Blog do Eliomar

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Lula é comparado a Zidane

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Eis artigo do jornalista Elio Gaspari, qu tem como título “Luiz Zidane Lula da Silva”. Confira:

Para ficar na metáfora de Lula, seu comportamento ao comparar o ataque sofrido por José Serra no Rio ao teatrinho do goleiro chileno Roberto Rojas foi semelhante ao do jogador francês Zinedine Zidane quando deu uma cabeçada no zagueiro italiano Materazzi, em 2006.

Lula deve desculpas a Serra. Chamou-o de mentiroso sem ver os vídeos que reconstituem o incidente. Se os tivesse visto, não teria mentido, pois só uma pessoa desonesta (e as houve, muitas) não via que retratavam dois episódios distintos. Serra foi atingido duas vezes, por uma bola de papel e por um objeto mais pesado. A entrada de Nosso Guia no debate foi um golpe desleal, demagógico.

Se tivesse ocorrido um “dia da farsa”, com Serra simulando uma agressão, teria havido uma malfeitoria de candidato. Infelizmente, o farsante foi Lula, no exercício da Presidência da República, função que está obrigado a honrar até o dia 1 de janeiro de 2011.

Lula 65

Neste final de campanha, Lula levou aos palanques um bordão imperial. Como completa 65 anos na quarta-feira, pediu, em pelo menos três comí¬cios (no Piauí¬, no Pará¡ e em Goiás), que os eleitores lhe deem a eleição de Dilma Rousseff de”presente de aniversário”.

Noves fora a pobreza de associar o mandato de presidente da República a um mimo afetivo, o lance indica o grau de personalismo que Nosso Guia impõem à sua atividade polí¬tica. Desde o Império, quando se festejava o aniversário de D. Pedro II (2 de dezembro), nunca na História deste paí¬s um governante transformou seu aniversário em efeméride política.

Era Lula – Estatais com alta de 30% no quadro de pessoal

“Levadas por Dilma Rousseff (PT) ao centro do debate eleitoral, as 118 estatais controladas pelo Tesouro tiveram alta de 30% no quadro de funcionários de 2002 a 2009. A expansão dos servidores civis foi de 14% no período. Em boa parte dos casos, os gastos com salários e encargos têm crescido mais que as receitas e os montantes destinados pelas empresas às obras e ao aumento de sua capacidade de produção.

Com o acréscimo de 112 mil contratados, as estatais chegaram perto de 482 mil funcionários, em cálculo da Folha. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras respondem por dois terços do crescimento. As três são também protagonistas da propaganda de Dilma que atribui tendências privatistas ao tucano José Serra. Para seus defensores, o aumento reforça o Estado e é fruto do crescimento econômico e da substituição de terceirizados.

E-MAILS

O correio eletrônico de estatais tem sido usado para pregação de voto para a Presidência da República, apesar de a prática ser proibida. No dia 14, circulou no mailing corporativo da Petrobras uma mensagem em defesa do voto na candidata petista Dilma Rousseff.

Destinado “aos jovens eleitores petroleiros”, o e-mail chegou a diferentes Estados e inclui foto do candidato do PSDB José Serra empunhando uma arma. No dia 21, o correio eletrônico da Eletrobrás foi usado para circulação de um e-mail sob o título “Gabrielli prova a Miriam como o Serra ia vender a Petrobrax”.

No e-mail, a técnica Simone de Castro Rodrigues reproduz uma carta do presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, ao blog da jornalista Miriam Leitão.

INVESTIGAÇÃO

Petrobras e Eletrobrás informaram, por meio de suas assessorias, que o uso de correio eletrônico para fins políticos contraria as normas internas das empresas. Ainda segundo as estatais, os casos serão investigados e os servidores estão sujeitos a sanções administrativas.

De autoria de Flavio Eduardo Tschiedel, geofísico-sênior da Petrobras, o e-mail enviado a petroleiros continha até uma foto em que Serra assistia ao naufrágio de uma plataforma. “Petroleiros, não se deixem enganar pelo tró-ló-ló do PSDB de Serra!”, diz o e-mail, segundo o qual, “a cara do governo PSDB era a Plataforma P-36 inclinada a 30 graus”.

“Conclamamos todos os petroleiros a eleger Dilma Presidente”, encerra. Tschiedel trabalha na Unidade de Negócios da Petrobras no Espírito Santo. Segundo a assessoria da empresa, a prática é proibida por norma interna e “o correio encaminhado pelo jornal foi repassado à área competente, que vai apurar”.

Esse não é o único caso de uso de e-mail da Petrobras a vir à tona. Na semana passada, um coordenador da Gerência de Patrocínios da estatal, Claudio Jorge Oliveira, disparou e-mails convidando “caros amigos” a participar de encontro da candidata petista com artistas.

Ele é subordinado ao petista Wilson Santarosa, gerente de comunicação da Petrobras. Indagada sobre o caso -registrado pelo jornal “O Globo”-, a Petrobras informou que “teve conhecimento” do uso do e-mail da empresa para envio de mensagens favoráveis à candidata.

A Folha tentou entrar em contato com os funcionários que enviaram e-mails, mas eles não foram localizados.”

(Folha Online)

Gente de Imprensa é…

Eis aí o jornalista e radialista Wilson Ibiapina, um dos mais respeitados da área em Brasília e que, acima de tudo, prima pela humildade. Diariamente pode ser ouvido na rádio Verdes Mares AM, dentro do Rádio Notícias Verdes Mares, com boas informações e opiniões variadas.

Encontrá-lo para um bate papo é certeza de aprendizado.

(Foto – Paulo Moska)

Brasil terá campanha pelo desarmamento voluntário

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“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá assinar, nos próximos dias, um decreto transformando o primeiro sábado de julho no Dia Nacional do Desarmamento Voluntário. Até agora, o desarmamento dos cidadãos brasileiros, que passará a ser uma política de Estado, era incentivado por campanhas esporádicas iniciadas em 2003.

Mesmo que o desarmamento voluntário passe a ficar centralizado em uma data fixa no calendário, os brasileiros poderão entregar armas de fogo em qualquer dia do ano. Os postos de entrega das armas são as unidades da Polícia Federal, das delegacias de polícia, igrejas e lojas de maçonaria.

A iniciativa do governo foi confirmada ontem (22) em nota do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, divulgada no encerramento de um seminário internacional que, durante dois dias, reuniu em Brasília autoridades do Brasil, da Argentina, de Moçambique, Angola e da Colômbia para a troca de experiências sobre o desarmamento em seus países. De acordo com a nota, o Dia Nacional do Desarmamento Voluntário será uma das principais ferramentas de estímulo para que as pessoas se envolvam com a causa.

Nos últimos sete anos e tendo como base o Estatuto do Desarmamento, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro de 2003, as campanhas resultaram na destruição de 500 mil armas, o que transforma o Brasil no segundo país a recolher maior quantidade de armas por iniciativa de seus cidadãos.

O país ocupa posição de destaque por ter inovado ao instalar em igrejas e organizações não governamentais (ONGs) postos de recolhimento que danificam as armas a marretadas, no momento da entrega. Dessa forma, avaliam as autoridades, as campanhas deram maior confiança ao cidadão de que suas armas seriam, de fato, destruídas, diminuindo o risco de pararem nas mãos de bandidos.

No seminário internacional sobre desarmamento civil, encerrado ontem em Brasília, a Argentina foi representada pelo coordenador da campanha de desarmamento local, Darío Kosovsky. A primeira iniciativa sobre o assunto no país vizinho surgiu em dezembro de 2006, quando o Congresso aprovou projeto do governo para instituir um plano de desarmamento da sociedade civil. O projeto foi transformado em lei no ano seguinte e, a exemplo do que já acontece no Brasil, não penalizava os cidadãos que tivessem em seu poder qualquer tipo de arma de fogo não registrada nos órgãos oficiais.

A lei também obrigava as Forças Armadas argentinas e os órgãos de segurança pública a realizarem inventário do arsenal sob sua responsabilidade, com o envio trimestral das informações ao Congresso. Em 2006, quando o plano de desarmamento foi aprovado, 700 mil cidadãos declararam  posse legal de armas, utilizadas para defesa pessoal. No conjunto, isso significava um total de 1,2 milhão de armas mas, segundo as autoridades de segurança pública, um número igual ou superior poderia estar em circulação ilegalmente.  

A entrega voluntária de armas na Argentina não tem um dia fixo. Ela é impulsionada por meio de campanhas, como ocorre no Brasil. No último mês de maio, o Senado argentino aprovou uma nova campanha de alcance nacional que, nos próximos dias, será examinada pela Câmara dos Deputados.

A última campanha argentina, realizada em dezembro do ano passado, recolheu 107.488 armas de fogo e 774.500 munições, segundo informações do Registro Nacional de Armas (Renar), órgão do Ministério da Justiça local. Esse número representa  8,6% do total de armas registradas legalmente no país. Ainda segundo o Renar, as armas de fogo constituiram a segunda causa de morte na Argentina e a primeira em Buenos Aires em 2004, superando as ocasionadas por acidentes de trânsito.”

(Agência Brasil)

Presidente do PT nacional quer ouvir delegado sobre matéria da Veja

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Capa da Veja desta semana.

“O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que quer ouvir as declarações do secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, sobre o episódio relatado na revista Veja. “Isso não nos diz respeito. Vamos aguardar a manifestação do Abramovay. Eu quero ouvir o Pedro se manifestar. Não tenho comentários a fazer sobre algo que não tenho informação nenhuma. Quero que a pessoa envolvida se manifeste”, disse, após participar de carreata em Carapicuíba (SP) com a candidata.

Dutra evitou fazer comentários sobre o fato de o secretário exonerado Romeu Tuma Júnior ter confirmado que Abramovay queixou-se de ser pressionado por petistas para produzir dossiês.

Em relação à investigação da Polícia Federal sobre a violação da quebra de sigilos, Dutra afirmou que a campanha não tem nenhuma responsabilidade sobre os atos de Amaury Ribeiro Júnior, jornalista que confessou ter solicitado o acesso a dados fiscais de pessoas do PSDB.

Para o presidente do PT, a campanha também não pode ser responsabilizada pelo fato de um de seus prestadores de serviços ter cedido flat para hospedar Amaury. O jornalista, segundo informação do jornal Folha de S.Paulo deste sábado, 23, hospedou-se num flat de um contratado da empresa Pepper, que presta serviços de comunicação e marketing para a campanha de Dilma.

“Ele (quem cedeu o flat) não é integrante da campanha. É contratado de uma empresa. Se a campanha contrata a Líder e um piloto da Líder faz alguma coisa errada a responsabilidade é minha?”, afirmou Dutra.

“O que gostaríamos de saber é por que a outra parte do depoimento do Amaury, quando ele fala que tinha central de espionagem liderada pelo (Marcelo) Itagiba, não vira manchete. É uma questão de escolha”, disse Dutra, acusando a imprensa de parcialidade nas publicações.

Por fim, diante dos questionamentos de jornalistas, Dutra reagiu com ironia: “Eu estou preocupado é com essa carreata, porque se alguém atropelar um cachorro vão dizer que um assessor do PT é culpado”.

(Com Agências)

Lula: Adversários levarão "surra" nas urnas

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“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na tarde deste sábado (23) que a militância partidária do PT não deve aceitar provocação e que a “surra” que será dada aos adversários ocorrerá nas urnas. Lula participou de uma caminhada ao lado da candidata à presidência Dilma Rousseff (PT) e fez uma fala improvisada, do alto de um caminhão de som. “Tentaram fazer uma armação para dizer que somos violentos. A prova maior disso é que eu perdi em 1989, perdi em 1994, perdi em 1998 e não havia de minha parte ataque ou jogo sujo. Eles que falam em democracia, mas não sabem perder. A gente não deve aceitar provocação porque a surra que a gente quer dar neles é nas urnas, no dia 31”, disse o presidente.
Na última quarta-feira, no Rio de Janeiro, militantes petistas entraram em confronto com membros do PSDB durante uma caminhada do candidato José Serra. Na ocasião, Serra foi atingido por objetos e cancelou a sua agenda à tarde. O caso teve repercussão nacional e acabou no horário político dos dois candidatos. O tucano afirmou que foi vítima da truculência adversária e os petistas disseram que Serra simulou a situação para tirar proveito eleitoral dela.”

(POrtal Terra)

Revista Veja – Dilma e Gilberto Carvalho pediam dossiês

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“Gravações feitas no gabinete do ex-secretário Nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior, de conversas com altos funcionários do Ministério da Justiça, revelam o desconforto de Pedro Abramovay, que sucedeu a Tuma no cargo, com supostos pedidos do Palácio do Planalto para a confecção de dossiês.

As informações são de reportagem de capa da revista “Veja” desta semana. Numa conversa com Tuma Júnior, Abramovay teria feito a seguinte queixa:

“Não aguento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho (chefe de Gabinete da Presidência da República) pra fazer dossiês. (…) Eu quase fui preso como um dos aloprados.”

“Veja” informa que os registros foram “gravados legalmente e periciados”, sem dar detalhes sobre quem fez as gravações nem quem teria autorizado o grampo.

Sobre a referência aos “aloprados”, a reportagem explica que Abramovay trabalhava na liderança do PT no Senado e com o senador petista Aloizio Mercadante em 2006, quando petistas foram presos em um hotel de São Paulo ao tentar comprar um suposto dossiê contra José Serra.

Segundo a “Veja”, na conversa com Tuma Júnior, Abramovay “sugere ter participado do episódio e se arrependido”. Conta que quase teria sido preso na época e até teve de se esconder para evitar problemas. “Deu ‘bolo’ a história do dossiê”, teria afirmado ele.

Abramovay, que era secretário de Assuntos Legislativos do Ministério, assumiu a Secretaria Nacional de Justiça em junho, depois que Tuma Júnior foi afastado do cargo em meio a denúncias de manter relacionamento com integrantes da máfia chinesa, em São Paulo. Procurado pela “Veja”, ele negou o teor das fitas.

“Nunca recebi pedido algum para fazer dossiê, nunca participei de nenhum suposto grupo de inteligência da campanha da candidata Dilma Rousseff e nunca tive de me esconder – ao contrário, desde 2003 sempre exerci funções públicas”, disse.

Tuma Júnior confirmou à revista os diálogos:

“O Pedro reclamou várias vezes que estava preocupado com as missões que recebia do Planalto. Ele me disse que recebia pedidos de Dilma e do Gilberto para levantar coisas contra quem atravessava o caminho do governo”, replicou, acrescentando: “Há um jogo pesado de interesses escusos. Para atingir determinados alvos, lança-se mão, inclusive, de métodos ilegais de investigação. Ou você faz o que lhe é pedido sem questionar ou passa a ser perseguido. Foi o que aconteceu comigo”.

Sem revelar nomes, Tuma Júnior segue: “Posso assegurar que está tudo bem documentado”, diz o ex-secretário Nacional de Justiça.

Em passeata ontem em Diadema, no ABC paulista, Grande São Paulo, ao lado da candidata à Presidência Dilma Roussef (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula não comentou a reportagem da “Veja”. Lula disse não ter lido a reportagem.

– Não vi a (Veja) de hoje nem a de ontem.”

 (O Globo)

Dilma terá adesivaço e carreata em Fortaleza

A coordenação da campanha pró-Dilma Rousseff (PT), por meio do vereador Acrísio Sena (PT),  liberou a programação em favor da candidata para este sábado. A partir das 15 horas, adesivaço em frente à Igeja de Fátima e na esquina da avenida Antonio Sales com avenida Rui Barbosa.

Neste domingo, a partir das 9 horas, haverá carreata saindo da antiga sede do Joquei Clube, que percorrerá principais avenidas da Capital.

Lula, campanha e agressões

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Eis artigo a jornalista Miriam Leitão, intitulado “Desvio e dever”. Trata das últimas agressões sofridas pelos candidatos José Serra – a bolinha de papel, e Dilma, a balões cheios de água. Confira:

A grande questão não é o que acertou a cabeça de José Serra em Campo Grande, mas o que há na cabeça do presidente Lula. É assustador que ele não perceba o perigo de usar toda a sua vasta popularidade para subestimar um episódio de conflito físico entre grupos que disputam o poder.

Se ele brinca com fato grave, o que está avisando é que esse tipo de atitude é aceitável. Não é.

Cada lado tem que ter segurança e garantia de fazer a sua festa, a sua passeata, o seu comício em paz. Quem organiza um grupo para interceptar a caminhada do grupo concorrente na disputa política sabe que há risco de que tudo fuja ao controle.

O que houve já foi sério o suficiente, mas poderia ter sido ainda pior. Felizmente, há tempo de aprender com esse episódio.

A paixão eleitoral é natural, o maniqueísmo do segundo turno é emburrecedor, o confronto entre as partes só é aceitável se ficar no campo das ideias e propostas.

Quem vai com um grupo organizado para hostilizar o adversário no meio da sua caminhada sabe que os ânimos podem ficar exaltados. Desta vez, foi uma pedra na cabeça de uma jornalista, e o rolo de fita na cabeça do candidato José Serra. Esse episódio deve ser visto pelo risco potencial de conflito generalizado.

As imagens falam por si. O que mais poderia acontecer numa refrega de rua?

No Paraná, a candidata Dilma Rousseff, no dia seguinte, foi alvo – felizmente quem lançou errou a pontaria – de balões de água. Esse é exatamente o ponto em que o chefe da Nação precisa pedir calma aos dois lados, lembrar os valores democráticos, e a melhor atitude na disputa política.

Mas é exatamente neste momento que o presidente ofende quem foi atingido e convalida o comportamento desviante de quem agrediu. Ao tratar com leviandade um assunto sério, incentivou a militância a repetir o comportamento, escalou o conflito e deseducou o cidadão.

Essa campanha eleitoral está deixando cicatrizes nas instituições. Um presidente da República não deve fazer o que o presidente Lula tem feito. Não deve usar a máquina, a Presidência, o poder em favor de um dos candidatos dessa forma e com essa força.

Claro que Lula tem um lado, um partido e uma candidata. Pode e deve explicitar isso. Seria estranho se não o fizesse. Mas a Presidência da República não pode ser usada como braço do comitê de campanha.

Existe uma linha divisória que Lula nunca quis ver. E esse comportamento errado do ponto de vista institucional se repetiu durante toda a campanha. Em alguns momentos, os atos inadequados do presidente ficaram evidentes.

Esse episódio deixou claríssimo o que não se deve fazer. Que as pessoas que vierem a ocupar este cargo no futuro vejam nas atitudes do presidente Lula de 2010 exemplos do que não fazer, não repetir.

O risco é que seja visto como natural daqui para frente o governo usar órgãos públicos para espionar adversários políticos; órgãos públicos, estatais e agências serem partidarizadas de maneira abusiva; o presidente não ter freio institucional.

Não se acostumar com o erro repetido é a única garantia que se tem em momentos assim.

O que foi isso, companheira?

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Autora do polêmico projeto de indicação que cria o Conselho Estadual de Comunicação Social, a deputada estadual petista Rachel Marques (PT) tomou doril. Ou seja, teve apoio para aprovação dessa “bomba”, na avaliação da maioria dos que atuam no setor, com aval de três comissões técnicas, e evita agora o pepino. Aliás, pepino absurdo e que chegou numa péssima hora, pois ganhou contornos de censura, o que depõe contra a candidata a presidente Dilma Rousseff, estimam especialistas.

Apenas o Sindicato dos Jornalistas do Ceará fez manifestação favorável. A Associação Cearense de Emissoras de Rádio e TV já ficou contra, enquanto a Associação Cearense de Imprensa continua calada.

Esse debate é bom, é salutar e pode ter continuidade independente de ter ou não sanção do governador Cid Gomes (PSB). Debate é da democracia. Pena que num momento em que os opostos políticos predominam num cenário de acirramentos.

No rádio, Serra fala de sua história política e Dilma aborda meio ambiente

“O presidenciável José Serra (PSDB) voltou a apostar em sua história política durante o horário eleitoral gratuito veiculado no rádio na manhã deste sábado (23). Já Dilma Rousseff (PT), assim como no programa veiculado na TV na noite de ontem, focou a preservação da natureza e citou a ação da ex-candidata Marina Silva (PV) à frente do Ministério do Meio Ambiente no governo Lula.

Os locutores da propaganda serrista ressaltaram que o tucano já disputou nove eleições, acumulando 113 milhões de votos a seu favor e aproveitaram para relembrar sua trajetória. “Em 1987 foi eleito deputado federal e emplacou de cara a criação FAT que garante o seguro desemprego até hoje”, disse a apresentadora. Serra reiterou sua experiência. “Olha, eu não cheguei na vida pública agora. Eu não apareci de uma hora para outra. Antes de chegar até aqui eu fui deputado, ministro, senador, prefeito, governador. Eu subi passo a passo. E todo mundo sabe quem eu sou e o que eu penso”, disse.

A inserção criticou a campanha petista, dizendo que “o povo da Dilma, inventa um monte de coisas”. “E vocês viram, foram punidos pela Justiça Eleitoral por dizerem mentiras sobre o Serra. (…) Falaram que o Serra privatizou um monte de coisa, tudo falsidade”, afirmaram os locutores. Serra falou ainda sobre o Bolsa Alimentação, criado quando era ministro da Saúde. “Junto com os outros benefícios que já existiam, como Bolsa Escola e o Vale Gás, ‘giraram’ o Bolsa Família. Mudou o nome, mas foram mantidos os programas, o que foi uma coisa muito boa. E pode anotar: além de manter, eu vou ampliar o Bolsa Família”, prometeu o candidato.

Depoimentos do senador Aécio Neves, do governador do Paraná Beto Richa, dos atores Stephan Nercessian e Juca de Oliveira, de Ilzamar Mendes, viúva de Chico Mendes, e do jurista Hélio Bicudo, fundador do PT, encerraram a propaganda. O programa de Dilma comemorou a liderança da candidata nas últimas pesquisas de intenções de voto divulgadas nesta semana e falou sobre o desafio do Brasil crescer economicamente preservando a natureza. “É possível crescer sem destruir. É isso que significa desenvolvimento sustentável”, resumiu Dilma.

“Nosso modelo de desenvolvimento pode ser resumido em poucas palavras: país e povo crescem juntos, respeitando o meio ambiente. É o modelo que combina crescimento econômico, avanço social e preservação ambiental”, disse Dilma. Um dos locutores ressaltou ainda que 47% da energia produzida no Brasil é limpa, quando a média mundial é de 12%. A propaganda lembrou a ação da senadora e candidata derrotada pelo PV à presidência Marina Silva enquanto Ministra do Meio Ambiente no governo Lula. “No governo de FHC e Serra, o desmatamento da Amazônia cresceu mais de 45%. No atual governo foi reduzido em 75% com a participação decisiva dos ministros Marina Silva e Carlos Minc”, afirmou.”

(Com Agências)

Operação Satiagraha – MPF pede condenação de Protógenes por vazamento de dados

“O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta sexta-feira à 7ª Vara Federal de São Paulo a condenação do delegado e deputado federal eleito Protógenes Queiroz (PCdoB). Para o MPF, o também delegado, quando esteve à frente da Operação Satiagraha, vazou por duas vezes informações para a Rede Globo e cometido também fraude processual.

A Operação Satiagraha, deflagrada em julho de 2008, resultou das investigações do mensalão e apurou desvio de verbas para paraísos fiscais. A Polícia Federal (PF) cumpriu 24 mandados de prisão e 56 ordens de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e em Brasília. Entre os presos estavam o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, que morreu de câncer em 2009, o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, e o investidor Naji Nahas. O grupo teria movimentado cerca de US$ 1,9 bilhão em paraísos fiscais, segundo as investigações.

De acordo com o MPF, o processo provou que o delegado Protógenes Queiroz e o escrivão Amadeu Bellomusto vazaram informações sigilosas do inquérito da Satiagraha ao convidarem os produtores da Globo Robinson Cerântula e William Santos a gravarem a ação. Segundo depoimento de Bellomusto, a Polícia Federal não tinha os equipamentos necessários para a filmagem e, então, foi feito o contato com os produtores da Globo, que gravaram as imagens do encontro.

Ainda segundo o MPF, o delegado Protógenes deve ser condenado mais uma vez pelo mesmo delito, por ter avisado ao repórter César Tralli e ao produtor Cerântula, horas antes da deflagração da Satiagraha, que a operação aconteceria. Os jornalistas descobriram os endereços que permitiram que a Globo realizasse imagens exclusivas das prisões de Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, investigados pela operação. Os procuradores afirmam que a edição retirou cenas que identificavam que Cerântula e Santos haviam feito a gravação.”

(POrtal Terra)

PT e Gilberto Cavalho viram réus em ação sobre propina em Santo André

“Uma decisão da Justiça traz de volta um fantasma que acompanha o PT e transforma em réu o partido e o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. O assessor e o PT viraram réus num processo em que são acusados de participar de uma quadrilha que cobrava propina de empresas de transporte na Prefeitura de Santo André para desviar R$ 5,3 milhões dos cofres públicos. O esquema seria o precursor do mensalão petista no governo federal.

Na segunda-feira, a Justiça tomou uma decisão que abre de vez o processo contra os envolvidos. A juíza Ana Lúcia Xavier Goldman negou recursos protelatórios e confirmou despacho em que aceita denúncia contra Carvalho, o próprio partido, outras cinco pessoas e uma empresa.

A juíza entendeu, no primeiro despacho, em 23 de julho deste ano, que há elementos suficientes para processá-los por terem, segundo a denúncia, montado um esquema de corrupção para abastecer o PT. “Há indícios bastantes que autorizam a apuração da verdade dos fatos por meio da ação de improbidade administrativa”, disse.

O Estado esteve no Fórum de Santo André na quinta-feira para ler o processo e a decisão de segunda-feira. A Justiça local já enviou para a comarca de Brasília a citação do chefe de gabinete de Lula para informá-lo de que virou réu. No documento, a Justiça pede que Carvalho receba o aviso em sua casa ou no “gabinete pessoal da Presidência da República”.

O Ministério Público quer que o petista e os demais acusados devolvam os recursos desviados e sejam condenados à perda dos direitos políticos por até dez anos.”

(O Globo)

"Sou Ari Pargendler, presidente do STJ. Você está demitido!"

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“A frase acima revela parte da humilhação vivida por um estagiário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após um momento de fúria do presidente da Corte, Ari Pargendler.

O episódio foi registrado na 5a delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal às 21h05 de ontem, quinta-feira (20). O boletim de ocorrência (BO) que tem como motivo “injúria real”, recebeu o número 5019/10. Ele é assinado pelo delegado Laércio Rossetto.

O blog procurou o presidente do STJ, mas foi informado pela assessoria do Tribunal que ele estava no Rio Grande do Sul e que não seria possível entrevistá-lo por telefone.

O autor do BO e alvo da demissão: Marco Paulo dos Santos, 24 anos, até então estagiário do curso de administração na Coordenadoria de Pagamento do STJ.

O motivo da demissão?

Marco estava imediatamente atrás do presidente do Tribunal no momento em que o ministro usava um caixa rápido, localizado no interior da Corte.

A explosão do presidente do STJ ocorreu na tarde da última terça-feira (19) quando fazia uma transação em uma das máquinas do Banco do Brasil.

No mesmo momento, Marco se encaminhou a outro caixa – próximo de Pargendler – para depositar um cheque de uma colega de trabalho.

Ao ver uma mensagem de erro na tela da máquina, o estagiário foi informado por um funcionário da agência, que o único caixa disponível para depósito era exatamente o que o ministro estava usando.

Segundo Marco, ele deslocou-se até a linha marcada no chão, atrás do ministro, local indicado para o próximo cliente.

Incomodado com a proximidade de Marco, Pargendler teria disparado: “Você quer sair daqui porque estou fazendo uma transação pessoal.”

Marco: “Mas estou atrás da linha de espera”.

O ministro: “Sai daqui. Vai fazer o que você tem quer fazer em outro lugar”.

Marco tentou explicar ao ministro que o único caixa para depósito disponível era aquele e que por isso aguardaria no local.

Diante da resposta, Pargendler perdeu a calma e disse: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido, está fora daqui”.

Até o anúncio do ministro, Marco diz que não sabia quem ele era.

Fabiane Cadete, estudante do nono semestre de Direito do Instituto de Educação Superior de Brasília, uma das testemunhas citadas no boletim de ocorrência, confirmou ao blog o que Marco disse ter ouvido do ministro.

“Ele [Ari Pargendler] ficou olhando para o lado e para o outro e começou a gritar com o rapaz. Avançou sobre ele e puxou várias vezes o crachá que ele carregava no pescoço. E disse: “Você já era! Você já era! Você já era!”, conta Fabiane.

“Fiquei horrorizada. Foi uma violência gratuita”, acrescentou.

Segundo Fabiane, no momento em que o ministro partiu para cima de Marco disposto a arrancar seu crachá, ele não reagiu. “O menino ficou parado, não teve reação nenhuma”.

De acordo com colegas de trabalho de Marco, apenas uma hora depois do episódio, a carta de dispensa estava em cima da mesa do chefe do setor onde ele trabalhava.

Demitido, Marco ainda foi informado por funcionários da Seção de Movimentação de Pessoas do Tribunal, responsável pela contratação de estagiários, para ficar tranqüilo porque “nada constaria a respeito do ocorrido nos registros funcionais”.

O delegado Laercio Rossetto disse ao blog que o caso será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) porque a Polícia Civil não tem “competência legal” para investigar ocorrências que envolvam ministros sujeitos a foro privilegiado.”

Pargendler é presidente do STJ desde o último dia três de agosto. Tem 63 anos, é gaúcho de Passo Fundo e integra o tribunal desde 1995. Foi também ministro do Tribunal Superior Eleitoral.” 

(Blog do Noblat)

Inácio Arruda recebe em Brasília comenda das mãos de Lula

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O senador Inácio Arruda (PCdoB) recebeu, nesta sexta-feira, das mãos do presidente Lula, a comenda da Ordem do Mérito Aeronáutico, no grau de Grande-Oficial. A solenidade ocorreu na Base Aérea de Brasília, e integrou parte das comemorações do Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira (FAB). 

Inácio foi uma das 200 personalidades homenageadas com essa comenda concedida a militares que tenham se distinguido no exercício de sua missão e a cidadãos brasileiros e estrangeiros que tenham se destacado por prestar serviço à Nação Brasileira dentro de sua área de atuação.

Além de Inácio Arruda, foram agraciados o cearense Roberto Monteiro Gurgel, que é o procurador-geral da República, e o major-brigadeiro-do-ar José Rebelo Meira de Vasconcelos, veterano combatente da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial.

PSDB entrará na Justiça contra possíveis agressores de Serra

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“A coligação que apoia o candidato do PSDB à Presidência, , anunciou na tarde desta sexta-feira que entrará ainda hoje com uma ação judicial contra dois manifestantes que teriam participado da ação que culminou na agressão ao candidato tucano José Serra com uma bolinha de papel e um rolo de fita crepe, na última quarta-feira, no Rio. De acordo com o coordenador da campanha de Serra, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), a coligação vai protocolar hoje uma representação na Procuradoria Geral da República pedindo a instauração de inquérito na Polícia Federal para apuração dos fatos e punição dos responsáveis.

Duas pessoas serão acionadas judicialmente. São eles Sandro Alex de Oliveira Cesar, conhecido como “Mata Mosquito”, que foi candidato derrotado a deputado pelo PT, e José Ribamar de Lima, diretor do Sindicato dos Agentes de Combate a Endemias. Segundo o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), o objetivo é responsabilizar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “Queremos responsabilizar o presidente da República por todos e quaisquer atos que aconteçam… quaisquer incidentes que venham a acontecer estão motivados e estimulados por comentários irresponsáveis feitos pelo presidente da República”, afirmou.

A coligação, no entanto, não entrará com uma ação direta contra a adversária Dilma Rousseff (PT) nem contra o presidente Lula. De acordo com o senador tucano eleito por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, as ações contra o partido e contra o presidente não estão descartadas, mas não são necessárias no momento. Segundo ele, primeiro é preciso investigar a ligação dos militantes suspeitos com a campanha de Dilma.

Sergio Guerra lamentou a conduta de Lula ontem ao “caçoar da vítima”. Para ele, não se trata de discutir de que material foi feito o objeto ou quanto pesava. O importante, disse ele, é ressaltar que “uma manifestação pacífica foi interrompida por uma tropa de choque com o objetivo de interromper a campanha”. De acordo com Guerra, em vez de censurar a violência, Lula fez chacota de José Serra. “Para deter esse processo é que estamos tomando medidas judiciais, porque senão vamos ter de pedir autorização para o PT para existir politicamente”, afirmou. A coligação serrista vai utilizar os artigos 248, 331 e 332 do Código Eleitoral, que garantem o direito à propaganda eleitoral e preveem punição com multa e detenção.”

(iG)

Incentivo ao Turismo LGBT

“O Turismo LGBT ganhou mais força. O ministro do Turismo, Luiz Barretto, o presidente da Embratur, Mário Moysés, e o presidente da Associação Brasileira de Turismo GLS (ABRAT-GLS), Almir Nascimento, assinaram um termo de cooperação para o desenvolvimento de ações conjuntas para a promoção do segmento no Brasil e no exterior. A solenidade aconteceu durante a Feira das Américas – Abav 2010, no Rio de Janeiro.

A parceria prevê ações de apoio à comercialização dos produtos, serviços e destinos do Turismo LGBT, além da qualificação de profissionais que atuam na área. O MTur e a Embratur divulgarão o segmento em feiras nacionais e internacionais de turismo. Está prevista, ainda, a realização de worshops, roadshows e viagens para familiarização de agentes e operadores de turismo. Tudo para aproximar a cadeia turística do nicho.

Para o ministro do Turismo, a iniciativa reafirma a imagem positiva do Brasil no exterior. “O Brasil é um destino de diversidade, hospitaleiro e respeita as diferenças. Temos opções de turismo para todas as idades, crenças e opções”, afirmou. Ainda segundo Barretto, é fundamental investir neste nicho. “Os turistas LGBT movimentam fortemente a economia porque gastam mais que o turista de lazer. A Parada Gay de São Paulo é um exemplo. Atrai milhões de pessoas todos os anos”, disse.

Na avaliação do presidente da ABRAT-GLS, o termo representa um importante passo para as viagens LGBT. “É um momento histórico. Pela primeira vez, teremos apoio para mostrar o nosso segmento aqui no Brasil e lá fora.” Nascimento está otimista e acredita que a cooperação deverá aumentar o número de viagens do setor: “Esperamos, a partir de 2011, um crescimento de 15% a 20%.”

No próximo ano, a parceria possibilitará a participação da ABRAT-GLS em cinco feiras de turismo na Europa.”

(Site da ABAV)

Cid diz que Tasso "despirocou" nestas eleições

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“Em comum com o irmão Ciro, Cid Gomes carrega o sobrenome e a vocação  para a política. Filiados hoje ao PSB, ambos começaram a carreira no cenário cearense , conquistaram mandatos e passaram por prefeituras da região. Após as experiências municipais, Ciro e Cid decidiram alçar vôos mais altos. Ciro investiu na Presidência; Cid, no governo do Estado. Em 2002, Ciro perdeu a eleição para Lula. Em 2010, foi preterido da disputa pelo PSB a pedido de Lula . Em 2006, Cid levou o governo do Estado e foi reeleito para o cargo no último dia 3. As semelhanças, porém, param por aí em uma primeira observação.

O Ciro polêmico e tom exaltado pouco tem em comum com o Cid geralmente discreto e moderado em suas aparições. Sem a marca registrada do irmão, no entanto, Cid também sobe o tom em declarações. Em entrevista exclusiva ao iG, o governador reeleito do Ceará afirma que o PMDB, partido da base aliada, foca a sua estratégia de crescimento “na ocupação de espaços no governo e em poder”, o que pode caracterizar fisiologismo, mas não concorda com a acusação do irmão de que o partido é um “ajuntamento de assaltantes”.

“Ciro exagera. (..)Uns são bons, outros nem tanto. Ciro acho que exagera quando generaliza quando diz que todos são..não é verdade”, defendeu.

Foto: AE

Em família: Cid comemora reeleição com irmão Ciro.

Para Cid, o seu partido se comporta se forma diferente. “O PSB, no que eu sonho, não é partido para tentar ampliar em ministério do governo A, B ou C, não. O PSB que eu sonho é chegar a Presidência.”

Abaixo, confira os principais trechos da entrevista com Cid:

iG: PSB sai desta eleição fortalecido. Já elegeu três governadores no primeiro turno e pode eleger mais três agora. Foi também, dos aliados, um dos mais empenhados em pedir voto para a candidata Dilma Rousseff. No governo Lula, o partido ocupou dos ministérios- Portos e Ciência e Tecnologia. No governo Dilma, o PSB terá mais espaço nos ministérios?

Cid Gomes: Bom, espaço se conquista. O PSB tem cumprido a sua tarefa, o seu dever de casa. Governadores, ampliamos a bancada na Câmara- no Ceará dobrou, foi de dois para quatro, Pernambuco dois para cinco, enfim, estamos conquistando. O mais importante é o partido se consolidar como partido nacional. Aí que está o desafio porque o partido está muito concentrado. Espírito Santo eu não diria nem que é força do partido. Foi um talento pessoal do Renato Casagrande se eleger. O desafio do PSB é crescer no Sul e Sudeste.

iG: Mas e os cargos?

CG: Não é muito minha praia, não. Não tenho muito interesse nisso não. Quero uma política boa para o Brasil.

iG:Mas para o partido crescer neste sentido nacional, que o senhor diz, ocupar ministérios também daria uma certa projeção.

CG: Mas eu acho que o melhor crescimento é o da eleição. Não é a partir de ministérios. Isso soa a fisiologismo. Prefiro crescer por baixo, pelo povo. O PSB, no que eu sonho, não é partido para tentar ampliar em ministério do governo A, B ou C, não. O PSB que eu sonho é chegar a Presidência.

iG: E para a presidente da República do PSB, Eduardo Campos? Já estamos falando de 2014?

CG: O Eduardo Campos é um grande companheiro. Para ser candidato majoritário não basta só ter uma liderança no partido. Precisa ter uma liderança popular. Ele tem uma história, muito talento, valor e é um dos nomes, certamente. Brasil tem poucos nomes, você não cita dez nomes com condição de disputar. Ele vem se consolidando.

iG: Quais são os nomes?

CG: Vamos encher as duas mãos com nomes. No PSDB, a do Serra deverá ser a última. Você então fica com Geraldo Alckmin , Aécio Neves e talvez Beto Richa. No PT, Dilma e Lula. Talvez o Jacques Wagner. No PMDB, não conseguem fazer um nome nacional e dificilmente fará. No PSB, Ciro e Eduardo. Para o futuro, Marina Silva. Enfim, não consigo encher as mãos com 10.

iG: Ciro ainda está no jogo?

CG: Claro que sim. O Ciro tem uma partida que para o Eduardo é um grande desafio. Isso é sadio, natural que queira ascender quem está na vida pública. Mas o Ciro já tem alguns anos de história. Um nome muito mais conhecido que Aécio, por exemplo. Contra o Ciro, pesa uma certa má vontade da mídia nacional. Mas, já vimos isso em pesquisa, esse conceito que mídia faz do Ciro não é coisa que consiga penetrar no pensamento médio dos brasileiros.

iG: Mas o senhor tem um perfil diferente do Ciro. O senhor é mais moderado e Ciro é conhecido pelas declarações mais polêmicas. Isso é má vontade da mídia?

CG: Você tem duas coisas aí. O Ciro tem um comportamento mais ousado. Muitas vezes, polêmico e isso é característica de quem é o batedor, vai na frente. Esta é a vida do Ciro. Ele sempre precisou desbravar, nunca ganhou nada de mão beijada. Diferente de mim que já tinha caminhos semi-abertos. Como eu não tenho o talento que ele tem, eu compenso de outra forma. Eu ouço mais, contemporizo mais. Um vai desbravando na frente, outro vai aqui atrás ajeitando as coisas. Eu não existiria sem ele. Enfim, ele chegou na condição que chegou por este talento. Porque é polêmica e ousada. Se fosse mais acomodado, não teria.

iG: Ele faria diferença na eleição, como fez a Marina Silva?

CG: Eu penso que se ele tivesse sido candidato-muito fácil falar agora, na verdade. Se você tivesse me entrevistando 20 dias antes da eleição, eu diria ‘Lula que estava correto, o Ciro que estava errado. Tinha que apostar tudo no 1º turno’. Mas o Brasil tem disso. Nos últimos 15 dias, acabou surgindo aí um terceiro nome. Brasil não queria essa coisa plebiscitária, de PT e PSDB. Era isso que Ciro dizia. Ele teria, fácil falar agora, ele tiraria mais votos de Serra. Ciro não teria a postura que Marina teve no segundo turno. Votaria no Ciro, mas não gostaria de viver esse dilema.

Mas está bom agora o clima. Paramos os 15 primeiros dias, foram doídos, baqueia, todo mundo achou que Dilma fosse ganhar no primeiro turno. Política é feita assim. Estava todo mundo de moral baixíssimo.

iG: Sobre a campanha de Dilma. O senhor disse que a expectativa era ganhar no primeiro turno, o que não aconteceu. Na segunda fase, a campanha decidiu abrir a coordenação, já que uma das reclamações dos aliados era a concentração das decisões nãos mãos dos petistas. Isto de fato aconteceu ou foi uma mudança da boca para fora?

CG: Não só o fato de ter segundo turno foi uma boa lição como naturalmente a ouvida de opiniões foi importante. Foram revistas muitas coisas.

iG: O Ciro, por exemplo, compõe este novo grupo. O que exatamente ele faz?

CG: Não é só o Ciro. Eu, por exemplo, fiz três ou quatro sugestões e me senti contemplado. Mas veja bem. Campanha não pode ter ilusão de que vai ser uma assembléia que vai decidir os rumos. Precisa ser um núcleo mais integrado e cuide. Tem opinião para todos os gostos e muitas delas improdutivas. Tem gente que abre a boca para falar cada coisa.

iG: Quem, por exemplo?

CG: Não vou te falar. Mas discurso você vê para todos os lados. Muitas vaidades. Tudo parte da política.

iG: O senhor concorda com a idéia de que Collor e Sarney são alianças “incômodas” de Dilma Rousseff e do PT?

CG: Quando o Ciro, em 2002, era candidato e os ACM decidiram apoiar o Ciro, ave Maria, quase que o mundo se acaba. Quando o PFL (hoje DEM) cogitou de apoiar sem coligar com o Ciro o Roberto Freire (PPS) teve um chilique. Impediu. E hoje? Estão todos juntos lá. Não o ACM velho, mas está o ACM Neto e apoiando o Serra. E pronto, não tem problema? Quando é para apoiar o Serra…E o Quércia? Agora, está lá com Serra e não tem problema? Ora, só tem problema apoio com Dilma? Ora, é brincadeira.

iG: Sobre o PMDB…

CG: Não, é que Serra vive falando de Collor , Sarney…Se estivessem com ele, não tem problema nenhuma. Agora, estão com Dilma, aí não pode. E a grande mídia vai na linha. Por que não reclama do Quercia, ACM apoiando Serra?

iG: Mas sobre o PMDB. Ciro chamou o partido de um ajuntamento de assaltantes. O senhor concorda?

CG: Ciro exagera. Ele exagera. O PMDB é um ajuntamento de seções regionais, não tem liderança nacional do PMDB. Por exemplo, a seção da Paraíba, a do Rio Grande do Norte. Tanto é que você viu aí no cenário nacional. Uns são bons, outros nem tanto. Ciro acho que exagera quando generaliza e diz que todos são (ajuntamento de assaltantes). Não é verdade. Enfim, qual era a pergunta mesmo? (risos)

iG: O senhor disse que PMDB não tem liderança nacional. E o Michel Temer, vice de Dilma?

CG: Nacional? Não. Ele foi guindado a ser expressão na chapa de Dilma. Mas Temer não exerce liderança popular. Vai dizer que ele tem liderança para reunir pessoas em um comício? Sabemos que não. Mas não estou falando mal. Estou dizendo a verdade. O PMDB não tem liderança popular.

iG: Comparando os partidos. O senhor disse que o PSB prefere crescer nas urnas..

CG: O PMDB já prefere outro. O PMDB foca nos Estados, não tem unidade nacional nem ideológica e foca a estratégia de crescimento na ocupação de espaços em governos, em poder. Isso não é ilegítimo, não, é estratégia.

iG: É fisiologismo?

CG: Pode ser, pode se transformar em fisiologismo. Mas não necessariamente é fisiologismo. Se você ocupar o espaço e passa a mal versar, aí sim. Até chegar ao poder, não. É uma estratégia clara do PMDB ao longo da sua História. No primeiro governo Lula, uma banda do PMDB esteve aqui, outra na oposição. Depois, inverteu.

iG: Agora sobre o cenário no Ceará. O senhor sempre foi amigo de Tasso Jereissati (PSDB), derrotado na eleição do Senado. Na semana passada, ele chegou a aparecer na propaganda do Serra falando que seria mais vitorioso se Serra vencesse se tivesse sido eleito para o Congresso.

CG: Ele disse isso no programa do Serra?

iG: Disse. Ao invés de Tasso, o senhor apoio José Pimentel (PT) e Eunicio Oliveira (PMDB, que acabaram eleitos. Como está a relação de vocês?

CG: Nós temos uma relação política e de proximidade muito mais do que isso. De reconhecer nele um papel fundamental na política do Ceará. (..) Nesta eleição, eu vim ao Lula aqui falar que Tasso era bom para mim e que ele seria bom para Dilma lá, Tasso neutralizaria os prefeitos do PSDB no Estado. Lula não quis me dizer não e disse que conversaria com o PT no Ceará. Ai neste período, Tasso “despiroca” , lançou candidato próprio e eu fiquei no pior dos mundos. Porque eu vim pedir isso ao Lula e o cara por quem estou trabalhando (Tasso) me abandona. Então, PT ficou com o Senado e PMDB com outra vaga. (…) Não conversei mais com ele depois disso. Ele ficou o tempo todo tentando polarizar comigo e eu não deixei.”

(Poder Online -Eleições)