Blog do Eliomar

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Cid, ao lado de Lula e Dilma, participará de comício no Piauí

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O governador reeleito Cid Gomes (PSB) dará entrevista, nesta manhã de quarta-feira, à rádio FM Paraíso, da cidade de Sobral (Zona Norte), sua terra natal. Falará para os ouvintes do programa do radialista Isaías Nicolau, a maior audiência da região, quando agradecerá votos e adiantará planos para aquela banda do Ceará.

Cid passará parte do dia em Sobral, mas, no fim da tarde, viajará para Teresina, a Capital do Piauí, onde participará de um comício em favor do candidato a governador Wilson Martins (PSB).

Nesse comício, estarão também o presidente Lula e a candidata a presidente da República, Dilma Rousseff (PT). 

participará, às 18 horas desta quarta-feira, em Teresina (PI), de um comício em favor do candidatoa governador Wilson Martins (PSB). O comício terá a presença do presidente Lula e da candidata a presidente da República pelo PT, Dilma Rousseff.

Cid, que se encontra na Zona Norte do Estado, romisso, estará em ua terra natal, Sobral,

DEM emagrece nas eleições e deve perder R$ 6 milhões de Fundo Partidário

Seis milhões de reais é o tamanho da bolada que o DEM, o ex-PFL, deve deixar de receber em 2011. Os valores são do Fundo Partidário. Isso porque o partido recebeu menos votos para deputado federal nas últimas eleições em relação a 2006, mesmo com o crescimento do eleitorado. É o que revela levantamento do Congresso em Foco com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da proposta de orçamento em tramitação no Legislativo.
 
Para o cientista político Paulo Kramer, o DEM perde votos porque não consegue fazer claramente o discurso da redução de impostos para uma parte da classe média que seria eleitora potencial do ex-PFL. O vice-presidente do partido, José Carlos Aleluia, acredita que a redução de votos e recursos não têm importância.
 
PT e PMDB devem ficar com R$ 57 milhões

O DEM foi o partido que teve a maior redução de votos para deputado entre 2006 e 2010. No último dia 3, foram 7,3 milhões de sufrágios, ou 2,8 milhões a menos do que há quatro anos. Foi uma redução de 28% apesar de o eleitorado ter crescido 8%.
 
Com isso, deve cair a participação do DEM na divisão dos cerca de R$ 200 milhões do Fundo previstos para o ano que vem. Em 2006, os candidatos do então PFL receberam 10,86% de todos os votos para deputado federal. No último dia 3, os candidatos do DEM ficaram com 7,3 milhões de votos, o equivalente a 7,57% de toda a votação para a Câmara.

O Fundo Partidário é composto de recursos do orçamento, mais multas eleitorais e doações de empresas e cidadãos. Uma fatia de 5% é dividida em partes iguais com todos os partidos. Os outros 95% são rateados de acordo com a proporção de votos obtidos na disputa para deputado federal.
 
Assim, se o DEM conseguisse manter os 10,86% de votos, teria direito no ano que vem a R$ 21,1 milhões. Como obteve apenas 7,57% dos votos, a estimativa é que o valor caia para R$ 14,8 milhões. Ou seja, são cerca de R$ 6,2 milhões a menos no caixa da quarta força do Congresso Nacional. O DEM deve ficar em quinto lugar na classificação dos partidos que mais recebem recursos do fundo partidário.”

(Congresso em Foco)

Cristãos da Paraíba pedem afastamento de Dom Aldo Pagotto

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“Em nota pública, dirigida ao Vaticano e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), um grupo de lideranças da Igreja Católica da Paraíba e de outros movimentos sociais pediu a substituição do bispo católico de João Pessoa, Dom Aldo Pagotto. O bispo é acusado de preconceito contra os pobres e de desrespeito para com lideranças comprometidas com a causa popular. Sentindo-se “agredidos por suas palavras e atos”,  as lideranças afirmam que o bispo trata “os pobres com arrogância e desprezo, enquanto trata com privilégio os ricos e poderosos e seus respectivos interesses”. Veja a íntegra da denúncia:
 
João Pessoa, 09 de setembro de 2010.

Ao Sr. Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri
Ao Sr. Presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha
Ao Sr. Presidente do Regional Nordeste II da CNBB, Dom Antônio Muniz Fernandes
Aos membros das instâncias colegiadas da Arquidiocese da Paraíba

Srs. Bispos, nossos Irmãos,
 
Em carta aberta, nós, Leigos, Leigas, Religiosas, Religiosos, Diáconos e Presbíteros da Arquidiocese da Paraíba, abaixo-assinados, dirigimo-nos respeitosamente aos Srs. Responsáveis pelas diferentes instâncias eclesiais, inclusive as instâncias colegiadas da CNBB, da CNBB Nordeste II e da Arquidiocese da Paraíba, para externar-lhes nossas profundas inquietações em relação à situação comprometedora de nossa Arquidiocese, tendo em vista a já longa sequência de atos deploráveis REITERADAMENTE cometidos pelo Sr. Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto, desde o primeiro ano de sua chegada a essa Arquidiocese, principalmente no tocante ao seu relacionamento sistematicamente desrespeitoso e preconceituoso em relação aos pobres, à maioria das pastorais sociais (que não apenas não têm contado com seu apoio, antes têm sido por ele hostilizadas). Atos dessa natureza se sucedem, sem qualquer sinal de mudança de atitude por parte de Dom Aldo.

Entendemos chegada a hora de apelarmos a quem tem o dever de se posicionar claramente sobre tal situação, que só tende a agravar-se, caso continue prevalecendo o silenciamento ou a omissão diante da lista considerável de atitudes de desdém ou de humilhação a tudo que diga respeito, por exemplo, às CEBs, à CPT, aos leigos, leigas, religiosas ou até a padres e outros grupos pastorais comprometidos com a causa dos pobres, com igual atitude em relação aos movimentos populares, constantemente agredidos por suas palavras e atos, tratando aos pobres com arrogância e desprezo, enquanto trata com privilégio os ricos e poderosos e seus respectivos interesses. Para tanto, não hesita em apelar, quando lhe convém, e de forma unilateral, aos rigores do Código de Direito Canônico, como o fez em relação à suspensão de ordens do Pe. Luiz Couto.

Seu mais recente ato de desrespeito e de preconceito contra os pobres e suas legítimas demandas se deu por meio da imprensa local – na qual aparece com uma freqüência pouco recomendável a um pastor de quem se espera discrição e prudência. Desta feita, numa atitude de afronta a um pleito legítimo e justo como é o Plebiscito pelo limite do tamanho da propriedade da terra, no Brasil, medida já tomada inclusive por diversos países, inclusive a Itália, bandeira amplamente consensual entre as organizações de base da sociedade brasileira (pleito assumido pela CNBB, pelo CONIC e mais de cinqüenta entidades e movimentos populares) e que tem fundamento na própria Doutrina Social da Igreja e nos Documentos da CNBB.

Eis que, sem tomar em conta sequer os documentos que fundamentam a iniciativa, Dom Aldo Pagotto vai ao Correio da Paraíba, em coluna assinada pelo mesmo, em artigo publicado a dois dias do início do referido Plebiscito, e trata de questionar – já a partir do título capcioso de seu artigo “Limite à propriedade produtiva?”- a validade do Plebiscito, tecendo insinuações injuriosas- inclusive de roubo – contra os pobres e contra os movimentos populares. Não contente com a desfeita, volta à sua coluna semanal de domingo, dia 5 de setembro, em pleno período de realização do referido Plebiscito, para reiterar sua posição.

Diante desses fatos graves, em que é o próprio pastor que se mantém intransigente em seu comportamento sistemático de semear o divisionismo em seu rebanho, vimos solicitar encarecidamente às diferentes instâncias eclesiais que os Srs. representam, a substituição do atual arcebispo, Dom Aldo Pagotto, convencidos que estamos, por fatos concretos de que ele não atende aos requisitos pastorais e pedagógicos de um pastor, no cuidado de seu rebanho.
Confiantes em sua prudência pastoral, e aguardando seu pronunciamento e as providências urgentes que o caso requer, expressamos-lhes nossas saudações fraternas.
 
Alder Júlio Ferreira Calado – Diácono
Elias Cândido do Nascimento – Leigo, Coordenador do MTC/NE-II
Genaro Ieno – Ex-Agente de Pastoral Leigo
Rolando Lazarte – Sociólogo, ex-professor da UFPB
Lívia Lima Pinheiro – Leiga, ex-Membro da Equipe Exec. Setor Juvent.
Romero Venâncio Júnior – Leigo, Professor Universitário
Genielly Ribeiro da Assunção – Leiga
José Brendan Macdonald – Leigo, Assessor na formação de jovens do meio popular
Eduardo Côrtes Aranha – Leigo
Antônio Alberto Pereira – Professor da UFPB
Ricardo Brindeiro – Animador das Pastorais Sociais
Arivaldo José Sezyshta – Coordenador do Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste
Maria Angelina de Oliveira – Ex-Coordenadora da JOC (nacional e internacional)
José Gilson Silva Alves – Dirigente Sindical (SINTER – PB)
Luiz Lima de Almeida – Dirigente Sindical (SINTR – PB)
Renato Paulino Lanfranchi – Leigo, ativista de direitos humanos
Raimundo Nonato de Queiroz – Educador de Jovens Cristãos
Luciano Batista de Souza – Nós Também Somos Igreja
Luciano de Sousa Silva – Professor da UFPB
João da Cruz Fragoso – Leigo, membro do Grupo Nós Também Somos Igreja
José Marcos Batista de Moraes – Assessor da Past. Juventude/ C.G
Gilma Fernandes B. Madruga – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos
Samantha Pollyanna M. Pimentel – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos
Íris Charlene Lima de Abreu – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos
Janaína Brasileiro Formiga – Leiga, Educadora de Jovens Cristãos
José Washington de Oliveira Castro Júnior – Leigo, Educador de Jovens Cristãos
Magdala Cavalcanti de Melo – Leiga, membro do Grupo Nós Também Somos Igreja
Valdênia Paulino Lanfranchi – Advogada de Direitos Humanos
Pedro Ferreira de Lima – Diretor do SINTRICOM
Luiz Muniz de Lima – Diretor do SINTRICOM
Maria José Moura Araújo – Projeto Sal da Terra
Erasmo França de Sousa – SINTRICOM
Josiana da S. Ferreira – SINDTESP
José Laurentino da Silva – SINTRICOM
Ednalva Costa da Silva – SINTRICOM
Rafaela Carneiro Cláudio – Leiga, Coord. Assembléia Popular
Adenilton Felinto da Silva – Leigo – Educador Popular
Rosa Lisboa – Leiga – Educadora Popular
Gleyson Ricardo A. de Melo – Leigo, Assembléia Popular
Dora Delfino – Leiga, Rede de Educadores do NE
João Batista da Silva – Leigo
José Santana – SINTRICOM
Eulina Pereira Ferreira – Projeto Sal Terra
Gilberto Paulino de Oliveira – CUT
Edmilson da Silva Souza – Leigo
Francisco D. H. dos Santos – Leigo
Eliana Alda de F. Calado – Leiga
Maria de Oliveira Ferreira Filha – Professora da UFPB
Nilza Ribeiro – Leiga

(Site Conversa Afiada)

Lula diz que Dilma é redenção das mulheres

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“Principal cabo eleitoral da petista Dilma Rousseff na corrida ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o primeiro comício do segundo turno, na cidade-satélite de Ceilândia, no Distrito Federal, para defender a escolha da petista como concorrente governista à presidência da República. Ele citou a luta histórica para que as mulheres pudessem ter direito a voto. Lula ainda relembrou como apontou Dilma a sua potencial sucessora e pediu que a militância se mobilize até o dia 31 de outubro e evite a aproximação de adversários, como o tucano José Serra (PSDB).

“A gente não pode achar que tem eleição ganha antes do dia da eleição, ficar em casa, guardar nossa bandeira porque daqui a pouco o povo adversário está ocupando. Se a gente começa a contar a vitória antes do tempo, acontece o que aconteceu com o Fluminense e o Corinthians antigos líderes do Campeonato Brasileiro de futebol. Não tem como eleger se a gente não transformar a eleição dele, do candidato, em uma profissão de fé. A partir de agora, não vamos tirar mais nossas camisas, bandeiras e adesivos”, disse.

“A gente vai olhar para nossa companheira mulher e não vamos dizer que gostamos dela porque ela vai lavar a panela. A gente vai lavar a panela para ela. A gente vai ser menos autoritário e mais companheiro. Queremos começar a ser a redenção das mulheres no Brasil e no mundo e, para isso, ela tem que ser eleita presidente da República”, afirmou Lula, que voltou a reconhecer que Dilma ficou “chateada” por não ter liquidado a eleição no primeiro turno.

“Você também ficou chateada: ‘por que eu não ganhei no primeiro turno’? Só pode ser o dedo de alguém lá de cima. Conheço a Dilma há muito tempo e conheço o seu adversário há muito tempo. Não tenho dúvida, é muito mais competente que seu adversário”, explicou Lula ao eleitorado do DF ao enfatizar a importância de uma mulher se tornar chefe máxima do executivo federal.

“Que diabo esse Lula com tanto macho perto dele, com tanto macho que cerca ele a vida inteira, foi escolher uma mulher para ser presidente da República? Poderia ter escolhido um deputado, um senador, um governador. Hoje, estou convencido que a minha decisão foi certa. No primeiro turno 67% do povo brasileiro falou que queria votar em uma mulher para presidente da República. Ela é a representação maior que as mulheres já tiveram na política brasileira”, disse o presidente ao combater a suposta falta de experiência política da ex-ministra da Casa Civil e, explicando que Dilma não tem “vícios” de políticos com carreira mais longa.

“Ela não tinha os vícios que muitos candidatos já tiveram. Ela tinha um vício que eu gosto, que é o vício de trabalhar, da dedicação e da competência, de ser melhor que seu adversário na disputa de 2010. Os defeitos que alguns acham que a Dilma tem, na minha opinião, são as virtudes para as quais eu e vocês já a escolhemos no primeiro turno”, completou o presidente no comício na cidade de Ceilândia, um dos maiores colégios eleitorais do Distrito Federal.

“Já começo a sentir um pouco de saudade cada vez que eu falo. Oito anos é muito longo para quem faz oposição, mas para quem está no governo não é nada. Agora que eu aprendi a governar. Vou sair do governo com uma sensação de coisa boa, essa relação que eu estabeleci com o povo brasileiro. Tenho a certeza de que nós iremos criar um outro patamar para esse país. A Dilma sabe como fazer, vai fazer mais e melhor”, afirmou.”

(JB Online)

Serra usará telefonia para defender privatizações

“O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, deverá insistir no exemplo das telecomunicações como modelo de privatização bem sucedido no governo FHC. Na madrugada de ontem, após participar do debate da Band, Serra mostrou apreensão com a insistência da adversária Dilma Rousseff (PT) na abordagem do assunto. E consultou aliados sobre a eficácia do argumento de que, sem a privatização, não haveria tanto acesso a linhas telefônicas e o país ainda se comunicaria via orelhão.

No que depender do comando da campanha de Serra, o candidato irá recorrer ao caso das teles e da siderurgia toda vez que a candidata petista falar em privatização. Além de ser de fácil compreensão, tem apelo popular. Para os próximos debates, Serra pretende lembrar como o telefone celular facilitou a vida dos menos favorecidos. Outro argumento será o de que o PT também privatizou.”

 (Folha Online)

Greve dos bancários pode estar chegando ao fim

“A nova proposta de reajuste de 7,5% apresentada nesta segunda-feira aos representantes dos bancários pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) pode acabar com a greve da categoria, que já dura 13 dias.

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), pela proposta o aumento real será de 3,08% para quem ganha até R$ 5.250. Já aqueles com salários acima desse valor podem optar pelo mais vantajoso: aumento fixo de R$ 393,75, ou 4,29% a título de reposição da inflação.

Em geral, os 7,5% também serão aplicados nos benefícios, como vale-refeição e outros.

Para o piso salarial, a proposta é elevar de R$ 1.074,46 para R$ 1.250, reajuste de 16,33%.

A Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que tem regra básica de 90% do salário mais adicional, terá 14,28% de aumento no adicional, com teto ampliado de R$ 2.100 para R$ 2.400.

– A proposta avançou. Tem aumento real maior, valorização do piso e melhora no adicional da PLR – destaca o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, lembrando que a proposta será avaliada pelos trabalhadores em assembleias em todo país nesat terça-feira.

– A expectativa é boa. Mas até lá, o movimento será mantido – afirmou o dirigente sindical, referindo-se à greve que atingiu nesta segunda-feira mais de 8 mil agências em todo o país.”

(Globo)

NO CEARÁ – Nesta quarta-feira, às 17 horas, na sede sindical, em Fortaleza, os bancários realizarão assembleia geral para avaliar a proposta. Informa para o Blog o diretor da entidade, Marcos Saraiva.

Pedro Malan e seu "Diálogo de surdos"

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Eis artigo do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, veiculado nesta segunda-feira no Estadão. O título é curioso – “Diálogo de surdos”. Confira:

O presidente Lula, com uma arrogância por vezes excessiva, tentou transformar em plebiscito o primeiro turno desta eleição. Como se o que estivesse em jogo fosse seu próprio terceiro mandato (ainda que por interposta pessoa), um referendo sobre seu nome, uma apoteose que consagraria seu personalismo, seu governo e sua capacidade de transferir votos. Mas cerca de 52% dos eleitores votaram em José Serra e Marina Silva, negando a Lula a tão esperada vitória plebiscitária no domingo passado.

Não é de hoje o desejo presidencial: “Lula quer uma campanha de comparação entre governos, um duelo com o tucano da vez. Se o PSDB quiser o mesmo… ganharão os eleitores e a cultura política do País.” Assim escreveu Tereza Cruvinel, sempre muito bem informada sobre assuntos da seara petista, em sua coluna de janeiro de 2006. Não acredito que a “cultura política” do País e seus eleitores tenham muito a ganhar – ao contrário – com essa obsessão por concentrar o debate eleitoral de 2010 numa batalha de marqueteiros e militantes.

Afinal, na vida de qualquer país há processos que se desdobram no tempo, complexas interações de continuidade, mudança e consolidação de avanços alcançados. O Brasil não é exceção a essa regra. Como escreveu Marcos Lisboa, um dos mais brilhantes economistas de sua geração: “Não se deve medir um governo ou uma gestão pelos resultados obtidos durante sua ocorrência e, sim, por seus impactos no longo prazo, pelos resultados que são verificados nos anos que se seguem ao seu término. Instituições importam e os impactos decorrentes da forma como são geridas ou alteradas se manifestam progressivamente…”

Ao que parece, Lula e o núcleo duro à sua volta discordam e estão resolvidos a insistir numa plebiscitária e maniqueísta “comparação com o governo anterior”. Feita por vezes, a meu ver, com desfaçatez e hipocrisia. Um discurso primário que, no fundo, procura transmitir uma ideia básica (e equivocada) ao eleitor menos informado: o que de bom está acontecendo no País – e há muita coisa – se deve a Lula e ao seu governo; o que há de mau ou por fazer – e há muita, muita coisa por fazer – representa uma herança do período pré-2003, que ainda não pôde ser resolvida porque, afinal de contas, apenas em oito anos de lulo-petismo não seria mesmo possível consertar todos os erros acumulados por “outros” governantes ao longo do período pré-2003.

Mas talvez seja possível, por meio do debate público informado, ter alguns limites para a desfaçatez e a mentira. Exemplo desta última: a sórdida, leviana e irresponsável acusação de que “o governo anterior” pretendia privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, entre outros. Algo que nunca, jamais, esteve em séria consideração. Mas a mentira, milhares de vezes repetida, teve efeito eleitoral na disputa pelo segundo turno em 2006 – por falta de resposta política à altura: antes, durante e depois.

Exemplos de desfaçatez: o governo Lula não “recebeu o País com a inflação e o câmbio fugindo do controle”, como já li, responsabilizando-se o governo anterior. A inflação estava sob controle desde que o Real foi lançado no governo Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso na Fazenda, e se aumentou para 12,5% em 2002 foi porque o câmbio disparou, expressando receios quanto ao futuro. Receios não sem fundamento, à luz da herança que o PT havia construído para si próprio, até o começo de sua gradual desconstrução, apenas a partir de meados de 2002. O PT tinha e tem suas heranças.

O governo Lula não teve de resolver problemas graves de liquidez e solvência de parte do setor bancário brasileiro, público e privado. Resolvidos na segunda metade dos anos 90 pelo governo FHC. Ao contrário, o PT opôs-se, e veementemente, ao Proer e ao Proes e perseguiu seus responsáveis por anos no Congresso e na Justiça. Mas o governo Lula herdou um sistema financeiro sólido que não teve problemas na crise recente, como ajudou o País a rapidamente superá-la. Suprema ironia ver, na televisão, Lula oferecer a “nossa tecnologia do Proer” ao companheiro Bush em 2008.

O governo Lula não teve de reestruturar as dívidas de 25 de nossos 27 Estados e de cerca de 180 municípios que estavam, muitos, pré-insolventes, incapazes de arcar com seus compromissos com a União. Todos estão solventes há mais de 13 anos, uma herança que, juntamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal, de maio de 2000 – antes, sim, do lulo-petismo, que a ela se opôs -, nada tem de maldita, muito pelo contrário, como sabem as pessoas de boa-fé.

As pessoas que têm memória e honestidade intelectual também sabem que as transferências diretas de renda à população mais pobre não começaram com Lula – que se manifestou contra elas em discurso feito já como presidente em abril de 2003. O governo Lula abandonou sua ideia original de distribuir cupons de alimentação e adotou, consolidou e ampliou – mérito seu – os projetos já existentes. O que Lula reconheceu no parágrafo de abertura (caput) da medida provisória que editou em setembro de 2003, consolidando os programas herdados do governo anterior.

Outros exemplos. Sobre salário mínimo: não é verdade que tenha começado a ter aumento real no governo Lula, como quer a propaganda. Sobre privatização: o discurso ideológico simplesmente ignora os resultados para o conjunto da população – e, indiretamente, para o atual governo.

O monólogo do “nunca antes” não ajuda o diálogo do País consigo mesmo. O ilustre ex-ministro Delfim Netto bem que tentou: “A eleição de 2010 não pode se fazer em torno das pobres alternativas de ou voltar ao passado ou dar continuidade a Lula. A discussão precisa incorporar os horizontes do século 21 e a superação dos problemas que certamente restarão de seu governo.” 

ECONOMISTA, FOI MINISTRO DA FAZENDA NO GOVERNO FHC

E-MAIL: MALAN@ESTADAO.COM.BR

Frei Beto na defesa de Dilma

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Eis artrigo do Frei Beto, onde ele defende a candidata petista à presidência da República, Dilma Rousseff, de ataques por causa da polêmica em torno do aborto. O título é “Dilma e a fé cristã”. Confira:

Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte.
Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de “marxista ateia”.

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria, terrorista- acusar Dilma Rousseff de “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos.
Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.

Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que “a árvore se conhece pelos frutos”, como acentua o Evangelho. É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.

Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto… Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: “Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes…” (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz. Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

Frei Beto.

DETALHE – Frei Beto é ligado ao Partido dos Trabalhadores.

Batina eleitoral – Dom Aldo Pagotto diz que aborto faz parte do programa do PT

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=H0vRZu4f7Vk[/youtube]

Eis um vídeo que circula na internet e tem como principal personagem Dom Aldo Pagotto, que foi bispo em Sobral, a terra natal do governador Cid Gomes: ele diz que a questão da descriminalização do aborto faz parte do programa do PT e alerta cristãos para o fato. Essa postura de dom Aldo não surpreende. Quando atuando no Ceará, ele sempre se posicionou simpático ao PSDB.

Ipea prevê: Sucessor de Lula terá que redefinir papel do Bolsa Família

“Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) poderão ter de mexer na principal ação social do governo Lula: o Programa Bolsa Família. A avaliação é de Serguei Soares, doutor em economia e especialista da área social do Instituto Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo ele, saber qual a vocação do programa: fazer a proteção social dos mais pobres ou gerar oportunidades para superação da pobreza, deverá entrar na agenda do próximo governo.

“As duas coisas são incompatíveis”, acredita Serguei e “exigem abordagens diferentes para públicos diferentes”. Conforme o analista, a proteção social deve ser uma ação ativa do Estado sem a exigência de contrapartidas, isso porque “os pobres não são pobres à toa. As famílias mais pobres são as mais vulneráveis e desestruturadas, têm mil e um problemas, alguns conhecemos e outros nem imaginamos”.

Na avaliação de Serguei Soares, além dessa demanda há setores na sociedade que esperam que “o Bolsa Família, como se diz na sabedoria popular, não dê o peixe, mas ensine a pescar”. Isso significa orientar o programa “não para o mais pobre entre os pobres, mas para aquele cidadão que com alguma ajuda decola e sai da linha de pobreza”, disse se referindo à oferta de mais microcrédito e de treinamento profissional, por exemplo. “Se é um programa de proteção social, ninguém deve cobrar porta de saída. É para todos, é universal”, diferencia. O economista aposta que a escolha, “que não é urgente”, será dispor dos dois instrumentos.

Para ele, o programa é “bem gerido” e tem “sucesso inquestionável”. O Bolsa Família “é tão bem pensado que a gente pergunta porque se demorou tanto a descobrir uma coisa óbvia: se alguém é pobre a solução é dar dinheiro para esse alguém!”, afirmou ao comentar que é o êxito do programa que leva ao impasse sobre o qual o próximo governo decidirá.

Atualmente, o Bolsa Família atende a 12,7 milhões de famílias e faz a transferência direta de renda com condicionalidades básicas: a frequência escolar, cartão de vacinação em dia; e realização do acompanhamento pré-natal pelas gestantes. O programa deverá transferir este ano R$ 13,1 bilhões. Durante o primeiro turno, o Bolsa Família foi mencionado de forma elogiosa pela maioria dos candidatos, que inclusive prometiam a ampliação do programa.”

 (Agência Brasil)

Pós-Eleição – Câmara dos Deputados vai gastar R$ 11,2 mil em desratização

“Passado o primeiro turno das eleições para deputados, senadores, governador e presidente, a Câmara Federal, em Brasília, renovou seu compromisso de exterminar ratos e insetos. Assim como faz todo ano, o órgão empenhou (reservou em orçamento), desta vez, R$ 11,2 mil para pagar serviços de desinsetização e desratização a ser realizado em áreas comuns e privativas dos blocos de apartamentos funcionais dos deputados, na capital federal. Os serviços foram solicitados pela Coordenação de Habitação da Casa. Resta torcer para que os bichos não morram de forma sofrida.

Além disso, a Câmara comprometeu mais R$ 3 mil para serviços de confecção de arranjos florais. A nota de empenho, documento que antecede a despesa pública, não informa, porém, para onde serão levados esses arranjos, nem quando.”

(Site Contas Abertas)

Basílica de Aparecida espera 330 mil romeiros

“Pelo menos 330 mil pessoas devem visitar a Basílica de Aparecida, no Vale do Paraíba, durante os quatro dias do feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida. O santuário nacional dedicado à padroeira do Brasil, localizado no município de Aparecida, a 168 quilômetros da capital paulista, recebe turistas e fiéis de todo país.

De acordo com a administração do santuário, o maior movimento de visitantes é esperado para amanhã (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida. Cerca de 165 mil pessoas devem passar pela cidade. Para hoje, não foi divulgada a previsão.

Uma programação especial de eventos foi organizada para a celebração do feriado na cidade. A missa solene de amanhã, às 10h, e a procissão solene, às 16h, são os dois mais aguardados.

Para proteção dos turistas, mais de 210 seguranças privados vão trabalhar no feriadão. Além deles, 400 policiais militares serão responsáveis pela segurança dos visitantes.

Na principal estrada de acesso à Aparecida, a Via Dutra, um esquema de atendimento a motoristas também foi montado para o feriado. A CCR Nova Dutra, concessionária que administra a rodovia, informou que 11 colaboradores e oito veículos de apoio estarão posicionados perto da basílica.

Segundo a concessionária, o maior movimento de ônibus de romeiros deve ocorrer na terça-feira, entre 2h e 9h, e também após as 15h.

O santuário recomenda que romeiros cheguem cedo para que possam garantir local no estacionamento. Pede também que os visitantes que vêm em excursões que levem o nome e telefone de contato de seus guias para que possam encontrá-los caso se percam.”

(Agência Brasil)

Erenice tirou mais votos de Dilma do que igrejas

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“Os fatos que levaram à queda da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno do que questões relacionadas à religião. Segundo pesquisa Datafolha realizada na última sexta, cerca de 6% dos eleitores mudaram seu voto, considerando tanto Dilma quanto José Serra (PSDB), por conta dos casos que marcaram a reta final do primeiro turno.

Desse total, Dilma perdeu cerca de quatro pontos percentuais entre o total de eleitores. Aproximadamente 75% das perdas ocorreram por conta dos escândalos recentes no governo.
O restante, por questões relacionadas à religião- não exclusivamente envolvendo a posição da candidata sobre o aborto. Já Serra perdeu dois pontos percentuais. Tanto pelo caso de quebra de sigilo de tucanos quanto pelo caso Erenice. Os dois casos podem ter levantado suspeitas sobre irregularidades fiscais dos citados ou envolvimento de tucanos nas denúncias, por exemplo.

A perda de eleitores de Dilma, que conquistou 47% dos votos válidos no primeiro turno, foi de aproximadamente 4 milhões de eleitores. A de Serra, que teve 33% dos votos válidos, de 2 milhões. Como a margem de erro do levantamento (feito com base em 3.265 entrevistas em todo o país) é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o total de votos perdidos pode ter sido maior ou menor na mesma proporção da margem de erro.

O percentual de eleitores no país que tomou conhecimento dos casos Erenice Guerra e da quebra de sigilo de tucanos é expressivamente maior do que o do total que recebeu alguma orientação de sua igreja para que deixasse de votar em determinado candidato. Os resultados da pesquisa, portanto, não confirmam a tese de que foi o voto relacionado a questões religiosas que levou a eleição presidencial ao segundo turno. Tomaram conhecimento do caso Erenice 48% dos eleitores. No caso da quebra de sigilos, foram 56%.

Já o total que recebeu alguma orientação na igreja que frequenta para que deixasse de voltar em algum candidato a presidente atingiu 3%. Os dois casos que mais pesaram na mudança de votos dos eleitores na reta final do primeiro turno tiveram influência direta de reportagens publicadas pela Folha.

O primeiro (quebra de sigilo) foi revelado pelo jornal em junho, muito antes do primeiro turno.
Em relação à queda de Erenice, o caso foi levantado inicialmente pela revista “Veja”. Mas foi uma reportagem da Folha que levou à queda da ex-ministra no dia 16 de setembro, a duas semanas do primeiro turno.

As denúncias de tráfico de influência na Casa Civil foram determinantes para mudanças de voto principalmente entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, mostra o Datafolha.
Entre os que votaram em Marina (que teve 19% dos votos válidos), 7% dizem ter deixado de votar em Dilma por conta do caso Erenice. Chega a 1% do total do eleitorado o percentual dos que dizem ter deixado de votar em Dilma Rousseff para votar em Marina por causa da queda de Erenice Guerra. A taxa dos que fizeram o mesmo por recomendação da igreja não alcança 1% do eleitorado.

(Folha)

Dilma e Serra trocam farpas em debate

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“No mais duro debate travado nesta campanha presidencial, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra trocaram ataques neste domingo (10) e usaram estratégias diferentes. Enquanto a ex-ministra da Casa Civil acirrou as críticas, em especial à gestão do adversário no governo de São Paulo, o ex-governador se esforçou para conciliar propostas e ataques, nos quais acusou a rival de ser incoerente.

  • Candidatos José Serra e Dilma Rousseff durante debate na Band

A preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas, também mirou a gestão de Serra nos ministérios do Planejamento e da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso. O tucano evitou criticas diretas ao mentor da candidatura de Dilma, mas retomou o tema aborto, dominante na primeira semana após a votação de primeiro turno, em 3 de outubro.

Os ataques mais duros foram trocados no primeiro bloco do debate da TV Bandeirantes. Dilma acusou a campanha do rival de promover “mentiras e calúnias” contra ela. Serra indicou que a petista busca a “vitimização” e questionou sua fé – um aspecto que promoveu mudanças no programa da ex-ministra no horário eleitoral obrigatório para atender o eleitorado religioso, que se afastava dela.

O tucano também afirmou que é atacado indevidamente por simpatizantes da petista. “São blogs com seu nome. Fazem ataque à família, amigos. É uma campanha orquestrada, que trata de ideias que não tenho”, disse.

Quando a temática parecia se inclinar para temas ligados a religião e saúde –assunto que fez Serra acusar a rival de ter “duas caras”-, Dilma se concentrou nas privatizações feitas durante a gestão tucana no Palácio do Planalto. Mais tarde, o segundo colocado nas pesquisas ironizou a adversária pelo tom inédito em debates por parte dela.

“Tenho que confessar que eu estou surpreso com essa agressividade, esse treinamento da Dilma Rousseff, que esta se mostrando como é de verdade”, afirmou.

Além das privatizações, a petista fez ataques nas políticas de educação e de segurança do governo Serra em São Paulo, Estado onde os dois tiveram votação próxima no primeiro turno. Dilma acusou o PSDB de ser favorável a privatizações e centrou suas perguntas e respostas nesse assunto nos segundo e terceiro blocos do encontro, que, de acordo com a Bandeirantes, teve picos de 6 pontos de audiência.

Privatizações e incoerência

Durante o segundo e terceiro blocos do primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, Dilma e Serra trocaram acusações sobre privatização. A petista se esforçou para cravar a pecha no adversário, que viu incoerência da ex-ministra por ter elogiado a abertura do capital da Petrobras, feita no governo FHC.

A petista comparou a saúde financeira da Petrobras durante os governos FHC e Lula e sugeriu que Serra seria a favor da privatização da empresa. O tucano disse que a gestão atual aumentou a presença de capital privado no Banco do Brasil e privatizou dois bancos regionais. A petista preferiu concentrar as críticas nas posições de tucanos sobre a Petrobras e a exploração do petróleo do pré-sal.

“[A Petrobras] teve um processo de capitalização que arrecadou US$ 70 bilhões”, afirmou Dilma, sobre a recente operação conduzida pela estatal. “Vocês só conseguiram arrecadar US$ 7 bilhões”. Serra respondeu que “é só chegar a campanha eleitoral e o PT vem sempre com essa história”. Na votação de 2006, o assunto ampliou a vantagem de Lula, candidato à reeleição, sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

“No caso de venda de empresas públicas, eles reclamam que venderam ações no governo passado, mas não falam do Banco do Brasil, que colocou [ações] em Nova York”, disse o tucano.

Dilma criticou o adversário por vender a Nossa Caixa, banco paulista que foi repassado ao governo federal. E levantou suspeitas sobre se Serra não faria o mesmo caso seja eleito presidente, ao comentar sobre programas educacionais que Serra terminou depois de assumir o governo deixado por Alckmin.

Políticas, ataques e aborto

Depois de dizer que quer uma política educacional na qual “professor não seja tratado a cassetete”, em ataque indireto ao rival, a petista questionou Serra com uma acusação. “Eu acho que a sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. Essas calúnias têm sido muito claras”, disse.

“Tenho visto o seu vice, Índio da Costa. A única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até aproveitando a fé das boas pessoas, para me atingir, em questões religiosas. Essa forma de campanha que usa o submundo é correta?”, questionou.

Serra começou com tom ameno, mas endureceu o debate aos poucos. “Me solidarizo com quem é vítima de ataques pessoais. Tenho recebido muito ataque e muita calúnia, até antes da campanha”, disse. “Mas nós somos responsáveis por aquilo que pensamos e aquilo que falamos. A população cobra programa de governo, mas cobra também conhecimento sobre os candidatos.”

Em seguida, o tucano acusou a petista de mudar de opinião sobre a legalização do aborto. O tema interessa a muitos dos eleitores que em 3 de outubro votaram na evangélica Marina Silva (PV) para a Presidência. A candidata verde somou quase 20% dos votos válidos e seu apoio é disputado pelos dois presidenciáveis.

“Na questão do aborto, você disse isso no debate da Folha, no UOL, que era a favor do aborto. Depois, disse que era contra. Isso não é estratégia de adversário”, disse. O tucano afirmou ainda que a petista “não sabe bem se acredita ou se não acredita” em Deus. “E depois vira uma devota”, disse, para depois emendar ataques a Erenice, demitida por suspeita de ilegalidades na Casa Civil.

“Seu braço direito organizou um grande esquema de corrupção. Você não tem nada a ver, é tudo alheio a você”, disse, em tom de ironia. Depois dessa resposta, Serra ouviu a adversária dizer, como fez em vários momentos do debate, que ele tem “mil caras”.

Depois disso, Dilma criticou Serra por acusar sua campanha de ter ligação com vazamentos de sigilos fiscais na Receita Federal. “A última mentira e calúnia contra mim: vocês diziam que a minha campanha tinha aberto sigilo fiscal. Hoje o juiz te denunciou e você é réu. Você se cuida, porque está dando os primeiros passos para entrar na questão da ficha limpa”, afirmou.

“Tem uma campanha contra mim. Você regulamentou o acesso ao aborto no SUS [Sistema Único de Saúde]. Eu concordo com a regulamentação. Entre prender e atender, eu fico com atender”, disse a petista.”

(Portal Uol)