Arquivos da categoria: Segurança Pública

Camilo levará Moroni para ato de inauguração de nova unidade de segurança

O governador Camilo Santana (PT) vai estar, neste sábado pela manhã, ao lado do prefeito interino de Fortaleza, Moroni Torgan (DEM), no Conjunto Ceará.

Hora de inaugurar a terceira Unidade de Segurança (Uniseg), que contará com cerca de 148 novos policiais.

A Uniseg integra o programa de políticas de segurança pública do governo, que é conhecido como Ceará Pacífico. A coordenação é da vice-governadora Izolda Cela (PDT).

Moroni Torgan tem forte apelo no campo da segurança e, principalmente, bom trânsito na periferia da Capital.

(Foto – Balada In)

A Segurança Pública e um atestado de fracasso

Com o título “Atestado de fracasso”, eis tópico da Coluna Política, do O POVO desta sexta-feira, assinada pelo jornalista Érico Firmo. Ele mexe nessa mixórdia chamada segurança pública cearense. Confira:

O secretário da Segurança Pública, André Costa, já havia dito que, se não fosse o trabalho realizado pela pasta, os números de homicídios no primeiro semestre seriam ainda mais elevados. A se levar em conta que os indicadores de maio e junho foram os dois piores já medidos no Ceará, avalie-se como a situação não estaria. Pois bem, na terça-feira, a secretaria produziu resposta política a indicadores tão ruins.

Tratou de expor o que vinha fazendo: aumento na quantidade de prisões, recorde de apreensão de armas e também de drogas. Ocorre que, ao mostrar desempenho tão positivo, em contraponto com resultado tão negativo na ponta, penso que fica evidenciado exatamente o oposto do que se queria mostrar.

Os números deixam claro para mim é que o modelo adotado fracassou. Prendeu-se gente como nunca, apreendeu-se armas como nunca. E nunca houve tanta violência.

Uma coisa seria se, por alguma razão, a secretaria não tivesse conseguido colocar em prática suas ações. Mas, conseguiu, como nunca. E não deu resultado.

Diante disso, o que fazer? Prender ainda mais gente? Não basta. Nem é o principal. Foram mais de 7,5 mil prisões em flagrante em um semestre. O Estado tem cerca de 12 mil vagas nos presídios — embora a população carcerária, na realidade, seja muito maior. Então, em seis meses, foram presas em flagrante pessoas suficientes para lotar mais da metade do sistema prisional do Estado. Não é sustentável.

Muitas dessas prisões são de pessoas que estão na ponta, na mais baixa hierarquia. Ao serem detidas, não causam nenhum impacto na criminalidade. São presos de manhã e estão substituídos à tarde. Enquanto isso, vão entupindo as prisões. A passagem pelo sistema penal serve como estágio necessário para ascensão nas organizações. Os presídios contribuem para a formação dos criminosos. O problema vai além da Segurança Pública. A solução precisa ser igualmente muito mais ampla.

Por onde andam os patinetes elétricos?

Já que a Praia de Iracema, em Fortaleza, vai ganhar Delegacia do Turista, que tal a Secretaria da Segurança Pública e defesa Social do Estado tirar a dúvida: por onde andam os patinetes elétricos (Segways)?

Seria legal ver André Costa chegando num desses para inaugurar a delegacia.

Dava até pra colocar no Instagram.

Delegado César Wagner estreia no rádio como analista em segurança pública

O delegado César Wagner estreia no rádio cearense, nesta sexta-feira (14), na Assunção, a partir das 6h30min, dentro do programa Hora da Notícia, como analista em segurança pública.

Comandado pelos jornalistas e radialistas André Capiberibe, Luciano Cléver e Renato Abreu, o Hora da Notícia é voltado principalmente para a política, no horário das 5 horas às 7 horas.

(Foto: Divulgação)

A estratégia do secretário da Segurança

Camilo tem prestigiado André Costa.

Com o título “A estratégia do secretário da Segurança”, eis artigo do jornalista Plínio Bortolotti, que pode ser conferido no O POVO desta quinta-feira. Ele comenta a onda de crimes  e as declarações do chefe da polícia de Camilo. Confira:

Suponho que deveríamos agradecer ao secretário da Segurança Pública, André Costa, pelo fato de terem sido registradas infamantes 2.299 mortes violentas no Ceará, nos primeiros seis meses deste ano. “Um homicídio a cada uma hora e meia”, como registrou este jornal (8/7/2017), representando crescimento de 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Sim, pois o secretário – quando confrontado com os índices -,afirmou que, sem a sua “estratégia” de combate ao crime, a situação estaria “bem pior”. Mas nem nas desculpas André consegue ser original, repetindo o discurso do ex-governador Cid Gomes quando era questionado sobre o desastre de sua política para a segurança pública.

Porém o secretário pode ter razão. Como se costuma dizer por aí, “não existe nada tão ruim que não possa piorar”. Portanto, se no próximo levantamento o número de assassinatos duplicar, André Costa poderá dizer que, não fosse a sua “estratégia”, o índice teria triplicado. E assim por diante.

Mas os argumentos duvidosos continuam. Ele atribui “muitos eventos” (homicídios) a disputa entre “pessoas que pertencem a grupos criminosos diferentes”. Entretanto, o repórter Thiago Paiva, em artigo na edição de sábado, lembrou ao secretário que o governo do Estado costumava negar a existência do crime organizado no Ceará. Assim, não se pode levar a sério um argumento que nega ou admite a existência das facções criminosas de acordo com a conveniência.

O fato é que André Costa não foi convidado ao cargo por ser estrategista na área da segurança pública, mas devido a um exercício político: fazer frente à crescente liderança do deputado Capitão Wagner, que faz oposição ao governador, fomentando esse conflito dentro da PM. E, reconheça-se, o secretário conseguiu remendar a esgarçada relação da tropa com o governo.

Essa “pacificação” seria louvável caso também houvesse benefícios para a sociedade, em termos de redução dos homicídios e da criminalidade. Mas, por esse alívio, ainda se está a esperar.

(Enquanto isso, no meio do tiroteio, Camilo Santana e André Costa trocam elogios nas redes sociais.)

Plínio Bortolotti

plinio@opovo.com.br

Jornalista do O POV

Revitalização da Praia de Iracema terá o retorno da Delegacia do Turista

Os secretários da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, e do Turismo de Fortaleza (Setfor), Alexandre Pereira, oficializaram nessa quarta-feira (12) o retorno da Delegacia do Turista à Praia de Iracema, diante do projeto de revitalização da área. Atualmente, a delegacia especializada funciona no 2º Distrito Policial, no bairro Meireles.

O encontro contou ainda com as presenças do secretário-adjunto da Setfor, Erick Vasconcelos, e do coordenador de Infraestrutura da Setfor, Totonho Laprovitera, que apresentou o projeto à SSPDS.

(Foto: Divulgação)

Morre Edgar Fuques, ex-secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará

Morreu, nesta terça-feira, o ex-secretário da Segurança Pública (Governo Tasso Jereissati) e ex-diretor-geral da Guarda Municipal de Fortaleza, Edgar Fuques (76). Delegado aposentado da Polícia Federal, Fuques chegou a exercer também militância na política.

Foi também  secretário-geral do DEM do Ceará e era homem da confiança do atual vice-prefeito de Fortaleza, o ex-deputado federal Moroni Torgan.

Edgar Fuques estava internado desde domingo no Hospital São Mateus e teve complicações cardíacas.

O velório ocorrerá a partir das 12 horas, na Funerária Ternura, enquanto o enterro está marcado para as 17h30min, no Cemitério Parque da Paz.

(Foto – Edimar Soares)

É preciso interromper a matança!

Com o título “É preciso interromper a matança”, eis o Editorial do O POVO desta terça-feira. Aborda tantos homicídios registrados no Estado nos últimos meses. Confira:

A que níveis a violência no Ceará poderá alcançar não se sabe, mas tem sido preocupante cada vez mais falar a respeito disso em 2017, quando se atualizam as estatísticas mês a mês dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs). Que é como são nominados em registro os casos de homicídios no Estado. Acompanhando a escalada dos números apresentados desde janeiro, o que se imagina, de fato, é que poderá piorar.

Não é aceitável, em nenhum grau de razoabilidade, que o total de pessoas assassinadas em Fortaleza tenha crescido 217,7% no último mês de junho, comparando com junho do ano passado. Foram 197 casos este ano; haviam sido 62 no mesmo mês de 2016. É um cenário bastante preocupante.

E não parece ser pontual. Os homicídios crescem mensalmente desde janeiro, e entre os junhos de 2016 e 2017 tiveram alta em todas as outras regiões de segurança do Estado: +132,7% na Região Metropolitana, +27,4% no Interior Norte, +6,9% no Interior Sul. Na totalização de CVLIs do Ceará do último mês, foram mais 91,1% de assassinatos.

Nada sinaliza que haverá alguma mudança, pelo menos por enquanto.

Talvez as facções surpreendam com um novo pacto de paz? Mesmo que isso aconteça, não se deve esperar nada desse submundo que não sugira reveses mais adiante. Em algum momento anterior, foi isso que falseou a contagem de casos e a violência mais próxima nos parecia amenizada. Na tradução dos números, os assassinados, em maioria, são jovens. O crime ampara jovens na periferia porque sabe das ausências do Estado.

Se “o que falta é reduzir a sensação de impunidade”, como disse o secretário da Segurança Pública André Costa, em entrevista ao O POVO no último sábado, dia 8, então agora são pelo menos dois grandes problemas para resolver. (Agora não, já se fala disso há mais tempo – mas nunca em cenário tão grave.) Porque a sensação de insegurança, que todos como cidadãos percebemos, essa, até agora, não tem nos aliviado. É a partir dessa aflição individual que a estratégia da Segurança Pública poderia ser mais bem pensada. E de fato executada.

Chega em boa hora a entrega, feita ontem pelo governador Camilo Santana, de mais de 300 novas viaturas que serão postas na estratégia de enfrentamento ao crime. Urgentemente, é preciso estancar essa matança.

Sem carros novos há 2 anos, policiais de São Paulo tem de fazer patrulhamento a pé

O governo de São Paulo comprou apenas 51 carros para as Polícias Civil e Militar do Estado nos últimos dois anos. Segundo policiais, o desgaste da frota e o atraso na renovação – todo ano uma parcela dela deve ser renovada – estão afetando o trabalho, principalmente em cidades do interior, como Campinas. Por lá, a redução da frota obrigou os policiais a ampliar o policiamento a pé. Em Tatuí, as rondas passaram a ser feitas em conjunto com a Guarda.

Dados obtidos pelo Estado, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que na atual gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) as compras de viaturas despencaram. No triênio 2012-2014, a PM paulista havia recebido 4.943 carros (média anual de 1.647) e 1.817 motos novas (média de 605 por ano). A partir de 2015, e até maio deste ano, o total de carros comprados foi de 1.231 e o de motos, 1.043. A situação é ainda pior na Polícia Civil, que no triênio 2012-2014 comprou 2.239 viaturas – dessas, 708 foram entregues em 2015 – e não adquiriu nenhuma nova depois. Juntas, as duas polícias têm 24 mil carros.

O governo informou, por meio da Secretaria da Segurança Pública, que pretende investir R$ 75 milhões neste ano para a compra de 150 carros a um custo de R$ 12 milhões para a Polícia Civil e 828 veículos para a PM, um investimento de R$ 63 milhões (mais informações ao lado). “Tenho recebido muitos pedidos de prefeitos e vereadores do interior de reposição de viatura. Em Cesário Lange e outras cidades da região, as viaturas são de 2009 e 2010. Considerando que uma viatura roda 24 horas, não preciso dizer o estado”, diz o deputado estadual coronel Telhada (PSDB), da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa.

(Estadão)

A Segurança Pública e a esquizofrenia

Thiago Paiva, repórter do Núcleo de Cotidiano, faz uma reflexão sobre números da violência no Estado, mas, principalmente, comenta uma espécie de esquizofrenia de avaliações. Confira:

Não estão sendo bons dias para a “bandidagem”, pior ainda para o restante de nós. Numa guerra em que todos perdemos, a esquizofrenia de versões para justiçar tamanha violência, materializada em homicídios, beira o ridículo. Uma hora o crime organizado não existe no Ceará. Noutra ele está aqui, domina presídios e ordena ataques sempre que contrariado.

Uma hora não houve paz entre facções no Estado. Noutra o Ministério Público e a própria Polícia Civil prendem líderes de organizações que haviam firmado alianças entre si. Uma hora se valem do número de prisões e apreensões, de armas e drogas. Noutra classificam de “oportunismo” e “parcialidade” notícias revelando que assassinatos batem recordes consecutivos. Certo é que, com a nomeação de André Costa para a SSPDS, Camilo Santana resolveu inúmeros problemas: anulou o desgaste com a tropa, reduziu a figura de um de seus principais opositores políticos e criou uma vidraça distante do Palácio da Abolição, para onde são arremessadas as pedras sempre que mais um assalto ou homicídio incomodam a sociedade. Só não resolveu a violência em si, muito mais relacionada à desigualdade social do que às ações de Polícia das quais o secretário se vangloria. Camilo tem repetido insistentemente que “segurança não é só um problema de Polícia”. Parece, porém, que o governador não consegue convencer a si próprio. E já se passaram seis meses.

 *Thiago Paiva,

Repórter do Núcleo de Cotidiano do O POVO.

Um novo olhar

Em artigo no Facebook, o delegado César Wagner avalia que a questão do combate à criminalidade não passa somente pelo confronto bélico. Confira:

Quando analisamos com a acuidade devida o combate à criminalidade no Estado do Ceará, nos últimos anos, chegamos à fácil conclusão que preferimos eleger como linha de frente das ações o confronto direto, por meio do belicismo, contra as quadrilhas organizadas que por aqui se proliferaram, diante de um primeiro olhar que se manteve por um tempo de um lado incrédulo e de outro impotente, sem plano prévio para reação, apesar dos visíveis sinais que se desenhavam.

Armas foram exibidas, linguagem de guerra adotada, trazendo para o aparato policial que deve ser a baliza da lei e da ordem uma nuvem de que estamos em plena guerrilha urbana e que mortos são sintomas de vitórias.

A investigação científica em nome de uma suposta moralidade fora fraturada quando se afastou a perícia forense da Polícia Judiciária, como se o desvio das boas práticas em alguns casos fosse acalentado por esse estreitamento, esquecendo que aquela trabalha diretamente para esta e que a corrupção pode partir de qualquer setor, pois infelizmente ainda é inerente ao ser humano, não às instituições.

Faltou um cobertor amplo com a implantação de delegacias 24 horas e a interiorização plena da Polícia Judiciária. Falta um projeto de mensuração de resultados nos órgãos policiais civis de atendimento direto ao público.

Deixamos de lado a disseminação de um conhecimento que o Ceará foi vanguarda produzida pela CIOPS, quando passou efetivamente a monitorar estatisticamente o crime em nossa Capital. Conhecimento esse era transmitido a todos os comandantes da Polícia Militar e autoridades policiais da Polícia Judiciária, que os colocavam em vantagem estratégica diante da movimentação constante da criminalidade.

O que era exceção passa a ser a regra com a expansão do policiamento de enfrentamento treinado e especializado para confrontos com bandidos de alto poder de fogo e não o marginal comum, fazendo com que logo mais à frente a imagem desses grupos tão necessários seja afetada, que não são e nem serão solução única para a problemática da segurança pública.

As boas iniciativas de aproximação com as comunidades perderam força, assim como os conselhos comunitários de segurança social e o policiamento comunitário. Um real conselho com participação efetiva de membros da sociedade civil organizado não prosperou. Inexiste um olhar mais atento e uma política preventiva no uso de drogas que deveria ser iniciada de forma permanente na escola, aqui sim verdadeiro lugar de enfrentamento à violência e discriminação de toda ordem.

Crescem o número de homicídios contra mulheres, jovens e LGBTs, demonstrando que é necessário um novo olhar. Não dá para sentar à mesa para discutirmos violência sem a presença de autoridades nas áreas da educação, cultura, esporte, urbanismo e produção de renda.

Devemos agir em cima de fatores que estão na base, controláveis, agora, para romper esse ciclo perverso de mortes e delitos de toda ordem que atingem o povo brasileiro. Não é mais possível eleger uma única horda de homens – policiais – e colocar sob seus ombros a responsabilidade de trazer mais paz para a sociedade diante de uma política fracassada de inclusão social que teve em seu cerne o distanciamento da moralidade e da ética.

Secretário da Segurança Pública debaterá quadro atual da violência com jovens empresários

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado, André Costa, participará, nesta sexta-feira, a partir das 8 horas, do projeto “Café com Debate”. A promoção é da Associação Jovens Empresários de Fortaleza e ocorrerá no Restaurante Sal e Brasa Gold.

De acordo com a coordenação da AJE, o objetivo é ouvir as propostas do secretário e debater com ele a realidade do momento no Estado, que aponta para o crescimento da violência.

“Será uma excelente oportunidade para expor a jovens empresários o nosso plano de segurança pública para o Estado, além de chamar à responsabilidade e conclamar a participação da iniciativa privada, com suas ideias, espírito empreendedor e iniciativas”, adiantou André Costa para a diretoria da AJE.

Segurança Pública exige um modelo comportamental de acordo com novas demandas sociais

Com o título “Uma nova concepção de Segurança Pública”, eis artigo do professor e advogado Irapuan Diniz de Aguiar. Para ele, há “um descompasso entre as instituições policiais e as demandas sociais de uma feita que permanece uma estrutura ainda voltada para um momento político da vida nacional que não mais existe desde a redemocratização do país.” Confira:

Os equívocos de diagnóstico e avaliação do setor de Segurança Pública têm gerado uma estrutura inadequada, pesada e extremamente burocrática para o desempenho de suas atribuições institucionais, ocasionando, por conseqüência, para os policiais, um quadro geral de apatia, desestímulo e falta de interesse, com algumas ilhas de eficiência e zelo resultantes do idealismo e resistência de alguns poucos abnegados que não se deixam cair na desesperança.

Nesse cenário, esta importante área da administração pública, por sua essencialidade e extensão, merece um tratamento específico porquanto todas as ações desenvolvidas pelo órgão guardam relação intrínseca com os princípios do direito primário, as práticas democráticas e o exercício da cidadania. É notório, no entanto, neste segmento do governo, o despreparo humano e/ou a falta de vocação de grande parcela do efetivo, para o desempenho da delicada e complexa missão constitucionalmente deferida à instituição policial.

Em que pesem os esforços desenvolvidos nos últimos governos no recrutamento de policiais, via concursos públicos, e a unificação das academias de formação profissional para melhor capacitá-los, o que se constata é uma elevação do nível intelectual dos quadros funcionais, sem, no entanto, a sociedade obter respostas proporcionais aos investimentos feitos nas suas capacitações, à falta de uma prévia aferição vocacional para o exercício das tarefas para as quais foram recrutados. Muitos ali chegaram mais à busca de um emprego e/ou de um salário para custear os estudos universitários. Este dado parece ser imperceptível aos olhos dos gestores.

Com efeito, a reestruturação dos serviços de segurança e defesa comunitária se constituem em exercício de cidadania, complementares que são. Os diagnósticos até aqui produzidos têm insistido numa concepção conservadora da atividade policial, entendendo-a como mera função repressora, mantendo-se, por isso mesmo, a perspectiva de que, para o desempenho da atividade, bastam armamentos, viaturas e alguns equipamentos tecnológicos. Resta evidenciado, com isto, um descompasso entre as instituições policiais e as demandas sociais de uma feita que permanece uma estrutura ainda voltada para um momento político da vida nacional que não mais existe desde a redemocratização do país.

A mudança de paradigma, que importa na remodelação desta área da segurança pública, aponta para três linhas básicas de ação: a reconceituação das atividades do setor, a reorganização administrativa das estruturas e a introdução de um modelo comportamental consentâneo com as novas demandas sociais que assim impõem e reclamam. Estes objetivos, todavia, só serão alcançados se monitorizados por uma vontade política inequívoca e uma ação governamental enérgica e decisiva.

Presidente do Conselho Estadual de Segurança receberá a Medalha José Martiniano de Alencar

O presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, advogado criminalista Leandro Vasques, será homenageado pelo Comando Geral da Polícia Militar do Ceará.

Nesta quara-feira, às 16 horas, Leandro receberá, em solenidade no QG da PM, a Medalha José Martiniano de Alencar, a mais alta distinção da Corporação, pelos bons serviços prestados à Polícia Militar.

Chacina de Messejana – Mais oito réus vão a julgamento

Mais oito policiais militares deverão ser levados a júri popular pelo caso conhecido como Chacina da Messejana. Os acusados pronunciados são: Marcílio Costa de Andrade, Eliézio Ferreira Maia Júnior, Marcus Vinícius Sousa da Costa, Antônio José de Abreu Vidal Filho, Wellington Veras Chagas, Ideraldo Amâncio, Daniel Campos Menezes e Luciano Breno Freitas Martiniano. Decidiu, nesta terça-feira, o Colegiado de 1º Grau, com atuação na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, instalada no Fórum Clóvis Beviláqua.

Eles serão julgados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima (em relação a 11 vítimas fatais), tentativa de homicídio duplamente qualificado, também por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima (em relação às três vítimas sobreviventes), além de tortura física em relação a outras três vítimas e tortura psicológica em relação a uma.

Dos oito réus denunciados, sete tiveram a prisão preventiva revogada. Esta havia sido decretada por motivo de garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal, mas, com o encerramento da primeira fase da instrução processual, o Colegiado entendeu que a manutenção da prisão não se faz mais necessária, por isso substituiu por medidas cautelares. Apenas para um dos réus foi mantida a prisão, pelo fato de este já responder a outra ação, também por crimes dolosos contra a vida.

Os réus deverão cumprir as seguintes medidas cautelares, sob pena de terem a prisão novamente decretada: não poderão exercer atividade policial externa, restringindo-se ao trabalho administrativo; não poderão se ausentar de Fortaleza, por prazo superior a oito dias, sem prévia informação à Justiça; e não poderão manter contato com as vítimas sobreviventes e com as testemunhas do processo, seja pessoalmente, por intermédio de outras pessoas ou por qualquer meio de comunicação.

Outros dez réus, que também haviam sido denunciados neste processo, foram impronunciados, por ausência nos autos de indícios suficientes de autoria ou de participação. Em relação a esses, o Colegiado ressalta que poderá ser formulada nova denúncia ou queixa se houver nova prova.

Além desta ação, outros dois processos tramitam em paralelo, sobre o mesmo caso, com diferentes réus. O primeiro teve sentença de pronúncia proferida, no último dia 18 de abril, quando ficou definido que outros oito réus deverão ser levados a julgamento. O último processo está aguardando decisão do Colegiado.

Opositor do governo, Capitão Wagner entrega um plano de segurança para titular da SSPDS

O deputado estadual Capitão Wagner (PR) foi `à sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS), no bairro São Gerardo, e entregou ao titular da pasta, delegado federal André Costa, um conjunto de propostas intitulado “Plano de Ações para a área da Segurança do Estado”.

“São 28 projetos feitos e pensados por várias pessoas. O senhor (Andre Costa) analisa e o que for da pasta segurança, peço que se for necessário, acate, e as demais demandas, de outras pastas, por favor encaminhar. Entendemos que segurança não se faz sozinho. Estamos aqui para contribuir”, disse Wagner.

Esta é a terceira vez que Capitão Wagner entrega o plano do gênero para representantes da área do governo Camilo Santana (PT). A entrega ocorreu na presença de membros de associações da área da PM.

Haviam recebido esse conjunto de propostas ex-titular da SSPDS, delegado federal Delci Teixeira, e o próprio Camilo Santana. Entre as propostas, a criação de grupos de análise de inteligência, reestruturação do policiamento comunitário, trabalhos de ressocialização de presos até a proibição da venda de bebidas alcoólicas após determinados horários.

Vem aí uma megaoperação contra o crime no Ceará

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS), a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus), a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal darão coletiva de imprensa nesta segunda-feira, às 17 horas, na sede da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ). O objetivo é tratar “dos esforços dos órgãos na redução da criminalidade no estado do Ceará.”

Estarão presentes o procurador-geral de Justiça, Plácido Rios, o secretário da Segurança Pública, André Costa, a secretária de Justiça, Socorro França, o superintendente da Polícia Federal, Delano Cerqueira Bunn, e o superintendente da Polícia Rodoviária Federal do Ceará, Stênio Pires.

Após a coletiva, será realizada a reunião mensal restrita aos representantes dos órgãos de inteligência e segurança pública.

Um alerta sobre a segurança pública do Estado

Eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira, cujo título é Alerta na segurança pública”. Aborda o aumento dos homicídios no Estado. Confira:
Dos quatro meses deste ano, só em fevereiro, mês curto e com feriados, houve redução dos homicídios no Ceará. Em janeiro e março ocorreram aumentos. Levantamento preliminar realizado pela reportagem do O POVO aponta para abril um crescimento vertiginoso na quantidade de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs).

Foi um mês delicado para a segurança no Ceará. Um clima de violência foi instalado com uma série de atentados entre os dias 19 e 23 de abril: 36 ataques a ônibus, delegacias, prédios estatais, veículos de concessionárias de serviços públicos e agências bancárias. As ações teriam sido organizadas de dentro dos presídios e foram reivindicadas pela facção Guardiões do Estado (GDE).

É muito provável que os ataques tenham sido motivados por medidas mais duras do Governo no âmbito dos presídios, principalmente a transferência de presos. Sendo verdade, é aconselhável que o Governo mantenha suas decisões e até as aprofunde. O pior dos caminhos é o Estado ceder aos desígnios de organizações criminosas.

De toda forma, os resultados negativos dos CVLIs em 2017 devem ser vistos como alerta para um Governo que vinha se acostumando a uma sequência de quedas nos índices de homicídios. O mais importante é saber o que aconteceu para que tenha se concretizado tanto a inversão dos números quanto das expectativas.

Identificadas as causas do aumento da violência, cabe ao Governo do Ceará promover mudanças na política de segurança, adequações e novas medidas para que seja retomado o ciclo positivo verificado em 2016.

Talvez seja até o caso de o próprio secretário, André Costa, rever sua postura de confronto direto com criminosos via redes sociais. Afinal, para apoiar seus mais valorosos policiais, o secretário não precisa fazer a apologia do prendo e arrebento.

É sempre importante ressaltar que o combate à violência é transversal às várias pastas estaduais. Além disso, o papel do Poder Judiciário é crucial. Que a Justiça foque sua atuação na celeridade e na qualidade das decisões. Vale notar que no mesmo momento em que aumenta o índice de homicídios, o público é bombardeado pela notícia da prescrição de um assassinato cometido há 23 anos. São fatos que se entrelaçam.

Órgãos de segurança e da Justiça avaliam a criminalidade no Ceará

Os esforços dos órgãos de segurança pública e da Justiça na redução da criminalidade no Ceará. Este é o tema da coletiva à imprensa, nesta segunda-feira (8), a partir das 17 horas, na sede da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), no Centro.

Além do Ministério Público, participam ainda do encontro os representantes da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Os representantes de cada órgão deverão firmar compromisso de encontros mensais, como forma de implantar um serviço de inteligência em operações conjuntas no combate à criminalidade.

Politicagem com a desgraça e o caos

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (23):

O pior erro que um político pode cometer é usar as desgraças a favor de suas pretensões políticas. O julgamento da população costuma ser duríssimo. Foi precisamente o que fez o deputado estadual Capitão Wagner (PR), ao usar a tribuna da Assembleia para atacar o governador Camilo Santana, chamando-o de “frouxo”.

Como não poderia deixar de ser, recebeu uma resposta à altura. No momento em que um grupo criminoso aterroriza a população, é hora de baixar o tom da política. É hora de unir forças e combater o criminoso, e não o operoso secretário da Segurança ou o governador. Afinal, o ataque do terror nada mais é que uma reação a medidas do Governo que os criminosos não gostaram, como prisões ou transferências de presos.

A semana do Capitão Wagner não foi das melhores. No mesmo dia em que o crime incendiava mais de uma dezena de ônibus na cidade e tentava tornar a cidade refém de bandidos, o deputado arregimentou sua tropa para mobilizar empresários do ramo de confecções que ocupam ruas do Centro, como a tombada rua José Avelino. O Capitão quer ser prefeito. Uma das obrigações do síndico da cidade é organizá-la, impedindo ocupações ilegais e invasões do espaço público. Se há uma dinâmica econômica que interessa à cidade, é então papel do município articular uma boa saída. No caso, incentivar a instalação dos negócios que estão na rua em espaços adequados. É precisamente o que vem sendo feito.

A cidade (Fortaleza 2040) definiu uma área geográfica (Jacarecanga) para receber aquela atividade econômica. Daí provocou a iniciativa privada para que construísse shoppings populares com estacionamento, hotelaria, praça de alimentação e banheiros para receber em condições civilizadas e corretas do ponto de vista urbano, tanto vendedores quanto compradores. É um imenso desserviço para a já sofrida loura desposada do sol um movimento que quer manter a caótica, suja, irregular e perigosa feira nas ruas históricas de nosso Centro.