Barracas da Praia do Futuro – Uma questão também cultural

Eis artigo do jornalista Magela Lima intitulado “O Futuro da Praia do Futuro”. Ele aborda a polêmica decisão da Justiça Federal de mandar retirar todas as barracas de praia dessa banda da orla fortalezense. Confira:

Há quem tenha se acostumado a pensar e entender a Geografia como uma área do conhecimento interessada essencialmente por mapas, números, composições de solo, relevo, questões climáticas e afins. Há, no entanto, uma Geografia quietinha, discreta, focada, sobretudo, em conceitos de ordem cultural, que se avivou muito claramente, para mim, ao logo da última semana a partir da polêmica em torno das barracas da Praia do Futuro.

A decisão do juiz José Vidal Silva Neto determinando a retirada das 154 barracas que ocupam a faixa de praia não mexe só com os espaços físico, territorial e público de Fortaleza. Mexe, decisivamente, com o espaço cultural dessa cidade que, por vezes, teima em não querer ter cultura.

Foi ler as notícias nos jornais para que me viesse à lembrança a discussão da francesa Nelly Richard sobre o valor simbólico que a experiência cotidiana imprime aos espaços.

Em resumo, ela discrimina duas possibilidades de compreensão. Diz que place (lugar) é um território desprovido de sentido; e que space (espaço), ao contrário, é aquele em que, com o tempo, fica impregnado de valores. Eis aí a questão-chave para se debater o futuro da Praia do Futuro. Não se trata de pensar as barracas como um índice do excesso e do desrespeito ao uso do espaço, em tese, público. Elas são mais. Embora irregulares, elas são a cara de Fortaleza, nosso cartão-postal, nosso Cristo Redentor.

Claro, onde não há regras, impera o reino da esperteza. Há, sim, empresários ali mal intencionados, que construíram verdadeiros castelos numa terra que julgavam ser de ninguém. Enganaram-se. A Praia do Futuro tanto é uma faixa territorial pertencente à União, como é também um patrimônio de Fortaleza. E, como tal, deve ser tratada. A legalidade, acredito, é plenamente possível sem que se ponham a baixo as nossas barracas. Sobretudo, se cada um e todos dessa cidade compreenderem o sentido do que é “nosso”.

Magela Lima – Editor-executivo (interino) do Núcleo de Cultura e Entretenimento

magela@opovo.com.br

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

3 comentários sobre “Barracas da Praia do Futuro – Uma questão também cultural

  1. VEJO QUE EXISTEM SOLUÇOES CONCRETAS PARA O FUTURO DAS NOSSAS PRAIAS, EM PRIMEIRO LUGAR É CLARO O MEIO AMBIENTE, OS BARRAQUEIROS PODEM MUDAR ESSE PARADIGMA E ENSINAR AOS SEUS USÁRIOS QUE NÃO POLUAM AS PRAIAS, FAZENDO UMA COLETA SELETIVA DO LIXO E FISCALIZANDO “TODO MUNDO SE FICALIZANDO”,AS DEZENAS DE ESGOTOS QUE CAEM NA PRAIA É SURTO ….
    MAS VOLTANDO AO ESPAÇO FISICO QUE É DA UNIAO, MUITA GENTE TRABALHA NAQUELAS BARRACAS:GARÇONS, COZINHEIROS,SEGURANÇAS, VENDEDORES, MUSICOS….
    SOU A FAVOR DE UM ACORDO QUE OS BARRAQUEIROS PAGUEM UMA ESPECIE DE ALUGUEL A UNIAO E SE COMPROMETA DE NAO POLUIR A PRAIA JUNTO DE SEUS CLIENTES.COM ESSE ACORDO O TURISMO NAO CAI E OS EMPREGOS TAMBEM.OBG , ESSA É A MINHA OPINIAO DE ACORDO.

  2. A praia do futuro é da União ” a faixa de praias” e a União é da população brasileira portanto de todos, quem já teve o prazer de conhecer outras prais do litoral do Nordeste pode confirmar.

    Somente em Fortaleza tem uma infra instrutura democrática e que só paga o que consome e com mordomia.

    Organizar sim, derrubar jamais. Bom senso é bom para todos.

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