Blog do Eliomar

Categorias para Brasil

O Terceiro mandato?

Com o título “O Terceiro mandato”, eis mais um artigo do publicitário e poeta Ricardo Alcântara para nos levar a mais reflexões sobre a vitória de Dilam Rousseff (PT) para presidente do Brasil. Confira:

Em pesquisa divulgada ainda no domingo pelo Instituto Datafolha, aos eleitores consultados foi solicitada a indicação espontânea de um ou mais fatores que os levaram a escolher entre Dilma Rousseff e José Serra.
 
O resultado da pesquisa indica que os brasileiros votaram seguindo à risca os critérios sugeridos pelas estratégias de comunicação dos candidatos. O que significa que as linhas de argumentação eram as mais indicadas.
 
A campanha da Dilma estabeleceu como vetor estratégico central um comparativo entre os governos de Lula e o anterior, colando a imagem da candidata ao de seu padrinho político à exaustão, mas com sucesso.
 
Resultado: 135% dos argumentos declarados apontam para a continuidade de um governo que vem dando certo. Apenas 13% se disseram motivados por algo relacionado apenas à “imagem pessoal” da candidata.
 
Por seu lado, Serra tentou levar a campanha para um comparativo mais descontextualizado e personalista, focado no perfil pessoal e na experiência dos candidatos, presumindo nisso, claro, alguma vantagem.
 
Resultado oferecido pela pesquisa: 151% das respostas tinham como referência atributos pessoais do candidato – “mais experiente”, “cuida da saúde”, “passa segurança” – e somente 22% alegaram “rejeição ao PT”.
 
Logo, não foram fatores que podem ser classificados como “erros de campanha” que determinaram o resultado. Com os candidatos que tínhamos, sem carisma de liderança, prevaleceram os aspectos objetivos.
 
Ou seja: se o governo vai bem, deixa estar prá ver como é que fica. O terceiro mandato que o presidente Lula felizmente não quis tomar no tapetão, o PT recebeu das mãos do povo. Sua legitimidade é, portanto, inquestionável.
 

Ricardo Alcântara

Publicitário e poeta. 

Marina diz ter gasto R$ 24 milhões em sua campanha

“Terceira colocada na disputa para a presidente da República, a candidata do PV Marina Silva gastou R$ 24.108.859,74 na campanha. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta segunda-feira (1) a prestação de contas final da candidata que obteve no primeiro turno das eleições 20% dos votos válidos. O valor final é quase três vezes menor do que o informado por Marina Silva ao TSE, em julho, quando fez o pedido do registro de candidatura. A expectativa antes de começar a campanha era arrecadar R$ 90 milhões.

O principal doador da campanha do PV foi o candidato a vice-presidente na chapa de Marina, o empresário Guilherme Leal. Ele foi responsável por quase metade da arrecadação do partido nestas eleições: R$ 11,9 milhões. Entre os principais doadores, Marina Silva contou com as construtoras Andrade Gutierrez (R$ 1,1 milhão) e Camargo e Corrêa (R$ 1 milhão); e o Itaú Unibanco (R$ 1 milhão). De acordo com a prestação de contas apresentada pelo PV, as contribuições tinham um valor mínimo de R$ 5 e, em sua maioria, eram feitas por cartão de crédito. Com destaque para a doação do empresário Eike Batista, que contribuiu sozinho com R$ 500 mil.

Uma realidade diferente da última campanha feita por Marina, em 2002, antes de disputar a Presidência, quando foi eleita senadora pelo Acre. Nas eleições daquele ano, ela arrecadou R$ 224.281. Na lista de doadores não havia grandes empresas e a maior contribuição individual que recebeu foi de R$ 50 mil. Entre as principais despesas de campanha da candidata do PV, estão os serviços de comunicação, propaganda, marketing e produção de programas eleitorais. Uma das empresas contratadas para produzir os programas recebeu mais de R$ 4 milhões.”

(Portal G1)

Só PT na equipe de transição de Dilma

86 2

“A presidente eleita Dilma Rousseff definiu nesta segunda-feira a equipe de transição de governo, informou uma fonte próxima à negociação. A escolha foi feita em reunião na residência de Dilma em Brasília um dia depois da eleição.

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel deverão cuidar da parte institucional.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) vão negociar com os partidos da coligação que apoiou a eleição de Dilma.

Já o assessor especial da Presidência, licenciado, Marco Aurélio Garcia, cuidará da área internacional. Inclui ainda Clara Ant, que cuidou do banco de dados durante a campanha.”

(Reuters)

CNBB pede a Dilma que cumpra promessas

“Após um segundo turno marcado pelo debate em torno da descriminalização do aborto, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nesta segunda-feira uma nota oficial em que pede à presidente eleita, Dilma Rousseff, que “cumpra as promessas apresentadas durante a campanha eleitoral”. A entidade segue o texto com uma mensagem apaziguadora. “Passadas as eleições, o compromisso de todos é unir os esforços na construção de um Brasil com paz, justiça social e vida plena para todos. Pesa sobre os ombros de cada um dos eleitos a responsabilidade de corresponder plenamente às expectativas e à confiança, não só de seus eleitores, mas de toda a nação brasileira.”

A CNBB ainda parabenizou os candidatos eleitos para todos os cargos políticos do país, desejando-lhes sucesso “na tarefa de representar e defender o povo que os escolheu para esta missão”. Na nota oficial sobre o resultado das urnas, há ainda um alerta aos eleitores. “Saudamos o povo brasileiro, que protagonizou o espetáculo da cidadania e da democracia ao participar ativamente das eleições em seus dois turnos. Cabe, agora, a todos nós, brasileiros e brasileiras, a irrenunciável tarefa de acompanhar os eleitos no exercício de seu mandato, a fim de que não se percam nos caminhos do poder de que foram revestidos.”

Polêmica – O tema do aborto ganhou força quando começaram a circular pela internet vídeos e entrevistas em que Dilma defende abertamente o aborto – posição que ela mudou pouco antes de se tornar candidata. A autoria de algumas dessas mensagens chegou a ser atribuída à CNBB, que negou ter qualquer envolvimento no assunto.

Em uma Carta Aberta ao Povo de Deus, divulgada no primeiro turno, Dilma diz que cabe ao Congresso Nacional discutir “aborto, formação familiar, uniões estáveis e outros temas relevantes”, sem detalhar a posição pessoal em relação aos assuntos. Mais tarde, a petista escreveu: “Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto”.

(Veja Online)

Dilma: "Eu nunca imaginei ser presidente da República"

“Eu nunca imaginei ser presidente da República, sempre fui uma servidora pública”, disse a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff (PT), sobre como reagiu ao receber a indicação do próprio presidente Lula para concorrer à sua sucessão. Ela também voltou a defender a liberdade de imprensa, a estabilidade econômica e declarou que pretende escolher logo os nomes que vão compor o seu governo na noite desta segunda-feira durante entrevistas ao Jornal da Record e ao Jornal Nacional (Rede Globo).

“Em uma novela”, como definiu a condução da entrevista ao JN, Dilma falou sobre sua origem búlgara, sua participação em grupos durante a regime militar e sua carreira na administração pública através de matérias apresentadas pelo programa – como a prisão onde ficou em São Paulo e foi torturada. Questionada sobre a senasação de “rever” as cenas do que aconteceu àquela época, disse que “os caminhos eram fechados e cometeu uma gafe ao dizer que “a ditadura abriu os caminhos para a democracia no Brasil”.

JORNAL DA RECORD

Ao Jornal da Record, Dilma repetiu o tom do discurso da vitória sobre José Serra (PSDB) no último domingo: “Não cabe, em relação à imprensa, principalmente de uma pessoa pública, qualquer nível de crítica tentando coibir o que a imprensa disse ou deixou de dizer. Eu prefiro as vozes críticas do que o silêncio das ditaduras. Agora, isso não impede que eu me sinta prejudicada em alguns momentos e tenha de me defender. Eu sempre brinco que o controle remoto na mão do telespectador é o melhor controle que pode ter por parte da população em relação à mídia. Quem resolve ali é o indivíduo”.

Inflação

Dilma garantiu que vai manter os gastos sociais e o investimento, mas declarou que “todos os princípios que regeram o nosso governo, no período Lula, eu manterei no meu governo. São os princípios que fundam a estabilidade macroeconômica e o equilíbrio macroeconômico no Brasil. Nós não brincaremos com a inflação. Nós seremos um governo que terá metas inflacionárias da mesma forma que tivemos no governo Lula. Não vamos gastar aquilo que não se pode gastar”.
“Não acredito que manipular câmbio vá levar a algum lugar”, acrescentou. “Nós temos hoje uma quantidade de reservas que permite que a gente se proteja de qualquer especulação internacional”.

(Radar Político)

Zé Dirceu considera "inaceitáveis ataques feitos por Serra durante campanha

263 5

“O ex-ministro da Casa Civil do Governo Lula, José Dirceu (PT), réu no processo do Mensalão, afirmou, nesta segunda-feira (1), no programa Roda Viva (TV Cultura), que não pode aceitar o que o candidato derrotado à presidência da República, José Serra (PSDB), fez com ele durante a campanha. Dirceu diz que foi linchado publicamente antes do seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acredita que o seu adversário não acabou politicamente e que tem valor porque lutou até o final. “Espero que ele tenha um papel na oposição. Não espero um País sem oposição. Não espero que o País viva assim”, disse. O programa vai ao ar às 22h desta segunda-feira (1º).

De acordo com Dirceu, a postura do PSDB na campanha, notadamente no horário eleitoral de rádio e TV, foi inaceitável. “Não posso aceitar o que o José Serra fez comigo. Ele me linchou. E se eu for absolvido no Supremo, como é que fica? Ele me colocou como chefe de quadrilha. Eu tenho biografia, não tenho folha corrida”, afirmou.

Após a gravação, Dirceu disse que o discurso feito por Serra ontem, reconhecendo a derrota, visa a mistificação e que é um discurso pequeno, do ponto de vista político. “O objetivo dele continua a ser a mistificação. Lutar pela liberdade e pela democracia como se ela estivesse ameaçada. Lutar pela liberdade e pela democracia, nós devemos sempre lutar. Agora, que esse é o principal problema do Brasil e a oposição deve ser construída em uma luta, como se nós fossemos uma ameaça para o País, não é correto.. Ele está vivendo em outro País”, disse. Porém, por outro lado, Dirceu disse não subestimar a carreira política do adversário. “Essa coisa de dizer que está morto, não vai mais fazer política, que não tem mais espaço, não é assim. Posso discordar, até condenar, porque acho que a guerra foi suja, a campanha se rebaixou muito. Essa questão religiosa, é muito grave que ele tenha trazido isso. A maneira como se tratou a questão da interrupção de gravidez, do aborto, mais grave ainda, mas isso não significa que eu reconheça que ele lutou e batalhou até o final”, disse.

Segundo Dirceu, a partir de agora, o PSDB vai ter de superar a crise. “Agora é crise no partido porque eles estão praticamente empurrando o Aécio Neves para fora do partido. E quem autoriza isso está querendo que ele saia. Não é tão simples assim a vida não vai ser fácil do PSDB e do DEM. Mas eu não subestimo a oposição, porque ela tem força política”, afirmou. Dirceu disse que a oposição tinha a “certeza que ia ganhar a eleição de nós”. Durante o programa, ele disse ainda que o governo Lula foi o que mais trabalhou contra a divisão do País e que o discurso da oposição, muitas vezes foi exatamente o contrário.

Sobre o seu julgamento no STF, Dirceu disse que vai fazer a sua defesa na sociedade e espera que o seu julgamento – ainda sem data definida – e que espera que ele não se transforme no 3º turno das eleições. Por fim, ele afirmou que muitas vezes fica cansado consigo mesmo. “Virei um personagem que eu não sou, mas estou satisfeito com a solidariedade que recebi nesse País.”

(Portal Terra)

Mesmo perdendo a presidência, oposição comandará 52,3% do eleitorado

140 2

“A oposição, composta por PSDB e DEM, vai administrar 52,3% do eleitorado brasileiro. Derrotado na corrida à Presidência, o PSDB saiu das eleições como o campeão na disputa pelos Estados (oito vitórias) e terá, a partir de janeiro, quase metade do eleitorado brasileiro sob sua administração –64,2 milhões, que representam 47,5% do total.

A conquista tucana nos Estados torna-se um contrapeso à vitória de Dilma Rousseff (PT), que contará com apoio certo de 16 governadores –o PMN, vencedor no Amazonas, estava na chapa de José Serra (PSDB). Os tucanos já haviam faturado a eleição no primeiro turno em quatro Estados: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Tocantins, sendo os dois primeiros os maiores colégios eleitorais do país. A esse cinturão no Centro-Sul do mapa somaram-se vitórias em mais quatro praças ontem: Alagoas, Pará, Goiás e Roraima.

O resultado está acima dos prognósticos mais otimistas feitos pelo comando do partido no início da campanha, cuja expectativa era faturar no máximo seis Estados. Em números, é o melhor desempenho da sigla desde 1994 (52% dos eleitores), quando houve uma onda nos Estados alavancada pela eleição de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Em 2006, conseguiu 43%. A oposição faturou no primeiro turno em Santa Catarina e no Rio Grande do Norte, com o DEM.

O PT teve crescimento discreto, de 13,5% para 15,7%, ganhando em quatro Estados (AC, BA, RS e SE) e no Distrito Federal. Além da reeleição na Bahia, a grande vitória petista foi no Rio Grande do Sul. Maior partido do Brasil, o PMDB encolheu e comandará 15,3% do eleitorado, ante 22,8% há quatro anos. A legenda administrará cinco Estados (MA, MS, MT, RJ e RO). Outro destaque destas eleições é o PSB, que termina com seis vitórias (PB, CE, PE, ES, PI e AP), totalizando 14,8% do eleitorado. A força dos “socialistas” está concentrada no Nordeste.

CONGRESSO

O triunfo da oposição na geopolítica do país é, entretanto, relativizado pela ampla maioria que Dilma terá no Congresso. De largada, a petista conta com 311 dos 513 deputados. Mas, se tomado o arco de partidos que hoje apoiam o governo Lula, ela teria uma base de 402 parlamentares –a maior desde a redemocratização do Brasil. Os principais alvos de negociação do futuro governo Dilma serão PP, PTB e PV, que optaram por não se coligarem formalmente à chapa dela ao Planalto. No Senado, a petista também terá maioria confortável, que variaria hoje entre 52 e 60 das 81 cadeiras.”

(Folha.com)

Suplicy leva orquídeas para Dilma, mas é barrado por assessores

74 1

“O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apareceu de surpresa na tarde desta segunda-feira em frente à casa da presidente eleita, Dilma Rousseff, com uma cesta de orquídeas na mão, mas não conseguiu passar do portão, onde foi recebido do lado de fora por um dos assessores da petista.

Suplicy afirmou que queria dar um abraço em Dilma e cumprimentá-la por ela ter colocado como uma de suas principais metas a erradicação da miséria. O senador é conhecido por defender a aplicação da renda básica de cidadania no país.

Suplicy ouviu do assessor que Dilma estava descansando. “Disseram que ela está descansando. Na hora que ela quiser, voltarei para dar um abraço pessoalmente”, afirmou o senador, que foi cercado por estudantes de arquitetura de Rio Preto (SP) que estavam em excursão a Brasília e também foram visitar a casa de Dilma, que fica no Lago Sul, região nobre de Brasília. O senador tirou fotos com os estudantes e distribuiu a alguns deles seu livro sobre a renda básica.”

(Folha.com)

Lula aconselha Dilma a manter Mantega e Meirelles

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já aconselhou a sucessora, Dilma Rousseff, a manter Guido Mantega no Ministério da Fazenda e Henrique Meirelles no comando do Banco Central. Apesar de Lula dizer publicamente que não interferirá no governo Dilma, a Folha apurou que ele já teve algumas conversas com ela sobre a formação do ministério. Lula disse a Dilma que acha que deu certo a “dobradinha” entre Mantega, tido como mais desenvolvimentista, e Meirelles, mais conservador, na crise econômica internacional de 2008/ 2009. Para Lula, a manutenção dos sinalizaria uma continuidade que acalmaria o mercado financeiro numa hora de preocupante valorização do real em relação ao dólar e de possibilidade de guerra cambial entre os países.

Meirelles seria um indicador da permanência do conservadorismo light adotado por Lula na política econômica. Já Mantega atenderia aos que pedem contraponto aos defensores de maior ortodoxia fiscal e monetária. Além disso, há a avaliação de que a eventual manutenção de apenas um deles acabaria por chancelar um lado da disputa. Apesar do acerto na crise, há histórico anterior de embates entre os dois. O petista também deu conselho a Dilma sobre o destino de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e coordenador da campanha dela. Lula gostaria que Palocci chefiasse a Casa Civil e que fosse o chefe da transição da parte do novo governo –função que já cumpriu em 2002.

Palocci, que caiu no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo, é muito identificado com Lula. Há setores no PT que bombardeiam a ida de Palocci para cargo tão poderoso, sob o argumento de que ele seria uma sombra para Dilma. Essas alas petistas defendem Palocci na Saúde, mas ele não gosta da ideia.

Se Palocci não for para a Casa Civil, crescem, nessa ordem, as chances de Paulo Bernardo (Planejamento) e de Alexandre Padilha (Relações Institucionais) de ocupar o posto. Bernardo está alguns pontos à frente. Dilma gosta de Padilha, também cotado para ser o novo chefe de gabinete da Presidência. Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, deve ocupar a pasta dos Direitos Humanos ou outro cargo no Palácio do Planalto, como a Secretaria-Geral.”

(Folha Online)

Gabeira apregoa oposição, mas destacando avanços

66 1

Candidato derrotado ao Governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira escreve artigo sobre a vitória de Dilma Rousseff (PT). Confira:

“Desde ontem, Dilma é a nova presidente do Brasil. Como eleitor de Marina no primeiro turno e de Serra, no segundo, desejo aos vencedores um bom governo, pois de sua competência e correção dependerá a sorte dos brasileiros nos próximos quatro anos. A única notícia que existe é esta: Dilma venceu. As outras são mais ou menos previsíveis. Um novo presidente diz sempre que vai governar para todos os brasileiros e estende a mão aos adversários; todo adversário derrotado deseja boa sorte e promete uma oposição vigilante, porém racional e desapaixonada.

Estamos ainda no terreno das formalidades pós eleitorais. Embora não considere a pesquisa como um único parâmetro, era possível ver nas ruas o potencial da vitória de Dilma pela adesão dos setores mais pobres. Aqui em casa, de vez em quando entra a voz de um pastor que faz preleções no Morro do Cantagal: vamos votar amanhã, sabendo que o PAC é importante para nós, não preciso dizer mais nada – afirmava ele através de um potente sistema de som.

Há dois caminhos nos comentários de hoje: discutir os solavancos da campanha ou especular sobre o futuro governo Dilma. Ambos os esforços são válidos, embora não sejam o centro de minha preocupação.Agora é preciso antes de tudo redefinir a vida: escrever um livro, realizar estudos de política sobre temas ainda ignorados no Brasil , produzir alguns textos jornalísticos, estimular  novas frentes de luta, como a defesa do oceano, e sobretudo, estar aberto para o que acontecer no Brasil e fora dele.

“Keep wallking”,  diz a propaganda. E creio que é uma frase importante. Faço oposição ao governo e creio que ela tem uma grande tarefa democrática. Nessa campanha, entretanto, vi como se embaralharam os temas e como se voltou contra o governo aquilo que sempre foi um grande obstáculo para mim: o fundamentalismo religioso. Milhões de panfletos negativos sempre foram feitos contra mim, em campanhas majoritárias. Em 2008, os adversários, a julgar pelo relato dos próprios adversários, percorreram igrejas e templos para atemorizar os fiéis.

Daqui para frente, será preciso desenhar com nitidez uma política de oposição que denuncie o aparelhamento do estado, a falta de sustentabilidade ambiental nas decisões econômicas, a própria corrupção e a propaganda vazia sobre feitos inacabados. Mas sem perder o contato com os avanços em outras áreas, sem hesitar em propor políticas sociais avançadas. Vai ser preciso uma longa discussão sobre o que é oposição a um governo com apoio popular, sobre o que é avançar em relação a esse longo domínio do PT e seus aliados. Costumam chamar isto de frente de esquerda. Mas. para mim, é claro que ser de esquerda ou de direita não foi jamais a verdadeira clivagem dentro do governo. A verdadeira linha divisória é esta: quem está contra, quem está a favor.

Estamos na primeira manhã, do primeiro dia. Esses temas voltarão e creio que nosso novo site estará no ar esta semana. Aí sim, começaremos já a experimentar os primeiros passos de um novo caminho. Quanto às outras intervenções, na imprensa ou na literatura, assim como ensaios políticos, tudo isso estará presente também no site que, no ano que vem, vai ser uma espécie de convergência de todo o trabalho”.

Fernando Gabeira.

Era Dilma – Apuraçao de escândalos culmirará com transição

“Eleita ontem, Dilma Rousseff (PT) terá que dividir a montagem da sua equipe de governo com explicações sobre dois escândalos que marcaram sua campanha –o caso Erenice Guerra e a quebra de sigilo fiscal de tucanos e pessoas próximas a José Serra (PSDB). O desfecho dos dois casos, empurrados para depois da eleição, deve culminar com o período d e transição do governo, entre novembro e dezembro. A posse é no dia primeiro de janeiro.

Na próxima semana, encerra o prazo dado pela Justiça para que a Polícia Federal conclua as investigações das denúncias de tráfico de influência na Casa Civil. O escândalo envolve a sub de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra, que pode ser indiciada após ter confirmado semana passada em depoimento à PF que recebeu empresários que negociavam com a empresa de lobby dos filhos dela.

Dilma tem afirmado que não sabia de nada e criticado a conduta da sua braço direito no governo. Erenice teve de deixar o governo após a Folha revelar que um dos encontros ocorreu no prédio do governo com empresários de Campinas. Também está em curso apuração sobre como os Correios, em especial a área de transporte de carga, foram afetados pelo lobby.

A PF deve sinalizar nos próximos dias se irá aprofundar a investigação sobre a quebra do sigilo de familiares de Serra e de tucanos. Nos dois casos, a oposição não descarta propor CPIs caso a investigação da PF não seja conclusiva. A sindicância do governo instalada para apurar a participação de servidores no esquema de lobby na Casa Civil também pode ser concluída no próximo dia 18, fim do novo prazo dado para o encerramento dos trabalhos.

A Folha revelou que a sindicância detectou que o esquema de lobby não se restringia à Casa Civil, mas contava com a participação de dois outros órgãos vinculados à Presidência da República –GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e SAE (Secretaria e Assuntos Estratégicos).

Os computadores de Erenice e outros dois assessores da Casa Civil estão sendo periciados pela PF e pela sindicância interna. A PF não confirma, por exemplo, se pediu quebra de sigilos fiscal, telefônico e bancário dos envolvidos, que podem atrasar a conclusão do inquérito.”

(Folha Online)

Mesmo sem Nordeste, Dilma venceria Serra

Dilma tendo a prefeita Luizianne Lins na fita.

“Depois de uma das campanhas mais acirradas à Presidência da República, a petista e ex-ministra chefe da Casa Civil, Dilma Vana Rousseff, 62 anos, se consagrou ontem como a primeira mulher a governar o Brasil. Com 99,94% das seções apuradas, Dilma Rousseff amealhava 55.724.713 de votos (56,05% do total de votos válidos) contra 43.699.232 (43,95%) de José Serra (PSDB), 68 anos. Oito anos após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro operário, os eleitores brasileiros deram a Dilma Rousseff uma vitória que a põe em restrito grupo. Apenas 7% dos chefes de Estado no mundo são mulheres.

A diferença da petista para o tucano foi de pouco mais de 12 milhões de votos. Essa vantagem ocorreu graças à enorme votação de Dilma no Nordeste, onde ganhou 10.717.434 de votos a mais do que Serra. Logo, mesmo se o Nordeste – maior reduto eleitoral do PT – fosse excluído dos cálculos, a candidata gov ernista venceria a eleição por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9 ponto percentual (50,9% a 49,1%).

Até o fechamento desta edição, Dilma alcançava uma votação 9,14 pontos percentuais superior à que obteve no primeiro turno. E Serra, 11,34 pontos acima. Isso indica que o espólio de 19.636.359 de votos (19,33%) de Marina Silva (PV), terceira colocada na primeira etapa, migrou mais para o candidato tucano.

A abstenção, de 21,39%, foi maior que no primeiro turno (18,12%). Mas os votos nulo e em branco, que foram respectivamente de 5,51% e 3,13%, caíram para 4,40% e 2,31%.”

(Valor Econômico)

Nordeste dá boa maioria pró-Dilma e fato gera onda de preconceito no twitter

158 8

A petista Dilma Rousseff conseguiu ampliar seu colchão de votos no Nordeste, além de melhorar seu desempenho em Minas e no Rio, segundo e terceiro colégios eleitorais do país. A conjunção desses fatores assegurou sua eleição ontem. Ela venceu no Distrito Federal e em 15 estados, a maioria no eixo Norte-Nordeste.

José Serra (PSDB) virou a eleição em três estados em relação ao primeiro turno — Rio Grande do Sul, Goiás e Espírito Santo — e obteve maioria de votos em 11 unidades da federação, concentrados no Sul e no Centro-Oeste, além de São Paulo.

No estado em que governou até março, Serra tinha 54,05% dos votos válidos (12,3 milhões), contra 45,95% de Dilma (10,4 milhões). A diferença foi de 1,8 milhão de votos, menor do que a meta traçada por sua campanha, que era a de superar os três milhões.

O esforço apregoado pelo senador eleito Aécio Neves (PSDB) para alavancar o paulista em Minas não surtiu o efeito esperado.

Embora tenha aumentado sua votação em Minas em 11 pontos percentuais, Serra não conseguiu neutralizar o crescimento da rival. Dilma abriu uma dianteira de 1,7 milhão de votos, praticamente anulando a vantagem que ele obteve em São Paulo. A petista teve 58,4% dos votos (6,2 milhões) na terra de Aécio, contra 41,5% do adversário (4,4 milhões).

A performance do tucano no segundo turno foi 33% melhor (mais 1,1 milhão de votos) e a de Dilma, 22% (mais 1,15 milhão). Mas a diferença manteve-se no mesmo patamar, entre 16 e 17 pontos.

O Rio deu 60,48% dos votos válidos à ex-ministra (4,9 milhões) e 39,52% a Serra (3,2 milhões). Ela ganhou 1,1 milhão de votos em relação ao primeiro turno e ele, 1,2 milhão. É como se o eleitorado que apoiou Marina Silva (PV), que ficou em segundo no Rio, com 2,6 milhões de votos, tivesse se dividido.

Dilma se aproximou do governador Sérgio Cabral (PMDB), que teve 66% dos votos válidos no primeiro turno. Ele e outros governadores foram cobrados pelo presidente Lula para que puxassem mais apoios para Dilma.

Também foi assim em Pernambuco: Eduardo Campos (PSB) foi reeleito com 82%. Dilma teve 75,6% ontem no estado.”

(O Globo)

DETALHE – O fato de Dilma ter conquistado maior votação no Nordeste acendeu, no twitter, o velho preconceito contra nossa região. Ofensas contra nordestinos ocorrem desde ontem nessa rede, estando entre os três assuntos mais comentados. Até o tópico que aparece é pejorativo: “nordestistos”

Dilma já prepara equipe de transição

“Menos de três horas depois de as urnas confirmarem sua vitória, a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) começou a preparar sua equipe para a transição de governo. O primeiro passo foi convocar seus aliados mais próximos para uma reunião privada nesta segunda-feira, para começar a discutir as primeiras medidas a serem tomadas agora que terminou a corrida presidencial.

O  plano, segundo um dos integrantes do círculo próximo à presidenta eleita, é começar a “distribuir tarefas”. Dilma avisou a aliados que quer deixar os primeiros trabalhos encaminhados antes de viajar ainda esta semana para descansar da campanha. Dilma recrutou parte de seu time para a reunião durante a recepção organizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, na qual estavam também governadores eleitos. Ela seguiu para a residência oficial da Presidência logo após fazer seu discurso de vitória em um hotel em Brasília.”

(Ultimo Segundo)

Dilma acompanhará Lula em viagens à África e Ásia

“A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) vai descansar nos próximos dias, mas em seguida, no fim de semana, retoma as primeiras atividades como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao lado de Lula, Dilma segue para viagens à África e à Ásia. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem (31) que Dilma confirmou os planos de descanso e viagens ao exterior.

“Ela [Dilma Rousseff] disse que vai tirar uns dias de descanso e depois viaja com o presidente [Lula]” para o exterior, afirmou Bernardo, ao deixar ontem à noite o Palácio da Alvorada, onde Lula, Dilma, ministros, governadores eleitos e aliados comemoraram a vitória.

No sábado (6), Lula e Dilma viajam para Moçambique. Em Maputo, capital de Moçambique, será inaugurada uma fábrica de medicamentos. Depois da África, ambos participam das reuniões do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo) em Seul, na Coreia do Sul.
 
A reunião é considerada emblemática não só porque Lula estará acompanhado pela presidente eleita, mas também porque na ocasião será referendada a decisão de ampliar a  participação dos países em desenvolvimento na nova estrutura do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na reunião, Lula deve ratificar a posição do governo brasileiro para que a comunidade internacional unifique ações que evitem as guerras cambial e de divisas. Para os Estados Unidos e algumas economias ocidentais, a China mantém sua moeda ( o yuan) desvalorizado para garantir as exportações e o crescimento econômico interno.

A ideia de Lula é que Dilma o acompanhe em mais oito viagens ao exterior até o final de dezembro. As prioridades do presidente são os países da América do Sul, entre eles o Chile e a Argentina. Há ainda reuniões do Mercosul e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) previstas para o período.”

(Agência Brasil)

Arcebispo de Fortaleza quer Dilma focando gestão na luta contra a corrupção

O arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio de Aparecido Tose, afirmou, nesta segunda-feira, que espera de Dilma Rousseff (PT), a primeira mulher eleita presidente do Brasil,  faça “um mandato digno dela e do povo brasileiro”. Para ele, Dilma terá que fazer uma gestão para todos os brasileiros e focada na “honestidade e na luta contra a corrupção”.

Dom José disse ainda torcer para que a nova administração busque “mais o bem comum do que o interesse particular” e enfrente graves problemas que, apesar de avanços do Governo Lula, ainda reclamam por providências. Não mencionou quais, mas destacou:  “Tem muita coisa que já foi feita, sem dúvida e isso não se pode negar. Mas tem muita coisa que ainda precisa se fazer”.

Ele considerou positivo que Dilma anuncie que vá consultar Lula sempre que necessário, o que não lhe surpreende “porque ambos estão ligados diretamente”. Ressaltou que a petista, em seu primeiro pronunciamento, fez elogios e agradecimentos ao presidente.

O arcebispo não entrou na questão polêmica da descriminalização do aborto, que provocou momento de acirramento da campanha eleitoral entre apoiadores de Dilma e de José Serra (PSDB). Ele preferiu torcer para que, após uma campanha “tumultuada e com muita baixaria” se imponha o respeito.

Serra: "Que Dilma faça bem para o País"

O candidato derrotado à Presidência fez um pronunciamento no qual desejou à presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), que “faça bem para o país”. “No dia de hoje os eleitores falaram, e nós recebemos com respeito e humildade a voz do povo nas urnas. Quero aqui cumprimentar a candidata eleita Dilma Rousseff e desejar que faça bem para o nosso país”.

Serra deu a entender que permanecerá atuante na vida política. “Eu disputei com muito orgulho a presidência da República. Quis o povo que não fosse agora”, disse o tucano. “E para os que nos imaginam derrotados, quero dizer: ‘nós apenas estamos começando uma luta de verdade’. Estamos no começo dessa luta. Nós vamos dar a nossa contribuição ao país em defesa da pátria, da liberdade, da democracia, do direito que todos tem de falr de serem oubvidos, da justiça social”.

(Folha.com)