Arquivos da categoria: Opinião

Quais serão as consequências da greve?

Editorial do O POVO deste sábado (29) avalia as consequências das manifestações dessa sexta-feira. Confira:

Concordando-se com a greve geral ou discordando-se dela, decretada pelas nove centrais sindicais brasileiras, é preciso reconhecer que a mobilização causou impacto no governo de Michel Temer e terá repercussão entre os parlamentares encarregados de votar as reformas da Previdência e trabalhista. Porém, ainda é preciso esperar para ver se o protesto acarretará estragos de monta na política governamental ou se foi apenas um tropeço superável.

O protesto conseguiu unificar centrais com posições mais próximas do governo, como a Força Sindical, com as que fazem oposição. Teve também o apoio explícito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organização da Igreja Católica, e de algumas denominações protestantes, mostrando que o movimento alcançou setores para além da área sindical.

Mas, de pronto, é preciso repudiar a atitude de grevistas que fizeram barricadas, incendiaram pneus, depredaram ônibus ou usaram da violência para impedir que pessoas que não aderiram à greve pudessem chegar ao trabalho. Atitudes que, além de ilegais, atentam contra o próprio movimento, pois desperta a antipatia de amplos setores sociais.

Antes da paralisação, o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, divulgou nota afirmando ser a greve “um direito fundamental” do trabalhador. O representante do Ministério Público do Trabalho também considerou o movimento “justo e adequado” e “de resistência dos trabalhadores às reformas trabalhista e previdenciária”.

Ora, reconhecer que movimentos grevistas fazem parte do regime democrático e são garantidos na Constituição Brasileira não quer dizer alinhamento automático com suas ideias. Também não impede a discordância com os motivos que levam a uma paralisação. Além disso, as greves não devem ser vistas com condescendência. Manifestantes revoltam-se quando alertados que podem ter o ponto cortado. Mas grevistas estão sujeitos às consequências de seus atos e às penas deles decorrentes, se for o caso. E o corte do ponto enquadra-se nesse critério.

No mais, é preciso reafirmar a necessidade das reformas trabalhista e Previdenciária, essenciais para o Brasil retomar o crescimento.

Empresário tricolor manda recado para o presidente do Fortaleza

O empresário João Soares Neto, que passou a infância e a adolescência como frequentador assíduo da sede do Fortaleza Esporte Clube, faz um desabafo contra a atual situação tricolor. Confira:

Fui, sem querer, profético no começo do ano, quando afirmei que se o Fortaleza desprezar os jogadores e treinadores locais, acabará perdendo para o Ferroviário, uma legião estrangeira. Ao presidente Jorge Mota, algumas reflexões:

  1. Demita esse treinador fujão e, agora, perdedor.
  2. Faça um time com gente daqui e que saiba – ou queira saber – da história do Fortaleza.
  3. Jogou dinheiro fora com jogadores sem amor, exceto ao dinheiro.
  4. Gente daqui tem capacidade de superação.
  5. Teimosia não combina com a sua inteligência.

Entregamos o tricampeonato. O Castelão vazio mostrou o descrédito a um modelo falido.

João Soares Neto

A Praia do Futuro e suas barracas

Em artigo no O POVO deste sábado (22), a Doutora em Geografia Ambiental pela Universidade Sorbonne e pós-Doutora em Geomorfologia Costeira pela Universidade da Flórida, Vanda de Claudino Sales, observa que são décadas de convívio com as barracas da Praia do Futuro, quando poucas praias no mundo oferecem a segurança, o lazer e os serviços à beira do mar. Confira:

As praias e áreas adjacentes que perfazem os chamados terrenos de marinha são de propriedade da união, sendo, portanto, de uso comum. Nesse sentido, não podem ser objeto de ocupação para usufruto privado, exceto nos casos em que a União faz cessão e autoriza a ocupação. Na Praia do Futuro, litoral leste de Fortaleza, um certo número de equipamentos, as denominadas “barracas de praia”, receberam autorização por parte do Serviço de Patrimônio da União para instalação e funcionamento. No entanto, com frequência, os que receberam a outorga ampliaram a área de ocupação da faixa de praia para além do permitido. Outros tantos ocuparam a área sem a devida autorização. Assim fazendo, os proprietários das barracas destruíram as dunas frontais e privatizaram a praia, além de produzirem poluição (por meio de esgotos e acúmulo de resíduos sólidos), impedirem o livre acesso à área de uso comum e destruírem a paisagem natural e o horizonte marinho.

Mas essa realidade pode também ser vista sob outro ângulo: as barracas de praia, apesar desses problemas, são hoje parte da cultura do fortalezense. São décadas de convívio com essas estruturas, de forma tal que o domingo na Praia do Futuro saboreando frutos do mar com os pés brincando na areia solta faz parte das atividades de número bastante significativo de pessoas, tanto habitantes da Cidade quanto turistas eventuais. Poucas praias no mundo – talvez nenhuma! – oferecem o prazer, a tranquilidade, a segurança, o lazer, a recreação, os serviços e o aconchego à beira do mar como o faz a Praia do Futuro.

Assim, não parece sensato a investida legal que ora se organiza, visando à retirada das barracas. Cabe coibir os inúmeros e abusivos excessos, fazer valerem as outorgas tal qual elas são liberadas, definir impostos e taxas de uso, organizar plano de manejo de resíduos sólidos, providenciar instalações sanitárias adequadas, criar condutas de uso do espaço pelo conjunto da população e pelos proprietários das barracas e definir corredores para reconstrução de dunas fixas e visualização do horizonte marinho. As barracas de praia são parte da cultura da Cidade e representam uma cadeia econômica, social e turística importante. A Cidade sem elas ficará, com certeza, mais pobre, triste e descaracterizada.

TCM impõe derrota ao presidente Domingos Filho por cometer ilegalidade contra Prefeitura de Fortaleza

Em artigo enviado ao Blog, o universitário Rodrigo Santos Almeida destaca ação do Pleno do TCM, que anulou ato do próprio presidente Domingos Filho, contra a Prefeitura de Fortaleza. Confira:

Um fato ocorrido, nesta semana, chamou a atenção pela simples razão de que o Pleno dos Conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará anulou um ato do próprio presidente do TCM, Domingos Filho, em função deste presidente ter incorrido em uma ilegalidade com viés de grave abuso de poder discricionário contra a Prefeitura de Fortaleza.

O presidente do TCM enviou, no último dia 5 de abril, ofício que determinava a realização de uma “Inspeção Especial” com amplitude para toda a administração da Capital cearense. Ocorre que, de acordo com a legislação brasileira e normas do regimento do próprio Tribunal, a fiscalização na modalidade “Inspeção Especial” somente pode ocorrer se, de fato, existir alguma denúncia grave com objeto específico de fiscalização ou fato determinado e que demande urgência em sua apuração. Fatos que devem ser cumulativos, concomitantes.

É exatamente neste ponto que vem-se a configurar a ilegalidade do ato do presidente do TCM, Domingos Filho: não existe nenhuma denúncia grave ou fato determinado contra a Prefeitura de Fortaleza.

A atitude de Domingos Filho também foi considerada abusiva contra o interesse público em função de que o formato da suposta fiscalização ocasionaria grave paralisação de obras e atividades cruciais de servidores da prefeitura, justamente em um período do ano em que a população mais precisa dos serviços públicos na sua maior capacidade.

De acordo com os autos do processo, a Prefeitura de Fortaleza, sempre esteve aberta a todos os atos de fiscalização, lembrando inclusive que é única capital do país a receber o Prêmio Mérito Brasil de Governança e Gestão Pública do Tribunal de Contas da União, tendo sido igualmente considerada, no ano passado pelo próprio TCM, como o município mais transparente do Ceará.

A medida do conselheiro Domingos Filho, além de incorrer em caminhos da ilegalidade, também ocasionaria um gasto extra desnecessário ao Tribunal, gerando desperdício de recursos públicos tendo em vista que estaria a promover a execução de uma carga adicional de trabalho injustificado, quando se sabe bem que todos os atos da Prefeitura de Fortaleza irão, obrigatoriamente, ser submetidos à fiscalização, dentro dos trâmites corretos e legais, como sempre tem sido, no bojo da prestação de contas anual.

Enquanto o presidente Domingos Filho, que é primo do deputado estadual Odilon Aguiar, pai do deputado federal Domingos Neto e esposo da ex-prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar, derrotada nas eleições do ano passado, buscou promover uma fiscalização ilegal contra a Prefeitura de Fortaleza, outros municípios considerados aliados da plataforma política da sua família não estariam recebendo encaminhamentos tão rigorosos de fiscalização em que a lei, de fato, não apenas permite como, de fato, exige.

É válido lembrar que a Constituição Brasileira considera também como ilegal o uso de instituições e recursos públicos com finalidades não republicanas e que apresentam na sua essência uma motivação de cunho e interesses pessoais. A sociedade cearense e a população brasileira exigem, a cada dia, mais respeito no âmbito pessoal e das instituições, além de atitudes verdadeiramente morais e éticas dos gestores e representantes públicos, especialmente daqueles que fazem parte dos órgãos que deveriam, acima de tudo, proteger as leis e a devida aplicação dos recursos públicos.

Uma reflexão derivada desse fato não pode deixar de ser feita: seria o ato contra a Prefeitura de Fortaleza apenas uma retaliação contra um aliado do grupo político que o derrotou na disputa pela Presidência da Assembleia ou uma prática condenável que estaria a mirar gestores municipais do nosso Estado?

Fica o alerta: se o presidente do TCM, Domingos Filho, (recém-chegado àquela Casa) estaria a cometer essa atitude com relação ao gestor da Capital, o que não poderá fazer com municípios menores? De alentador, a constatação de que a maioria dos membros do egrégio Tribunal está vigilante na defesa da instituição sem capitular diante de possíveis arroubos autoritários de um dirigente de plantão.

Ônibus incendiados – Luizianne diz que ataques são resultados da falta de um olhar prioritário para o trabalho preventivo

Em artigo enviado ao Blog, a deputada federal Luizianne Lins (PT) sugere investimento em política para a juventude, como forma de evitar investida da criminalidade. Confira:

Estou em Brasília, nas funções de deputada federal, mas acompanhando o que vem acontecendo em nossa cidade. E estou triste e preocupada com essa onda de ataques que já resultou em vários ônibus incendiados em diversos bairros da cidade. Uma situação de extrema insegurança e dificuldade de se locomover, com milhares de trabalhadores e trabalhadoras que não sabem sequer como e se vão chegar em casa! Os ataques a outros veículos, bem como a delegacias e agências bancárias somam-se aos crimes e aumentam a onda de medo entre a população.

Nós já sabemos que esse caos vem da falta de um olhar prioritário para o trabalho preventivo. Está cada vez mais fácil para o crime organizado recrutar jovens para o próprio crime. Isso não acontece por acaso. Há um somatório de promessas não cumpridas e desmonte de políticas públicas em áreas que deveriam ser prioritárias.

Em relação a novos Cucas para juventude, que tinham sido prometidos, nenhuma obra foi sequer iniciada nos últimos quatros anos. Houve redução do orçamento para áreas de trabalho, esporte e cultura. Acumulam-se as reclamações sobre a falta de condições para o trabalho preventivo na Guarda Municipal. Assistimos o desmonte do trabalho social com dependentes químicos e pessoas em situação de rua. Na outra ponta, também por consequências de ações como essas, é que os policiais acabam tendo que arriscar suas vidas, trabalhando sob pressão.

Neste momento, quero pedir ao nosso povo, já tão conhecido como uma gente solidária, para que se ajude – seja uma carona, uma proteção ou qualquer gesto companheiro. Estamos acompanhando de perto as explicações e as providências das autoridades competentes. Na última eleição para a Prefeitura se falou muito em segurança – pois bem – porque não falar disso agora?

Luta contra o crime – Ação e reação

Editorial do O POVO desta sexta-feira (21) alerta que, na luta contra o crime, o uso político dos acontecimentos é pernicioso e deve ser evitado. Confira:

Seja qual for o ângulo em que os fatos sejam observados, o conjunto premeditado de atos em série instituindo o clima de terror na população é uma reação do crime organizado contra decisões na área de segurança pública que certamente implicaram prejuízos aos negócios das organizações criminosas.

Não é uma novidade. Ocorrências similares em diversas ocasiões tanto no Ceará quanto em outros estados do País possuíam a mesma motivação. É importante compreender a lógica do crime organizado como uma atividade econômica que esperneia ao seu modo quando sofre reveses.

Precisamente, vejam o que aconteceu em janeiro passado no Rio Grande do Norte. No estado vizinho, a ação do Governo para retomar o controle de uma penitenciária, com a remoção de dezenas de presos, gerou uma onda de violência e terror bastante similar à que se verifica agora em Fortaleza e Região Metropolitana.

Chegamos a este ponto: a elementar ação das forças de segurança para transferir presos ou impedir a comunicação de presidiários via celulares é o suficiente para desencadear reações violentas nas ruas. É claro que o objetivo do crime é intimidar tanto o Estado quanto a sociedade, tornando-os reféns de seus interesses.

É claro que a reação das forças de segurança precisa ser dura e efetiva. Recuos serão vistos como sinais de fraqueza e darão aos criminosos a ideia de supremacia. Porém, é fundamental que a inteligência se alie à força. Investigações bem feitas certamente vão chegar aos líderes e organizadores dessas investidas contra a civilização.

Não é razoável na era da tecnologia que o estado brasileiro não consiga eliminar a possibilidade de uso de aparelhos celulares no interior de presídios. Trata-se de uma obviedade ainda não executada. Sim, um sinal de fracasso que alimenta o vigor e a desenvoltura das organizações criminosas. De toda forma, deve persistir o trabalho de isolar presos que lideram as investidas nas ruas.

Na luta contra o crime, o uso político dos acontecimentos é pernicioso e deve ser evitado. Outro fato chama a atenção: enquanto a assustada população era acossada por incendiários, um grupo de policiais do Ceará promovia a absurda tentativa de invadir o Congresso, em Brasília, para intimidar parlamentares. No mínimo, um fato a se refletir.

Exemplos! É tudo o que a população necessita

Em comentário no Blog, a advogada e leitora Goretti Ramos alerta que, enquanto autoridades se acusam, a criminalidade se une. Confira:

Vou fazer o papel da “água” e não do “fogo”, nesse momento. Fogo queima, destrói. Água é mais forte do que o fogo, pois o apaga! Água reconstrói as coisas…

Lá vai, meu povo! E alguém, aí, me faça o profundo favor de fazer chegar aos olhos dessas “pessoinhas de cabeça quente” esse meu desabafo…

Meus senhores, estou “azogada do juízo”, cabeça quente, porém não efervescente, desde a quinta-feira, 19, desmarcando compromissos por conta do medo que me invade, numa cidade onde uma minoria de meliantes consegue “desconsertar” os gestores em atitudes há muito antigas! E, por acaso, foi o primeiro, décimo, vigésimo ônibus incendiado? Foi o primeiro, décimo, sei lá quanto banco apedrejado e danificado? E os cidadãos feridos? Quantos, hein?

Há uma repetição de crimes que o meu cérebro para lá de quarentão não consegue compreender e ainda mais a mesma atitude que “deixa a desejar”, infelizmente, às nossas autoridades em tempos plenamente “plugados e conectados”, até nos presídios! Como podem?!

Por que ainda estamos dando “murros em pontas de faca”, “enxugando gelo” e não estamos vendo que essa luta contra a criminalidade do jeito que está não irá acabar nunca, a não ser com mais e mais vítimas inocentes sucumbindo nas esquinas?

Chega, meu povo! Chega! Parem vocês, homens de autoridade, com essa “briga besta”, com essa “troca de farpas”, e que não nos levará a lugar nenhum! Enquanto vocês trocam “adjetivos” entre si, o crime se especializa e faz algo que vocês não estão conseguindo fazer: unirem-se em torno de um objetivo comum, infelizmente, voltado ao mal!

Não existe nem “frouxo”, nem “moleque” de um lado ou outro! E muito menos um super-homem, apesar de que este último, coitado, dá o seu sangue, noites de sono mal dormidas e um destemor e amor à profissão que dá exemplo em vocês aí! E é isso que estamos necessitando, nesse momento angustiante: Exemplos!

Vou repetir a palavra para vocês: Exemplos! É tudo o que a população está necessitando!

E vejam se parem de dar “holofotes” aos “falatórios” em geral e parem de alimentar essa picuinha tão pequena ante a temeridade que é viver, como cidadão cearense, num estado onde sequer temos garantidos o direito à vida e o ir e vir.

Vão se redimir e, ao menos, sem demagogias, fazer uma visita ao pobre cidadão queimado e vítima maior desses dois dias: aquele trocador que teve marcado em seu corpo a violência que nos amedronta!

O recado é para vocês: governador Camilo Santana, capitão Wagner e aos demais dirigentes dessa cidade. Existe um inimigo comum bem maior do que meras disputas politiqueiras e é nele que vocês devem concentrar as forças!

Por favor, dêem-me, ao menos, o direito de sonhar com uma cidade menos “violenta” e desorganizada, ao menos nos próximos dias! Eu estou cansada…

Unam-se!!!

#NossoCearáMerecePAZ!

Michel Temer – Reforma é justiça social

Em artigo no O POVO desta quarta-feira (19), o presidente Michel Temer diz que a reforma da Previdência será justa com os mais pobres e rígida com os mais ricos. Confira:

A proposta de reforma da Previdência que enviamos para o Congresso Nacional tem dois objetivos centrais. É imperioso adaptar a Previdência à nossa realidade demográfica. A cada ano, o número de idosos aumenta enquanto diminui o número de jovens. A consequência disso é simples: estamos caminhando para ter mais beneficiários do que contribuintes na Previdência. A reforma faz com que o sistema previdenciário se torne financeiramente sustentável.

O outro ponto é uma questão de justiça social. Não podemos deixar que os mais de 60% dos contribuintes da Previdência, justamente os que ganham menos, continuem financiando privilégios de uma minoria. É preciso acabar com os privilégios.

Estamos fazendo uma reforma que trará mais igualdade para todos. A Previdência será mais justa com os mais pobres e mais rígida com os mais ricos.

Há críticos da reforma, por discordância política ou por desconhecimento da realidade. A afirmação de que não há déficit é completamente falsa. Dizer que aposentados terão direitos suprimidos é igualmente falso. Não tocaremos em direitos adquiridos: quem já se aposentou ou quem já tem direito a aposentar-se não verá nada mudar com a reforma proposta. O que muda é que, com a reforma, nossos aposentados terão assegurados direitos que, sem ela, seriam corroídos pela insolvência do sistema.

Cabe destacar a contribuição que os parlamentares estão dando para a reforma. O relator, o presidente da comissão e os líderes partidários estão ouvindo as bancadas e estamos acolhendo suas sugestões. O que vem do Congresso, da Câmara é para aprimorar e para estar em consonância com as aspirações populares.

O mais importante é que, com a sensibilidade adquirida no contato com suas bases, os parlamentares, em suas adequações, atendem, como é a nossa intenção, precisamente aqueles mais vulneráveis. E também defendem o fim dos privilégios, fazendo com que todos os que recebem valores salariais ou vencimentos, ou subsídios, tenham o mesmo padrão para efeito de aposentadoria. Não haverá mais diferenciação entre as várias categorias. É uma demonstração de seriedade, de compromisso com o povo e com o País.

O que estamos fazendo é em favor do futuro, para garantir a higidez das contas públicas, para garantir que os aposentados atuais continuem a receber suas pensões e, especialmente, para a continuidade dos programas sociais que nós patrocinamos e para que aqueles mais jovens, no futuro, possam também desfrutar de uma adequada pensão previdenciária.

Inovação disruptiva para a sobrevivência de uma empresa no mundo atual

Em artigo no O POVO desta terça-feira (18), o arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/Ceará, Joaquim Cartaxo, comenta acerca de produtos ou serviços que criam um novo mercado e, ao mesmo tempo, desestabilizam os concorrentes que antes o dominavam. Confira:

Inovação é fundamental para o crescimento ou a sobrevivência de uma empresa no mundo atual, em que a velocidade e a intensidade das mudanças se encontram em alta rotação. Aqueles que não procurarem conhecer e se antecipar às novas demandas econômicas, sociais, ambientais e culturais dos consumidores sofrerão ou tenderão a desaparecer rapidamente. A inovação pode ocorrer em várias escalas: mudanças nos processos operacionais ou produtivos, no uso de novos materiais ou as associadas a tecnologias avançadas.

Nem os gigantes do mundo corporativo, que dominam o mercado ou segmentos inteiros da economia, estão imunes à necessidade permanente de mudanças. Estas empresas ou segmentos, em sua grande maioria, são impactados pelo que o professor Clayton Christensen, da universidade de Harvard, classificou como inovação disruptiva: produtos ou serviços que criam um novo mercado e, ao mesmo tempo, desestabilizam os concorrentes que antes o dominavam. Exemplo disso é o Netflix, serviço de streaming de vídeos que praticamente dizimou o mercado de videolocadoras e, concomitantemente, está trazendo grandes dores de cabeça para as operadoras de TV por assinatura e TVs abertas. Nos últimos 12 meses, o valor de mercado da Netflix aumentou de US$ 35,44 bilhões para US$ 60,67 bilhões.

Outro exemplo de inovação disruptiva, oriunda do Brasil, é o Nubank, startup que oferece cartões de crédito sem anuidade e que podem ser gerenciados pelo próprio cliente via aplicativo de smartphones. Esta é a principal estratégia da empresa para fazer frente aos gigantes do mercado financeiro, que vem encontrando dificuldade para atrair o público jovem, altamente conectado e avesso à burocracia destes bancos tradicionais.

A estratégia parece que vem dando certo, pois, segundo a pesquisa da consultoria CVA Solutions, a Nubank ficou em primeiro lugar no ranking de cartões com melhor custo-benefício no Brasil.

Os outros donos do poder

Em artigo no O POVO desta segunda-feira (17), a professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e pesquisadora do CNPq, Sofia Lerche Vieira, aponta que o clientelismo impera também em níveis menores aos dos políticos e grupos mais abastados. Confira:

Em Os donos do poder, Raymundo Faoro constrói um magistral retrato das origens de um dos maiores males da sociedade brasileira – o clientelismo. As ideias desse clássico da literatura da Ciência Política permanecem atuais e contribuem para aguçar a compreensão deste combalido país de tantos desmandos e descompromisso com a esfera pública.

Por maior que seja a expectativa de fazer diferente, a forte presença deste elemento do conservadorismo é ainda arraigada no âmbito municipal. De uma maneira geral, os pequenos interesses perpassam o cotidiano da vida no território. Terminadas as eleições, a partilha começa e se prolonga pelo curso da nova gestão. O curioso é que não são apenas os tradicionais donos do poder político, as famílias e grupos mais abastados, que estão em busca de favores para seus afilhados. Há, de fato, outros donos. O clientelismo aflora tanto entre políticos próximos do(s) partido(s) vencedor(es) quanto entre os representantes do aparentemente interminável séquito de cabos eleitorais que se dizem amigos de infância ou parentes do prefeito.

Em minha breve experiência como secretária da Educação de Aracati, pude perceber com clareza a força desses pequenos interesses. Bilhetinhos chegavam às minhas mãos por vias e circunstâncias as mais diversas. Umas, com mais formalidade, a exemplo de currículos sorrateiramente apresentados depois de audiências; outras, de forma acintosa, como quando fui surpreendida pelo servidor de um órgão público da cidade que, em afã de caça às bruxas, insistiu em indicar nomes que, a seu juízo, deveriam ser afastados de uma dada escola.

Vigias, merendeiras, professores, diretores e tantos outros que compõem a força de trabalho da área são o alvo preferencial de barganha. Mas, em verdade, tudo é objeto de negociação na dança das cadeiras e dos interesses reinantes no poder local. A educação, pelo elevado percentual de recursos aplicados em pessoal, transporte, merenda, livro didático, manutenção de rede física e outros serviços, é alvo preferencial dessas investidas. É o botim, do qual todos querem um quinhão. Assim, não é demais repetir algo já dito em artigo anterior: se no município estão os problemas; estão também as soluções. A permanência do clientelismo é um ônus excessivamente pesado, constituindo obstáculo ao imperativo de renovação das práticas de gestão pública e melhoria efetiva dos serviços prestados ao cidadão.

Procusto versus Lula

Em artigo no O POVO deste domingo (16), o psicanalista Valton de Miranda Leitão aponta “um verdadeiro massacre contra os trabalhadores, os servidores públicos, as universidades e a população de baixa renda” desde a derrubada da ex-presidente Dilma. Confira:

O Estado de Exceção vigente no Brasil com a derrubada de Dilma Rousseff tem continuidade com o apoio obsceno da grande mídia, de um congresso de palermos políticos e, o mais incrível, a operacionalização de medidas antipovo conduzidas por parcela do judiciário.

Trata-se de um verdadeiro massacre contra os trabalhadores, os servidores públicos, as universidades e a população de baixa renda para tornar o rentismo dos bancos e a riqueza dos ricos ainda mais lucrativa.

O sistema midiático conseguiu transformar um simples juiz curitibano num verdadeiro Procusto, que juntamente com meia dúzia de rapazotes munidos do Vade Mecum do direito, combinados com policiais exibicionistas, promovem no País o que proclamam como purificação da vida sociopolítica!

É absolutamente ridículo que a vida da nação esteja sendo agendada por este pequeno grupo de “salvadores da pátria”. Tais salvadores, sabemos, estão norteados quase sempre por fantasias nazifascistas e paranoicas. O gigante Procusto da mitologia desejava que todo viajante que passasse no seu desfiladeiro se submetesse ao teste de sua régua-cama e os que não coubessem, por serem muito altos, tinham as pernas amputadas, enquanto os mais baixos eram esticados até a morte. Quando alguém parecia caber no instrumento, ele dispunha de um segundo para impedir que sua vítima escapasse.

Assim, o estatuto chamado de delação premiada transformou-se na tortura mental procustiana, que, sob o disfarce do combate à corrupção, quebra a economia nacional e pretende atingir diretamente personagens importantes da esquerda para impedir a continuidade de um projeto político popular. Além disso, é legítimo suspeitar que a maioria dessas delações não merece o menor crédito.

Não há dúvida de que a imparcialidade e a neutralidade que devem orientar o judiciário foram abaladas nesta dificílima fase da vida política nacional. Escrevi no artigo A desmedida das dez medidas o seguinte: “O fato é que para o observador intelectual, a balança de Têmis sumiu para dar lugar à régua de Procusto, pois quem não couber na sua medida será fatalmente punido”.

Weber afirma que o mercado capitalista constrói jaulas de ferro dentro da sua racionalidade burocrática, mas no Brasil, aparentemente, existe uma jaula instalada em Curitiba e, nela, Procusto pretende prender o maior símbolo e mito da luta do povo brasileiro contra o patrimonialismo de uma minoria ultraprivilegiada, principalmente na Fiesp.

Essa situação precisa ser denunciada, pois a engrenagem montada para atender a interesses dentro e fora do País, de bancos e ultramilionários é suportada pelo aparelho da grande imprensa com núcleo principal na Globo. Não é possível que o Direito brasileiro esteja resumido à lei vesga da espetaculosa Operação Lava Jato. Isso significa colocar o Direito de cabeça para baixo, pois não é a lei de juízes e procuradores que faz o povo, mas é exatamente o inverso, é o povo que, por meio de representantes legitimados pelo voto, faz a Constituição e a Norma Geral, ou seja, o Direito.

É preciso desnaturalizar o crime

Em artigo no O POVO deste sábado, o jornalista Ítalo Coriolano aponta que as leis, a Justiça e as forças de segurança não passam de instrumentos alegóricos dentro de uma sociedade doente, apegada ao subdesenvolvimento, ao individualismo. Confira:

O que faz um ser humano sair de sua casa, armado de faca ou revólver, para cometer um assalto em determinado local da Cidade? Ou ir assassinar um desafeto? Ou estuprar outra pessoa? Em primeiro lugar, é preciso tentar entender a lógica de um criminoso. Provavelmente, ele cresceu vendo episódios como esse, passou por diversas situações degradantes ao longo da vida, teve uma educação falha, sabe dos riscos que corre, mas, ao mesmo tempo, pensa que não tem muito a perder.

Em outra vertente da degeneração humana, políticos fizeram carreira tendo como principal modus operandi a corrupção, o roubo do que é público e a apropriação indébita das riquezas nacionais. Cenário desvendado e publicizado pela Operação Lava Jato. A bandalheira não poupou quase ninguém. Todos os grandes partidos e a elite do poder constituído se enlamearam nessa vergonhosa narrativa que levou o País para o buraco. Um problema histórico que agora cobra um alto preço.

Mas o que há de comum nas duas abordagens anteriores? É a triste e perigosa naturalização do crime. Tudo o que é considerado errado passa a compor o conceito dessas personagens sobre “normalidade”. As leis, a Justiça e as forças de segurança não passam de instrumentos alegóricos dentro de uma sociedade doente, apegada ao subdesenvolvimento, ao individualismo, não importando os meios.

Como romper esse ciclo aterrorizante? De partida, quebrando silêncios importantes sobre comportamentos e fatos inaceitáveis. Levar esses temas para os espaços de debate. Cutucar as feridas ignoradas por gerações, responsáveis por esse acúmulo de malfeitos. Rebeliões em presídios, chacinas em bairros da periferia, Congresso atopetado de bandidos, elementos inter-relacionados de um caos concreto. Afinal, é o dinheiro surrupiado que não chega às escolas e acaba prejudicando a formação de nossas crianças, interrompendo oportunidades.

Por isso, a relevância das atuais investigações tocadas por Ministério Público e Polícia Federal. É triste ver determinadas figuras investigadas. O descrédito na política aumenta. Mas afetos e paixões não podem camuflar a realidade. Essa é a grande chance de transformar certas estruturas. Doa a quem doer.

Uma difícil tarefa

Em artigo no O POVO deste domingo (9), o psiquiatra Cleto Pontes questiona a educação voltada para ganhos materiais. Confira:

Como é difícil educar o seu próprio filho! Sim, não é pela delegação de tal objetivo aos nossos educadores, certamente. Somos todos alienistas nesse mundo novo das redes sociais, tablets e outros gadgets e assim juntos teremos de buscar alternativas para que comecemos a tangenciar a linha do horizonte. O que adianta a leitura do livro Alienista, de Machado de Assis, se leram e nada entenderam? Muito menos a leitura de um livro de autoajuda do tipo “como ficar rico sem muito esforço”, pois a educação não acontece a partir prioritariamente de escritos formulados para se ganhar dinheiro.

Normalmente não se tem filho na infância nem na senectude, pois aí talvez fosse ainda um desastre maior. Na infância brincamos, e na velhice, com habilidade de um esgrimista profissional, somos capazes de contar histórias mirabolantes em uma hora dantes nunca vivenciadas, porém desejadas. Na “época da procriação”, pensamos no bordão sempre o mesmo: quando eu for pai ou mãe, farei o melhor para a minha prole, diferentemente do que fizeram comigo. Feliz e providencialmente, o código genético e o cultural, como dizem os matemáticos, tal qual dois paralelos tendem a se cruzar no infinito.

Têmis, deusa da Justiça, filha de Urano e Gaia, na mitologia grega, mais do que nunca nos dias de hoje não abriria mão da sua venda nos olhos a fim de não enxergar o descalabro da realidade brasileira. Sofremos todos ao escutar a decisão, pelo rádio ou televisão, como se diz no jargão jurídico, prevalecer a oitiva a fim de não ofuscar a razão. A saída da prisão da senhora Cabral, Adriana Anselmo, serve de exemplo para os ouvidos apurados de Têmis ao longo dos milênios. Como entender essa senhora cuidadora em cadeia privada, em liberdade diferenciada de outras presas menos prejudiciais socialmente, para cuidar dos seus filhos menores de 11 e 14 anos? Por que eles estão “soltos” e os pais presos? Por serem mafiosos. Sabiamente Freud já dizia no início do século XX que o alicerce da personalidade é fincado nos primeiros cinco anos de vida

J.J. Rousseau, no apogeu do iluminismo, afirmava que o ser humano nascia bom, mas a sociedade o corromperia. J. Piaget, fundador da “epistemologia genética”, também suíço, pesquisando em Paris no Instituto J. J. Rousseau estabeleceu as quatro fases do desenvolvimento da inteligência, a última dos 11 aos 16 anos, o indivíduo terminava de desenvolver sua inteligência, porém o cuidado maior era a afetividade ainda não resolvida, ou seja, suas carências. Sinceramente, eu tenho um mau sentimento em relação ao suporte que a Sra. Cabral vai propiciar aos seus rebentos, exemplo oposto a ser seguido pelos filhos.

Vejam o exemplo de vida de Rousseau, órfão aos 10 anos de idade, entregue a religiosos para cuidar de sua educação. É dele o pensamento: “Vosso filho nada deve obter porque pede, mas porque precisa, nem nada fazer por obediência, mas por necessidade… O maior passo em direção ao bem é não fazer o mal”.

Que a deusa Têmis faça a Sra. Cabral retornar brevemente a Bangu, nas vizinhanças de sua alma gêmea soberba Sérgio Cabral, de onde nunca deveria ter saído, e inspire-nos a pensar em bons exemplos de referência para um futuro melhor aos filhos da nossa pátria amada, Brasil.

Reflexões para o PED Fortaleza

Em artigo enviado ao Blog, o jornalista Waldemir Catanho chama para uma reflexão à eleição ao Diretório Municipal do PT. Confira:

Algumas questões têm se sobressaído no atual – e mal feito – debate em torno da disputa da direção municipal do PT de Fortaleza. A posição do partido em relação à administração Roberto Cláudio deve mudar? Como envolver e movimentar as bases partidárias? Como estabelecer uma dinâmica partidária mais viva, onde o debate dos principais temas da conjuntura local ou nacional torne-se rotina? Por que o Partido não tem sequer uma sede própria?

É com a pretensão de estabelecer um debate sobre alguns desses pontos, com as companheiras e companheiros que defendem a candidatura do vereador Acrísio Sena, que escrevemos esse texto.

Desde 2013 que as instâncias de direção do PT Fortaleza vêm reafirmando a posição do partido como sendo de oposição à administração do Prefeito Roberto Cláudio. O PT fez isso de forma unânime, ao longo dos últimos 4 anos, em reuniões de executiva, do seu diretório e da bancada de vereadores.

De maneira alguma essa posição pode ser classificada como “tresloucada”, como foi dito pelo vereador Acrísio. De 2013 pra cá, inclusive dentro dos preparativos para as eleições de 2016, o partido organizou dezenas de encontros e plenárias nos bairros. Organizou seminários gerais e temáticos.

O partido falou, mas sobretudo ouviu. Ouviu o clamor contra a falta de médicos e medicamentos nos hospitais e postos de saúde. Ouviu as queixas com a queda na qualidade da merenda escolar e com o fechamento de bibliotecas e laboratórios de informática das escolas municipais. Ouviu as reclamações com a ausência de limpeza de canais e lagoas e a multiplicação do lixo nas ruas. Ouviu a denúncia do desmonte do orçamento participativo e dos mecanismos de participação popular. O partido ouviu tudo aquilo que a mídia local e a publicidade oficial escondiam.

Veio 2016 e ainda de forma unânime, apenas com poucas abstenções, o Encontro Municipal decide que o PT deveria ter candidatura própria nas eleições de Fortaleza.

Foram, talvez, as eleições mais duras que o PT disputou no Brasil. E mesmo assim, sem grandes estruturas, enfrentando o massacre diário da imprensa burguesa, obtivemos a terceira melhor votação do PT no país. Uma votação de oposição de esquerda. Uma votação de quem nos confiou esse papel.

E aí vem a pergunta: porque mudar de posição agora?

O vereador Acrísio evoca a importância da aproximação do PT com o PDT de Roberto Cláudio em Fortaleza para a manutenção da mesma aliança no plano estadual e para que ela se estabeleça no plano nacional. São argumentos fora da realidade.

O Governo Camilo foi parido pelo PDT. Suas relações demonstram-se tão profundas a ponto do próprio Camilo ter dito que o PT deveria abdicar de lançar candidato próprio à Presidência da República para apoiar a candidatura de Ciro Gomes. As principais lideranças do PDT no estado já vêm se manifestando pela reeleição do Governador Camilo. Não é a manutenção da posição do PT de Fortaleza na oposição a Roberto Cláudio que vai mudar isso. Isso sequer está em discussão.

No plano nacional a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República vem tendo vida própria. Ciro vem dizendo que Lula não deveria ser candidato, que sua possível postulação é um desserviço ao país e que não topa ser seu vice. Aqui também não é uma mudança de linha política do Diretório que vai interferir em coisa alguma.

Funcionamento e dinâmica partidária.

As criticas às deficiências de funcionamento do partido em são injustas na medida em que se dá a entender que esse é um problema particular do PT Fortaleza. Para sermos justos é preciso reconhecer que o PT como um todo, nacionalmente, entrou num processo de burocratizarão e esvaziamento de sua vida partidária ao longo dos últimos 20, 25 anos. O distanciamento dos movimentos sociais é um fenômeno geral e não particular. Tudo isso só será efetivamente revertido com uma mudança de padrão de funcionamento do partido, de sua instancias e suas correntes. É questão muito mais profunda que a simples mudança de presidente municipal.

O aspecto de denúncia da ausência de estruturas como sede e funcionários chega a ser absurdo. Propositalmente se esquece que o partido tem meios de arrecadação e sustentação financeira precários. Os DMs vivem apenas das contribuições dos gabinetes parlamentares municipais, recebendo apenas ocasionalmente recursos do fundo partidário nacional.

Por último: o rótulo de partido “independente” que defende o vereador Acrísio para o PT de Fortaleza sempre teve duas consequências práticas na política brasileira. Ou se é da base e se quer ir ou ameaçar passar a ser oposição – e aí o partido declara-se independente. Ou o inverso: se é oposição e ensaia-se uma aproximação mudando-se o rótulo para “independente”.

Entendo que para sermos coerentes não precisamos tergiversar. Para não trair o voto dos quase 200 mil eleitores que confiaram em nós, o PT deve se manter numa posição clara, de esquerda, sem subterfúgios. Só assim ele será o desaguadouro dos movimentos sociais e das lutas populares daqueles que esperam muito mais que viadutos e areninhas.

A terceirização como ponte para a escravidão

Em artigo no O POVO deste domingo (2), o cientista político e sociólogo Erle Mesquita alerta para os riscos da perda de direitos trabalhistas com a terceirização. Confira:

A possível aprovação da terceirização irrestrita poderá levar os brasileiros a condições muito análogas à escravidão, caracterizada pelo trabalho forçado e degradante. Quando muito voltaremos para a realidade do final do século XIX, quando o exercício do trabalho livre era uma mera remuneração pontual de tarefas sem qualquer amparo de seguridade social nos casos de desemprego, acidentes ou doenças adquiridas, muitas vezes, no exercício da atividade laboral.

A precarização das relações de trabalho se dará a passos largos pelas próprias dificuldades do controle social, quer influenciada pela baixa sindicalização de vínculos laborais, cada vez mais temporários, quer dos maiores empecilhos que serão postos para o poder público de fiscalizar e acompanhar as diferentes relações terceirizantes entre estabelecimentos e trabalhadores, situação até mesmo amparada no próprio marco legal, como quarteirização.

Uma trama complexa de relações que tem como objetivo principal depreciar o custo do trabalho, tendo como ponto de partida a retirada ou a imposição de maiores barreiras para o acesso aos direitos trabalhistas. Na prática, isto já ocorre com boa parcela dos terceirizados que, ao migrarem continuamente de empresas, ficam sem alguns direitos, como o gozo de férias remuneradas.

Outro flagrante desrespeito das obrigações trabalhistas é que a tão propalada retirada dos recursos inativos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), feita pelo governo federal, está sendo dificultada para parcela de trabalhadores em que seus empregadores, ainda que tenham retido a parte laboral do FGTS dos salários, não pagaram essa obrigação trabalhista, gerando um passivo para o poder público e trabalhadores.

Se nos dias atuais, com toda a delimitação territorial e temporal do exercício da atividade laboral, há claros desrespeitos aos direitos trabalhistas, imaginem quando formos tragados por uma complexa trama de relações terceirizantes? Chega a ser grotesco dizer que é preciso modernizar a “arcaica” legislação trabalhista quando se quer jogar o país de volta ao período pré-republicano, em que a maior parcela da população era escravizada ou semilivre e outra muito diminuta era cheia de direitos e privilégios. Pior de tudo isso é que parte dos congressistas, inclusive o relator da terceirização, é proprietária das chamadas empresas de locação, agenciamento, seleção e terceirização de mão de obra (ELAS), mas isto merece ser pauta de outro artigo.

Caso Curió: 44 PMs presos injustamente

Em artigo no O POVO deste sábado (1º), o deputado estadual Capitão Wagner afirma que policiais detidos no Caso Curió, quando 11 pessoas foram executadas na Grande Messejana, são inocentes e que deveriam estar agora servindo à sociedade. Confira:

Nessa sexta-feira, 31 de março, durante todo o dia, em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua, participei do ato em solidariedade aos 44 policiais militares presos, suspeitos de participação no Caso Curió. A primeira audiência do processo aconteceu no dia 7 de outubro de 2016. Ontem, foi o último ato da instrução para então definir quem vai a julgamento.

O sentimento das famílias dos policiais, que estão presos há 214 dias, ainda é de esperança. Depois de meses de investigação, sem prova concreta da participação dos PMs, acreditamos que muitos serão decretados inocentes e o processo será arquivado, outros devem ir a julgamento, mas também devem ser inocentados.

Ainda ontem, conversei com responsáveis pelo Caso Curió e notei que muitos estão sensíveis à situação dos policiais, que estão presos para serem investigados.

Até hoje, não existe nada no processo que coloque estes policiais em nenhuma cena de crime no Curió, a não ser as provas de que as viaturas que foram acionadas para os atendimentos de ocorrências nesses locais, e compareceram como era esperado.

Naquele dia, 12 de novembro de 2015, 26 policiais – dos 44 presos – estavam de serviço. Todos estavam em atendimento de ocorrências enviadas via Ciops. No mesmo dia, nenhum destes 26 PMs dispararam um tiro sequer. O indiciamento dos outros 18 policiais, que não estavam de serviço, se deu por supostas contradições em alguns detalhes que não implicavam em culpabilidade. Estes mesmos 18 PMs, que também estão presos, nem sequer tiveram suas armas periciadas, nem tampouco a comprovação de que estiveram no local do crime.

O fato é que 44 PMs, que deveriam estar servindo e protegendo a sociedade, estão presos sem provas. A certeza que temos é que faltou lisura na apuração dos fatos e somente se buscou bodes expiatórios.

Os alunos não querem nada

Em artigo no O POVO deste domingo (26), o sociólogo e professor titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), André Haguette, diz que estudantes das escolas municipais regulares não desejam aprender, o que não ocorre nas escolas profissionalizantes. Confira:

Quem frequenta escolas públicas estaduais e municipais ou convive com professores dessas instituições certamente ouviu dos professores, repetidas vezes, que os “alunos não querem nada”, o que explicaria que a média dos anos de estudos é menor no Brasil do que no Mercosul e entre os Brics. Resultados da Prova Brasil 2015 que acabam de ser publicados mostram que, no País, 50% dos estudantes das escolas públicas estaduais e municipais não possuem um aprendizado adequado em português e que 61% estão na mesma situação em matemática; no Ceará, as percentagens são, respectivamente, de 43 e 58. Devemos nos alegrar de estar acima da média brasileira ou nos entristecer de tão frágil e deprimente desempenho?

O sistema educacional brasileiro padece de uma fratura estrutural: uma grande fragmentação. A fratura é a decisiva separação entre a escola particular e a escola pública, que, é sempre bom lembrar, somente foi democratizada (aberta às classes carentes) nos anos 1960 e universalizada, nos anos 1990 do século passado. Talvez essa falha não fosse tão desesperadora se as classes sociais não fossem tão apartadas no Brasil, fazendo com que a classe trabalhadora e os marginalizados no sistema não tivessem nem sequer a oportunidade de entender a importância da escolaridade numa sociedade moderna.

Numa pesquisa em 10 escolas, em 2015, Márcio Pessoa, Eloisa Vidal e eu constatamos uma segunda separação no sistema educacional cearense: escolas profissionalizantes versus escolas regulares. Corroboramos a queixa dos professores de escolas regulares: de fato, os estudantes não desejam aprender, o que não ocorre nas escolas profissionalizantes pesquisadas. Como bem diagnosticou um vigia de uma das escolas profissionalizantes: “estuda aqui somente quer aprender”, tal a exigência da jornada escolar de dois longos turnos. Ficou, portanto, nos pesquisadores o questionamento de saber por que alunos da mesma classe social se diferenciam na vontade de estudar e aprender; o que leva uns a valorizar o estudo e outros, a ignorá-lo? Nossa hipótese foi a seguinte: a atitude dos pais face ao estudo dos filhos.

Numa dissertação defendida na semana passada, Harlon Santos apresentou uma pesquisa junto a pais de escolas profissionalizantes de Fortaleza. Os resultados são robustos: os pais desses alunos não somente querem que os filhos estudem como sabem da importância da aprendizagem para uma vida melhor de seus filhos, se sacrificam para proporcionar-lhes condições de estudos e acompanham seus progressos.

Os resultados dessa pesquisa são absolutamente relevantes para orientar decisões de políticas educacionais. Já que a sociedade se nega a criar um sistema educacional em que filhos de famílias de todas as classes sociais estivessem na mesma escola, é preciso empenhar-se em convencer os pais das escolas públicas regulares sobre a absoluta necessidade do estudo para que seus filhos tenham uma vida melhor do que a deles. Somente essa convicção dos pais é capaz de criar um ambiente doméstico em que haja lugar para que brote o desejo e a vontade prática de estudar; somente assim, a aprendizagem nas escolas públicas encontrará um nível adequado. Claro, isso supondo que os professores queiram ensinar e que as escolas ofereçam meios qualificados.

Papa quer ordenar homens casados

Editorial do O POVO deste domingo (26) diz que papa pensa em ordenar homens casados, diante da escassez do clero. Confira:

O período da Quaresma para a Igreja Católica Romana, embora com menor intensidade do que no passado, ainda continua a mobilizar um grande número de fiéis em demanda de sacramentos e de cerimônias religiosas prescritas para essa época. Trata-se de um período de grande sobrecarga para o clero, sempre insuficiente, em termos numéricos, para atender à multidão de fiéis. Frente a escassez do clero, o papa pensa em ordenar homens casados. A revelação foi feita há poucos dias durante entrevista ao jornal alemão “Die Zeit”.

A prática é muito antiga no ramo oriental da Igreja (tanto na Igreja Ortodoxa como na Igreja Católica Oriental ligada a Roma); ao lado de um clero celibatário há um outro, formado por homens casados. Contudo, os bispos dessas igrejas são retirados do clero celibatário (monges). Nem sempre foi assim: nas comunidades cristãs primitivas, os bispos também eram casados (é o caso de São Pedro e, supostamente, vários apóstolos) e também escolhidos diretamente pelos fiéis. O celibato católico é uma tradição tardia, do início do século XII. Durante todo o período da Igreja Indivisa (primeiro milênio), antes do Cisma de 1054 que separou a igreja ocidental da oriental, o celibato obrigatório nunca foi aceito. Houve uma tentativa de impô-lo, no I Concílio de Niceia, em 325 d.C., Mas foi rejeitada, paradoxalmente, por um bispo celibatário, São Pafúncio: “Não devemos impor uma carga pesada desse tipo sobre os ombros de quem não tem vocação para o celibato”. A intervenção foi acolhida por todos e assim permaneceu até hoje no cristianismo oriental.

Como os últimos papas reconheceram, o celibato sacerdotal não é um dogma, na Igreja Romana, mas apenas uma disciplina que poderia ser revogada se o papa julgar oportuno. Mas se tornou uma tradição na igreja latina. Francisco, no entanto, ainda não a entende como opção para os atuais seminaristas. Para os padres já ordenados, não seria mais possível, já que a tradição não permite sobrepor o sacramento do Matrimônio ao da Ordem. Mas, sim, ordenar homens já casados e aposentados, de longa vinculação com a Igreja (viriprobati), isto é, homens provados.

Trata-se de uma boa notícia para os católicos.

Que venham logo.

Carne Fraca: em quem confiar?

Editorial do O POVO neste domingo (19) aborda a operação Carne Fraca, deflagrada pela PF, há dois dias, contra grandes frigoríficos brasileiros. Confira:

Habituados à rotina de escândalos, revelados a cada fase da operação Lava Jato – na qual os políticos são apontados como os principais transgressores -, os brasileiros foram surpreendidos com mais um escândalo que atinge pelo menos duas das maiores empresas privadas brasileiras, ambas no ramo frigorífico: a JBS e a BRF, nas quais, segundo investigações da Polícia Federal, elas desempenham o papel de protagonistas.

Pelas siglas, pouca gente tomaria essas empresas como próximas do dia a dia de milhões de brasileiros, mas, pelo nome das marcas que controlam, pode-se supor que sejam conhecidas da maioria: Friboi, Seara e Swift (marcas da JBS) – e Sadia e Perdigão (da BRF). Além dessas marcas, elas dispõem de dezenas de outros produtos alimentícios dos mais conhecidos, nos quais consumidores aprenderam a confiar.

Na chamada Operação Carne Fraca, a Polícia Federal investigou uma rede criminosa que adulterava os produtos e os validava com certificados sanitários emitidos de modo fraudulento por fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura.

Descobriram-se coisas como a utilização de carnes podres e reembalagem de produtos vencidos; sendo que uma partida do produto, devolvida por autoridades sanitárias europeias – por estar contaminada com a salmonella – foi reaproveitada no Brasil. A salmonella é uma bactéria que pode provocar graves danos à saúde humana. Além disso, carne adulterada foi distribuída para a merenda de estudantes de escolas públicas do Paraná.

Claro que há funcionários públicos e políticos envolvidos, pois uma fraude dessa natureza não ocorreria sem esse concurso. Mas desta vez será muito difícil que os empresários envolvidos possam argumentar, como muitos fazem na Lava Jato, terem sido “obrigados” a fazer parte da estrutura da corrupção ou seriam impedidos de trabalhar para o governo.

As empresas negam as irregularidades, reação comum a todos os investigados pela Polícia Federal. Mas a JBS e a BRF terão de responder pela acusação de terem abusado da confiança de seus clientes, conforme aponta a investigação da Polícia Federal.

Infelizmente, vive-se uma situação em que não se sabe em quem confiar. De positivo, verifica-se ser cada vez mais difícil que os crimes fiquem impunes.

Os valores que unem Ciro Gomes e o Brizolismo

Em artigo enviado ao Blog, o presidente estadual do PDT, deputado federal André Figueiredo, aponta convergências nos valores defendidos por Brizola e Ciro Gomes. Confira:

Leonel Brizola e Ciro Gomes são lideranças históricas do cenário político brasileiro que defenderam, ao longo de suas trajetórias, apesar de em caminhos próprios, basicamente a mesma matriz de pensamentos e de valores.

Separados em corpo, mas juntos em pensamento, buscaram, cada um no seu tempo e do seu modo, defender e lutar por um bem comum: o empoderamento do Brasil e do povo brasileiro.

O momento agora é ímpar para o País, o fortalecimento de um casamento entre os valores defendidos por nosso saudoso Brizola e por nosso presidenciável Ciro Gomes.

Brizola defendeu a ideia de um Estado forte, respeitado, acatado e racionalizado. Colocando a educação como pilar central das suas administrações, também defendia que a base para a construção de um Brasil melhor estava (e ainda está) no trabalho do povo brasileiro. Manteve-se na luta constante pela defesa dos interesses nacionais e do trabalhador.

Ciro Gomes, por sua vez, traz, entre seus princípios, os valores do socialismo democrático. Defensor da questão nacional, Ciro se posicionou sempre contra as privatizações das riquezas estratégicas do Brasil e vem lutando por um modelo de desenvolvimento que tem como pilar central a preocupação com quem trabalha e produz. Além disso, tem sido um aguerrido combatente contra o capital especulativo e defende a fundamental redução de juros como caminho para combater a concentração de renda em nosso País.

Se questões históricas, por um lado, não haviam permitido que essas duas forças se encontrassem anteriormente sob a mesma bandeira partidária, Ciro e as lutas de Brizola, antes tarde do que nunca, encontraram finalmente um ponto de comunhão partidária.

Vale lembrar que Ciro Gomes foi o último candidato à Presidência da República que recebeu o apoio direto de Brizola e do PDT nas eleições de 2002.

É de suma importância para o País ter agora a combinação dessas forças que chega a um momento de grande necessidade para o Brasil.

Além disso, sabemos que estes ideais defendidos por Ciro e Brizola não vão navegar sozinhos. Vamos caminhar juntos com diversos outros movimentos, organizações, partidos e lideranças, partilhando dos mesmos valores, na luta por um Brasil forte e voltado verdadeiramente para o povo brasileiro.

André Figueiredo

Presidente da Executiva Estadual e

Vice-Presidente da Executiva Nacional do PDT