “Polícia também vota”, “Polícia unida, jamais será vencida”, “Ô Vaccarezza, cadê você, por causa disso ninguém vota no PT”. Para que o primeiro turno de votação da matéria seja concluído, deputados terão de analisar quatros destaques. Um deles pede a exclusão do valor do piso da categoria. Outro quer acabar com a obrigatoriedade de os reajustes serem aplicados, no máximo, após 180 dias da promulgação da emenda constitucional.

Os outros dois destaques questionam o complemento financeiro a ser dado pelo governo federal nos reajustes dos policiais e bombeiros. Sem esses recursos federais, diversos estados teriam dificuldade em adotar o aumento salarial da categoria contido na PEC. A PEC 300 teve seu texto-base aprovado no início de março deste ano. Depois disso, o governo chegou a cogitar a paralisação das votações de propostas de emenda à Constituição até as eleições de outubro. Porém, desistiu da idéia. ”

 (Congresso em Foco)

Serra e os projetos para o Brasil

Foto: MARCUS CAMPOS

Já passava de 1h15min da madrugada da última terça-feira, dia 18, quando o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, adentrou no lobby do hotel Gran Marquise, na Praia de Iracema.

No segundo dia de visita ao Ceará – a primeira depois que deixou o Governo de São Paulo para concorrer ao Palácio do Planalto – o tucano teve uma agenda tão intensa quanto a que cumprira no dia anterior, no corpo-a-corpo na região do Cariri.

Entre a calma aparente e um cansaço físico evidente, o ex-governador de São Paulo, depois de cumprimentar alguns que o aguardavam, conversou discreto e rapidamente com alguns assessores mais próximos. Pediu o barbeador elétrico, retirou o excesso de brilho do rosto e passou a atender à equipe da TV O POVO. Depois, seria a vez dos editores-adjuntos do Núcleo de Conjuntura do O POVO Erivaldo Carvalho e Kamila Fernandes, e o colunista Jocélio Leal, da Vertical S/A.

Poucas horas depois, no mesmo hotel, Serra proferiria palestra sobre desenvolvimento regional – evento promovido pelo Grupo de Comunicação O POVO. Alguns dos pontos foram antecipados nesta entrevista exclusiva, cujos melhores são publicados a seguir.

O POVO – A vinda do senhor ao Nordeste é para tentar encurtar a distância da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), forte na região?
José Serra & Na última pesquisa, aqui ela estava ligeiramente à frente. Um empate técnico. Não é uma estratégia regional. É uma estratégia nacional, presente em todas as partes.

O POVO – Como o senhor enxerga o papel do Banco do Nordeste no desenvolvimento da região?
Serra & O BNB é um instrumento importante de desenvolvimento, símbolo do Fundo Constitucional do Nordeste, que foi proposta minha, na Constituinte (1988), como relator. Então, eu me sinto ligado à história do BNB. Aliás, eu criei dois fundos no Brasil muito importantes. Um que alavancou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e outro que alavancou o BNB. O do BNDES foi o FAT. Não com esse batismo, mas foi uma proposta minha na Constituinte, para financiar o Seguro-Desemprego, que existia mas não saía do papel, porque dependia de recursos orçamentários.

O POVO – O BNB seria uma alavanca de desenvolvimento ou teríamos outros caminhos?
Serra – Não é a única, mas sem dúvida é a alavanca mais importante. Só no Ceará, este ano, o BNB investirá R$ 1,3 bilhão no orçamento de financiamento. E cerca de 8 bilhões para o Nordeste. É um recurso com taxas de juros menores, que chega a fundo perdido. Tem que prestar conta, mas não remunera.

O POVO – O BNB teria de se integrar dentro de uma política, como a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste)?
Serra – Hoje não se tem uma política de desenvolvimento regional no Brasil, principalmente no Nordeste.

O POVO – Mas foi o Fernando Henrique, que de certa forma fechou a Sudene. Como que o senhor vai tratar esse tema?
Serra – Mas o que aconteceu depois?

O POVO – Foi criada uma instituição, a Adene (Agência de Desenvolvimento do Nordeste), que também não levou adiante essa questão de projeto.
Serra – Então é como se tivesse fechado.

O POVO – O senhor vai tocar isso?
Serra – Quando o governo Fernando Henrique fechou a Sudene e a Sudam (Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia) tinha muitas denúncias de corrupção. Paramos para pensar. Na campanha de 2002, o Lula e o PT propuseram recriar a Sudene, para voltar aos dias de glória. Reabriu e não fez.Então ela continuou como se estivesse fechada. O fato é que nesses oito anos continua sem Sudene, embora a Sudene tenha sido recriada.

O POVO – E como é que o senhor vai fazer?
Serra – A Sudene tem que virar uma agência de desenvolvimento e planejamento, que é no que eu acredito. Tem que voltar a estar ligada à Presidência da República. Essa é a novidade. Originalmente, a Sudene era ligada à Presidência da República. Na época do economista Celso Furtado, de Juscelino (Kubitschek, presidente da República de 1956 a 1961) etc. Depois passou a ser de um ministério. Tudo nomeação política. Toda retalhada entre partidos políticos, que não era a origem da Sudene. Antigamente não era assim. Se fosse assim, o Celso Furtado, esse economista paraibano considerado por mim e por muitos o melhor economista brasileiro, ele não teria ido, porque ele não era ligado a partido nenhum. A sua diretoria não era ligado a partido, era independente. Não que seja um pecado. O que não dá para ser é você dar ao partido uma titularidade de um mandato que alguém vai ter em determinado ministério. Em determinada agência. Eu presidente isso não vai acontecer.

O POVO – Como seria o formato dos projetos de desenvolvimento?
Serra – Vocações, projetos, que é uma coisa fundamental e aí tem de ter uma parceria com o BNB. Porque em determinado momento passou a ter uma rivalidade entre BNB e Sudene. Sudene caracterizada como Pernambuco. BNB caracterizada como Ceará.

O POVO – Sobre os loteamentos politicos, dá para governar sem figuras como os presidentes José Sarney (Senado) e Michel Temer (Câmara dos Deputados)?
Serra – Como diria o Marcos Maciel, eu não estou fulanizando nada.

O POVO – Mas os cargos são personificados. Como é que faz?
Serra – Eu governei a capital de São Paulo, é uma cidade grande, tem 11 milhões de habitantes e o Estado, sem fazer loteamento, o que não impediu que eu tivesse um apoio amplo. Na Câmara eu não consegui ter maioria. Eu governei com minoria e deu para fazer as coisas. Na Assembleia Legislativa eu governei com ampla maioria. Sem que nenhum grupo de deputados ou partido indicassem diretor de empresa. Não houve nenhum caso.

O POVO – O senhor diz que esse loteamento é culpa é do presidente Lula, e depois diz que é do sistema.
Serra – Eu não estou falando que nem é do sistema nem que é do Lula. Estou dizendo que é do governo e da forma que a política está operando. Comigo isso não vai haver.

O POVO – A divisão de espaços no governo com aliados não é um mal necessário?
Serra – Não. Esse não é um mal necessário. Essa é uma visão muito pessimista, que se prevalecer na vida vai levar o Brasil a um caminho sem saída. Isso não significa que você não tenha gente que seja de partido, que tenha preferências políticas. Só que ele lá vai responder a quem escolheu, o prefeito, o governador, o presidente, que é responsável por isso. E não ao partido.

O POVO – O senhor defende que haja rigor técnico e menos influência política no governo, mas questiona a autonomia do Banco Central.
Serra – Não tem nada a ver uma coisa com a outra.

O POVO – No momento em que o senhor abre um precedente para a interferência do presidente nas decisões do Banco Central não haveria um risco?
Serra – Eu não abri nenhum precedente. Não há interferência nem proibição de interferência. Quem nomeia e demite os diretores do Banco Central é o presidente.

O POVO – Mas ele tem autonomia.
Serra – Autonomia operacional, como todo órgão tem. Mas não é independente.

O POVO – Na hipótese de o senhor chegar à Presidência, o PMDB, que esteve no governo Fernando Henrique e está no governo Lula, ficaria de fora?
Serra – O PMDB em São Paulo me apóia. Apenas as regras de relacionamento são diferentes.

O POVO – O PSDB ajudou a derrubar a CPMF lá no Senado.
Serra – Quem derrubou, basicamente, foi a base do governo.

O POVO – Mas não contou com o apoio do PSDB?
Serra – O governo federal tem maioria na Câmara e no Senado. Quem derrubou foi a maioria do governo. Os partidos da oposição podem ter votado contra, mas quem derrubou foi a maioria do governo. Mais ainda: quem propôs que a CPMF permanecesse, eu queria que ela permanecesse, mais ainda, vinculada à saúde, fui eu, e o governo aceitou. A proposta de aumentar a CPMF para aumentar os recursos para a saúde foi minha.

O POVO – O senhor eleito iria propor algo semelhante?
Serra – Qualquer coisa de imposto vai ter que ser feito no contexto da reforma tributária.

O POVO – Como o senhor vê a equação carga tributária versus níveis de investimento?
Serra – No Brasil se investe pouco não é porque não tem recurso. É porque se gasta mal e não se sabe investir. O Brasil é recordista em várias coisas. Tem a maior taxa de juros do mundo. Tem maior taxa de juros ao consumidor do mundo. Tem a maior taxa de juros do crédito consignado do mundo. Eu estou falando sempre em termos reais, descontada a inflação. Nisso o Brasil é campeão mundial de juros. É curioso que quem no passado acusava capital financeiro, monopolista, isso e aquilo, hoje defenda os juros mais altos do mundo.

O POVO – Um dos artifícios que estados como o Ceará e outros do Nordeste têm para atrair investimentos é guerra fiscal.Como o senhor imagina essa questão no desenho tributário ideal?
Serra – Eu acho que tem que procurar um caminho. Você tem o ICMS, do estado que produz e do que consome. São Paulo é o maior exportador do Brasil externamente. É o que tem maior diferença entre o que vende e o que compra. Os estados consumidores cobram o imposto. Então, quando uma empresa vem para cá ou para outro estado que vai fazer guerra fiscal, ele não cobra a parte dele no imposto. Então a empresa tem um preço menor, e ele não arrecada. Não é o ideal para ninguém.

O POVO – Aqui no Ceará há projetos que estão em compasso de espera há muito tempo. Desde o governo de Fernando Henrique. Alguns até antes. Siderúrgica, refinaria, transposição das águas do São Francisco e Transnordestina, entre outros.
Serra – Não é desde a época do Fernando Henrique. Fernando Henrique nunca prometeu nada. Foram apresentados à época.

O POVO – O Porto do Pecém também foi construído como uma justificativa para isso, inclusive. Outros projetos já estão com termos de compromissos assinados várias vezes e não saiu do papel.

O POVO – Qual a garantia que o senhor dá para, se presidente, esses empreendimentos saírem.
Serra –
A Transnordestina está no começo do começo do começo do começo. Agora, qual é a garantia que eu dou de que esses projetos sairão do papel? A minha biografia. Todos os projetos que foram concluídos no Ceará eu estive por trás. Porto do Pecém. Eu era ministro do Planejamento e Orçamento. O Tasso Jereissati governador, me procurou e apoiei e coloquei dinheiro lá. No orçamento e no outro ano. Eu fiquei um ano e meio, mais ou menos, e trabalhei nos dois orçamentos. Nós revisamos o orçamento do governo anterior. Então, eu estive na origem do Porto do Pecém. Castanhão. Um reservatório importantíssimo. Gigante. O Tasso também me procurou e pusemos recursos para tocar o Castanhão. Pró-Água, muitas obras importantes em todo o Ceará e o Nordeste, fui eu que negociei com o Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Eu negociei com os dois, de maneira que não houvesse contrapartida local. Isso atrapalha muito, porque você chega lá e tem que ter dinheiro. O BID deu a contrapartida do Banco Mundial e o Banco Mundial deu a contrapartida do BID. Metrô de Fortaleza. Começou conosco. Eu articulei tudo. Eu fui a um banco no Japão, que foi quem financiou, e o Tasso foi para assinar. Numa solenidade. Por quê? Porque eu acho que metrô é uma prioridade. É crucial. Acho que toda cidade acima de quinhentos mil habitantes deve ter um metrô. Porque sai mais barato. Em São Paulo, por exemplo, teve um trecho do metrô de 4,2 quilômetros & a linha 2, Ipiranga-Vila Prudente, que saiu por 2 bilhões. É muito caro. Então você tem que fazer tudo túnel. Então, quanto menor a cidade, mais barato é. Então você tem que fazer para prevenir problema no futuro.Então veio o Metrô de Fortaleza, eu presumo que já funcione alguma coisa…

O POVO –
Não.
Serra – Pelo menos já tem muitos quilômetros por aí encaminhados. Então, de toda maneira, eu tive no começo disso. Não coube a mim dar continuidade, mas o metrô nasceu aí. Outro projeto, Aeroporto de Fortaleza. Tinha o Prodetur, um programa com o Bird, pró-turismo no Nordeste. Exigia que o Governo Federal tomasse a metade, e a outra metade era dos governadores. Eles não tinham dinheiro, então ficou tudo parado. Eu botei o BNDES para financiar os governos. O Prodetur andou e fizemos o Aeroporto de Fortaleza, que precisa ser ampliado. Então, se você pegar quatro grandes obras, eu estive por trás delas.

O POVO – O projeto de transposição das águas do rio São Francisco seria tocado pelo senhor, na hipótese de chegar à Presidência?
Serra – Quem começou a transposição foi o governo anterior, que deflagrou a discussão e a elaboração do projeto. Agora, passaram-se oito anos e a obra ainda está no começo. No Ceará, não tem uma pedra movida, segundo me disseram.

O POVO – Houve muitos problemas ambientais e os projetos de revitalização.
Serra – Claro. A vida tem tudo isso. Eu apenas estou dizendo que não andou. É a mesma coisa da Transnordestina. Na minha campanha de 2002, eu propunha a Transnordestina. Na época do Fernando Henrique, tinha proposta para lá e para cá. Em 2006, eu não fui candidato, e foi proposta pelo PT. E, desde então, não se gastou mais do que dois ou três por cento do orçamento previsto. Ou seja, é um ano eleitoral. Na verdade, é só um efeito espuma, porque você deixa passar oito anos e deixa para o final. Por que não começou antes?

O POVO – Os cearenses podem confiar em uma eventual continuidade desses projetos?
Serra – Então, olhando o que eu fiz, do ponto de vista do Ceará, as pessoas podem confiar que será feito mais adiante. A Transnordestina não é projeto desse governo. É projeto que vem de antes. A transposição também. Então, isso tudo tem que fazer acontecer. O problema no Brasil é fazer as coisas acontecerem. Por outro lado, no meu estado, eu não desativei nada, na prefeitura da capital, que a prefeita tinha feito certo. Agora, túneis no Jardins que terminam debaixo de um semáforo? É o único túnel do mundo que você sai debaixo de um farol de trânsito. Não e coisa de cem metros. É na boca do túnel. Evidentemente que eu não iria continuar um projeto dessa natureza. Mas o resto eu toquei e nós fizemos. Nós fizemos mais pavimentação do que muitas prefeituras anteriores juntas. O Rodoanel, que custou mais de R$ 5 bilhões, eu comecei e terminei em três anos. Tinha participação federal, de 24%, mas nós fizemos acontecer. Problemas com o TCU (Tribunal de Contas da União), Meio Ambiente, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado, você tem que encarar com firmeza e antecipação. Não adianta você ir atropelando porque chega no final eles paralisam. No Rodoanel, eu era prefeito da Capital. Quem fez as exigências ambientais fui eu. Custou R$ 500 milhões, dez por cento da obra. Mas valeu a pena. Então, o que a gente faz? Procura todos os órgãos antes.

O POVO – A Lei das Licitações é tida como a grande vilã dos ritmos de obras públicas. É essa a avaliação do senhor também?
Serra – Claro. Quando o cearense Luiz Roberto Pontecismou de fazer a lei, para consertar tudo. Eu disse a ele “Ponte, você não vai conseguir, e vai ficar pior“. É como você chegar à margem de um rio. Eu olho a outra margem e acho que dá para atravessar. Eu descrevo direitinho como é que chega lá, mas a correnteza pode me levar. De fato, eu acho que piorou. Quando eu era do Ministério da Saúde, fomos fazer uma licitação para camisinha. Os chineses estavam reclamando que as camisinhas deles eram mais baratas. Os grandes jornais e revistas disseram que estávamos pagando mais. Eu mandei suspender para olhar. Aí me disseram que a camisinha chinesa não presta. Mas é a lei 8.666/2003. A lei que vale para pavimentar uma rua vale para comprar camisinha. Não tem nada a ver.

O POVO – Sobre o deputado federal Ciro Gomes. Aqui e em todo o Brasil, onde ele faz política, ele costuma atribuir ao senhor fabricação de dossiê e armadinhas políticas etc. O que o senhor pensa sobre tudo isso?
Serra – A minha única familiaridade com dossiê é ter sido vítima de pelo menos dois. Aquele dossiê Cayman, fajuto, inventado, que ficou dois anos na imprensa, em alguns jornais, você sabe onde, como se fosse verdade. E depois o dossiê dos aloprados, que era dirigido contra mim. Uma coisa forjada, feita pelo PT. Eu não tenho vocação para ficar xeretar a vida alheia. E acho que você não ganha eleição com isso. Lamento que o Ciro tenha uma visão equivocada. Pessoalmente, eu nunca tive nada contra o Ciro. Começamos como aliados dentro do PSDB, um ano depois de o PSDB ter sido fundado. O Tasso e ele. O Ciro e o Tasso me apoiavam para ser líder da minha bancada. São problemas subjetivos, que foram se desdobrando contra a minha vontade. Pessoalmente, não tenho nada contra o Ciro. Considero-o, na vida pública, um homem honesto, tem boas intenções com relação ao nosso País.

O POVO – Já é definitivo o senhor não contar com um palanque aqui, no Ceará?
Serra – Não é definitivo nem provisório. Eu vou me orientar aqui pela nossa aliança, que tem o DEM e o PSDB juntos. Não vou meter o bico porque não conheço o suficiente e eu sou de fora. Eu não meto o bico nem em São Paulo. Porque eu tenho necessidade de fazer uma campanha nacional. Eu tenho uma preocupação agora global. Eu não posso me envolver em questões locais. Não que elas não sejam importantes. Mas porque elas dificultam as questões nacionais, e eu quero fazer um governo de união no Brasil.

O POVO – Qual seria a marca de um governo do senhor?
Serra – Seria a marca de um Brasil unido. Um Brasil como um todo, abrindo oportunidades para o futuro. Isso é que é fundamental. O tripé mais importante na área de qualquer governo é saúde, educação e segurança. Mais ainda.Um governo voltado para os carentes, trabalhadores e deficientes físicos.

* Confira a íntegra da entrevista com o pré-candidato José Serra em www.conteudoextra.com.br

 

Dilma cresce em todas as faixas e regiões, segundo Datafolha

“O crescimento que levou Dilma Rousseff (PT) a empatar com José Serra (PSDB) em 37% na pesquisa Datafolha se deu em quase todos os grupos de eleitores e em todas as regiões do país em pouco mais de 30 dias. Há uma outra novidade na pesquisa. Agora, Dilma abriu larga vantagem sobre Serra quando se trata de disputar voto entre os eleitores que aprovam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em março, quando o presidente tinha 76% de aprovação no Datafolha, Dilma e Serra registravam 36% de intenção de voto cada um entre esses eleitores pró-Lula. No levantamento deste mês, a história é outra. Lula repetiu os 76% de aprovação de março, mas Dilma passou a ter 45% entre esses eleitores -nove pontos a mais do que tinha em março.

Já Serra recuou para 32% nesse grupo -ficando 13 pontos atrás da petista. A pré-candidata Marina Silva (PV) tem 10% de intenção de voto no universo pró-Lula. Outro fato relevante que sustenta a alta de Dilma na pesquisa realizada nos dias 20 e 21 deste mês é ela ter melhorado seu desempenho em todas as regiões do país. A postulante do PT ao Planalto elevou suas taxas de intenção de voto de 7 a 9 pontos, dependendo da região.

No Sudeste, onde estão 44% dos eleitores brasileiros, Dilma está com 33% e perde para Serra, cuja taxa é de 40%. Mas no mês passado, o tucano vencia por 45% a 26% -a diferença encolheu de 19 para 7 pontos. Em todas as outras regiões, Dilma está à frente ou empatada com Serra. No Sul, a petista subiu nove pontos e foi a 35% das intenções. O tucano caiu dez pontos desde abril e está com 38%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, eles estão empatados.

No Nordeste, onde Lula é aprovado por 85%, Dilma registrou 44% das intenções de voto -alta de sete pontos. Essa foi a única região do país na qual Serra não perdeu votos: manteve seus 33%. Uma explicação possível são as viagens que o tucano fez a Estados como Bahia e Ceará nas últimas semanas. No Norte e no Centro-Oeste, regiões agrupadas pelo Datafolha, Dilma registra 40% das intenções de voto (mais nove pontos) contra 34% de Serra (menos oito).

No universo de eleitores mais pobres, com renda familiar mensal de até dois salários mínimos (R$ 1.020), Dilma teve uma alta de sete pontos percentuais, saindo de 29% em abril para os 37%. No mesmo período,Serra desceu de 42% para 37%. Esse grupo de eleitores de renda mais baixa representa 51% do universo total dos que votam no país. É também onde estão os de mais baixa escolaridade e com menos informação -inclusive sobre o processo eleitoral.

Dilma sempre perdeu para Serra nesse segmento. Agora, pela primeira vez, eles aparecem empatados. A candidata do PT ainda perde para Serra entre as mulheres, o eleitorado em que tem mais rejeição. Nesse segmento, o tucano tem 38%, e ela, 33%. Entre os homens, Dilma lidera, por 42% a 36%.”

(Blog Fernando Rodrigues)

Lula vai à festa do Bicentenário da Argentina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos chefes de Estado convidados para participar da principal cerimônia, um jantar no Salão Branco da Casa Rosada, sede do governo argentino, em comemoração ao Bicentenário da República Argentina. As festividades foram abertas na última sexta-feira pela presidente Cristina Kirshner. Os presidentes Evo Morales, da Bolívia; Fernando Lugo; do Paraguai;  José Mujica, do Uruguai; e Sebastián Piñera, do Chile, já confirmaram presença no jantar.

De acordo com o secretário-geral da Presidência argentina, Oscar Parrilli, o jantar será “um ato institucional” com a presença de convidados dos partidos da situação e da oposição, empresários, cientistas, intelectuais, jornalistas, trabalhadores, reitores de universidades, esportistas, artistas e representantes de diversos cultos religiosos.”

(Com Agências)

A prefeita e a novela do estaleiro

Hora da decisão – sem fundir a cuca.

A prefeita Luizianne Lins reúne, nesta segunda-feira, às 11 horas, no Paço Municipal, os secretários municipais Luciano Feijão (Infraestrutura) e Alfredo Pessoa (Planejamento), além do Coordenador de Planejamento da Sepla, José Meneleu, e o presidente do IAB no Ceará, Odilo Almeida. Na pauta, nova avaliação sobre o projeto estaleiro que chamou agora as atenções do Governo de Alagoas.

O grupo esteve no Porto do Pecém avaliando possível local para o empreendimento, enquanto a prefeita até visitou o estaleiro Atlântico Sul, do Grupo Promar, no Porto de Suape, em Pernambuco. Tudo para embasar melhor decisão que acabou em suas mãos, depois que ela fincou pé contra o estaleiro na praia do Titanzinho, como queria o governador Cid Gomes (PSB).

Que essa novela termine. Torcemos nós e toda a torcida do Flamengo. Ou melhor, do Ferroviário, o time da preferência da prefeita.

Dissidentes do PV anunciam apoio a Dilma

“Dissidentes do PV realizaram hoje, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o primeiro encontro nacional do partido político em formação – batizado de Livre (Liberdade, Igualdade, Verdade, Responsabilidade e Educação). O grupo político, que reúne também ex-militantes de outros partidos de esquerda, ratificou na convenção a declaração de apoio à presidenciável petista, Dilma Rousseff. De acordo com Anderson Pomar, ex-integrante do PV, durante o encontro, Dilma ligou para agradecer à manifestação de apoio.

Os dissidentes deixaram o PV no fim do ano passado descontentes com os novos rumos da sigla após a filiação da pré-candidata à Presidência Marina Silva e seu grupo. Eles criticam o abandono pelo partido de “bandeiras libertárias”, como a descriminalização da maconha, a legalização do aborto e a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Durante o encontro, foram aprovados o estatuto, uma executiva nacional e um manifesto da futura agremiação. O grupo contabiliza cerca de 100 mil assinaturas para o registro do novo partido junto ao Tribunal Superior Eleitoral.”

(Agência Estado)

Eleições 2010 – Gato por lebre?

 
Eis artigo do professor Antonio Mourão Cavalcante. Intitulasdo “Gato por lebre”, ele analisa a disputa eleitoral que, em termos de disputa presidencial, ainda não empolga. Confira:
As eleições deste ano trazem uma contradição muito esquisita e que deve ser interpretada com preocupação. O eixo central dos pleitos que se avizinham não está se situando na escolha para presidente, mas nas disputas regionais. Estas conseguem mais mobilização.

O palanque nacional parece esvaziado. Não consegue empolgar e suplantar as disputas estaduais. Falta uma linguagem nacional. As candidaturas a presidente se constroem aqui de cor e jeito, ali de outra forma e nuance. Formam-se autênticas colchas de retalhos. É a própria ideia de unidade nacional para a governabilidade que está em jogo. E isso é grave.

Haja chantagem!

Duas hipóteses podem justificar esse clima. Primeira: esquecemos que as eleições são previstas para dois turnos. Isso deveria significar, no primeiro momento, a demonstração de força de cada agremiação partidária. E, no segundo, a negociação política de um programa de governo feita às claras, aos olhos da nação. Transparente.

Os partidos políticos estão totalmente desfigurados e a reboque de interesses pessoais. Tem donos. Não conseguem viabilizar uma mínima coerência nacional. O oportunismo partidário tenta afunilar o processo, transformando-o em um arranjo plebiscitário: uma disputa centrada em dois polos siameses, o partido azul versus o partido encarnado, sendo os dois peças de uma mesma quermesse paroquial.

Segunda: os marqueteiros estão pasteurizando os candidatos. Eles só falam, só pensam, só criticam ou elogiam aquilo que diretamente traga dividendos eleitorais. Virou um jogo pragmático doentio: feio é perder. Tudo é maquilado. Haja rouge – desculpe, hoje é blush & e, batom.

Sinceramente, você já conseguiu descobrir diferenças essenciais entre Serra e Dilma? Estamos perdendo uma oportunidade de discutir os rumos do Brasil. Crescer para aonde? Para quem? Como? Tomara que esse debate, sem máscaras, ocorra antes de as urnas serem abertas e a gente não venha a comprar gato por lebre.

Antonio Mourão Cavalcante é médico, professor, antropólogo e nosso colega de Blog no POVO Online.

Datafolha – Cientistas políticos dizem que números já eram esperados

“A pesquisa divulgada neste sábado pelo Instituto Datafolha e publicada pela Folha de S. Paulo apontou que Dilma Roussef, pré-candidata do PT, alcançou, pela primeira vez na análise, o candidato José Serra, do PSDB. Os dois estão empatados com 37% das intenções de votos. Segundo cientistas e historiadores políticos consultados pelo iG, ainda é cedo para indicar um favorito ao cargo de presidente do País e somente depois da Copa do Mundo os resultados estarão mais claros.

“Daqui a 45 dias vamos ter um resultado mais preciso. As atenções dos brasileiros, neste momento, estão voltadas para o mundial de futebol e, como somos uma pátria de chuteiras, a maioria não está prestando atenção nas ações feitas pelos candidatos”, afirmou Marco Antonio Villa, historiador político. O programa do PT, veiculado na última semana na TV, contribuiu bastante para a alavancada da Dilma sobre o Serra, diz Villa. “Mas não podemos esquecer que estamos falando de uma candidata que está diretamente ligada a um dos presidentes mais populares que o Brasil já teve. No entanto, a estratégia do Serra de criar alianças estatuais também vai fortalecer bastante a sua candidatura”, completou o historiador.

Segundo o cientista político, professor de ética e filosofia da Unicamp Roberto Romano, os números do Datafolha já eram esperados e daqui para frente a disputa estará cada vez mais acirrada. “Tudo vai depender das estratégias adotadas por cada um em suas campanhas eleitorais.”As campanhasdos dois partidos começaram no final do ano passado, mas, para Romano, até o momento, elas não estão alinhadas com o que ele classifica de correta. “Não vejo nenhum discurso apontando soluções para problemas que de fato precisam de atenção, como a reforma tributária e política. Os partidos precisam deixar suas ideologias radicais de lado e discutir o que realmente interessa”, afirmou o professor.

O professor de Ciência Política da PUC-SP Cláudio Gonçalves Couto também acredita que a postura de cada candidato durante a campanha eleitoral vai fazer toda a diferença no resultado das próximas pesquisas, mas vê um cenário mais favorável à candidata do PT, por conta da popularidade do presidente Lula e o bom cenário econômico que o Brasil vive no momento. “Vamos aguardar o começo do horário eleitoral gratuito, a partir de agosto, para chegarmos a uma conclusão mais completa”.Há uma semana, a Vox Populi, pesquisa encomendada pela Rede Bandeirantes, mostrou pela primeira vez Dilma à frente de Serra. A candidata do PT apareceu com 38% das intenções de votos, contra 35% do tucano.”

(Portal IG)

Motoristas decidem fazer paradas-surpresa até 5ª feira

“Os motoristas de ônibus da Capital decidiram, em assembleia da categoria nesta manhã, que vão realizar paradas de cerca de uma hora a partir desde sábado até quinta-feira próxima, segundo o integrante da direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), Tobias de Oliveira. Segundo ele, a categoria não está satisfeita com a proposta de 4,5% de reajuste salarial apresentada nesta sexta-feira pelo sindicato patronal.

As paradas não têm dia, hora ou local definidos, conforme o sindicalista, e são para realizar assembleias, em que os trabalhadores vão discutir o movimento e divulgar a campanha salarial entre todos os motoristas.

Neste sábado, houve uma destas paradas de meio-dia a 13h da tarde, segundo o sindicato. Mas usuários que estavam no terminal da Parangaba durante o movimento informaram à reportagem do O POVO que estavam à espera de ônibus há mais de duas horas. No fim desta manhã, os motoristas pararam os ônibus que se dirigiam a terminais como o da Parangaba e chegaram a impedir a entrada e saída de veículos no local. A avenida Dedé Brasil, que dá acesso ao terminal, ficou bastante congestionada.

Negociação

Por meio da assessoria de imprensa, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) disse estar surpreso com ação dos motoristas já que até a rodada desta sexta havia clima de tranquilidade na negociação da convenção coletiva de trabalho 2010/2011, que inclui a discussão sobre o reajuste salarial.

Os motoristas pedem aumento de 45,37% sobre o salário base (hoje de R$ 1.102,17), com a intenção de recuperar o poder de compra que a categoria detinha em 1999 (de 4,71 Salários Mínimos), mas os empresários ofereceram 4,5% na terceira rodada de negociação da convenção que ocorreu nesta sexta-feira pela manhã. Há reuniões sobre a convenção desde o último dia 7 na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). ”

(O POVO Online)