Arquivos da categoria: Psicologia

Fortaleza será sede do XXVI Congresso Brasileiro de Psicanálise

A Federação Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI), com apoio da Sociedade Psicanalítica de
Fortaleza (SPFOR), promoverá, de 1º a 4 de novembro próximo, no Centro de Eventos, o XXVI Congresso Brasileiro de Psicanálise, com o tema “Morte e Vida: Novas Configurações”. O encontro, que marca os 50 anos da FEBRAPSI, ocorrerá a partir de três vertentes básicas: a Teoria, Clínica e a da Cultura, e contará com uma vasta programação dividida entre as seguintes atividades: Grupos de Trabalho, Cursos, Reflexões Psicanalíticas, Diálogos Psicanalíticos, Exercícios Clínicos, Mesas Redondas, Reuniões Especiais, Temas Livres e Casos Clínicos.

O Congresso discutirá também temas muitas vezes relegados a um segundo plano – como as migrações (internas e externas); a prática da violência contra a mulher, a criança e o idoso; o preconceito contra o diferente ou as minorias. Serão abordados ainda temas multidisciplinares como psicanálise, política e educação, psicanálise e direito, filosofia e artes plásticas. Paz, suicídio e a negação da morte também constam no roteiro do congresso.

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*Para mais informações sobre as programação, basta acessar o link: www.congressofebrapsi2017.com/programacao

Site: www.congressofebrapsi2017.com.br

Setembro Amarelo – Instituto Mão Amiga promoverá palestra sobre valorização da vida

O Instituto Mão Amiga, entidade que há 15 anos atua na promoção da inclusão social de crianças com deficiência, vai bancar, nesta quinta-feira, a palestra “Promovendo a vida e o bem-estar”. A iniciativa faz parte da programação de atividades deste Setembro Amarelo, dedicado à conscientização e prevenção do suicídio.

A palestra será ministrada pela psicóloga Vanessa Nascimento, mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará, e é voltada principalmente aos pais das crianças atendidas no Mão Amiga. Segundo a entidade, muitos pais têm dificuldade em aceitar e lidar com a deficiência de seus filhos, o que pode levar a depressão, um problema que, se não for tratado adequadamente, pode levar a pessoa a cometer um ato contra sua própria vida.

O suicídio é um mal silencioso que tem se tornado um problema de saúde pública devido as altas taxas do País. De acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV), 32 brasileiros são mortos diariamente por suicídio, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada 10 casos poderiam ser prevenidos.

“A palestra pretende estimular as pessoas a conversarem sobre esse tema. Já tivemos relatos de pais de filhos com deficiência que cometeram suicídio. As pessoas com deficiência e as famílias precisam de amparo, apoio psicológico e acesso à informação”, alerta Elzivone Magalhães, coordenadora de projetos do Instituto Mão Amiga.

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*Instituto Mão Amiga – Rua Padre Sá Leitão, 383 – Jóquei Clube.

Fortaleza é sede de congressos que discutirão repercussões da crise na saúde mental do brasileiro

A Sociedade Cearense de Psiquiatria promoverá, de quarta a sexta-feira desta semana, no Hotel Sonata, a XXXIX Jornada Cearense de Psiquiatria e o XVII Encontro Cearense de Residentes e ex-Residentes de Psiquiatria.

O tema desses eventos não poderia estar tão atualizado: “Brasil em Crise – Repercussões na Saúde Mental”.

Alguém tem dúvida de que o imbróglio da política, que mexe com a economia, está criando um estado de neura neste País?

A doença mental está jogada na rua

Com o título “A doença mental está jogada na rua”, eis artigo do médico, antropólogo e professor universitário Antonio Mourão Cavalcante. Ele aborda dois casos que chamaram a atenção da opinião pública na última semana. Confira:

Duas informações despertaram minha atenção na última semana. Primeira, uma família, em Fortaleza, que estaria sendo guardada em cárcere privado. O pai, com medo de violência contra os filhos, teria deixado de levá-los à escola e eles passavam o tempo todo reclusos no apartamento da família. Os filhos só saiam acompanhados.  Assisti o pai em uma entrevista à televisão. Estava totalmente desnorteado, confuso, referindo perseguições que não conseguia distinguir ou explicar. Tinha um olhar tenso, trêmulo, evasivo. As mãos em movimentos estereotipados. Sua mente parecia muito perturbada e as autoridades tratavam-no como perigoso marginal…

A segunda notícia veio de São Paulo, onde um jovem de 27 anos, em transporte coletivo, ao se masturbar, teria ejaculado, derramando esperma no braço de uma passageira. Essa não era a primeira vez que ele fazia isso, nem a última.  Ainda nesse final de semana, foi novamente detido por realizar idêntica proeza, com outra mulher, em transporte coletivo. Em todas as oportunidades – mais de 15 (quinze) vezes! – foi detido e em seguida liberado…

Estas situações descritas e tantas outras revelam o comportamento de pessoas que se encontram mentalmente enfermas. Atônitas, as autoridades não sabem o que fazer! Iriam simplesmente colocá-los em um presídio? Temos instituições públicas que acolhem pessoas com distúrbios psíquicos? O acompanhamento é feito de forma técnica, científica? E, por que a solução sempre passa por detenção, xadrez, violência: “está precisando é de uma surra boa!”

Simplesmente, não sabemos como lidar nessas circunstâncias. A tendência é usar a força, a repressão, a contenção física.

Por motivação profissional, tenho observado que grande parte dos chamados moradores de rua possui um perfil mental comprometido. E, nesses casos, ou foram abandonados por – família, trabalho, amigos – por manifestarem alguma dificuldade psíquica ou a vivência desse modo, muitas vezes reforçado pelo uso de drogas, acabam se tornado portadores de graves distúrbios mentais.

Esta situação, em resumo, vem mostrar que o poder público não está nem aí para esse problema, como não se interessa em aprofundar a responsabilidade em busca de alternativas mais dignas e humanas.

Melhor chamá-los de vagabundos ou perigosos marginais. Apela para polícia. Mete o cacete e fim de papo!…

*Antonio Mourão Cavalcante,

Médico e Antropólogo. Professor Universitário.

Grupo ProCria promove encontro sobre Saúde na Primeira Infância

Conscientizar sobre as ações de saúde a serem tomadas durante a primeira infância. Com este objetivo, o Grupo ProCria promoverá, neste sábado, a palestra “Saúde na Primeira Infância: Intervenção Precoce com Bebês e seus Cuidadores”, com a psicóloga e psicanalista Daniele de Brito Wanderley, de Salvador.

O evento ocorrerá das 8h30min às 12h30min, no Teatro Nadir Papy Saboya  (Colégio Farias Brito – Aldeota). A ordem é produzir conhecimento e o esclarecimento de dúvidas de profissionais e da sociedade em relação à saúde das crianças e intervenções precoces em bebês.

*ProCria  –  Trata-se de um grupo interdisciplinar que atende gestantes, bebês, crianças de 0 a 3 anos e seus cuidadores em situação de sofrimento psíquico.

SERVIÇO

*Mais Informações – 99984 0740/ 98884 7001.

Unifor abre inscrições para Mestrado e Doutorado em Psicologia

Estão abertas até 8 de maio próximo as inscrições para a seleção 2017 do Programa de Pós-graduação em Psicologia.  Ao todo, são ofertadas 40 vagas, das quais 30 para o Mestrado e 10 para o Doutorado. Na área de concentração de Estudos Psicanalíticos, a linha de pesquisa é “Sujeito, Sofrimento Psíquico e Contemporaneidade”; enquanto na área de Psicologia, Sociedade e Cultura, as linhas de pesquisa são “Produção e Expressão Sociocultural da Subjetividade” e “Ambiente, Trabalho e Cultura nas Organizações Sociais”.

O processo seletivo contempla quatro etapas. No Mestrado, os candidatos serão submetidos à prova escrita de conhecimento de língua estrangeira, prova escrita de conhecimento específico, arguição oral sobre o projeto de pesquisa e análise de currículo. No Doutorado, serão aplicados prova de artigos científicos de Psicologia em língua estrangeira, prova de conhecimentos específicos, apresentação oral sobre o projeto de pesquisa e análise do currículo.

SERVIÇO

*Os interessados podem se inscrever na secretaria do programa (sala 13, bloco N), de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 18 horas.

*Todas as informações podem ser conferidas no Edital R. Nº 11/2017.

Homossexual para heterossexual – Projeto permite que psicólogo ofereça tratamento para mudar opção sexual

Tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei que isenta de sanção por órgão de classe o profissional de saúde mental (como psicólogo e psiquiatra) que tratar paciente com transtorno de orientação sexual com o objetivo de auxiliá-lo na mudança da orientação, de homossexual para heterossexual.

A mudança de orientação somente poderá ser conduzida pelo profissional com o consentimento do paciente. A proposta (PL 4931/16) é de autoria do deputado Ezequiel Teixeira (PTN-RJ).

Segundo deputado, o objetivo do texto é “trazer segurança jurídica à relação entre indivíduos e terapeutas envolvidos no tratamento dos transtornos associados à orientação sexual”.

Atualmente, norma do Conselho Federal de Psicologia proíbe que os psicólogos colaborem “com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”. Para o conselho, a homossexualidade não constitui doença, distúrbio ou perversão.

O deputado, no entanto, argumenta que o seu projeto baseia-se no princípio da dignidade humana previsto na Constituição federal. “Essa proposta justifica-se pelo fato de existirem indivíduos em profundo sofrimento psíquico em decorrência desses transtornos [sexuais], mas que enfrentam dificuldades instransponíveis para acessarem os dispositivos terapêuticos que poderiam assegurar-lhes uma melhoria na qualidade de vida”.

(Agência Câmara Notícias)

Há 82 anos morria o psicólogo e advogado russo Lev Vygotsky

frases Lev Vygotsky

Um curso imperdível para educadores

curssos

Dois especialistas e um curso mais do que essencial para educadores

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Escola de Psicoterapia de Fortaleza debaterá demências

A Escola de Psicoterapia Psicanalítica de Fortaleza promoverá às 17 horas da próxima sexta-feira, no auditório da Faculdade Farias Brito, o seu terceiro projeto Um Olhar a Mais. O objetivo é envolver alunos do estabelecimento e o público em geral num debate sobre os temas da atualidade, através de um viés psicanalítico. Os comentários do tema serão de Juliana Lemos Garcia Ferreira, neuropsicóloga e psicanalista.

A cada mês, um tema é escolhido e um psicanalista é convidado para tecer comentários, iniciando o debate entre os participantes. Neste mês de maio, o mote é “A integração dos processos cognitivos e emocionais nas demências”. A ordem é buscar uma reflexão sobre uma patologia muito frequente entre idosos – embora, atualmente, pessoas mais jovens entre 50 e 60 anos também tenham sido diagnosticadas: as síndromes demenciais.

A demência é uma doença neurodegenerativa com repercussão em várias áreas do indivíduo, entre elas: cognição, comportamento e aspectos emocionais. Desta forma, além da investigação neurológica clínica, realização de exames laboratoriais e de imagem cerebral, faz-se necessário buscar, de forma mais aprofundada, conhecer sobre as alterações cognitivas e emocionais existentes e da repercussão dessas alterações na vida da pessoa e de seus familiares.

 

Uma tal moda chamada autoajuda

Com o título “Sem ajuda para a autoajuda”, eis artigo do sociólogo e jornalista Demétrio Andrade. Ele fala sobre talentos e a hora de se reconhecer limitações, com críticas à moda da autoajuda. Confira:

Nélson Rodrigues, autor que muito prezo, costumava dizer quer “a genialidade está no óbvio ululante”. Ou seja, ela aparece quando aquela nesga de realidade que está à nossa frente e não conseguimos identificar é desenhada por alguém iluminado. Estes momentos nos circundam sem que, muitas vezes, consigamos perceber ou valorizar. Mais ainda: achamos, depois que estão à vista, que se tratam de coisas básicas, e que “qualquer pessoa poderia fazê-las”.

Desde o ovo de Colombo, passando pelos gols “na garapa” do Romário, ou por aquele anúncio simples e preciso, indo até aquela solução boba dada pelo seu irmão mais novo pra resolver aquele problema que lhe aporrinhava há dias, sempre tem alguém pra colocar papel celofane na sua lâmpada. Só há um cidadão no mundo capaz de identificar, a priori, se aquele momento foi diferenciado ou não: você. Cada um deveria reconhecer seus talentos e capacidades, bem como suas limitações.

Ocorre que nem sempre estamos preparados para fazer estas avaliações. Ou por complicações no trabalho, estresse, desentendimentos familiares, insegurança, ou por preguiça, ou simplesmente porque estamos num dia ruim. Meu avô costumava dizer que temos direito a sermos feitos de besta cinco minutos por dia. É justamente aí que entram os livros de autoajuda.

Admito, de antemão, que tenho preconceito contra este tipo de iniciativa. Mas tento compreender pessoas que recorrem a isso porque também creio, pelos motivos expostos acima, que alguns realmente precisem de algum tipo de orientação. Acho até que devam existir bons resultados, já que é um filão do mercado de livros – pra não falar das palestras, eventos etc. – que não para de crescer. Mas, pela baixa qualidade da argumentação, pela penúria textual e pelo festival de obviedades, só posso deduzir que há no mundo atual uma desmesurada pobreza de espírito.

Sabe aquele livro sobre a famosa dieta daquele ator de Hollywood? Pois é, se deu certo com ele, não significa que dará com você, já que se trata – pasmem! – de estruturas biológicas diferentes. Quer emagrecer? Feche a boca e faça exercícios. Não consegue? Bom, o livro com certeza também não vai lhe fazer conseguir.

O exemplo da dieta é minúsculo. Os livros de autoajuda prometem riqueza, organização, sucesso profissional, beleza e até felicidade. Estas “receitas prontas” caem como uma luva numa sociedade que acostumou-se a não se esforçar por nada e não pensar em nada. Nem em si e nem nos outros. Quer retirar felicidade ou sabedoria de uma estante? Vai ler Rosa, Machado, Leminski, Bukowski ou qualquer coisa que preste. Neste caso, o único resultado esperado é que você ficará um pouco menos burro.

* Demétrio Andrade,

Jornalista e sociólogo.

“Super Nanny” lança livro em Fortaleza

A apresentadora do programa “Super Nanny”, no SBT, Cris Poli, está em Fortaleza. Ela veio lançar, a partir das 19 horas, na Livraria Cultura (Shopping Iguatemi), o livro “Pais responsáveis educam juntos”. A publicação é da Editora Mundo Cristão.

Cris Poli, por sinal, pessoa das mais simpáticas, dará uma coletiva antes da sessão de autógrafos.

"O Poder revela quem somos", diz pesquisador

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“Dizer que o poder corrompe é um antigo chavão. A novidade é que esse velho axioma acaba de ser comprovado cientificamente em um trabalho de pesquisadores da Kellogg School of Management, nos Estados Unidos. Após uma série de testes comportamentais com voluntários, eles demonstraram como o poder costuma, em geral, mudar as pessoas para pior. Em testes, os poderosos não só trapaceavam mais, como se mostravam mais hipócritas ao se desculpar por atitudes que condenavam nos outros. “Os poderosos acreditam que devem ser excluídos de certas regras”, afirma o psicólogo social Adam Galinsky, professor de ética e decisões em gerência da Kellogg School of Management e um dos autores do estudo.

O poder corrompe?

Adam Galinsky – Sim, corrompe. Basicamente, apesar de o poder deixar as pessoas no centro das atenções, de estarmos todos olhando para as autoridades, os poderosos se sentem psicologicamente invisíveis. E, por causa dessa sensação de invisibilidade, eles se permitem agir de maneiras imorais, ao passo que outras pessoas não agiriam assim por medo de punição. É como se ficassem à vontade para preencher suas mais íntimas necessidades. Uma das comparações de que gosto de fazer é a história do Senhor dos Anéis. No momento que ele põe o anel, fica invisível e age mal. O poder é esse anel.

Como o senhor constatou isso?

Fizemos vários experimentos. Um deles foi com um jogo de dados. Dividimos os voluntários para a experiência em dois grupos: os muito poderosos e os pouco poderosos. Isolamos os grupos em um cubículo. Dissemos a cada um que eles ganhariam bilhetes para uma loteria conforme os pontos obtidos ao jogar os dados, que poderiam variar de 0 a 100. A média esperada era de 50 pontos. O grupo pouco poderoso anunciou ter obtido um resultado de 59 pontos, enquanto o grupo muito poderoso disse ter obtido 70 pontos. A conclusão é que o grupo pouco poderoso pode ter trapaceado com os dados, mas o muito poderoso trapeceou muito mais para conseguir mais bilhetes de loteria.

O senhor diria que a melhor s maneira de testar a identidade moral de um indivíduo é dar poder a ele?

Sim, porque o poder não apenas muda a pessoa, mas revela quem ela é de verdade. Podemos afirmar, a partir dessa pesquisa, que a experiência do poder provoca certas mudanças no ser humano – e a maior é torná-lo hipócrita.

A pesquisa chega a essa conclusão a partir de questões que envolvem superfaturar despesas de viagem ou ultrapassar o limite de velocidade. Quem faz isso está mais propenso a se tornar corrupto se chegar ao poder?

Em média, muitas pessoas, quando investidas de poder, tornam-se mais mesquinhas, afrouxam seus padrões éticos. Você está me fazendo uma pergunta diferente: se as pessoas que agem sem ética provavelmente se corromperiam no poder. “Provavelmente”, é a minha resposta.

Por que o senhor afirma que os poderosos, quando flagrados, mostram-se pouco arrependidos?

Por causa de um processo psicológico mostrado na pesquisa: os poderosos acreditam, de fato, que eles devem ser excluídos de certas regras e padrões aplicados aos demais. Ou então eles apresentam justificativas psicológicas para ter agido como agiram.

Executivos e políticos mostram-se incomodados quando o senhor comenta com eles esse tipo de comportamento?

Quando estão fora do poder, as pessoas dizem: “Eu nunca agiria dessa forma”. Temos a tendência de acreditar que não temos a mesma vulnerabilidade e que não corremos os mesmos riscos dos outros. Mas a verdade é que, investidos de poder, muitos mudam. Somos suscetíveis. A pesquisa mostra, sistemática e cientificamente, que não só as pessoasagem imoralmente quando podem, como elas se tornam hipócritas. Defendem padrões comportamentais mais rígidos para os outros do que para si mesmas. Foi o caso do governador de Nova York, Eliot Spitzer, que traiu a mulher com uma prostituta. Veio à tona depois que ele, como procurador-geral do Estado, combatia a prostituição. É nesse ponto que os poderosos caem do pedestal e a sociedade se revolta. Se eles apenas agissem mal, seria ruim, mas ainda por cima pregar o contrário do que fazem… A hipocrisia revolta. Vocês, por exemplo, têm um governador preso por obstruir a Justiça (José Roberto Arruda, governador afastado do Distrito Federal). Um governador é alguém que defende leis e comportamentos para a sociedade. Quando um político age assim, é mais revoltante do que executivos de empresas – porque executivos não necessariamente posam de modelo comportamental para os outros.

Nessa era de Big Brothers, em que câmeras revelam até gestos das autoridades em lugares onde elas pensam estar protegidas, não é mais difícil agir de forma hipócrita?

Não é uma questão de ser vigiado, mas de se sentir conectado à coletividade e obrigado a prestar contas aos outros. Mera vigilância nem sempre é eficaz e tende a dissipar seu efeito com o tempo, porque não é um processo que internaliza no indivíduo essa noção de que ele deve se explicar.

No Brasil existem cortes judiciais e celas especiais nos presídios para políticos, pessoas com nível universitário e autoridades. Isso reforça a crença de que os poderosos são pessoas diferentes?

Essa é uma questão mais complicada. Se as cortes especiais forem mais lenientes, daí você reforça o problema do tratamento especial. Se esses julgamentos forem mais rápidos e defender altos padrões éticos e legais para os poderosos, podem servir para reforçar que ninguém está acima da lei. É muito fácil para as pessoas que conquistaram certos postos atuar pelo bem delas mesmas, em vez de trabalhar pela coletividade, que as colocou lá. Costumo dizer em minhas aulas que é preciso criar algemas para os honestos: como podemos garantir que ninguém se sinta tentado a trapacear? Por isso eu nunca dou provas para fazer em casa. A tentação para fazer consultas é enorme.

A punição é capaz de conter essa tendência humana de agir mal?

O melhor caminho é fazer com que os poderosos tenham de prestar contas. O Congresso tem de fiscalizar seus políticos, o governo e dividir o poder com eles. Os processos decisórios têm de ser transparentes. Os políticos têm de estar na vitrine da sociedade, bem visíveis. No mundo dos negócios, os altos executivos também têm de ser monitorados pela diretoria, pelos conselhos. Se a diretoria for uma rede formada por “mais dos mesmos”, ou seja, por indivíduos poderosos com o mesmo padrão comportamental, aí ela não exerce sua função de controlar o presidente, que se sente, por isso, invisível para os demais. Isso resulta em histórias parecidas com as da Enron e da World Com (empresas que faliram em 2001 em meio a graves escândalos de corrupção). O combate à falta de ética e à imoralidade passa pela divisão de poder. O Executivo tem de precisar do Legislativo, porque aí há um equilíbrio quase natural de forças.

O senhor ficou surpreso com algum resultado de suas experiências?

Não, mas, se num experimento comportamental em que o poder não é uma força real acontece isso, imagine no mundo real, onde as pessoas lidam com o poder de verdade?

*Adam Galinsky é americano, 41 anos, é Ph.D. em psicologia social pela Universidade Princeton. Professor de ética e decisões em gerência da Kellogg School of Management, nos Estados Unidos. Publicou mais de 75 artigos científicos. É coautor do estudo Power increases hypocrisy (O poder aumenta a hipocrisia).

(Revista Época)