Baderna na UFC – Hora de cortar o mal pela raiz

Com o título “Baderneiros, não!”, a professora e jornalista Adísia Sá assina artigo no O POVO desta terça-feira. Ela lamenta a ação de um grupo de estudantes que, protestando contra 12,5% de vagas na chamada Lei de Cotas, promoveu quebradeira na Reitoria da UFC. Confira:

Lamentável, sob todos os aspectos, o comportamento de alguns indivíduos se dizendo secundaristas, invadindo a Reitoria da Universidade Federal do Ceará, na semana próxima passada. Gritando palavras de ordem, arrombaram portas, janelas, quebraram mesas,computadores e lixeiras, jogaram documentos no chão, tudo em nome do que diziam ser direito a vagas… via cotas para estudantes com renda familiar igual ou inferior a 1.5 salário mínimo, por serem pobres.

Esse quadro começa com a chamada reserva das cotas: 12,5% das vagas em cada curso serão para estudantes de escola pública. Ora, isso desnuda um quadro absolutamente inaceitável ou seja, jovens oriundos de escola pública são menos intelectualmente preparados e necessitam, por isso, de vagas garantidas pela Universidade. Grande e inaceitável equívoco: Universidade não é para pobres,ricos, pretos, brancos, pardos, índios- respeitando a divisão por raça no Ceará. A palavra raça é absolutamente aceitável. Tal procedimento , antes de igualar, diferencia os estudantes: Universidade é para os intelectualmente qualificados, venham de onde vier.

Aceite a Universidade a divisão e estará introjetando nos jovens a concepção de que só estão ali por força das diferenças. Isso é brutalmente injusto, inaceitável.

Na Universidade é inaceitável distância entre ricos e pobres, pretos e brancos, pardos e índios. Universidade é casa onde a igualdade é a sua marca , o seu sinal, a sua finalidade.

Esse procedimento- apontado como a melhor forma de beneficiar os estudantes pobres- é discriminatório, reacionário, injusto: criando um fosso intransponível entre colegas nos bancos escolares.

Mas, voltemos ao comportamento de jovens que invadiram a Reitoria: há que se impor rigorosas punições aos que assim procederam, cortando, digamos, o mal pela raiz. Se antes de serem da Universidade, agem dessa condenável maneira, de que serão capazes, quando fazendo parte de seus quadros acadêmicos?

É bom frisar que os estudantes têm assento nos colegiados da Universidade, onde levam as suas manifestações livremente, defendendo-as e, quando necessário, opondo-se a propostas consideradas lesivas aos interesses e direitos dos alunos, independentemente de quem as apresenta.

Os lamentáveis incidentes de quarta-feira, 31 de outubro não podem passar impunes.

Adísia Sá

adisiasa@gmail.com

Jornalista.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

4 comentários sobre “Baderna na UFC – Hora de cortar o mal pela raiz

  1. Querida Jornalista,
    Acredito que seu artigo, está um pouco fora de contexto, pois o Governo Federal quando criou a Lei de Cotas deixou claro que está falhando na contribuição a sociedade, mas buscou melhorar essa falha deixando vagas de Universidade Pública para alunos de escola pública, que a maioria dos alunos de escola particulares podem pagar universidade particular. Você concorda! Acredito com a maior certeza que o argumento de Reitor é que alunos de escola pública vão baixar o nível da UFC, agora sim você pode falar em preconceito, pois não existe nenhuma pesquisa comprovada que alunos de escola pública baixam o nível de universidade, pois QI não se mede por berço e sim pela quantidade de aprendizagem, sou professor de escola pública e tenho certeza que meus alunos são pessoas altamente capazes de acompanhar qualquer curso universitário só não tiveram foi oportunidade. Assim peço a este reitor que cumpra a legislação federal, pois é ele que não tem bom censo.

  2. Brilhante professor,de escola pública,Christian Gama,acredito que o essencial para o aluno alcançar a universidade,não importando a raça,cor ou condições financeiras e/ou sociais,basta ter estudo,inteligência e dedicação.Mas,acima de tudo,caberá,sim,ao Reitor,ter bom SENSO,e não bom CENSO,como escrito pelo ilustre professor de escola pública.

  3. Concordo plenamente com a brilhante Adísia Sá. Considero um fracasso total o governo do PT querer corrigir o péssimo ensino público com vagas cativas na Universidade. Se não estou enganado, a UNB ou UFRJ já tem dados a respeito do grande número de reprovações e avasões de alunos oriundos do sistema de cotas.

  4. Baderna era o termo usado pela ditadura contra os estudantes que lutaram contra ela. A professora retoma o mesmo termo e seu conceito. Ela nao nega sua raiz.

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