Cabuloso demais

Em artigo no O POVO deste sábado (31), o médico, antropólogo e professor universitário Antônio Mourão Cavalcante lembra que luta pela implantação do piso salarial dos professores se arrasta por quase 30 anos. Confira:

Há quase 30 anos, um grupo de professores da Universidades Estaduais do Ceará luta, judicialmente, pela implantação do piso salarial, conquistado ainda no longínquo governo de Gonzaga Mota. Enquanto candidato ao governo em 1986, Tasso prometeu que manteria a deliberação. Foi compromisso de campanha. Poucos meses depois, empossado, suspendeu o benefício.

Quem achar ruim vá buscar seus direitos na Justiça. Era essa a recomendação daquele governo e foi o que aconteceu. E esse caminho durou mais de um quarto de século. O processo, cada vez mais volumoso, percorreu todas as instâncias da Justiça do Trabalho. Aliás, foi até o Supremo Tribunal Federal (STF), pois o Governo do Estado argumentava não ser uma questão trabalhista (?!).

Ganhamos em todas as instâncias. Sempre. Virou fato transitado em julgado em todas as instâncias: local, regional, federal, super federal, escambau! Por fim, na última e mais recente decisão do STF, os autos do tal processo, foram devolvidos para que a 4ª Vara do Trabalho de Fortaleza executasse a sentença. A Corregedoria do TRT-7ª Região designou um juiz substituto, Dr. Carlos Leonardo Teixeira Carneiro, para proceder aos encaminhamentos formais. Execução.

Bomba! O que fez o insigne magistrado? Emitiu sentença contradizendo tudo que já fora julgado, afirmando que o processo estava cheio de vícios e que, por isso, o direito dos professores deveria ser reavaliado. E o Governo deveria calcular para saber se o que havíamos recebido anteriormente, por meio de bloqueios em contas bancárias do Estado não teria excedido o nosso direito. Se sim, deveríamos devolver… Queda e coice! Concretamente o doutor juiz extrapola sua função – nem nos escuta! – refaz sentenças superiores e ainda ameaça descontar o que ele bem arbitrar.

De nossa parte – professores perseguidos, desrespeitados, tratados como bandidos –, nós não desistiremos de lutar pelos nossos direitos e a clamar por justiça. Dr. juiz, saiba que “estamos velhos, mas não somos velhacos”.

Parece que deu a louca no Judiciário. Ainda devemos crer na Justiça de nosso país?

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

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