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Presidente do Conselho Estadual de Segurança receberá a Medalha José Martiniano de Alencar

O presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, advogado criminalista Leandro Vasques, será homenageado pelo Comando Geral da Polícia Militar do Ceará.

Nesta quara-feira, às 16 horas, Leandro receberá, em solenidade no QG da PM, a Medalha José Martiniano de Alencar, a mais alta distinção da Corporação, pelos bons serviços prestados à Polícia Militar.

Chacina de Messejana – Mais oito réus vão a julgamento

Mais oito policiais militares deverão ser levados a júri popular pelo caso conhecido como Chacina da Messejana. Os acusados pronunciados são: Marcílio Costa de Andrade, Eliézio Ferreira Maia Júnior, Marcus Vinícius Sousa da Costa, Antônio José de Abreu Vidal Filho, Wellington Veras Chagas, Ideraldo Amâncio, Daniel Campos Menezes e Luciano Breno Freitas Martiniano. Decidiu, nesta terça-feira, o Colegiado de 1º Grau, com atuação na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, instalada no Fórum Clóvis Beviláqua.

Eles serão julgados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima (em relação a 11 vítimas fatais), tentativa de homicídio duplamente qualificado, também por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima (em relação às três vítimas sobreviventes), além de tortura física em relação a outras três vítimas e tortura psicológica em relação a uma.

Dos oito réus denunciados, sete tiveram a prisão preventiva revogada. Esta havia sido decretada por motivo de garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal, mas, com o encerramento da primeira fase da instrução processual, o Colegiado entendeu que a manutenção da prisão não se faz mais necessária, por isso substituiu por medidas cautelares. Apenas para um dos réus foi mantida a prisão, pelo fato de este já responder a outra ação, também por crimes dolosos contra a vida.

Os réus deverão cumprir as seguintes medidas cautelares, sob pena de terem a prisão novamente decretada: não poderão exercer atividade policial externa, restringindo-se ao trabalho administrativo; não poderão se ausentar de Fortaleza, por prazo superior a oito dias, sem prévia informação à Justiça; e não poderão manter contato com as vítimas sobreviventes e com as testemunhas do processo, seja pessoalmente, por intermédio de outras pessoas ou por qualquer meio de comunicação.

Outros dez réus, que também haviam sido denunciados neste processo, foram impronunciados, por ausência nos autos de indícios suficientes de autoria ou de participação. Em relação a esses, o Colegiado ressalta que poderá ser formulada nova denúncia ou queixa se houver nova prova.

Além desta ação, outros dois processos tramitam em paralelo, sobre o mesmo caso, com diferentes réus. O primeiro teve sentença de pronúncia proferida, no último dia 18 de abril, quando ficou definido que outros oito réus deverão ser levados a julgamento. O último processo está aguardando decisão do Colegiado.

Opositor do governo, Capitão Wagner entrega um plano de segurança para titular da SSPDS

O deputado estadual Capitão Wagner (PR) foi `à sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS), no bairro São Gerardo, e entregou ao titular da pasta, delegado federal André Costa, um conjunto de propostas intitulado “Plano de Ações para a área da Segurança do Estado”.

“São 28 projetos feitos e pensados por várias pessoas. O senhor (Andre Costa) analisa e o que for da pasta segurança, peço que se for necessário, acate, e as demais demandas, de outras pastas, por favor encaminhar. Entendemos que segurança não se faz sozinho. Estamos aqui para contribuir”, disse Wagner.

Esta é a terceira vez que Capitão Wagner entrega o plano do gênero para representantes da área do governo Camilo Santana (PT). A entrega ocorreu na presença de membros de associações da área da PM.

Haviam recebido esse conjunto de propostas ex-titular da SSPDS, delegado federal Delci Teixeira, e o próprio Camilo Santana. Entre as propostas, a criação de grupos de análise de inteligência, reestruturação do policiamento comunitário, trabalhos de ressocialização de presos até a proibição da venda de bebidas alcoólicas após determinados horários.

Vem aí uma megaoperação contra o crime no Ceará

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS), a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus), a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal darão coletiva de imprensa nesta segunda-feira, às 17 horas, na sede da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ). O objetivo é tratar “dos esforços dos órgãos na redução da criminalidade no estado do Ceará.”

Estarão presentes o procurador-geral de Justiça, Plácido Rios, o secretário da Segurança Pública, André Costa, a secretária de Justiça, Socorro França, o superintendente da Polícia Federal, Delano Cerqueira Bunn, e o superintendente da Polícia Rodoviária Federal do Ceará, Stênio Pires.

Após a coletiva, será realizada a reunião mensal restrita aos representantes dos órgãos de inteligência e segurança pública.

Um alerta sobre a segurança pública do Estado

Eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira, cujo título é Alerta na segurança pública”. Aborda o aumento dos homicídios no Estado. Confira:
Dos quatro meses deste ano, só em fevereiro, mês curto e com feriados, houve redução dos homicídios no Ceará. Em janeiro e março ocorreram aumentos. Levantamento preliminar realizado pela reportagem do O POVO aponta para abril um crescimento vertiginoso na quantidade de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs).

Foi um mês delicado para a segurança no Ceará. Um clima de violência foi instalado com uma série de atentados entre os dias 19 e 23 de abril: 36 ataques a ônibus, delegacias, prédios estatais, veículos de concessionárias de serviços públicos e agências bancárias. As ações teriam sido organizadas de dentro dos presídios e foram reivindicadas pela facção Guardiões do Estado (GDE).

É muito provável que os ataques tenham sido motivados por medidas mais duras do Governo no âmbito dos presídios, principalmente a transferência de presos. Sendo verdade, é aconselhável que o Governo mantenha suas decisões e até as aprofunde. O pior dos caminhos é o Estado ceder aos desígnios de organizações criminosas.

De toda forma, os resultados negativos dos CVLIs em 2017 devem ser vistos como alerta para um Governo que vinha se acostumando a uma sequência de quedas nos índices de homicídios. O mais importante é saber o que aconteceu para que tenha se concretizado tanto a inversão dos números quanto das expectativas.

Identificadas as causas do aumento da violência, cabe ao Governo do Ceará promover mudanças na política de segurança, adequações e novas medidas para que seja retomado o ciclo positivo verificado em 2016.

Talvez seja até o caso de o próprio secretário, André Costa, rever sua postura de confronto direto com criminosos via redes sociais. Afinal, para apoiar seus mais valorosos policiais, o secretário não precisa fazer a apologia do prendo e arrebento.

É sempre importante ressaltar que o combate à violência é transversal às várias pastas estaduais. Além disso, o papel do Poder Judiciário é crucial. Que a Justiça foque sua atuação na celeridade e na qualidade das decisões. Vale notar que no mesmo momento em que aumenta o índice de homicídios, o público é bombardeado pela notícia da prescrição de um assassinato cometido há 23 anos. São fatos que se entrelaçam.

Órgãos de segurança e da Justiça avaliam a criminalidade no Ceará

Os esforços dos órgãos de segurança pública e da Justiça na redução da criminalidade no Ceará. Este é o tema da coletiva à imprensa, nesta segunda-feira (8), a partir das 17 horas, na sede da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), no Centro.

Além do Ministério Público, participam ainda do encontro os representantes da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Os representantes de cada órgão deverão firmar compromisso de encontros mensais, como forma de implantar um serviço de inteligência em operações conjuntas no combate à criminalidade.

Politicagem com a desgraça e o caos

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (23):

O pior erro que um político pode cometer é usar as desgraças a favor de suas pretensões políticas. O julgamento da população costuma ser duríssimo. Foi precisamente o que fez o deputado estadual Capitão Wagner (PR), ao usar a tribuna da Assembleia para atacar o governador Camilo Santana, chamando-o de “frouxo”.

Como não poderia deixar de ser, recebeu uma resposta à altura. No momento em que um grupo criminoso aterroriza a população, é hora de baixar o tom da política. É hora de unir forças e combater o criminoso, e não o operoso secretário da Segurança ou o governador. Afinal, o ataque do terror nada mais é que uma reação a medidas do Governo que os criminosos não gostaram, como prisões ou transferências de presos.

A semana do Capitão Wagner não foi das melhores. No mesmo dia em que o crime incendiava mais de uma dezena de ônibus na cidade e tentava tornar a cidade refém de bandidos, o deputado arregimentou sua tropa para mobilizar empresários do ramo de confecções que ocupam ruas do Centro, como a tombada rua José Avelino. O Capitão quer ser prefeito. Uma das obrigações do síndico da cidade é organizá-la, impedindo ocupações ilegais e invasões do espaço público. Se há uma dinâmica econômica que interessa à cidade, é então papel do município articular uma boa saída. No caso, incentivar a instalação dos negócios que estão na rua em espaços adequados. É precisamente o que vem sendo feito.

A cidade (Fortaleza 2040) definiu uma área geográfica (Jacarecanga) para receber aquela atividade econômica. Daí provocou a iniciativa privada para que construísse shoppings populares com estacionamento, hotelaria, praça de alimentação e banheiros para receber em condições civilizadas e corretas do ponto de vista urbano, tanto vendedores quanto compradores. É um imenso desserviço para a já sofrida loura desposada do sol um movimento que quer manter a caótica, suja, irregular e perigosa feira nas ruas históricas de nosso Centro.

Os atentados e a estratégia política

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (22), pelo jornalista Érico Firmo:

A crise da segurança pública em Fortaleza, desencadeada em série de atentados, marcou ponto de inflexão no debate político entre o governador do Estado e seu mais popular opositor. Desde a campanha eleitoral de 2014, Camilo Santana (PT) sempre evitou bater de frente de forma mais direta com Capitão Wagner (PR). Não faltaram ataques ao deputado, mas partiram principalmente de Ciro Gomes (PDT).

Da parte do Capitão, ele vinha há alguns meses em busca de discurso para confrontar o governo. A nomeação de André Costa para secretário da Segurança Pública desarmou o discurso de Wagner. O novo gestor age e fala de forma a agradar a categoria na qual o deputado tem reduto eleitoral e militância. O deputado vinha no equilibrismo entre criticar a segurança sem poder falar do secretário que se tornou querido nas corporações policiais.

Na quinta-feira, Wagner ensaiou um discurso possível. “Não dá para ter um secretário de Segurança valente com um Governo frouxo, não. O secretário de Segurança pode ser um super-homem que sozinho não vai sanar os problemas de segurança do Estado do Ceará”.

Camilo acusou o golpe: “Isso é coisa de moleque, eu acho que se aproveitar do momento pra querer tirar vantagem política, infelizmente eu não vou entrar nesse jogo”. O governador não havia desqualificado nenhum crítico, nenhum opositor em termos tão duros. A gestão Camilo atravessou sua semana mais delicada até aqui – e olha que não faltaram crises nas mais diversas áreas, da saúde à economia, passando pela seca. A série de atentados é marco não só de postura inacreditavelmente atrevida da criminalidade, mas também de aumento em alguns graus da temperatura política.

Detalhe a respeito da fala do Capitão Wagner sobre o clima de terror que se instalou na Cidade: a última vez que Fortaleza passou por dias de tanto medo e tão atribulados foi na greve dos policiais na virada de 2011 para 2012. Naquela ocasião, Wagner era o principal líder do movimento.

Ataques a ônibus – O crime não pode vencer o Estado, diz presidente do Senado

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), se colocou à disposição para ajudar o Governo do Ceará no combate aos ataques a ônibus pela criminalidade. Eunício disse que a Força Nacional estará no Estado, assim que solicitada.

Ônibus incendiados – Luizianne diz que ataques são resultados da falta de um olhar prioritário para o trabalho preventivo

Em artigo enviado ao Blog, a deputada federal Luizianne Lins (PT) sugere investimento em política para a juventude, como forma de evitar investida da criminalidade. Confira:

Estou em Brasília, nas funções de deputada federal, mas acompanhando o que vem acontecendo em nossa cidade. E estou triste e preocupada com essa onda de ataques que já resultou em vários ônibus incendiados em diversos bairros da cidade. Uma situação de extrema insegurança e dificuldade de se locomover, com milhares de trabalhadores e trabalhadoras que não sabem sequer como e se vão chegar em casa! Os ataques a outros veículos, bem como a delegacias e agências bancárias somam-se aos crimes e aumentam a onda de medo entre a população.

Nós já sabemos que esse caos vem da falta de um olhar prioritário para o trabalho preventivo. Está cada vez mais fácil para o crime organizado recrutar jovens para o próprio crime. Isso não acontece por acaso. Há um somatório de promessas não cumpridas e desmonte de políticas públicas em áreas que deveriam ser prioritárias.

Em relação a novos Cucas para juventude, que tinham sido prometidos, nenhuma obra foi sequer iniciada nos últimos quatros anos. Houve redução do orçamento para áreas de trabalho, esporte e cultura. Acumulam-se as reclamações sobre a falta de condições para o trabalho preventivo na Guarda Municipal. Assistimos o desmonte do trabalho social com dependentes químicos e pessoas em situação de rua. Na outra ponta, também por consequências de ações como essas, é que os policiais acabam tendo que arriscar suas vidas, trabalhando sob pressão.

Neste momento, quero pedir ao nosso povo, já tão conhecido como uma gente solidária, para que se ajude – seja uma carona, uma proteção ou qualquer gesto companheiro. Estamos acompanhando de perto as explicações e as providências das autoridades competentes. Na última eleição para a Prefeitura se falou muito em segurança – pois bem – porque não falar disso agora?

Camilo prorroga concursos em homenagem a policiais e bombeiros

No dia do patrono da Polícia, o governador Camilo Santana (PT) anunciou a prorrogação do concurso para delegado, inspetor e escrivão, além de soldado e bombeiro militar.

Ao ressaltar as ações do Governo do Ceará no reforço da segurança pública, Camilo lembra a convocação de 650 policiais civis, 1.400 PMs em treinamento e outros 2.800 que serão chamados.

Luta contra o crime – Ação e reação

Editorial do O POVO desta sexta-feira (21) alerta que, na luta contra o crime, o uso político dos acontecimentos é pernicioso e deve ser evitado. Confira:

Seja qual for o ângulo em que os fatos sejam observados, o conjunto premeditado de atos em série instituindo o clima de terror na população é uma reação do crime organizado contra decisões na área de segurança pública que certamente implicaram prejuízos aos negócios das organizações criminosas.

Não é uma novidade. Ocorrências similares em diversas ocasiões tanto no Ceará quanto em outros estados do País possuíam a mesma motivação. É importante compreender a lógica do crime organizado como uma atividade econômica que esperneia ao seu modo quando sofre reveses.

Precisamente, vejam o que aconteceu em janeiro passado no Rio Grande do Norte. No estado vizinho, a ação do Governo para retomar o controle de uma penitenciária, com a remoção de dezenas de presos, gerou uma onda de violência e terror bastante similar à que se verifica agora em Fortaleza e Região Metropolitana.

Chegamos a este ponto: a elementar ação das forças de segurança para transferir presos ou impedir a comunicação de presidiários via celulares é o suficiente para desencadear reações violentas nas ruas. É claro que o objetivo do crime é intimidar tanto o Estado quanto a sociedade, tornando-os reféns de seus interesses.

É claro que a reação das forças de segurança precisa ser dura e efetiva. Recuos serão vistos como sinais de fraqueza e darão aos criminosos a ideia de supremacia. Porém, é fundamental que a inteligência se alie à força. Investigações bem feitas certamente vão chegar aos líderes e organizadores dessas investidas contra a civilização.

Não é razoável na era da tecnologia que o estado brasileiro não consiga eliminar a possibilidade de uso de aparelhos celulares no interior de presídios. Trata-se de uma obviedade ainda não executada. Sim, um sinal de fracasso que alimenta o vigor e a desenvoltura das organizações criminosas. De toda forma, deve persistir o trabalho de isolar presos que lideram as investidas nas ruas.

Na luta contra o crime, o uso político dos acontecimentos é pernicioso e deve ser evitado. Outro fato chama a atenção: enquanto a assustada população era acossada por incendiários, um grupo de policiais do Ceará promovia a absurda tentativa de invadir o Congresso, em Brasília, para intimidar parlamentares. No mínimo, um fato a se refletir.

O Estado falhou duas vezes

Da Coluna Política, no O POVO desta sexta-feira (21), pelo jornalista Érico Firmo:

A inteligência da segurança pública do Ceará falhou, mas não apenas ela. A Polícia foi surpreendida pela inacreditável série de atentados da quarta-feira. Não foi possível antecipar-se para evitar que ocorressem. Quando estavam em curso, tampouco se conseguiu interrompê-los.

O secretário André Costa foi questionado por isso na coletiva da noite de quarta. “Hoje aconteceu um fato que a gente não conseguiu se antecipar, mas vai dizer que é uma falha? Não é. Não tem como se antecipar a toda e qualquer ação, se fizesse isso, não precisava de Polícia na rua, a gente estava resolvendo tudo”, justificou.

De fato, não dá para a inteligência resolver tudo. Até seria o desejável, mas viável não é. Não se espera algo como o departamento “pré-crime” do filme Minority Report (2002). O que admira é que ação criminosa de tão grande dimensão, de ponta a ponta da Cidade, realizado de forma quase simultânea, não tenha sido detectado antes. É exigir demais cobrar que todo crime seja antecipado. Mas, pode-se cobrar, sim, que tão grande ofensiva criminosa seja detectada antes. Foi a maior onda de ataques simultâneos que Fortaleza já viu. Se nem isso é identificado, o que é?

O secretário nega que tenha havido planejamento e considera difícil dizer que houve coordenação. Bom, não conheço mais do assunto do que ele, delegado da Polícia Federal. Não sei, porém, o quanto ele está sendo sincero e o quanto está sendo cauteloso. Ele afirmou que o mesmo grupo realizou mais de uma ação. Verdade. Porém, a proximidade de tempo deixa claro que muito mais que um grupo agiu. Isso é muito evidente. Imagino que houve planejamento, porque não é possível improvisar a maior onda de ataques da história da Capital.

Não é a primeira vez que, pelo menos em público, as forças de segurança subestimam as organizações criminosas. Isso é sempre muito perigoso. Melhor estar preparado para lidar com o crime organizado e se deparar com “pirangueiros” – como dizia o ex-secretário Delci Teixeira – do que esperar enfrentar “pirangueiros” e ter pela frente facções bem estruturadas.

Pode até ter havido grupos que viram que os ataques ocorreram, aproveitaram-se para também cometer atentados. Porém, imaginar que isso ocorreu nos mais de 20 atos criminosos pela Cidade é supor que as células criminosas estão disseminadas por toda parte. Outra hipótese, de um só grupo ter cometido número expressivo de atentados, seria desmoralizante para a Polícia. Os caras incendeiam um ônibus, outro e mais outro sem serem interceptados?

Parece-me bastante claro que houve algum nível de coordenação e o mínimo de planejamento, que não foi detectado. Isso é preocupante. Não é, entretanto, o maior problema. O problema maior é quando está consumada a onda de violência – quando se sabe que há ação orquestrada contra as forças do Estado, contra a população, em última instância – e mesmo assim não se consegue evitar novas ocorrências. Policiamento foi reforçado, viaturas passaram a acompanhar ônibus, mas os ataques persistiram. A estratégia não conseguiu antever para prevenir os atentados nem foi capaz de interromper a série de agressões 24 horas depois de desencadeada.

A inteligência, e mais que isso, falhou.

Uma das causas para esse segundo fracasso, para a Polícia não conseguir impedir ataques que eram esperados e previsíveis, está na perigosa forma de violência que foi desencadeada. É uma forma de guerrilha urbana ou de terrorismo puro e simples. Muito difícil de combater se não for com inteligência e antecipação. São grupos sorrateiros em ações fortuitas. Em muitas ações do gênero, as pessoas agem sozinhas.

Não foi o caso em Fortaleza, desde quarta-feira. Em situação tão ampla e que envolveu número significativo de pessoas, há maior possibilidade de ação preventiva. Quando as iniciativas são menos audaciosas, a repressão se torna ainda mais complicada. A onda de terror de ontem foi um pouco menos intensa que a de quarta-feira. Espera-se e torce-se para que perca força. Porém, mesmo que não como série de ataques, permanecerá o risco de pequenas ações com objetivo de afrontar o Estado e levar terror à população.

Não é o Ceará: o mundo não sabe como lidar com isso. Paris que o diga.

Abaixo o terror

Da Coluna Vertical, no O POVO desta quinta-feira (20):

Em março de 2016, o então secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado, Delci Teixeira, enfrentou o terror provocado por grupos criminosos. Eles incendiaram ônibus, como ocorreu nessa quarta-feira em Fortaleza, mas ousaram: metralharam delegacias, prédio da Sejus, o prédio da Guarda Municipal e tentaram instalar o medo. Na época, veio a Força Nacional.

Pela apuração das autoridades, tudo partia de dentro dos presídios, iniciando-se uma desmobilização das facções.

O quadro, no entanto, reaparece agora sob o mando do secretário André Costa (SSPDS), que apregoa destemor e unidade da tropa. A população, atônita, espera ação enérgica e rápida da parte do governo. Antes que, como no ano passado, haja necessidade de chamar a Força Nacional.

 

Ataques a ônibus – Camilo confirma que seis suspeitos foram detidos

Em postagem no Facebook, na noite dessa quarta-feira (19), o governador Camilo Santana (PT) disse que seis suspeitos de ataques a ônibus em Fortaleza e na Região Metropolitana foram detidos. O governador assegurou que a Polícia não será intimidade pela criminalidade.

Já a Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros  Militares do Estado do Ceará (Aspramece) lamentou em nota o assassinato do PM Paulo César Silva e solicitou ao secretário André Costa um plano de segurança pública eficaz.

Pacote de medidas para a segurança

Da Coluna Vertical, no O POVO desta terça-feira (18):

O governador Camilo Santana (PT) apresentará, neste mês, pacote de medidas e investimentos para reforçar a segurança pública. Nas ações, além da aquisição de veículos (carros e motos), armas e equipamentos para as tropas. Uma novidade: o redimensionando dos territórios de segurança de Fortaleza.

Com o recente incremento de pessoal nas polícias Civil e Militar, Camilo vai ampliar as delegacias 24 horas e equipes do Raio no Interior, mas incluindo também a Capital. Ele diz que não dará trégua à criminalidade. Garante ainda apoio ao secretário André Costa (SSPDS).

Segurança Pública – Lojistas expõem problemas no Centro, em encontro hoje com secretário André Costa

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, participa nesta segunda-feira (17) de reunião com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-Fortaleza), Severino Neto, e demais integrantes da diretoria da entidade, para discutir os principais problemas que afligem o comércio no Centro, além de apresentar ações desenvolvidas pela pasta, desde que o secretário assumiu o comando, em janeiro deste ano.

O encontro acontece na sede da CDL, no Centro, das 12 horas às 14 horas.

É preciso desnaturalizar o crime

Em artigo no O POVO deste sábado, o jornalista Ítalo Coriolano aponta que as leis, a Justiça e as forças de segurança não passam de instrumentos alegóricos dentro de uma sociedade doente, apegada ao subdesenvolvimento, ao individualismo. Confira:

O que faz um ser humano sair de sua casa, armado de faca ou revólver, para cometer um assalto em determinado local da Cidade? Ou ir assassinar um desafeto? Ou estuprar outra pessoa? Em primeiro lugar, é preciso tentar entender a lógica de um criminoso. Provavelmente, ele cresceu vendo episódios como esse, passou por diversas situações degradantes ao longo da vida, teve uma educação falha, sabe dos riscos que corre, mas, ao mesmo tempo, pensa que não tem muito a perder.

Em outra vertente da degeneração humana, políticos fizeram carreira tendo como principal modus operandi a corrupção, o roubo do que é público e a apropriação indébita das riquezas nacionais. Cenário desvendado e publicizado pela Operação Lava Jato. A bandalheira não poupou quase ninguém. Todos os grandes partidos e a elite do poder constituído se enlamearam nessa vergonhosa narrativa que levou o País para o buraco. Um problema histórico que agora cobra um alto preço.

Mas o que há de comum nas duas abordagens anteriores? É a triste e perigosa naturalização do crime. Tudo o que é considerado errado passa a compor o conceito dessas personagens sobre “normalidade”. As leis, a Justiça e as forças de segurança não passam de instrumentos alegóricos dentro de uma sociedade doente, apegada ao subdesenvolvimento, ao individualismo, não importando os meios.

Como romper esse ciclo aterrorizante? De partida, quebrando silêncios importantes sobre comportamentos e fatos inaceitáveis. Levar esses temas para os espaços de debate. Cutucar as feridas ignoradas por gerações, responsáveis por esse acúmulo de malfeitos. Rebeliões em presídios, chacinas em bairros da periferia, Congresso atopetado de bandidos, elementos inter-relacionados de um caos concreto. Afinal, é o dinheiro surrupiado que não chega às escolas e acaba prejudicando a formação de nossas crianças, interrompendo oportunidades.

Por isso, a relevância das atuais investigações tocadas por Ministério Público e Polícia Federal. É triste ver determinadas figuras investigadas. O descrédito na política aumenta. Mas afetos e paixões não podem camuflar a realidade. Essa é a grande chance de transformar certas estruturas. Doa a quem doer.

Discurso simplista de secretário ignora as causas reais da violência

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (15), pelo jornalista Érico Firmo:

A semana política nacional, das mais tumultuadas dos últimos tempos, não deixou tempo para comentar antes assunto de extrema gravidade no plano local. Os números da violência em Fortaleza no mês de março são motivo para que o Governo do Estado acenda a luz amarela em relação ao rumo da segurança pública. Houve crescimento dos homicídios de 52% em relação ao mesmo período do ano passado. A meta era redução de 6%. O pouco ortodoxo trabalho do secretário André Costa está no começo e há de se dar tempo a ele. Porém, é o caso de se observar com atenção resultado a tal ponto ruim.

André Costa assumiu a Segurança Pública há três meses e, em todos, houve aumento dos homicídios na Capital. Não houve aumento em nenhum dos 12 meses do ano passado, ainda sob comando do discreto Delci Teixeira. Em janeiro, o crescimento foi de 26%, puxando o desempenho ruim do Estado inteiro. Em fevereiro, o Ceará registrou diminuição dos homicídios, mas a Capital apresentou alta de 5,9%.

André Costa rapidamente se tornou querido de seus comandados como há décadas não era nenhum de seus antecessores. Isso é importante para o sucesso do trabalho. Conseguiu se tornar referência perante os policiais, que confiam nele. Também se tornou popular perante a sociedade, como há décadas nenhum secretário era. Conseguiu isso com discurso fácil, apelativo, simplista, que ignora as causas reais da violência. Joga para a opinião pública a ideia de tratamento enérgico com os criminosos. Agrada à plateia.

Porém, do ponto de vista dos resultados, eles ainda não apareceram. Desde que ele chegou, Fortaleza ficou menos segura. Mais gente está sendo assassinada. Muito mais gente: 53 pessoas a mais em um só mês. É urgente que os resultados do espalhafatoso estilo do secretário comece a ser visto. É cedo, mas é assunto no qual cada dia de demora significa mais vidas perdidas.