Blog do Eliomar

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Batina eleitoral – Dom Aldo Pagotto diz que aborto faz parte do programa do PT

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=H0vRZu4f7Vk[/youtube]

Eis um vídeo que circula na internet e tem como principal personagem Dom Aldo Pagotto, que foi bispo em Sobral, a terra natal do governador Cid Gomes: ele diz que a questão da descriminalização do aborto faz parte do programa do PT e alerta cristãos para o fato. Essa postura de dom Aldo não surpreende. Quando atuando no Ceará, ele sempre se posicionou simpático ao PSDB.

Ipea prevê: Sucessor de Lula terá que redefinir papel do Bolsa Família

“Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) poderão ter de mexer na principal ação social do governo Lula: o Programa Bolsa Família. A avaliação é de Serguei Soares, doutor em economia e especialista da área social do Instituto Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo ele, saber qual a vocação do programa: fazer a proteção social dos mais pobres ou gerar oportunidades para superação da pobreza, deverá entrar na agenda do próximo governo.

“As duas coisas são incompatíveis”, acredita Serguei e “exigem abordagens diferentes para públicos diferentes”. Conforme o analista, a proteção social deve ser uma ação ativa do Estado sem a exigência de contrapartidas, isso porque “os pobres não são pobres à toa. As famílias mais pobres são as mais vulneráveis e desestruturadas, têm mil e um problemas, alguns conhecemos e outros nem imaginamos”.

Na avaliação de Serguei Soares, além dessa demanda há setores na sociedade que esperam que “o Bolsa Família, como se diz na sabedoria popular, não dê o peixe, mas ensine a pescar”. Isso significa orientar o programa “não para o mais pobre entre os pobres, mas para aquele cidadão que com alguma ajuda decola e sai da linha de pobreza”, disse se referindo à oferta de mais microcrédito e de treinamento profissional, por exemplo. “Se é um programa de proteção social, ninguém deve cobrar porta de saída. É para todos, é universal”, diferencia. O economista aposta que a escolha, “que não é urgente”, será dispor dos dois instrumentos.

Para ele, o programa é “bem gerido” e tem “sucesso inquestionável”. O Bolsa Família “é tão bem pensado que a gente pergunta porque se demorou tanto a descobrir uma coisa óbvia: se alguém é pobre a solução é dar dinheiro para esse alguém!”, afirmou ao comentar que é o êxito do programa que leva ao impasse sobre o qual o próximo governo decidirá.

Atualmente, o Bolsa Família atende a 12,7 milhões de famílias e faz a transferência direta de renda com condicionalidades básicas: a frequência escolar, cartão de vacinação em dia; e realização do acompanhamento pré-natal pelas gestantes. O programa deverá transferir este ano R$ 13,1 bilhões. Durante o primeiro turno, o Bolsa Família foi mencionado de forma elogiosa pela maioria dos candidatos, que inclusive prometiam a ampliação do programa.”

 (Agência Brasil)

Pós-Eleição – Câmara dos Deputados vai gastar R$ 11,2 mil em desratização

“Passado o primeiro turno das eleições para deputados, senadores, governador e presidente, a Câmara Federal, em Brasília, renovou seu compromisso de exterminar ratos e insetos. Assim como faz todo ano, o órgão empenhou (reservou em orçamento), desta vez, R$ 11,2 mil para pagar serviços de desinsetização e desratização a ser realizado em áreas comuns e privativas dos blocos de apartamentos funcionais dos deputados, na capital federal. Os serviços foram solicitados pela Coordenação de Habitação da Casa. Resta torcer para que os bichos não morram de forma sofrida.

Além disso, a Câmara comprometeu mais R$ 3 mil para serviços de confecção de arranjos florais. A nota de empenho, documento que antecede a despesa pública, não informa, porém, para onde serão levados esses arranjos, nem quando.”

(Site Contas Abertas)

Basílica de Aparecida espera 330 mil romeiros

“Pelo menos 330 mil pessoas devem visitar a Basílica de Aparecida, no Vale do Paraíba, durante os quatro dias do feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida. O santuário nacional dedicado à padroeira do Brasil, localizado no município de Aparecida, a 168 quilômetros da capital paulista, recebe turistas e fiéis de todo país.

De acordo com a administração do santuário, o maior movimento de visitantes é esperado para amanhã (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida. Cerca de 165 mil pessoas devem passar pela cidade. Para hoje, não foi divulgada a previsão.

Uma programação especial de eventos foi organizada para a celebração do feriado na cidade. A missa solene de amanhã, às 10h, e a procissão solene, às 16h, são os dois mais aguardados.

Para proteção dos turistas, mais de 210 seguranças privados vão trabalhar no feriadão. Além deles, 400 policiais militares serão responsáveis pela segurança dos visitantes.

Na principal estrada de acesso à Aparecida, a Via Dutra, um esquema de atendimento a motoristas também foi montado para o feriado. A CCR Nova Dutra, concessionária que administra a rodovia, informou que 11 colaboradores e oito veículos de apoio estarão posicionados perto da basílica.

Segundo a concessionária, o maior movimento de ônibus de romeiros deve ocorrer na terça-feira, entre 2h e 9h, e também após as 15h.

O santuário recomenda que romeiros cheguem cedo para que possam garantir local no estacionamento. Pede também que os visitantes que vêm em excursões que levem o nome e telefone de contato de seus guias para que possam encontrá-los caso se percam.”

(Agência Brasil)

Erenice tirou mais votos de Dilma do que igrejas

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“Os fatos que levaram à queda da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno do que questões relacionadas à religião. Segundo pesquisa Datafolha realizada na última sexta, cerca de 6% dos eleitores mudaram seu voto, considerando tanto Dilma quanto José Serra (PSDB), por conta dos casos que marcaram a reta final do primeiro turno.

Desse total, Dilma perdeu cerca de quatro pontos percentuais entre o total de eleitores. Aproximadamente 75% das perdas ocorreram por conta dos escândalos recentes no governo.
O restante, por questões relacionadas à religião- não exclusivamente envolvendo a posição da candidata sobre o aborto. Já Serra perdeu dois pontos percentuais. Tanto pelo caso de quebra de sigilo de tucanos quanto pelo caso Erenice. Os dois casos podem ter levantado suspeitas sobre irregularidades fiscais dos citados ou envolvimento de tucanos nas denúncias, por exemplo.

A perda de eleitores de Dilma, que conquistou 47% dos votos válidos no primeiro turno, foi de aproximadamente 4 milhões de eleitores. A de Serra, que teve 33% dos votos válidos, de 2 milhões. Como a margem de erro do levantamento (feito com base em 3.265 entrevistas em todo o país) é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o total de votos perdidos pode ter sido maior ou menor na mesma proporção da margem de erro.

O percentual de eleitores no país que tomou conhecimento dos casos Erenice Guerra e da quebra de sigilo de tucanos é expressivamente maior do que o do total que recebeu alguma orientação de sua igreja para que deixasse de votar em determinado candidato. Os resultados da pesquisa, portanto, não confirmam a tese de que foi o voto relacionado a questões religiosas que levou a eleição presidencial ao segundo turno. Tomaram conhecimento do caso Erenice 48% dos eleitores. No caso da quebra de sigilos, foram 56%.

Já o total que recebeu alguma orientação na igreja que frequenta para que deixasse de voltar em algum candidato a presidente atingiu 3%. Os dois casos que mais pesaram na mudança de votos dos eleitores na reta final do primeiro turno tiveram influência direta de reportagens publicadas pela Folha.

O primeiro (quebra de sigilo) foi revelado pelo jornal em junho, muito antes do primeiro turno.
Em relação à queda de Erenice, o caso foi levantado inicialmente pela revista “Veja”. Mas foi uma reportagem da Folha que levou à queda da ex-ministra no dia 16 de setembro, a duas semanas do primeiro turno.

As denúncias de tráfico de influência na Casa Civil foram determinantes para mudanças de voto principalmente entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, mostra o Datafolha.
Entre os que votaram em Marina (que teve 19% dos votos válidos), 7% dizem ter deixado de votar em Dilma por conta do caso Erenice. Chega a 1% do total do eleitorado o percentual dos que dizem ter deixado de votar em Dilma Rousseff para votar em Marina por causa da queda de Erenice Guerra. A taxa dos que fizeram o mesmo por recomendação da igreja não alcança 1% do eleitorado.

(Folha)

Dilma e Serra trocam farpas em debate

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“No mais duro debate travado nesta campanha presidencial, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra trocaram ataques neste domingo (10) e usaram estratégias diferentes. Enquanto a ex-ministra da Casa Civil acirrou as críticas, em especial à gestão do adversário no governo de São Paulo, o ex-governador se esforçou para conciliar propostas e ataques, nos quais acusou a rival de ser incoerente.

  • Candidatos José Serra e Dilma Rousseff durante debate na Band

A preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas, também mirou a gestão de Serra nos ministérios do Planejamento e da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso. O tucano evitou criticas diretas ao mentor da candidatura de Dilma, mas retomou o tema aborto, dominante na primeira semana após a votação de primeiro turno, em 3 de outubro.

Os ataques mais duros foram trocados no primeiro bloco do debate da TV Bandeirantes. Dilma acusou a campanha do rival de promover “mentiras e calúnias” contra ela. Serra indicou que a petista busca a “vitimização” e questionou sua fé – um aspecto que promoveu mudanças no programa da ex-ministra no horário eleitoral obrigatório para atender o eleitorado religioso, que se afastava dela.

O tucano também afirmou que é atacado indevidamente por simpatizantes da petista. “São blogs com seu nome. Fazem ataque à família, amigos. É uma campanha orquestrada, que trata de ideias que não tenho”, disse.

Quando a temática parecia se inclinar para temas ligados a religião e saúde –assunto que fez Serra acusar a rival de ter “duas caras”-, Dilma se concentrou nas privatizações feitas durante a gestão tucana no Palácio do Planalto. Mais tarde, o segundo colocado nas pesquisas ironizou a adversária pelo tom inédito em debates por parte dela.

“Tenho que confessar que eu estou surpreso com essa agressividade, esse treinamento da Dilma Rousseff, que esta se mostrando como é de verdade”, afirmou.

Além das privatizações, a petista fez ataques nas políticas de educação e de segurança do governo Serra em São Paulo, Estado onde os dois tiveram votação próxima no primeiro turno. Dilma acusou o PSDB de ser favorável a privatizações e centrou suas perguntas e respostas nesse assunto nos segundo e terceiro blocos do encontro, que, de acordo com a Bandeirantes, teve picos de 6 pontos de audiência.

Privatizações e incoerência

Durante o segundo e terceiro blocos do primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, Dilma e Serra trocaram acusações sobre privatização. A petista se esforçou para cravar a pecha no adversário, que viu incoerência da ex-ministra por ter elogiado a abertura do capital da Petrobras, feita no governo FHC.

A petista comparou a saúde financeira da Petrobras durante os governos FHC e Lula e sugeriu que Serra seria a favor da privatização da empresa. O tucano disse que a gestão atual aumentou a presença de capital privado no Banco do Brasil e privatizou dois bancos regionais. A petista preferiu concentrar as críticas nas posições de tucanos sobre a Petrobras e a exploração do petróleo do pré-sal.

“[A Petrobras] teve um processo de capitalização que arrecadou US$ 70 bilhões”, afirmou Dilma, sobre a recente operação conduzida pela estatal. “Vocês só conseguiram arrecadar US$ 7 bilhões”. Serra respondeu que “é só chegar a campanha eleitoral e o PT vem sempre com essa história”. Na votação de 2006, o assunto ampliou a vantagem de Lula, candidato à reeleição, sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

“No caso de venda de empresas públicas, eles reclamam que venderam ações no governo passado, mas não falam do Banco do Brasil, que colocou [ações] em Nova York”, disse o tucano.

Dilma criticou o adversário por vender a Nossa Caixa, banco paulista que foi repassado ao governo federal. E levantou suspeitas sobre se Serra não faria o mesmo caso seja eleito presidente, ao comentar sobre programas educacionais que Serra terminou depois de assumir o governo deixado por Alckmin.

Políticas, ataques e aborto

Depois de dizer que quer uma política educacional na qual “professor não seja tratado a cassetete”, em ataque indireto ao rival, a petista questionou Serra com uma acusação. “Eu acho que a sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. Essas calúnias têm sido muito claras”, disse.

“Tenho visto o seu vice, Índio da Costa. A única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até aproveitando a fé das boas pessoas, para me atingir, em questões religiosas. Essa forma de campanha que usa o submundo é correta?”, questionou.

Serra começou com tom ameno, mas endureceu o debate aos poucos. “Me solidarizo com quem é vítima de ataques pessoais. Tenho recebido muito ataque e muita calúnia, até antes da campanha”, disse. “Mas nós somos responsáveis por aquilo que pensamos e aquilo que falamos. A população cobra programa de governo, mas cobra também conhecimento sobre os candidatos.”

Em seguida, o tucano acusou a petista de mudar de opinião sobre a legalização do aborto. O tema interessa a muitos dos eleitores que em 3 de outubro votaram na evangélica Marina Silva (PV) para a Presidência. A candidata verde somou quase 20% dos votos válidos e seu apoio é disputado pelos dois presidenciáveis.

“Na questão do aborto, você disse isso no debate da Folha, no UOL, que era a favor do aborto. Depois, disse que era contra. Isso não é estratégia de adversário”, disse. O tucano afirmou ainda que a petista “não sabe bem se acredita ou se não acredita” em Deus. “E depois vira uma devota”, disse, para depois emendar ataques a Erenice, demitida por suspeita de ilegalidades na Casa Civil.

“Seu braço direito organizou um grande esquema de corrupção. Você não tem nada a ver, é tudo alheio a você”, disse, em tom de ironia. Depois dessa resposta, Serra ouviu a adversária dizer, como fez em vários momentos do debate, que ele tem “mil caras”.

Depois disso, Dilma criticou Serra por acusar sua campanha de ter ligação com vazamentos de sigilos fiscais na Receita Federal. “A última mentira e calúnia contra mim: vocês diziam que a minha campanha tinha aberto sigilo fiscal. Hoje o juiz te denunciou e você é réu. Você se cuida, porque está dando os primeiros passos para entrar na questão da ficha limpa”, afirmou.

“Tem uma campanha contra mim. Você regulamentou o acesso ao aborto no SUS [Sistema Único de Saúde]. Eu concordo com a regulamentação. Entre prender e atender, eu fico com atender”, disse a petista.”

(Portal Uol)

Itamar Franco: "O Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil"

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Itamar, Lula, FHC e Sarney.

“Um dos articuladores do voto “Lulécio” em 2002, a favor do petista Lula para a Presidência e do tucano Aécio Neves para o governo de Minas, o ex-presidente da República Itamar Franco (1992-1994) agora critica duramente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que ele tem de parar de falar “nunca antes neste país”: “O Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil”. Segundo ele, “Lula não é democrata”: “Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter um senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.”

Ex-senador (1975-1990), Itamar, 80, volta à Casa pelo PPS com a língua afiada. Ao lembrar de Getúlio Vargas, diz que “Lula tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados”.

Por que Serra e não Dilma?
Porque ela tem um discurso monotemático. Se fosse uma estudante, seria uma aluna boa para decorar as lições, não para fazer cálculos. Ela vem com um discurso preparadinho que o presidente ensinou. Já o Serra tem pensamento próprio. Mas, se não mudar o discurso, vai perder.

Mudar em quê?
Tem de parar de elogiar ou de ser condescendente com o Lula. Imagine o cidadão que está em casa ouvindo isso: “Puxa, se o candidato da oposição elogia tanto o presidente, para que mudar?”

E o argumento que Lula tem 80% de popularidade e não dá para bater nesse muro?
Ele tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados.

Não foi o sr. que criou o voto “Lulécio” de 2002?
Procurado pelo Zé Dirceu, desisti da disputa e apoiei o Aécio para o governo e o Lula para presidente. Daí surgiu o voto Lula-Aécio.

O que aconteceu depois?
Sabe o que o Lula fez em 2006? Foi na minha terra, levou todo mundo e subiu no palanque até com o Celso Amorim, que também foi meu chanceler, para falar mal de mim. Fiquei triste. Agora o Lula fez uma campanha muito violenta em Minas contra a gente de novo, uma campanha que raiou o imoral, agredia os princípios democráticos. Bem, um presidente que faz no Senado o que ele faz, que nem presidente militar fez…

O que foi imoral?
Teve nove pessoas presas, distribuindo santinhos apócrifos com as maiores aleivosias contra nós. Saíam de onde? De um comitê do PT.

Se Aécio, Anastasia e o sr. foram eleitos, por que o Serra perdeu em Minas?
Nós trabalhamos pelo Serra, mas ele não teve organização nenhuma em Minas.

E o PSDB mineiro?
Nós fazíamos um discurso afirmativo, falávamos o que o povo queria ouvir, e o povo mineiro gosta de pegar no candidato, gosta de alisar a gente, e nós atendíamos isso. Serra, não. E até nos debates ele perdeu boas chances de chutar em gol, como quando a Marina levantou uma bola para ele contra a Erenice e ele deixou passar. Foi falar em assunto técnico, oras!

O sr. votou mesmo no Serra?
Votei no Serra por causa da coligação, mas muitos amigos votaram na Marina Silva e queriam que eu ficasse com ela. Não fiquei.

Como vê o segundo turno?
Em toda a minha vida só vi um homem transferir maciçamente os votos do seu partido: Leonel Brizola para Lula, no segundo turno de 1989. Então, não sabemos. Depende muito da Marina e dos votos dela, mas esse eleitorado é muito disperso e múltiplo.

A Dilma saiu com 14,3 pontos na frente. É possível virar?
I
sso dá uns 13 milhões de votos e, mais um pouquinho, Serra chega lá. Possível é, e já vimos viradas duas vezes em Minas. Mas ele precisa ser mais afirmativo no campo social, econômico, político.

Como enfrentar Lula?
Ele tem de mostrar que o Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil. Do jeito que as coisas vão, o Lula vai dizer que quem abriu os portos foi ele, não d. João 6º. Tudo é ele, é ele. Por que não dizer o que o Real fez pelo país? Por que não dizer que o pãozinho custava um preço de manhã, outro preço à tarde, outro preço à noite?

Como está a sua relação com Fernando Henrique Cardoso?
Não está. Mas se eu defendo escondê-lo? Não defendo. Apesar das minhas desavenças com ele, acho um absurdo escondê-lo. Se não aparece, batem nele de qualquer jeito. Então ele deve aparecer, rebater, xingar.

Como o sr. imagina um Senado com três ex-presidentes?
Eu fico olhando o Sarney dizer que o melhor presidente que ele já teve foi o Lula, e penso: sim, senhor, hein, presidente Sarney?

E o Collor?
Prefiro falar da chuva.

Que Senado vai encontrar?
Um Senado subjugado pelo Executivo. A interferência do presidente é a todo instante, em tudo, até em questões internas. Uma das coisas mais sagradas do Congresso são as CPIs. Pois eu era de oposição e fui presidente da CPI das “polonetas” no governo Geisel e depois da CPI das diretas. E, agora, o presidente diz que não pode ser e não é. Onde já se viu isso? O Senado diz amém, amém.

Em 2011, a bancada lulista vai ser um rolo compressor. Como furar o bloqueio?
Fácil não é, mas não é impossível. A ditadura durou 20 anos, mas ela se tornou frágil e caiu. Hoje, se há essa ditadura que o PT quer impor ao país, se acha que só ele sabe o que é bom para o país, é preciso reagir. Quando o Lula diz que “nunca antes neste país”, eu penso: o que que é isso? Como é que o sr. Sarney aceita isso? Então, ninguém fez nada? Ao longo do processo, cada um de nós, o Sarney, eu, o Fernando Henrique, foi passando o bastão.

Com maioria lulista, é possível o Aécio presidir o Senado?
O Aécio hoje é a maior liderança nacional.

Mais do que o Lula?
Mais do que o Lula, porque o Aécio é democrata.

O Lula não é democrata?
Não, basta ver as ações dele todos os dias. Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.

Qual sugestão o sr. daria a Lula para o pós-Presidência?
O Lula gostou do poder, mas ele vai ver o que é bom depois, quando deixar o poder. Não se pode acostumar com os palácios, os aviões, os helicópteros, com o sujeito que carrega a sua mala, porque isso não é o dia a dia do homem simples, que nós todos somos. O Lula deve saber que, um dia, tudo isso acaba. O poder não é eterno. Nós já tivemos no Brasil um grande presidente que era também o “pai dos pobres” e que depois foi derrubado, não é?

(Folha.com)

Dilma e Serra travam primeiro debate televisivo neste domingo

“Os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), estarão frente a frente, hoje, no primeiro debate televisivo antes do segundo turno das eleições. No evento promovido pela Band, os presidenciáveis poderão enfrentar questões que têm permeado as campanhas, como temas ligados a religião, aborto e liberdade de imprensa. Os pontos podem ter sido decisivos nos resultados registrados pelas urnas no primeiro turno. Cotada para ganhar o pleito em primeiro turno, Dilma chegou a afirmar que sua campanha percebeu tarde demais a onda de boatos junto ao eleitorado evangélico e católico. “Nós estávamos inocentes. A gente percebeu tarde demais, mas percebemos”, disse a candidata.

O candidato tucano negou que sua campanha tenha pautado a discussão sobre o aborto na campanha eleitoral. Segundo ele, o assunto surgiu por meio da população. “Os candidatos colocam as propostas para o Brasil, mas as pessoas colocam as perguntas. (O aborto) não é uma pauta fixada pelos candidatos, mas estou pronto em falar tudo o que eu penso. Eu sempre fui coerente”, afirmou.

Propaganda eleitoral
Na volta do horário eleitoral gratuito, as polêmicas continuaram a ser abordadas pelos dois candidatos. Nessa sexta-feira, Dilma abriu seu programa de televisão com um agradecimento a Deus. Já Serra destacou seu comprometimento com “valores cristãos”. Escalado para combater os rumores na campanha petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez depoimento no programa da candidata. “Eu estou vendo acontecer com a Dilma o que aconteceu comigo no passado”, disse.  A defesa do tucano ficou sob a responsabilidade de um locutor. “Este é José Serra, que sempre condenou o aborto e defendeu a vida”, apresentou. Logo depois, em um estúdio, várias mulheres grávidas acariciavam suas barrigas enquanto uma voz ao fundo dizia: “A favor da vida e a favor do Brasil”.

Segundo turno
Segundo Dilma, a estratégia da campanha petista será a de promover o esclarecimento junto ao eleitorado religioso para rebater os boatos que circularam na internet, apontados como uma das principais causas para a eleição não ter acabado no primeiro turno. “Vamos fazer um movimento no sentido de esclarecer a população”, declarou. Outra tática petista tem sido a comparação entre os oito anos de Lula e a administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), da qual seu adversário, Serra, fez parte.

O tom da campanha tucana para o segundo turno pôde ser observado durante a fala de Serra em evento de apoio a sua candidatura, em Brasília. Na ocasião, o candidato ressaltou a liberdade de imprensa, os valores cristãos e da família e resgatou o discurso de que as conquistas do atual governo se devem a um processo iniciado há 25 anos a partir da redemocratização do País. E, se no primeiro turno Serra centrou sua estratégia no destaque de sua biografia, a passagem do candidato pelo ministério da Saúde e em promessas como salário mínimo de R$ 600, no segundo turno ele tem recorrido à imagem de outro tucano renomado, o ex-presidente FHC. O objetivo é tentar neutralizar o discurso de Dilma de que o bom momento da economia brasileira se deve exclusivamente ao governo Lula.”

(Potal Terra)

Nordeste garante vantagem para Dilma

“A grande vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) no Nordeste garante a atual dianteira à petista na disputa do segundo turno à Presidência. Dilma tem 62% de intenções de voto no Nordeste. É o dobro dos 31% obtidos por Serra na região -na qual se concentra o maior número de beneficiários do Bolsa Família e onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem suas maiores taxas de aprovação. Em todas as outras regiões, Serra está numericamente à frente, às vezes empatado com Dilma na margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Há empate técnico no Sudeste, onde o tucano tem 44% contra 41% da petista. O mesmo ocorre nas regiões Norte e Centro-Oeste combinadas, com Serra registrando 46% contra 44% de Dilma.
A única dianteira fora da margem de erro do tucano é no Sul, onde ele obtém 48% contra 43% da petista. Nessa região, aliados de Serra venceram as eleições para governador em dois dos três Estados -no Paraná e em Santa Catarina, com Beto Richa (PSDB) e Raimundo Colombo (DEM). No Rio Grande do Sul ganhou Tarso Genro (PT), que apoia Dilma.

INTERIOR
Se no passado o PT era um partido que se dava melhor nas grandes cidades, onde se concentram os trabalhadores organizados, com Dilma vale lógica inversa: ela vai melhor no interior do que nas regiões metropolitanas.

Segundo o Datafolha, em capitais de Estado e em regiões metropolitanas, a petista tem 44% contra 41% do tucano. Estão tecnicamente empatados, na margem de erro do levantamento realizado anteontem. Já no interior, Dilma lidera com 50% sobre os 41% de Serra.

As outras marcas de destaque da candidata governista são os eleitores menos escolarizados (ela tem 54%), os homens (52%) e aqueles com renda mensal de até dois salários mínimos (52%).
Já Serra registra seu melhor desempenho entre os que têm renda familiar maior do que 10 salários mínimos (58%) e entre os que têm nível superior (50%).

DECISÃO DO VOTO
Segundo o Datafolha, 89% dos eleitores já se dizem totalmente decididos em relação ao candidato que escolheram. Só 10% admitem ainda mudar o voto. A cristalização do voto é maior no Sul (93%), onde Serra tem sua melhor marca. A faixa em que há menor taxa de certeza (87%) sobre o voto é a dos que têm renda média mensal de dois a cinco salários mínimos.

Mas Dilma e Serra têm poucas chances de tirar eleitores um do outro. É que 90% dos eleitores de ambos se dizem totalmente decididos. De acordo com o Datafolha, 79% acertam os números dos candidatos, contra 19% que dizem não saber. Outros 2% erram a resposta. Entre os eleitores de Dilma, 86% acertam o 13. Já entre os de Serra, 74% citam o 45.”

(Folha Online)

Datafolha: Dilma, 48%; Serra, 41%

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“Pesquisa Datafolha divulgada na edição de domingo, 10, do jornal ‘Folha de S.Paulo’ aponta a candidata do PT à Presidência da República com 48% das intenções de votos contra 41% de José Serra (PSDB). Em número de votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Dilma tem 54% contra 46% de Serra. 4% dos eleitores afirmaram que irão votar em branco ou nulo e outros 7% estão indecisos. Na pesquisa anterior, realizada entre os dias 1º e 2 de outubro, o instituto havia feito uma simulação para o segundo turno. Dilma aparecia com 52% dos votos totais contra 40% de Serra. 5% afirmaram que votariam em branco ou nulo e 3% estavam indecisos.

 
Herança de Marina

O Datafolha questionou também os eleitores de Marina Silva (PV), que teve quase 20 milhões de votos no primeiro turno, sobre a intenção de voto no segundo turno. 51% dos que votaram em Marina no primeiro turno declararam voto em Serra. Dilma herda 22% dos votos de Marina. Na pesquisa anterior, a petista tinha 31% dos votos da candidata verde. Serra tinha 50% às vésperas do primeiro turno. O número de indecisos entre os verdes teve um aumento considerável, passando de 4% no primeiro turno para 18%.”
(Folha)

Lula desabafa e diz que campanha no 2º turno ficou bem mais difícil

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“Na primeira semana da disputa polarizada com o tucano José Serra, a cúpula petista demonstrou insatisfação com o rumo da campanha – desde a dificuldade de Dilma em encontrar um discurso para reassumir o protagonismo da agenda à incorporação, às vezes atabalhoada, de aliados no comando da campanha.

Até mesmo o presidente Lula demonstrou forte apreensão com o rumo da campanha de Dilma no segundo turno.

Nas conversas que teve esta semana, Lula desabafou para um interlocutor que a disputa ficou mais difícil e que o desafio agora é reverter o quadro político de adversidade da campanha.

Na sexta-feira, o clima era de preocupação com o fato de que pesquisas internas indicavam uma redução na diferença entre Dilma e Serra.

Como parte da estratégia de campanha na primeira semana pós-primeiro turno, o presidente Lula foi poupado e evitou aparecer em eventos ao lado da sua candidata, Dilma Rousseff.

O objetivo foi preservar o capital político de Lula do ambiente de derrota da campanha petista, por causa do anticlímax do segundo turno. Já esta semana, Lula pode voltar a aparecer ao lado de Dilma, para influir como cabo eleitoral decisivo.

Na campanha, há o entendimento de que Dilma se cobrou muito por não ter vencido a disputa no primeiro turno, e isso mexeu com seu estado de espírito.

Coordenadores da campanha tentaram, ao longo da semana, dar uma nova motivação à candidata e demovê-la da ideia de que foi a responsável por isso. Mesmo assim, a cúpula petista ainda não conseguiu encontrar uma nova linha de atuação.

Existe um forte desconforto do núcleo duro petista com a presença de novos coordenadores, como o deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) e o ex-governador Moreira Franco (PMDB-RJ). Tanto que, na semana passada, houve reuniões reservadas sem que os dois tivessem sido chamados.”

(O Globo)

CNBB libera bispos para participar da polêmica sobre aborto

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“Um dia depois da campanha de Dilma Rousseff pedir direito de resposta a supostas ofensas de um padre num programa de TV da Igreja Católica, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi para os holofotes avisar que os religiosos estão liberados para participar da polêmica sobre aborto, tema de destaque na campanha eleitoral.

“Na sua diocese, o bispo tem o direito e o dever de orientar seus fiéis sobre temas da fé e da moral cristã. Eles são livres para fazer o que acharem que seja melhor”, afirmou d. Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB. Em entrevista na sede da instituição, ele ponderou que a CNBB não entrará no debate.

A entidade divulgou inclusive nota assinada por sua cúpula para reafirmar que não indica candidatos e “lamentar” que os nomes da instituição e da Igreja Católica tenham sido usados e manipulados ao longo da campanha.

D. Dimas ressaltou que os bispos, em especial, nunca foram impedidos pela CNBB de participar do debate. O religioso disse que a Santa Sé e o Direito Canônico não preveem mordaça aos bispos.

E evitou comentários diretos sobre a atuação do padre José Augusto, que numa homilia transmitida pela emissora Canção Nova, da Igreja Católica, pediu aos fiéis para não votarem na candidata do PT.

O secretário-geral da CNBB, no entanto, disse que todos têm direito à liberdade de ação e pensamento.

A uma pergunta se o debate em torno do aborto não está ofuscando discussões mais relevantes sobre educação e saúde, ele respondeu: “Eu acredito que o segundo turno está apenas no seu início e os candidatos não vão certamente se ater apenas a esse tema”.

Ontem, durante o dia, sites ligados à Igreja Católica divulgaram informação atribuída ao jornal Valor Econômico de que o Planalto pediu aos bispos da CNBB o fim das hostilidades e comunicou que o governo poderia reavaliar o acordo com o Vaticano.

Lula e a própria Dilma, então ministra da Casa Civil, estiveram no Vaticano, em novembro de 2008, para costurar o acordo com o papa Bento XVI.

Na entrevista na CNBB, d. Dimas apenas ressaltou que a Igreja Católica tem papel importante na educação e na saúde do País.

A crise envolvendo a Igreja Católica e o Planalto vai além do tema do aborto, dizem representantes da CNBB. Os bispos se sentem desprezados pelo governo, que estaria dando atenção para lideranças evangélicas.

A CNBB também reclama da política do governo para a reforma agrária. O governo não teria cumprido promessas antigas. Os bispos não escondem a mágoa. Na entrevista, d. Dimas disse que a Igreja não tem candidato. Mas, diferentemente de outros tempos, deixou claro que não tem simpatia por uma candidatura.”

(Estado.com)

José Eduardo admite frustração por Dilma não ter ganho logo no 1º turno

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“Menos de uma semana após ver a disputa presidencial ir para o segundo turno, o presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Dilma Rousseff, José Eduardo Dutra, admite a “frustração” criada por uma “expectativa que não se concretizou” de vitória em 3 de outubro.

 

FOLHA.COM – O que levou a campanha para o segundo turno?

A gente tem que reconhecer que a partir das pesquisas, a partir do programa eleitoral, quando a gente começou a crescer muito rápido, acabou sendo impregnado em todos nós, embora não fosse consciente, embora a gente não explicitasse isso e nas declarações a gente sempre procurava passar para a militância evitar o salto alto, uma sensação de que íamos ganhar no primeiro turno. Isso fez com que nós tivéssemos uma posição olímpica em relação à campanha. Mudou o tom por parte dos adversários e nós continuamos fazendo a campanha do mesmo tom do início. A campanha já estava mais para Chicago e nós estávamos ainda em Woodstock.

F.C – Mas houve episódios pontuais que levaram a candidata a perder votos.

Houve três episódios que num primeiro momento não tiraram votos, mas pessoas que já tinham definido o voto em Dilma acabaram recuando e pedindo “um tempo”. Bateu-se na questão da Receita, que não se comprovou nenhuma vinculação com a campanha e com Dilma; teve o caso Erenice, que teve um efeito na medida em que era uma questão palpável e de bom entendimento; e teve uma campanha muito forte na internet que foi a utilização de forma caluniosa e profissional dos boatos.

F.C – O caso Erenice trouxe de volta o caso do mensalão?

Talvez tenha feito a população pensar em episódios pretéritos e daí resolve dar um freio de arrumação. Mas há outro fato, que é o das pessoas pensando: “Nem o Lula ganhou no primeiro turno. Por que a candidata dele que chegou agora vai ganhar?”

F.C – Lula exagerou ao dizer que órgãos da imprensa se comportavam como partidos?

Obama também disse isso nos EUA. Ele chegou a dizer que iria tratar a Fox como um partido de oposição. E nem por isso ouvi ninguém dizer que o Obama estava querendo acabar com a liberdade de imprensa americana.

F.C – O sr. teme que o debate fundamentalista e religioso domine o segundo turno?

Se isso acontecer, não vai ser ruim apenas para um candidato. Vai ser ruim para o Brasil.

F.C – O sr. atribui à campanha de Serra os boatos contra Dilma?

Não há dúvida. Há elementos que mostram que há uma produção de um estado-maior, que está materializando isso. O número de panfletos, este material não está sendo produzido de forma artesanal, é de forma industrial, centralizada. Isso claramente vem da campanha.”

(Folha.com)

"Meirinha" grava filme no Rio

Eis a atriz cearense Karla Karenina, conhecida pela personagem humorística Meirinha. No momento, ela se encontra no Rio de Janeiro, onde se engajou nas gravações do film “Cilada.com”, baseado em seriado de sucesso da tv a cabo.

Karla fará no filme personagem que interpreta no seriado: a diarista confusa. O filme tem ainda o ator Bruno Mazeo como protagonista e promete ser, ano que vem, um dos sucessos de bilheteria do cinema nacional, segundo Karla.

Boa sorte, então.

(Foto – Paulo Moska)

Debates entre Dilma e Serra começam neste domingo

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“Os dois candidatos que disputam o segundo turno na corrida presidencial, a governista Dilma Rousseff (PT) e o opositor José Serra (PSDB), iniciam amanhã uma série de cinco debates na televisão que poderão ser decisivos para convencer os indecisos nas eleições de 31 de outubro. O debate deste domingo (10), organizado pela Rede Bandeirantes, será o primeiro do segundo turno entre Dilma, que obteve 46,91% dos votos, e Serra, que recebeu 32,61%. Será também o primeiro sem a presença dos minoritários, que foram convidados aos mornos debates do primeiro turno, com poucos confrontos e poucas promessas.

No último debate, da Rede Globo, a três dias das eleições, Dilma e Serra não tiveram um confronto direto e dirigiram todos os seus discursos aos candidatos minoritários. Agora, os aspirantes a suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva serão obrigados a comparar os respectivos planos de governo e usar toda capacidade de oratória para atrair os 20 milhões de eleitores que se inclinaram por outros candidatos em 3 de outubro. Neste capítulo, Serra se sente mais confortável, já que conta com uma longa experiência eleitoral, fez campanha para prefeito, governador, deputado, senador e presidente, cargo que concorreu há oito anos quando Lula conquistou pela primeira vez a presidência. Espera-se que o tucano mostre uma estratégia mais agressiva para desgastar a imagem de sua oponente e tentar reduzir os 14 pontos que os distanciam agora.

A candidata do PT, que enfrenta o primeiro embate eleitoral, foi insegura nos primeiros debates, embora este fator não tenha sido impedimento para seu triunfo nas urnas. Previsivelmente, Dilma vai manter a estratégia da primeira rodada: apegar-se à imagem de Lula, que tem elevada popularidade, e falar das conquistas de seu governo, no qual ela dirigiu os ministérios de Minas e Energia e da Casa Civil. Os debates na televisão serão decisivos na campanha, porque permite aos candidatos alcançar todos os cantos do País. O primeiro debate do segundo turno ocorrerá em São Paulo na Rede Bandeirantes neste domingo (10), a partir das 22h. A emissora explicou que o debate será dividido em cinco blocos. No primeiro, um jornalista fará a mesma pergunta aos dois e no restante, Dilma e Serra serão perguntados e replicarão livremente por duas horas.

Os demais debates previstos serão organizados pela RedeTV! e o jornal Folha de S. Paulo (dia 17), SBT (dia 22), Record (dia 25) e Rede Globo (dia 29), conforme as datas anunciadas pelas emissoras.”

(POrtal Terra)

Ciro: O País vive frouxidão moral

Eis entrevista dada por Ciro Gomes, integrante da coordenação nacional da campanha pró-Dilma Rousseff, à Folha. Engajado há pouco tempo no bloco, ele já conseguiu um feito: voltar à mídia nacional com toda força. Ou seja, nada de abandonar a política como chegara a admitir recentemente. Confira a matéria:

“Integrado nesta semana à coordenação da campanha de Dilma Rousseff (PT), o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), 52, diz que escândalos do PSDB, aliados a outros promovidos por “aprendizes de mafiosos” do PT, simbolizam a “frouxidão moral” que teria levado parte dos eleitores a votar em Marina Silva (PV) e levar a eleição para o segundo turno.
Ciro voltou a criticar o PMDB dizendo que há contradições “graves” e ainda não resolvidas na aliança de Dilma, mas considera que no Brasil é impossível governar sem essas contradições.

Folha – O que o sr. pode acrescentar de novo à campanha?
Ciro Gomes – O segundo voto mais relevante, especialmente o voto mais qualificado nas grandes capitais brasileiras, foi o voto dado à Marina. E eu quero crer que o pulso fundamental desse voto é de natureza ideológica e ética. É preciso discutir com essas pessoas e dar a elas os argumentos para que elas relativizem a simpatia correta que tiveram pela Marina e entendam que agora o que está em discussão não são nossas simpatias, mas o futuro do país, antagonizado por dois projetos que felizmente são muitos claros.

F – Isso leva a uma frase que o sr. disse, a tal da “frouxidão moral”, que afetou tais pessoas.
PSDB e PT. O que é PSDB e PT? O caso Erenice é um exemplo?
Não, você pergunte isso pro PSDB. Pra mim, que sou aliado do PT, você pergunte aos do PSDB. Então vou te dar aqui todo o conjunto de prática que esse grande jornalista que é o [colunista da Folha] Elio Gaspari chama de privataria, o processo de privatizações. O cidadão está no telefone falando com o FHC, então presidente da República, dizendo que operaram no limite da irresponsabilidade [na verdade, a conversa captada pelos grampos do BNDES, em 98, é de Ricardo Sérgio com o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros]; o Serra nomear pro centro de eventos de São Paulo um banqueiro chamado Márcio Fortes, do Rio [Fortes foi nomeado presidente da Emplasa em 2009]; o Serra assumir a Prefeitura de São Paulo e, como primeira providência hospedar os saldos da Prefeitura de São Paulo em um banco privado [em 2005, Serra tentou repassar ao Itaú e ao Bradesco o gerenciamento das principais contas bancárias da prefeitura]. Não adianta você escrever que não sai, não é publicada essa informação. E, do outro lado, os aprendizes de mafiosos do PT, que de vez em quando mandam uma dessa.

F – Caso Erenice, por exemplo?
Isso é você quem está dizendo.

F – Com a votação obtida por Marina, o sr. acha que o presidente errou ao patrocinar uma articulação para que o PSB não lhe desse a legenda?
Erramos todos nós. Mas quem mais duramente sabe disso é o Lula. Ele, o nosso campeão, o mais exuberante dos nossos quadros, o mais popular dos nossos quadros, nunca ganhou nenhuma eleição no primeiro turno.

F – Aliados estariam cobrando um Lula e Dilma mais “paz e amor”. Como conciliar isso com o sr. na coordenação?
Eu lhe dou um doce dos bons se você me disser um único precedente em que eu fui agressivo sem ser em reação a uma injustiça. O futuro do país não admite essas cordialidades conservadoras. A cordialidade conservadora mantém por cima da mesa a aparência de elegância e faz a coisa mais imunda e ameaçadora do futuro dessa nação por debaixo dos panos. Você não sabe a campanha que está acontecendo na internet, incitando o ódio religioso?

F – Petistas também fazem isso.
Viva a democracia e viva a República e condene quem estiver fazendo isso, seja quem for. Estou chamando a atenção. Há limites. Determinados oportunismos têm que ser banidos, porque eleições se ganham e se perdem, mas as construções das bases em que uma cidadania se afirma… Eu no dia em que precisar consultar o aiatolá da minha comunidade para tomar uma decisão civil, eu estou fora. Vamos falar de aborto. Quem é no planeta Terra que pode ser a favor do aborto? O aborto é uma tragédia humana, emocional, psicológica, de saúde pública, religiosa, moral, ética. Uma tragédia.

F – É a descriminalização….
Não, aí você tem um grande debate não resolvido no planeta: que relação o Estado deve ter com essa tragédia. Nunca houve no Brasil uma possibilidade de o presidente arbitrar essa questão. É o Congresso Nacional, que por sua vez não tem a menor coragem de tocar no assunto, nem esse nem o próximo, tranquilize-se o brasileiro. Contra ou a favor, infelizmente, até por omissão, o Congresso Nacional brasileiro não tratará do assunto. Não dirá nem que sim nem que não. Continuaremos fazendo todos de conta que o rico pode fazer do jeito que quiser em uma clínica muito bem limpinha e que a pobre vá se ferrar enfiando uma agulha de tricô na vagina porque os mulás, os talebans e os aiatolás não querem que se discuta o assunto.

F – Os mulás, aiatolás e talebans em parte apoiam Dilma.
Sim, mas o Serra tem uma opinião diferente? A opinião do Serra e da Dilma sobre esse assunto é rigorosamente a mesma. Pro bem ou pro mal.

F – Qual é a posição do sr.?
Eu acho que o Estado nacional brasileiro não tem nada a ver com esse assunto. Esse é um assunto da intimidade humana, moral, ética e religiosa da família e da mulher, especificamente. Ou seja, não tem nada que criminalizar coisa nenhuma. Isso é a minha particular opinião, pessoal. Não tem nada a ver com a opinião da Dilma.

F – Sobre PMDB, o sr. disse que o [Michel] Temer [presidente do partido e vice de Dilma] estava chefiando uma turma de pouco escrúpulo.
Penso que essa aliança PT e PMDB tem contradições graves. Sou aliado do PMDB no Ceará, acabamos de eleger um senador do PMDB, o vice nosso é do PMDB. Então eu acho que há uma contradição, mas no Brasil é impossível governar sem essa contradição. O que é preciso é pôr sobre essa contradição uma hegemonia moral e intelectual clara. E isto que eu acho que ainda falta.