Arquivos da categoria: Racismo

MPF e polícias investigam site denunciado por apologia ao racismo e pedofilia

O Ministério Público Federal (MPF) e as polícias civis do Rio de Janeiro e de São Paulo investigam as reais motivações e os responsáveis por trás de um site denunciado por milhares de internautas por causa de textos que fazem apologia a crimes como racismo e pedofilia. Especialistas não descartam a hipótese de que a página esteja a serviço de pessoas ou grupos interessados em prejudicar desafetos; disseminar o ódio contra as minorias sociais e conquistar audiência por meio de polêmicas.

Criado em dezembro de 2017, o site que provocou a revolta de internautas com postagens intituladas “Espancar Negros Libera Adrenalina” e “Pedofilia Com Filhas de Mães Solteiras” ganhou destaque após publicar ofensas a estudantes e a um professor da UniCarioca. Todos os alvos da publicação tiveram as fotos e nomes divulgados em um texto que caracterizava a instituição de ensino como uma “senzala gigantesca”. Um dos estudantes foi ameaçado de morte pelo agressor, que reclama da presença de “negros e mestiços” em ambiente antes dominado pela “elite branca”.

Após pedir a instauração de inquérito na Procuradoria da República no Rio de Janeiro, o procurador Daniel Prazeres, do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos, solicitou a ajuda da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil fluminense para tentar identificar os responsáveis pelo site.

Quase todos os textos publicados no blog são atribuídos a Ricardo Wagner Arouxa que, segundo a UniCarioca, já estudou na instituição. Em depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, Arouxa alegou ser vítima da ação de pessoas que usam sua identidade para prejudicá-lo e se esconder das autoridades.

Em entrevista à imprensa, o delegado carioca que colheu o depoimento de Arouxa disse que o rapaz é uma vítima dos verdadeiros responsáveis pelo site. A hipótese e os motivos, no entanto, continuam sendo apurados, e a polícia não forneceu mais detalhes.

Apesar da declaração do delegado, Arouxa continua sendo atacado nas redes sociais por causa do conteúdo dos textos a ele atribuídos.

Uma das pessoas agredidas em e-mails atribuídos a Arouxa foi a advogada Janaína Paschoal, que participou do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em setembro de 2017, a advogada revelou estar recebendo e-mails com ameaças a ela e a sua família, além de cobrança de valores em dinheiro para deixá-la em paz. Após denunciar o caso à Polícia Civil de São Paulo, Janaína conseguiu o telefone do rapaz e entrou em contato com ele.

“Ele me disse que estavam usando o nome dele indevidamente. Pareceu-me que os próprios delegados não acreditaram que ele fosse o real culpado, mas nunca mais voltei a falar com ele e estou aguardando o resultado da investigação policial”, contou a advogada.

(Agência Brasil)

Sou a pessoa menos racista que você já entrevistou, diz Trump; Lembra aquela “viva alma mais honesta”?

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, negou nesse domingo (14) que seja racista. Ele foi questionado por jornalistas, na Flórida, sobre a polêmica causada por suas declarações, nas quais chamou de “países de merda” nações como o Haiti e os da África.

“Eu não sou racista. Sou a pessoa menos racista que você já entrevistou. Que posso dizer?”, respondeu Trump brevemente, ao ser abordado quando chegava para jantar em um clube de golfe da Flórida.

O presidente americano já havia desmentido, na sexta-feira (12), a informação do The Washington Post, segundo a qual ele teria dito, durante reunião sobre imigração, que o Haiti, El Salvador e países africanos são “países de merda”.

Um legislador democrata, que participou da reunião, confirmou ao jornal Los Angeles Times as declarações de Trump.

No entanto, o presidente norte-americano escreveu depois, em sua conta do Twitter, que a linguagem que usou na reunião do Daca (programa para os imigrantes que chegaram, na infância, aos EUA) foi dura, mas que não usou palavras para ofender.

Apesar do desmentido, Trump recebeu duras críticas dos países citados e de outros.

(Agência Brasil)

Polícia investiga racismo contra estudantes e professor da Unicarioca

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para investigar ofensas racistas, homofóbicas e ameaças contra seis estudantes e um professor do Centro Universitário Unicarioca. As vítimas registraram ocorrência hoje (8) na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, na zona oeste, acompanhados de uma advogada especializada, contratada pela universidade. A instituição também busca o autor ou autores das mensagens.

Sete pessoas foram citadas de maneira ofensiva pelo blog riodenojeira.com, no último fim de semana. Tiveram fotos divulgadas em um texto caracterizando a Unicarioca como “uma senzala gigantesca”. Nele, o autor chama alguns de macacos, faz ataques a mulheres e ameaça de morte um dos estudantes negros, provocando indignação.

Nas imagens reproduzidas na internet, o agressor se diz “incomodado com o tipo de gente” que tem frequentado a instituição. Ele diz que o centro universitário não recebe mais a “elite branca”, mas “negros e mestiços que entraram por cota, Prouni e Fies”, esses dois últimos, programas do governo federal para estudantes sem condições de pagar mensalidades.

O reitor da instituição, Maximiliano Damas, disse que o centro universitário repudia os ataque e toma todas as medidas legais para impedir que os casos se repitam. “Prezamos nossa qualidade, as nossas diferenças, a nossa característica de acolhimento e tolerância. O que ocorreu é diametralmente oposto ao que a Unicarioca acredita e pratica”, frisou. “Esse é um momento triste, mas temos apoiado alunos e professor para que saibam da importância deles para a sociedade e para nós”.

Alunos ofendidos pelas mensagens postaram vídeos em redes sociais cobrando que o autor dos ataques criminosos seja punido. “Eu tenho 25 anos e nunca tinha sofrido racismo de forma direta”, declarou o estudante Luiz Fernando Ferreira. “Mas além de me ameaçar de morte, [o autor] me chamou de homossexual, como se isso fosse ofensa, ainda foi homofóbico”, completou.

O caso está sendo acompanhado também pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos. A pasta encaminhou a denúncia ao Ministério Público.

O blogriodenojeira.com publicou as postagens no sábado (6). No momento, está fora do ar e não respondeu à reportagem.

(Agência Brasil)

Ninguém nasce racista

Caso da estudante de Jornalismo, vítima de racismo em Aracaju, ganha debate em duas comissões na Câmara Federal

O caso da estudante de Jornalismo na Universidade Tiradentes (Unit), em Aracaju, Thamires Menezes, 20, vítima de preconceito à raça, à etnia e às características físicas, será debatido na terça-feira (26) pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e pela Comissão de Educação da Câmara Federal.

O debate foi provocado pela deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ), que acredita que a “discussão desse episódio específico proporcionará o debate de medidas capazes de prevenir e combater o racismo nas escolas, abrangendo desde o fortalecimento de políticas públicas até o estímulo à prática de atividades pedagógicas sistemáticas nas escolas das redes públicas e privadas de educação”.

Em junho deste ano, o professor da disciplina Comunicação e Expressão Oral – técnicas de dicção – teria dito em sala de aula que o tipo de penteado da estudante não servia para ser âncora de telejornal, na melhor das hipóteses uma repórter ou moça do tempo.

Apesar de não ser especialista na área de Jornalismo – o professor é fonoaudiólogo -, o docente alegou que o cabelo da estudante chamaria mais atenção que a notícia.

A estudante alega que foi desestimulada pela Coordenação do Curso de Comunicação Social e pela própria direção da Unit a desistir da denúncia, pois não teria ocorrido “racismo ou injúria na aula”.

A estudante alega, ainda, que os colegas da disciplina passaram a tratá-la com indiferença, depois que o professor passou a se reunir com os estudantes, fora da sala de aula.

(Com agências / Foto: Reprodução)

Beleza negra do Piauí vence Miss Brasil e agora sofre preconceito nas redes sociais

A estudante universitária Monalysa Alcântara, 18, é a primeira piauiense eleita Miss Brasil, em disputa na noite desse sábado (19), em Ilhabela, no litoral paulista. A cearense Alexia Duarte, 21, foi a vencedora da disputa de maquiagem e ficou entre as 10 mais belas do concurso.

Logo após a conquista, Monalysa Alcântara, de cor negra, passou a sofrer ataques racistas nas redes sociais, a maioria de internautas da Região Centro-Oeste.

Em defesa da piauiense, a atriz global Grazi Massafera postou que Monalysa possui “a cara do Brasil, linda, elegante, carismática”.

Racismo aumenta nos EUA, dizem especialistas da ONU

Um grupo de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) em direitos humanos sustentaram nesta quarta-feira (16) que o racismo e a xenofobia aumentam nos Estados Unidos e que os incidentes racistas vividos no final de semana em Charlottesville são o último exemplo desta tendência. A informação é da Agência EFE.

“Estamos alarmados pela proliferação e a saliência que ganharam os grupos que promovem o racismo e ódio. Atos e discursos deste tipo devem ser condenados sem panos quentes, e os crimes de ódio investigados e seus autores punidos”, exigiram mediante um comunicado emitido em Genebra.

Um seguidor neonazista assassinou no sábado uma mulher e feriu várias pessoas em Charlottesville (estado de Virgínia) ao lançar seu veículo contra manifestantes que protestavam pela presença de supremacistas brancos na cidade.

Outra evidência da preocupante da situação nos Estados Unidos é o aumento de manifestações de anti-africanas, disseram o relator da ONU contra as formas contemporâneas de racismo, Mutuma Ruteere; e os presidentes do grupo de trabalho sobre povos africanos, Sabe-o Gumedze; e do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial, Anastasia Crickley.

No caso de Charlottesville, os especialistas enfatizaram que os manifestantes de extrema direita lançaram slogans contra pessoas negras e imigrantes e de corte antissemita.

Os três lembraram também que incidentes parecidos ocorreram recentemente na Califórnia, em Oregon, Nova Orleans e Kentucky, “o que demonstra a extensão geográfica do problema”.

“O Governo deve adotar todas as medidas efetivas de forma urgente para controlar as manifestações que incitam à violência racial e entender como estas afetam a coesão social”, disseram.

Os especialistas expressaram também seu pesar pela morte de dois oficiais da policia após a colisão de seu helicóptero quando vigiavam a situação em Charlottesville.

(Agência Brasil)

E quando a questão racial volta aos noticiários internacionais…

Atacando a democracia: desconhecimento ou maldade?

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Em artigo enviado ao Blog, o professor Francisco Djacyr Silva de Souza aponta o crescimento de mensagens homofóbicas e racistas nas redes sociais. Confira:

Em tempos de democracia, algumas pessoas tinham medo de destilar seus prazeres homofóbicos, racistas e ditatoriais , pois ainda havia a tal cerimônia de se rotularem assim. Em meio à derrocada de alguns partidos de tendência esquerdista, que ao chegarem ao poder, acabaram colocando os pés pelas mãos, vemos agora em nosso país a quase completa dominação deste tipo de gente que agora não tem nenhum receio de postar suas verborragias antipopulares e antidemocráticas. Cresce a perseguição aos que ousam e querem uma sociedade melhor.

Assim, mensagens homofóbicas e racistas têm invadido as redes sociais, os noticiários e até mesmo os partidos políticos, em nome de uma ordem que visa manter as desigualdades sociais e evitar a inclusão dos que sofreram anos de amargura sem direitos e tragados pelo apartheid social.

O que salta aos olhos é que muitas destas mensagens são emitidas por pessoas com formação superior e com posição social alta. O que faz parecer é que há uma espécie de temor de perder determinados privilégios que, para muitos, é comum ou fazem parte da própria construção da sociedade. Essa ideias são eivadas de egoísmo, desejo consumista e individualismo e passam a ideia de que muitos não tiveram na escola uma formação que visasse valores e que levasse os seres humanos a serem mais humanos, pensando nos outros e buscando um ideal de companheirismo e partilha, valores contidos na maioria dos manuais religiosos dos que cometem tais crimes. Sim, crimes contra a humanidade , contra a vida e contra a democracia.

É perigosa a convivência com pessoas que adotam teses racistas, homofóbicas e antidemocráticas e que elogiam a tortura e os crimes cometidos contra os humanos. É triste ver o crescimento de ideias conservadoras em uma sociedade que é plural e que precisa refletir sobre a necessidade de entender a vida como dádiva que é merecimento de todos.

Além disso, vemos ideias deslocadas de sentido em que até a bandeira do Japão foi confundida como símbolo comunista. Falta a estes grupos estudo – que não é escolar – pois, com a falência do modelo educacional brasileiro, está cada vez mais fácil conseguir um diploma que para muitos é símbolo de conhecimento e que na realidade nunca será.

Além do mais, algumas denominações religiosas promovem ideologias absurdas que acabam embebedando os menos avisados. que destilam sua intolerância e fanatismo perigoso para um país que precisa entender que a vida é para todos. Ou não é?

*Francisco Djacyr Silva de Souza,

Professor.

Há 60 anos, Mandela era preso por traição; Oito anos depois era condenado à prisão perpétua

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Tema da redação do segundo dia do Enem é sobre caminhos de combate ao racismo

O tema da redação da segunda aplicação do Enem 2016 é: “Caminhos para combater o racismo no Brasil”. A informação foi divulgada pelo Twitter do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep).

São 277.624 candidatos inscritos para a segunda aplicação do Enem. A maior parte desses alunos teve as provas adiadas por causa das ocupações em escolas e universidades públicas do país no mês de novembro.

As provas são diferentes daquelas aplicadas dias 5 e 6 de novembro, mas mantêm o mesmo nível de dificuldade, o que, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), garantirá a isonomia entre os candidatos.

(Agência Brasil)

Obama nega que EUA vivam racha entre brancos e negros

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou novamente os casos de violência policial e racial que atingiram o país e voltou a pedir mudanças na legislação sobre a venda de armas de fogo. Em Varsóvia, Obama disse neste sábado (9) que esta foi “uma semana dura”, mas se negou a dar vazão para a ideia de que os EUA estejam divididos em um novo conflito entre brancos e negros.

“Acredito firmemente que a América não está dividida como alguns sugerem”, disse Obama em coletiva de imprensa. “Os norte-americanos de todas as raças estão indignados com os ataques em Dallas e em outros lugares”, explicou.

Há dois dias, um protesto em Dallas contra a violência policial terminou em tragédia, quando um homem, identificado como Micah Xavier Johnson, matou cinco agentes e feriu outros seis, aparentemente por vingança pela suposta brutalidade empregada pelos oficiais brancos contra jovens negros. Os episódios mais recentes de brutalidade se referem a três rapazes negros que foram mortos a tiro em abordagens policiais.

Em seu discurso, Obama tentou amenizar o clima entre os norte-americanos e afirmou que o atirador de Dallas “não representa os negros” dos Estados Unidos. “Não podemos deixar que ações de poucos definam todos os norte-americanos”, comentou o presidente.

(Agência Brasil)

Ludmila vai à Polícia após sofrer ataques racistas na internet

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A cantora funkeira Ludmila foi a Delegacia de Repressão aos Crimes na Internet, na Cidade da Polícia, zona norte do Rio, nessa segunda-feira, dar queixa contra um homem que lhe fez ataques racistas numa rede social.

Segundo o empresário da artista, não é a primeira vez que ela recebe ofensas raciais pela internet e por isso, a assessoria da cantora já fez um levantamento sobre o homem que fez os ataques.

Em sua conta pessoal, no Instagram, Ludmilla postou uma foto que mostra os comentários feitos contra ela. Um dos usuários a chamou de ‘macaca’ e disse odiar a cantora.

Não é o primeiro caso de agressões racistas contra artistas. Recentemente, as atrizes Tais Araújo e Cris Viana também já denunciaram casos do gênero, bem como a jornalista Maria Júlia Coutinho (Maju).

(Foto – Reprodução do Instagram da cantora)

ONG alerta para possíveis casos de racismo e homofobia nos Jogos Olímpicos

A organização não governamental (ONG) Fare Network fez durante todo mês de fevereiro uma campanha global para chamar a atenção para a homofobia no futebol. O Football v Homophobia é uma iniciativa que desde 2010 busca promover ações positivas contra a discriminação com base na identidade de gênero no esporte. Em 2016, cerca de 20 grupos europeus – entre clubes, ligas e ONGs – aderiram à campanha e organizaram atividades relacionadas à luta contra a homofobia em diversos países europeus.

Agora, a preocupação da organização é com a Olimpíada no Brasil. A ONG acompanhou de perto a Copa do Mundo de 2014, no Rio de Janeiro, e fez um relatório listando 14 incidentes. A entidade já entrou em contato com a organização Rio 2016 se oferecendo para acompanhar de perto os Jogos Olímpicos.

A Fare Network explica que a preocupação com o Brasil leva em conta a diversidade étnica do país. “Uma sociedade multiétnica como a do Brasil não é geralmente associada a questões de discriminação, mas esta ideia contrasta com uma realidade de uma população racialmente diversificada, mas economicamente estratificada em que o racismo é muito presente. Em 2013, a ONU disse que o racismo no Brasil permanece institucionalizado e injustiças históricas continuam a afetar profundamente a vida de milhões de brasileiros”.

(Agência Brasil)

Oscar sem indicados negros: sintoma da falta de inclusão

Em artigo no O POVO deste sábado (22), o jornalista Fernando Graziani comenta da ausência de atores e atrizes negras na premiação do Oscar, pelo segundo ano seguido. Confira:

Spike Lee foi certeiro ao dizer, nesta semana, que mais importante do que qualquer prêmio é o trabalho. O diretor de cinema se referia ao Oscar de 1989, quando seu filme “Faça a Coisa Certa” foi derrotado e, hoje, é exibido e ensinado em centenas de colégios e faculdades, deixando um legado importantíssimo. O assunto surgiu porque Spike – posteriormente Will Smith, Jada Pinkett e uma série de apoiadores – confirmou que estará ausente da cerimônia do Oscar deste ano como protesto pela não indicação, pelo segundo ano seguido, de nenhum profissional negro entre os 20 postulantes a melhor ator e atriz.

O tema é delicado e tem causado enorme polêmica. Será a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas racista? Para escrever este artigo, conversei com bastante gente, ouvi e li muitas declarações e há uma impressão geral, correta na minha visão, da existência de um grave problema de inclusão, em que o racismo é um dos fatores, mas que não dá para achar que os seis mil votantes do Oscar espalhados pelo planeta são racistas.

Cheryl Boone Isaacs, Reggie Hudlin e Chris Rock são negros e respectivamente, presidente da Academia, produtor do evento e apresentador da cerimônia. Sidney Poitier, Louis Gossett Jr, Denzel Washington, Cuba Gooding Jr, Whoopo Goldberg, Halle Barry, Morgan Freeman, Jamie Foxx, Jennifer Hudson, Forest Whitaker, Mo’Nique, Ocatvia Spencer e Lupita Nyong’o também são negros e todos vencedores do Oscar, fora os dezenas que já estiveram entre os indicados no decorrer do tempo por terem feitos trabalhos brilhantes.

O que há, de forma evidente, situação reconhecida de forma bastante oportuna pela própria Academia na semana passada, é uma estrutura problemática e que precisa ser mudada. Um sistema que clama por diversificação e que não envolve apenas raça, mas gênero, etnia e orientação sexual. Viola Davis, espetacular atriz da série How to Get Away with Murder (se você não viu, deveria) resumiu bem. “Tudo isso é um sintoma de uma doença muito maior. Você pode até mudar a Academia, mas, se não há filmes para negros sendo produzidos, o que há para se votar?”

Aplicativo vai monitorar mensagens de ódio e racismo nas redes sociais

Um aplicativo na internet vai monitorar postagens nas redes sociais que reproduzam mensagens de ódio, racismo, intolerância e que promovam a violência. Criado pelo Laboratório de Estudos em Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o instrumento será lançado este mês e permitirá que usuários sejam identificados e denunciados.

De acordo com o professor responsável pelo projeto, Fábio Malini, os direitos humanos são vistos de maneira pejorativa na internet e discursos de ódio têm ganhado fôlego. “É preciso desmantelar esse processo”, defende. Por meio da disponibilização dos dados, ele acredita que é possível criar políticas públicas “que amparem e empoderem as vítimas”.

Encomendado pelo Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, o Monitor de Direitos Humanos, como foi batizado o aplicativo, buscará palavras-chaves em conversas que estimulem violência sexual contra mulheres, racismo e discriminação contra negros, índios, imigrantes, gays, lésbicas, travestis e transexuais. Os dados ficarão disponíveis online.

(Agência Brasil)

Pouca presença de negros na TV leva a racismo na infância, dizem especialistas

Apesar de pouco discutido, o racismo na infância e nas escolas existe e precisa ser enfrentado, na opinião de professores e especialistas. Eles destacam a pouca representação de crianças negras nos meios de comunicação como uma das causas do problema.

Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da instituição, Renísia Garcia Filice acredita que o racismo existe dentro das escolas e ocorre de forma cruel, efetiva e naturalizada. Para ela, essa atitude na infância é fruto do que a criança viu ou vivenciou fora do ambiente escolar.

“A criança pode ter vivenciado isso numa postura dos pais, em algum comentário ou até em algo que os professores fizeram ou deixaram de fazer”, diz Renísia. Segundo ela, alguns professores se omitem em situações de racismo pela falta de informação, por naturalizar os casos ou achar que não é um problema. “Por isso, são necessárias práticas pedagógicas para que as crianças se percebam iguais e com iguais direitos”, acrescenta.

Ildete Batista dá aula para crianças de 5 anos em uma escola no Distrito Federal. Ela afirma que as questões raciais aparecem principalmente no momento de disputa e durante as brincadeiras. Professora há mais de 20 anos, Ildete afirma que faltam referências para as crianças. “O que fica como belo é o que se aparece na TV, nos livros – inclusive nos materiais didáticos. A gente vê muitas propagandas, livros de histórias infantis em que os personagens são brancos”.

Segundo o professor do curso de direito da UnB Johnatan Razen, quando há ofensas entre crianças, no colégio, os pais devem relatar o caso à escola, para a que a instituição promova ações educativas. “Se o caso envolver um professor ou a ofensa vier da instituição – como obrigar uma aluna a alisar o cabelo –, cabe acionar a Justiça”, orienta. Se tiver conhecimento de atitudes racistas dentro do espaço e se omitir, a escola também pode ser responsabilizada penalmente, de acordo com Razen.

Para a professora do curso de comunicação social da Universidade Católica de Brasília (UCB) Isabel Clavelin, há uma tendência de aumento na representação de crianças negras nos meios de comunicação, nos últimos anos. “Mas elas figuram em papéis de coadjuvantes, e a representação está aquém da proporção de negros no Brasil”, diz a pesquisadora.

A escritora Kiussam de Oliviera, que trabalha com a literatura infantil com o objetivo de fortalecer a identidade das crianças negras, afirma que falta representação positiva. “Em um país de maioria negra, não se justifica uma televisão totalmente branca, como nós temos. A partir do momento que as emissoras entenderem que o público negro é grande, nós viveremos uma fase diferente desta que estamos passando, onde há violência por conta da cor da pele, agressões focadas na raça – cada vez mais banalizada”.

(Agência Brasil)

Negros e religiões africanas são os mais discriminados, mostra Disque 100

Apesar de praticadas por apenas 0,3% da população, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as religiões de origem africana são as que mais sofrem discriminação. Os dados são do Disque Direitos Humanos, o Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), de 2011 a 2014, que apontam que do total de 504 denúncias, 213 informaram a religião atacada. Em 35% desses casos, trata-se de religiões de matriz africana.

De 2011 – quando o Disque 100 começou a receber denúncias específicas de discriminação religiosa – a 2014, foram feitas 504 denúncias e 597 pessoas foram vítimas do preconceito, pois uma mesma denúncia pode envolver mais de uma vítima. Entre as 345 vítimas que declararam a cor, 210 são pretas ou pardas. O número representa 35,2% do total de vítimas e 60,8% do total de vítimas que declararam a cor de pele.

“O preconceito religioso é real, há discriminação religiosa, mas há de se considerar a questão racial como processo que ainda vigora no Brasil em relação a pretos e pardos”, avaliou o coordenador de Segurança, Cidadania e Direitos Humanos, da SDH, Alexandre Brasil.

“O Disque 100 é um instrumento recente no Brasil e não representa todos os casos de violação. Os dados são importantes para reconhecer e identificar as violações. Eles mostram a presença de discriminação maior em relação às religiões afro-brasileiras. Isso provavelmente é muito associado a questões de racismo e mesmo à história da sociedade brasileira de negação dessa tradição religiosa”, acrescentou o coordenador.

Em segundo lugar no ranking da SDH, com 27% das denúncias com identificação, está a religião evangélica, praticada, segundo o Censo, por 22,2% da população brasileira. O coordenador explica que o racismo está também na discriminação contra os evangélicos.

(Agência Brasil)

MP apura racismo e injúria contra apresentadora do tempo da TV Globo

foto maju jornalista

Os ministérios públicos (MP) dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo se pronunciaram nessa sexta-feira (3) a respeito das ofensas sofridas em rede social pela apresentadora da Rede Globo, Maria Júlia Coutinho. O MP de São Paulo, segundo publicação no site da instituição, anunciou que foi instaurado “procedimento investigatório criminal” para apurar prática de racismo e injúria, qualificada contra a apresentadora.

A medida foi instaurada pelo promotor de Justiça Criminal, Christiano Jorge Santos, segundo o texto, depois de tomar conhecimento dos comentários feitos pelos internautas. O MP paulista ressalta que “caso de racismo é crime imprescritível e inafiançável. Já a injúria racial prevê pena de reclusão de um a três anos”.

No Rio de Janeiro, o MP informou, também pelo site da instituição, que sua Coordenadoria de Direitos Humanos solicitou à Promotoria de Investigação Penal que acompanhe o caso, com rigor, junto à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática. De acordo com o MP-RJ, na quinta-feira (2) a produção do Jornal Nacional publicou uma foto da apresentadora que faz a previsão do tempo. “Desde então, diversas mensagens ofensivas e de conteúdo racista têm sido direcionadas à repórter”, diz o texto.

Diante dos comentários, internautas postaram mensagens de apoio à apresentadora em diferentes redes sociais. “Destilar preconceito via internet é crime”, disse um usuário em rede social. “Por um Brasil com mais respeito e igualdade para todos”, disse outro.

(Agência Brasil)

Movimentos sociais: racismo é causa do alto índice de mortes de jovens negros

Movimentos sociais afirmam que o alto índice de assassinatos de jovens negros no Brasil se deve ao racismo. Eles participaram nessa sexta-feira (8) de audiência pública na Câmara Federal, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a violência contra jovens negros e pobres.

Durante o debate em Brasília, Geovan Bantu, representante do Fórum Nacional de Juventude Negra de Salvador, destacou que ele mesmo se encaixa no perfil de “suspeito padrão”, ou seja, o negro entre 15 e 29 anos de idade, morador das periferias das cidades brasileiras.

Segundo Bantu, essa imagem do “suspeito padrão” está inserida na sociedade e suas instituições, principalmente as polícias, que veem esse jovem como um inimigo do Estado a ser eliminado.

O presidente da CPI que investiga a violência contra jovens negros e pobres, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), informou que a CPI criou uma comunidade virtual para debater o tema. Quem quiser participar é só acessar a página (edemocracia.camara.leg.br).

Na segunda-feira (11), a CPI promoverá nova audiência pública, dessa vez na Assembleia Legislativa da Bahia, a partir das 9 horas.

(Agência Câmara Notícias)